Mais Juventus, mais Capello

Estupefata. Assim amanheceu a metade ‘giallorossa’ de Roma na manhã de quinta-feira, quando chegaram os primeiros rumores de que Fabio Capello estaria deixando o clube para ir para a arqui-rival Juventus. A mesma Juventus para a qual Capello jurara jamais retornar, resquício da mágoa pela maneira como foi dispensado, ainda jogador.

Capello venceu três ‘scudetti’ em Turim, como jogador. E a menos que algo inesperado aconteça, deve vencer mais do que isso nessa sua nova empreitada. O acerto entre Juve e Capello tem uma mira bem precisa. A Juve tem de voltar a ser Juve – ou seja – voltar a vencer muito, e rápido. Capello também quer retomar o cetro de melhor técnico do mundo. E sabe que em Turim, terá mais condições para isso do que em qualquer outro lugar.

Ambos arriscam muito na jogada. Capello sabe que o clube exige sucessos imediatos, e além disso, deixou uma legião de inimigos em Roma, depois de sua “traição”. E a Juventus resolveu bancar o técnico mais caro possível para fugir de apostas. Um trato bem maquiavélico, italiano. Um acordo entre dois gigantes.

Tanto pior para a concorrência. A especialidade de Capello é a de fazer defesas impenetráveis, exatamente o ponto fraco do time ‘bianconero’ nesta temporada. ‘Don Fabio’ já deu suas indicações para a diretoria. Já contratado o zagueiro Zebina, e acertados os retornos de Blasi e Brighi para o meio-campo, o técnico quer um homem para a parte direita da defesa (Thuram jogará como central).

Se a Juventus conseguir o brasileiro Emerson, prioridade total de Capello (mas que parece destinado ao Real Madrid), fica apenas a dúvida sobre quem será companheiro de ataque de Del Piero, já que a ruptura entre Trezeguet e o clube parece irreversível. Esquema? Quase certamente um 4-4-2, onde Nedved volta a jogar como ala-esquerda, Camoranesi na direita, e Appiah tenta tirar a vaga de Tacchinardi.

Em tudo há risco, e, mesmo numa união aparentemente impossível de dar errado, as duas partes podem se dar mal. Mas é difícil. É duro imaginar que uma dupla de jogadores tão habituados à vitória como Juve e Capello acabem em outra coisa que não um novo ciclo de sucessos. A Juventus já é favorita para a próxima temporada. Dependendo de como for o seu mercado de reforços, pode virar até uma aposta certa.

Sinais de vida inteligente na “Azzurra”

A Itália estava um pouco apreensiva com o amistoso contra a Tunísia. Muitos jogadores contundidos, alguns extenuados pelo campeonato, outros ainda em postos em que pairavam dúvidas, com a número um atendendo pelo nome de Alessandro Del Piero, que é sempre contestado quando veste a camisa italiana.

É certo que a Tunísia campeã africana jogou desfalcada, mas o 4 a 0 da Itália sobre a equipe de Roger Lemerre, o último técnico campeão europeu, mostraram que os italianos têm todas as condições de fazer um torneio buscando o título.

A defesa italiana comprovou sua eficiência com a dupla Nesta-Cannavaro, eximindo este último de suspeitas, devido à sua temporada irregular. Zambrotta, como lateral-esquerdo, apoiou o quanto pôde, e Buffon, salvo este colunista se engane, estará no gol da Itália na Euro, como titular.

O técnico Trappatoni começou com sua dupla de volantes Perrotta-Zanetti, que até não foi mal, mas o duo milanista Gattuso-Pirlo surpreendeu e criou uma bela dúvida na cabeça do técnico. Pelo que Pirlo joga, não pode ficar fora do time; se ele joga, precisa de Gattuso como seu escudeiro, pois nem Perrotta nem Zanetti são tão fortes na defesa.

O ataque tem já escalados Totti como armador e Vieri como centroavante. E o segundo atacante? A vaga oscila entre Del Piero e Cassano, já que Corradi é considerado opção à Vieri. Cassano jogou melhor do que Del Piero neste domingo, e o jogo pode induzir ‘Trap’ à dúvida.

