Kaká

Uma enquete do jornal Gazzetta dello Sport de hoje anota que mais de 60% dos votantes (que já eram mais de 30 mil no momento da minha consulta) achavam que Kaká deveria ser vendido se a proposta de £100 milhões (cerca de R$ 346 milhões)feita pelo Manchester City fosse feita. A leitura tola é: “são os torcedores dos outros times”. Mas não é essa a leitura correta.

Kaká é um craque. Será um dos maiores de todos os tempos. Está muito à frente de Cristiano Ronaldo (para citar o atual Bola de Ouro) e só Messi parece ter potencial para igualá-lo. Ronaldinho Gaúcho, se não tiver nenhum problema físico misterioso (e vontade) pode igualá-lo. Superá-lo me parece difícil.

Mesmo com todas essas credenciais, uma proposta dessas, que realmente é indecente, uma imbecilidade que só um mundo como o de hoje permite, tem de ser aceita. Com esse dinheiro, o Milan pode comprar quase um time que, mesmo sem o brasileiro, pode superar em muito o atual elenco.

Kaká é grandioso na imposição da jogada e na avaliação correta entre a diferença do momento entre o drible e o passe (coisa que Robinho não sabe fazer quase nunca). Carrega o Milan nas costas há duas temporadas. Mas não vale esse dinheiro. Talvez Pelé, no auge de sua forma, com 25 anos, pudesse valer. Mas ninguém mais.

O torcedor, não nos esqueçamos, quer ver seu time vencer jogando bem. Kaká faz isso, mas uma quantia irreal de R$ 350 milhões (capaz de comprar, digamos, todo o time campeão brasileiro do São Paulo e ainda os melhores jogadores de Cruzeiro, Grêmio e Palmeiras) pode fazer mais. O torcedor italiano, votando em 60% pela venda, se mostra mais racional do que a média.

Cassiano Gobbet
Cassiano Gobbet é jornalista, formado pela Universidade de São Paulo e mestre em jornalismo digital pela Bournemouth University.
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