Uma das rivalidades mais quentes da Série A é aquelea que envolve Roma e Juventus. Nos últimos vinte anos, os dois clube acirraram a disputa política com acusações, farpas, xingamentos, e não raro, baixarias. E a coisa só piorou nos últimos três anos, desde que a Roma, turbinada por sua entrada no mercado de ações, passou a tentar competir com a Juventus em pé de igualdade. Pois a Juventus está retrucando.

O clube da capital italiana tinha se decidido por três reforços como sendo os vitais para sua campanha de contratações. O primeiro era o defensor Nicola Legrottaglie, do Chievo, o segundo era o meio-campista Stephan Appiah, do Parma (que teve uma temporada excelente no Brescia, emprestado) e o atacante Zlatan Ibrahimovic, do Ajax.

Dos três negócios da Roma, a Juventus já arruinou dois. O time bicampeão italiano ultrapassou a Roma na compra de Legrottaglie, e na última sexta, se assegurou também o volante Appiah. De quebra, ainda interferiu na negociação da Roma com a segunda opção à Legrottaglie, o brasileiro Lucio, do Bayer Leverkusen, e assim, o zagueiro campeão mundial não só não foi para Roma como também desceu a boca no clube de Totti e Emerson.

O golpe da Juventus foi magistral. Conseguiu impedir o reforço da adversária, melhorou o próprio elenco e ainda expôs a nítida diminuição de poder econômico da Roma, que voltou a ter os recursos de um time médio. O abatimento não será só esportivo, mas também psicológico, uma vez que o capitão Francesco Totti e o técnico Fabio Capello devem ter ficado profundamente frustrados.

Apesar de Capello ter contrato até 2005, não se exclui a possibilidade de que o técnico troque de time. Numa bate-boca via jornais com o presidente da Roma, Franco Sensi, Capello acabou ouvindo que o clube daria graças a Deus se o técnico resolvesse trocar de emprego. Por mais estapafúrdia que pareça a declaração, explica-se: o salário do técnico é nababesco, e só perde para os vencimentos de Totti. Assim, sem Capello, a crise financeira teria um ingrediente complicador a menos.

A manobra juventina foi tão azeitada que o elenco romanista acabou perdendo a paciência e ameaçando colocar a Roma na justiça para obter seus salários atrasados. E se isso acontecesse, o clube não poderia se inscrever no campeonato. No entanto, esta hipótese catastrófica ainda parece consideravelmente distante.

O detalhe aqui é que a Série A desta temporada já começou. A luta entre Roma e Juve deve ser a mais vigorosa deste verão europeu. Os clubes lutam por reforços e para evitar que os adversários se reforcem de maneira melhor. Se o atual panorama se mantiver, uma coisa fica clara: a Roma estará definitivamente fora pela luta pelo título, e provavelmente, até mesmo fora da luta por espaço na Liga dos Campeões. Aguardemos, porque esta novela ainda tem muito chão pela frente.

Cuper pede, Moratti atende

É provável que o presidente da Inter, Massimo Moratti, tenha se tocado que acabou a um passo do título nas duas últimas temporadas em decorrência de sua teimosia, e assim, resolveu atender os pedidos do técnico Hector Cúper para os reforços desta temporada. E por incrível que pareça, a Inter começou bem.

O maior problema da Inter há anos é o da lateral-esquerda. Francesco Coco, trocado por Seedorf com o Milan, era a esperança interista para acabar com a “maldição de Roberto Carlos” (depois que o brasileiro saiu do clube, em 1996, nunca mais a Inter fixou alguém por ali). Neste ano, caso Coco não se livre de suas contusões, os alvos da Inter serão o brasileiro César, da Lazio, e Zauri, da Atalanta.

Mas o grande drama enfrentado por Cúper foi a falta de alas em seu 4-4-2 pragmático. Sem a resposta vindo das faixas laterais do campo, os gols da Inter só saíam em lances individuais do trio Vieri-Crespo-Recoba. Até que a Inter marcou bastante no último torneio (foram 64 gols), mas a falta de fluência era evidente.

A primeira contratação foi o ala Luciano, do Chievo, aquele que se chamava Eriberto e jogou no Palmeiras. Luciano teve uma temporada atormentada pelos sete meses de suspensão causados pelo imbróglio da sua documentação falsa, mas duas temporadas atrás, teve um rendimento espantoso. Luciano é o melhor da sua posição  na Itália, e caso a mídia e a comissão técnica tenham maior atenção, podem encontrar ali o substituto de Cafu, procurado, em vão, há anos.