É certo que Cassano seja um grande jogador e que mereça sua vaga no grupo. Mas abrir mão de Del Piero seria burrice, a menos que ele esteja caindo pelas tabelas. ‘Ale’ é o parceiro ideal para Vieri, tem técnica e muito mais experiência do que Cassano.

A nova espera de Trappatoni agora é para começar o Mundial sem contundidos, fato quase impossível, uma vez que historicamente, nunca a primeira lista vai completa para o torneio. Espaço para surpresas? Difícil. O técnico é teimoso como uma mula e se alguém sair, deve preferir um coadjuvante a uma nova estrela que possa romper o equilíbrio do grupo.

Roma, na mosca: é Prandelli

De todas as possibilidades que a Roma tinha para substituir Fabio Capello, nenhuma era melhor do que a que foi adotada. Com um orçamento mais curto, sem Capello nem Samuel (já vendido ao Real Madrid), o clube da capital optou por fechar com Cesare Prandelli, treinador que segurou a barra de um Parma devastado nesta temporada.

Prandelli não pede jogadores renomados, trabalha excepcionalmente bem com jovens, e monta times de verdade, preparados para jogar impondo o seu ritmo. Fez isso no Parma deste ano, reforçando o nome de uma baciada de novatos, entre eles, alguns que podem segui-lo para a própria Roma, como o atacante Alberto Gilardino, o meio-campista Simone Barone e o zagueiro Matteo Ferrari.

Ferrari, aliás, é o predileto para ocupar a vaga de Samuel, que foi embora deixando US$ 30 milhões nos cofres do clube. A maior parte vai para pagamento de dívidas, mas ainda sobra o suficiente para uma reposição à altura do que Prandelli exige. Se também sair Emerson, outro caminhão de verbas diminui o déficit romanista, e chega outro reforço, onde os mais indicados são Simone Perrotta (Chievo) e Pizarro (Udinese).

Sob o comando de Prandelli, prepare-se para ver o brasileiro Mancini jogando no meio-campo, quase como ponta, ao lado de Totti e Cassano. O centroavante? Como Montella não dá segurança na parte física, é possível que a Roma faça outra aquisição importante. Os nomes em voga são os de Caracciolo (Brescia), Morientes (Real Madrid) e Hossam “Mido” Hassam, do Olympique Marselha. Destes, o único viável financeiramente é Caracciolo, ainda uma incógnita para um time de Liga dos Campeões.

Mais “Mezzogiorno” na Série A

O último final de semana definiu três participantes da “Coppa Giovanni Havelange”, ou Série B, que vão jogar a primeira versão da Série A com 20 clubes, depois que o torneio em dois grupos foi abolido, no fim da década de 20. O Palermo de Francesco Guidolin, o Livorno de Silvano Bini, e o Cagliari de Edoardo Reja já garantiram as suas vagas.

A festa em Palermo foi como uma final de Copa do Mundo. O time calabrês volta à Série A depois de 30 anos, para uma platéia fanática, como a do estádio Renzo Barbera, ou “La Favorita”. O clube trocou de treinador durante a competição e foi uma das raríssimas exceções onde a mexida deu certo.

Nos últimos torneios a região do “Mezzogiorno”, o sul da Itália, estava quase que completamente alijado da competição. Duas temporadas atrás, chegou-se ao ponto de Roma e Lazio serem as duas equipes mais ao sul da Série A. Agora, com a volta de Palermo e Cagliari (e provavelmente, também o Messina), o sul volta a ter representatividade, fazendo um grande bem ao tão maltratado (pelos dirigentes) ‘calcio’.

Pelas outras duas vagas de promoção direta, lutam Atalanta e Messina (com 73 pontos a duas rodadas do fim do torneio), e a Fiorentina, com 70. O Piacenza, com 67, tem chances matemáticas, mas são basicamente estatísticas. A verdadeira luta do time piacentino será com a Fiorentina, pela sexta posição, que dará uma vaga num playoff contra o Perugia. Para este posto, a Ternana também ainda tem chances (65 pontos), mas só é beneficiada pela matemática.

A Série B deste ano tem de tudo para ser esquecida. Começou com uma virada de mesa sórdida, teve confrontos entre polícia e torcida durante toda a temporada, e até um morto no jogo Avellino – Napoli. É muito bom que clubes importantes como Palermo e Atalanta voltem à Série A, mas além deles, bem pouca gente vai se lembrar desta temporada com boas memórias.

Curtas

O bom atacante Luca Toni, com 28 gols, é o novo recordista de gols numa única temporada pelo Palermo

É bastante provável que Toni seja sondado por times da Série A, tal a sua performance na série ‘cadetta’

A Juventus estava acertando a compra de Chevantón, do Lecce, por € 8 milhões, mas o insolente Palermo ofereceu € 9 mi, num leilão meio irreal

Sem Chevantón, a Juve trabalha com os nomes de Vieri (Inter), Gilardino (Parma), ou Ibrahimovic (Ajax), claro que, todos, com perfis bem diversos

Praticamente certa a contratação de Zdenek Zeman pelo Lecce

Uma boa nova para a Série A

Se a Juve fizer uma proposta por Vieri, deve colocar Di Vaio como forma de torna-la mais interessante

Vale recordar que Di Vaio interessava à Inter há dois anos, quando a Juventus se antecipou, obrigando a Inter a pegar Hernán Crespo

O Milan está bastante imóvel neste início de mercado

Além de Stam e Dhorasoo, já contratados, o nome do clube de Via Turati só é mencionado quando se fala de Corradi, da Lazio

Segundo um agente do Real Madrid, Roma e os “Merengues” já se acordaram pelo passe de Emerson

Claro que, usualmente, declarações de empresários são tão confiáveis quanto um castelo de cartas

A vida por uma vaga

A luta contra o rebaixamento na Itália sempre foi acirrada. Com um regulamento que torrifica quatro entre dezoito participantes, desde sempre os clubes pequenos (e às vezes alguns grandes) sentiam a água no pescoço para não precisar contar com a sorte na última rodada.

Imaginava-se que este campeonato seria diferente. Afinal, somente três devem cair diretamente para a segunda divisão, enquanto o 15º joga a permanência contra o sexto colocado da Série B, numa espécie de desempate. Mas o que estamos vendo não é nada disso.

Nada menos do que oito dos dezoito times estão na região quente da tabela. Ancona, Perugia, Empoli, Modena, Reggina, Lecce, Siena e Brescia não medem esforços para não cair, até porque, a partir do ano que vem, somente três times subirão a cada temporada, e a Série B italiana é carne de pescoço.

O Ancona já se acostumou à idéia do rebaixamento. Com sete pontos em vinte e sete rodadas, provavelmente deve estabelecer a nova marca histórica negativa na Série A. Realmente ameaçados estão Perugia (que vive uma temporada turbulenta desde o início), com 22 pontos.O Empoli, graças a um péssimo início de temporada, é o terceiro favorito para cair, mas tem melhorado bastante.

Numa região intermediária estão o Modena (25 pontos, dois a mais que o Empoli), a Reggina, com 27, e o Lecce, com 28. O Modena está na descendente (até demitiu o técnico Alberto Malesani), e precisa achar um coelho para tirar da cartola. A Reggina agarra-se à sua torcida fanática e à Nakamura; o Lecce já demonstrou que tem credenciais para se salvar, com a segunda melhor campanha de 2004, atrás somente do Milan.

Siena (30 pontos) e Brescia (31 pontos mais Roberto Baggio), ainda sofrem ameaças, mas têm como gerenciar a vantagem. Em especial, o Brescia, pois além do “Codino”, tem quatro confrontos contra concorrentes diretos (com dois deles em casa). A desvantagem do Siena é que tem uma tabela duríssima, com Lazio, Bologna e Modena (fora) e Samp, Milan, Juve e Brescia em casa.