Outro negócio já fechado é a contratação de Sabri Lamouchi, volante francês do Parma, que deve ocupar o miolo do meio-campo ‘nerazzurro’ juntamente com Cristiano Zanetti. Lamouchi deve dar ao setor uma maior cadência, indicando que Luigi Di Biagio deve passar o ano na reserva ou até ser vendido. Cuper já tinha pedido a contratação de Lamouchi no ano passado, mas a teimosia interista venceu a razão, com conseqüências ruins para o clube.

Para fechar o grupo, Cuper ainda precisa de um ala esquerda. Três são os nomes que a imprensa vem apontando insistentemente. O primeiro é Andy Van Der Meyde, jovem promessa do Ajax, que tem um preço tratável (US$ 8 mi) para a Inter. O segundo é o de Kily González, do Valencia, que já trabalhou com o treinador na Espanha; o último é o do sueco Fredrik Ljunberg, sueco do Arsenal, mas que está cansado de não poder lutar pela Liga dos Campeões, e por isso, estaria disposto a abandonar os “gunners”. Ryan Giggs, do Manchester, é sempre mencionado, mas é um caminho remotíssimo.

Para a posição, a situação é a seguinte: O nome ideal é Ljunberg, mais jovem que Kily e mais experiente que Van der Meyde, mas a negociação é complicada (só sai se o Arsenal aceitar Dalmat ou Recoba na troca). Kily González garante fácil adaptação, mas não é um jogador para se abrir um ciclo, já que tem 31 anos. Van der Meyde é uma excelente aposta. Se der certo, garante ao clube pelo menos cinco anos de bom futebol, e ainda pode ser vendido no futuro, por um preço interessante. Mas existe a chance de não vingar. Um palpite? Hoje, Kily González parece a alternativa mais viável.

Semana de altos e baixos para a Lazio

A semana que passou começou muito bem para a Lazio. O clube de Roma, que quase faliu na temporada passada, assegurou um aumento de capital junto aos seus bancos credores, o que permitiu um novo aporte de dinheiro para novas contratações e impedir que jogadores importantes saíssem do elenco.

Assim, a Lazio praticamente garantiu que o meio-campista sérvio Dejan Stankovic e o zagueiro central Jaap Stam permanecerão mais uma temporada no clube. Stankovic e Stam são os jogadores que fazem com que o elenco da Lazio se mantenha entre a elite do futebol italiano. Sem eles, o técnico Roberto Mancini teria de se contentar com uma participação de figurante.

O aumento de capital também fez com que a Lazio pudesse realizar duas importantes negociações. O clube ‘biancoceleste’ contratou o meia chileno David Pizarro e o ala-esquerdo Martin Jorgensen, ambos da Udinese. O time de Udine recebeu, em troca, os passes do armador Fabio Liverani, o ala Lucas Castromán mais US$ 8 milhões.

Mancini está rindo à toa com os dois novos jogadores. Pizarro deve formar com Fiore a dupla de meio-campistas, enquanto Jorgensen deve completar o setor com Stankovic. No papel, um dos melhores meio-campos da Itália. Pizarro é um regista de fina técnica, e Jorgensen um nome que impõe pressão ao jogo pelas laterais. Sob o ponto de vista técnico, uma consolidação importante. Contudo, uma oposição de Liverani à Udinese poderia anular a passagem de Pizarro à Lazio, e a Juventus voltaria a ser rival de mercado. Mas isso é outra história…

No âmbito financeiro, porém, as novidades não foram todas positivas. O atacante Cláudio López estava acertado com o Valencia. A transação era excelente para a Lazio, porque tiraria um grande peso de sua folha salarial (López ganha cerca de US$ 210 mil mensais) e também conseguiria um pesado abatimento na dívida junto ao Valencia, referente ao pagamento pelo meio-campista Mendieta. O problema é que Cláudio López não aceitou e o negócio foi cancelado.

O resultado é que o mercado da Lazio deve se interromper. Mancini pediu, como substituto de López, o romeno Mutu, que foi muito bem no Parma na última temporada. Só que se o argentino não for para a Espanha, as chances da negociação andar são nulas. Contudo, para quem quase faliu há um ano, o panorama de hoje é pura festa.

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Jon Dahl Tomasson, atacante que chegou ao clube a custo zero, foi o único jogador a ter vencido a Copa da UEFA com o Feyenoord, em 2002, e a Liga dos Campeões, em 2003

Pelos cálculos do clube de Milão, vale US$ 15 milhões

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