No presente momento, tudo leva a crer que a tabela não se altera; caem Ancona (praticamente rebaixado), Perugia e Empoli, com o Modena disputando a vaga com a sexta colocada (atualmente, a Ternana). Só que não se engane: a luta até a 34ª rodada promete muito derramamento de suor.
Quem tem garrafas para vender?

No início do Italiano, todo mundo costuma apostar nos times grandes para vencer o ‘scudetto’. Juve, Milan e Inter, e dependendo da forma, Roma e Lazio. É fácil. Uma aposta em um dos maiores cinco clubes é uma barbada. Mas sem fazer profecia, a liga que agora aponta cada vez mais um Milan campeão, dava sinais ainda em junho. O ‘anormal’, se é que se pode chamar assim, é de a Juve ter jogado a toalha a oito rodadas do fim. E mesmo isso, se explica.

As primeiras partidas da temporada já demonstravam Milan, Juventus e Roma com mais fôlego, dando até à Roma uma “vantagem” de não disputar a Liga dos Campeões, que consumiria energias importantes em março/abril. Contudo, os detalhes estavam lá, indicando um favoritismo de Juve e Milan.

Os dois times mais fortes da Itália tinham, indiscutivelmente, um elenco mais completo do que a Roma. O time titular de Capello é tão forte como os de Marcelo Lippi e Carlo Ancelotti. Só que o banco de reservas faz uma diferença sensível, além da mega dependência da Roma em relação a Francesco Totti.

Durante o campeonato, a Roma lutou enquanto pôde, chegando até a manter seis pontos de vantagem sobre os milaneses, em janeiro. E exatamente em janeiro, o Milan botou na mesa as suas reservas físicas, vencendo todas as seis partidas disputadas, quatro delas pelo campeonato, (três contra a Roma – uma pelo campeonato e duas pela Copa Itália). No mesmo período, a Roma começava a dar sinais de fadiga.

A forma milanista manteve-se em fevereiro e março, com os ‘rossoneri’ perdendo somente quatro pontos, empatando com Lecce (segundo melhor time de janeiro para cá) e Chievo. Já a Roma, alternou bons resultados (como o 4 a 0 sobre a Juventus) e a derrota para o Bologna, em casa. Nocaute técnico, salvo um milagre de proporções bíblicas.

“E a Juventus?”. De fato, da Juve se esperava uma forma melhor no bimestre dezembro-janeiro. Mas cabe lembrar que o clube piemontês iniciou a pré-temporada vinte dias antes do que faz usualmente. A idéia era atingir o ápice da forma em maio, na final da Liga dos Campeões, onde os juventinos tinham certeza de estar. A primeira conseqüência foi uma largada arrasadora do time do Delle Alpi.

O preço a se pagar foi a péssima forma no bimestre dezembro-janeiro. Isso, somado à contusão de Alessandro Del Piero e a partida de Edgar Davids (cuja importância foi sub-avaliada pela comissão técnica), foi o suficiente para o golpe final na temporada da Juve. O time teve na defesa o seu trunfo para suas últimas conquistas. Neste ano, a defesa juventina é a sexta melhor, superada por times como Udinese e Chievo.

No pingue-pongue: quem vence o ‘scudetto’? O Milan, salvo um milagre inacreditável. Quem fica em segundo? A Juventus, porque a tendência é que os ‘bianconeri’ subam de produção. O Milan tem chances na Liga dos Campeões? Todas, desde que não subestime Deportivo (ainda falta um jogo) e o Porto (provável rival na semi-final). Para a Juve, é quase certa uma reformulação considerável; a Roma do ano que vem deve perder sua espinha dorsal (Capello, Samuel, Emerson e Totti), caso não seja comprada por quem possa injetar dinheiro em Trigoria.

Vox Populi: Maldini de volta

“Do jeito que ele está jogando, não podemos deixar que a Itália não o tenha no Europeu. Vou convencê-lo a aceitar a convocação de Trapattoni”. A frase é do premiê italiano Silvio Berlusconi (também dono do Milan), e o jogador em questão é Paolo Maldini, recordista de participações com a camisa da ‘Azzurra’, e que, de fato, nos dois últimos anos, tem sido um dos três melhores defensores da Europa.

Maldini decidiu abandonar a seleção depois da Copa de 2002. Seu argumento era que se baseava na experiência de Franco Baresi, que ia parar depois de 1994, acabou aceitando uma convocação para uma partida contra a Eslovênia, e se arrependeu. “Não quero chegar a um ponto de ter de ser suportado”, disse Maldini, ainda em 2000.

Só que justamente neste período, jogou como nunca no Milan. Poderia ter ganho a Bola de Ouro que foi para Nedved, foi campeão europeu, e parece ter 20 anos. Não que a Itália tenha poucos defensores, mas estamos falando aqui de um daqueles que poderia ser considerado o melhor.

Maldini tem receio de “roubar” o lugar de alguém que tenha participado de toda a (dura) campanha da Itália pela vaga na Euro-2004, o que pegaria bem mal. Quem ficaria de fora? Não se sabe. Mas o técnico Giovanni Trapattoni diz, e já faz tempo, que quer Maldini. E pela primeira vez, na semana passada, Maldini disse que “espera um telefonema do técnico para discutir o assunto”. Trapattoni já confirmou que vai ligar para Maldini, da mesma maneira que já tinha anunciado que Roberto Baggio também passa por seus planos (este, como falamos na semana passada, uma polêmica ainda maior)

Enquanto negocia-se a volta do “Capitano” da Itália, Trapattoni tem praticamente sua equipe titular acertada. Entre os convocados para o jogo contra Portugal, em Braga, não estarão Nesta (Milan), Zambrotta (Juve) e Cristiano Zanetti (Inter). E quem sabe, Maldini. Se não tivesse ninguém machucado, e com Maldini aceitando, a Itália seria: Buffon; Nesta, Maldini e Cannavaro; Camoranesi, C. Zanetti, Perrotta e Zambrotta; Totti; Del Piero e Vieri.

A lista de convocados para o amistoso:

Goleiros: Buffon (Juventus), Pelizzoli (Roma)
Defensores: Adani (Inter), Birindelli (Juventus), Favalli (Lazio), Ferrari (Parma), Oddo (Lazio), Natali (Bologna), Pancaro (Milan) e Panucci (Roma)
Meio-campistas: Ambrosini (Milan), Camoranesi (Juventus), Fiore (Lazio), Gattuso Milan), Nervo (Bologna), Perrotta (Chievo), Pirlo (Milan)
Atacantes: Corradi (Lazio), Di Vaio (Juventus), Miccoli (Juventus), Totti (Roma), Vieri (Inter).

Curtas

Três jogadores atingiram marcas importantes nesta rodada

Favalli, da Lazio, completou 395 partidas pela Série A, e comemora sua marca sendo convocado para a seleção

Outro foi Simone Perrotta, ex-Juventus e Bari, atualmente no Chievo, que completou 150 jogos pela Série A, também sendo chamado por Giovanni Trapattoni

Um ex-astro da ‘Azzurra’, Gianluca Pagliuca, jogou, contra a Roma, sua partida de número 700 como profissional

Fabio Liverani (Lazio), chegou à quota 100 em jogos na divisão máxima; Bresciano (Parma), Flachi (Sampdoria) e Sussi (Bologna), bateram na marca dos 50

Os 32 gols marcados nesta 27ª rodada são um recorde para esta temporada, igualado somente pela primeira jornada

A média de gols por partida, de 3,65, é maior do que a média do campeonato, que é de 2,62, até o presente momento

O Bologna teve uma semana de ouro

Depois de três derrotas consecutivas, conseguiu, nos últimos sete dias, somar nove pontos

Brescia, Lazio e Roma foram as três vítimas

Como o vergonhoso projeto “Salvacalcio” foi vetado pela União Européia, a Federcalcio já está imaginando alternativas

A EU não admite subsídios de nenhuma natureza, e o projeto da cartolagem era, basicamente, um perdão fiscal

A idéia da patota agora seria a de fazer com que os times “tradicionais” (seja lá o que for isso), desceriam uma categoria, mas teriam de mudar de nome.

Assim, se o Parma, por exemplo, fosse rebaixado, iria para a Série B com o nome de Atlético Parma Cálcio

Que imaginação!

Esta é a seleção Trivela da Série A, nesta 27ª rodada

Toldo (Inter); Gamarra (Inter), Stam (Lazio) Barzagli (Chievo); Barone (Chievo), Perrotta (Chievo), Maresca (Juventus) e Fiore (Lazio); Baggio (Brescia), Shevchenko (Milan) e Gilardino (Parma)

Metade já foi!

Se ainda estivéssemos na metade dos anos noventa, a conquista do título de inverno do futebol italiano, por parte da Roma, significaria 90% da conquista do ‘scudetto’. Isso porque, historicamente, quem chegou à frente no final do primeiro turno, venceu o campeonato em maio (até 1997, a proporção era de 9 vezes em dez).

Mas dos últimos seis campeonatos, somente em duas oportunidades o campeão de inverno venceu o ‘scudetto’. Em 1998, a Juventus de Zidane tinha vencido o primeiro turno; em 2001, a Roma de Batistuta, também. Nas outras quatro oportunidades, o campeão atropelou na reta final.

Hoje, a proporção dos ‘scudetti’ conquistados pelo campeão de inverno caiu para 67%. A campanha da Roma é, incontestavelmente, excepcional. Contudo, esta coluna segue colocando Juventus e Milan como favoritos ao título deste ano, contrariando a opinião de plantão na imprensa. Sem “achismo”.

Fabio Capello é, historicamente, um treinador que organiza as campanhas de seus times “em fuga”. Ou seja: prefere arrancar na frente e administrar a distância de três ou quatro pontos durante todo o torneio. Foi assim na conquista de todos seus títulos no Milan e assim na conquista do título da Roma em 2001. Mas nesta temporada, assim como no título de inverno de 2002, o time de Trigoria não tem vantagem numérica ou quase isso (três pontos acima da Juve e do Milan, mas com os ‘rossoneri’ com um jogo a menos).

Francesco Totti foi o artífice de uma campanha excelente (leia o excerto abaixo). É o artilheiro da Roma com onze gols (seu recorde histórico é de quatorze tentos numa temporada), e vice-artilheiro do Italiano, mesmo sem jogar como atacante puro. É pouco provável que Totti repita o seu primeiro turno, e sem ele, Capello não tem nenhum jogador (aparentemente) em condições de fazer o salto de qualidade, ao passo que Juve e Milan têm vários craques que ainda não atingiram os seus auges (Pippo Inzaghi e Del Piero, por exemplo).

A Roma será assombrada neste segundo turno, sem sombra de dúvida, por ofertas milionárias pelos seus campeões. Fabio Capello, Emerson, Samuel e Christian Chivu serão assediados insistentemente. A prática mostra que tal assédio prejudica as performances dos atletas (que o digam Stankovic e Davids), e a Roma, entre os quatro grandes, é o único sem condições de bancar investidas milionárias.

Os indícios de trovoadas sobre o futuro romanista não tiram as chances da Roma, nem a colocam como o azarão do páreo. Como sempre, a Roma, para vencer um campeonato, precisa fazer um esforço maior do que Milan e Juve, para tirar a diferença que existe entre os clubes. Teremos um segundo turno sensacional, provavelmente, o mais ferrenho entre os grandes torneios europeus. Essa é a única certeza.

Totti e mais dez

Sendo ou não sendo romanista, não dá para não apreciar o talento de Francesco Totti, hoje, espinha dorsal e cérebro desta Roma de Capello, que chegou ao título de inverno depois de uma briga feroz com Juventus e Milan. A campanha de 17 jogos e 13 vitórias ilustra o rendimento deste time.

O time merece aplausos, sem dúvida. Mancine se adaptou excepcionalmente bem à ala-direita (embora compara-lo com Cafu ainda seja uma pataquada típica de imprensa esportiva); Samuel é um dos melhores centrais da Europa; Emerson tem o respeito de 191 países no mundo (adivinhe qual o único onde ele é tido como uma besta?). Mas sem Totti, a Roma briga para não ficar fora da próxima Liga dos Campeões, e nada mais.

O capitão romanista é o tipo do jogador que bate o escanteio e corre para cabebecear. Se a sua presença nos últimos anos tem sido essencial, neste ano passou a ser mais que isso. Totti é o jogador que dá criatividade ao meio-campo, incisividade ao ataque, e até mesmo mais tranqüilidade à defesa, pois os adversários não se lançam à frente com tanta sede.

O momento do meio-campista italiano hoje é, até aqui, o melhor em sua carreira. Estivesse numa equipe grande do futebol europeu, como o Manchester United, ou o Real Madrid, e é muito provável que Totti já tivesse vencido a Bola de Ouro. Se bem que, como disse Michel Platini, é difícil saber como o craque se comportaria numa cidade que não fosse a sua cidade natal.

Na atual temporada, Totti se supera, porque além de tudo, ainda supre a carência que a Roma tem de um centroavante eficaz (Montella esteve machucado por bastante tempo, e Carew está se adaptando somente agora). Seus 11 gols sugerem um recorde individual antes de junho. Caso o craque não se machuque, a marca ainda é possível.

Luta dura na rabeira

Um mês atrás e o campeonato estava com dois times praticamente rebaixados. Empoli e Ancona começaram devagar-quase-parando, enquanto a maioria dos outros times já ia granjeando pontos. No fim do primeiro turno, o Ancona ainda está no fundo do poço, semi-morto, com cinco pontos em 51 possíveis. Mas o Empoli puxou a faca e quer sangue.

O time toscano começa a dar sinais de reação da chegara do técnico Attilio Perotti, que sempre opera muito bem em times menores. O Empoli deve se reforçar com o atacante Maccarone, do Middlesbrough, e na partida com a Inter, em San Siro, lembrou o bom Empoli do ano passado.

Discurso similar se faz com o Lecce. Delio Rossi já recebeu alguns reforços, como o goleiro Sicignano e os meias Bolaño e Wilfried Dalmat (irmão de Stephane Dalmat, da Inter, emprestado ao Tottenham). Some-se a isso, a promessa búlgara Valeri Bojinov fez seu primeiro gol na Série A, e promete mais. Bojinov tem 17 anos e é apontado como uma das figuras mais talentosas da nova geração.

Enquanto isso, o Ancona continua se arrastando, e no último domingo, apresentou o brasileiro Mario Jardel, que fisicamente, parece ter uns cem quilos. Jardel foi liberado pelo Bolton, e é uma aposta desesperada do Ancona para encerrar seu vexame. Junto com o Ancona, também dá vexame o Perugia, que não venceu até aqui na Série A. Mas também, o que se poderia esperar de um time que contrata o filho de Gheddafi, tenta contratar uma mulher para jogar com homens (a título de marketing), e tem histórico em viradas de mesa?

Se levarmos em conta que somente dois times caem direto para a Série B (o terceiro disputa um desempate com o terceiro melhor da Série B), a luta contra o rebaixamento segue sendo entre seis times: Modena e Reggina (17 pontos), Lecce e Empoli (12 pontos), Perugia (10 pontos) e Ancona (5).

Inferno Inter: o problema era Cúper?

Dois meses atrás, achar alguém que falasse mal de Hector Cúper era mais fácil do que encontrar um sapo num brejo. Segundo esses entendidos, o treinador argentino, com sua “retranca” (n.do r.: a mesma retranca que fez do Mallorca finalista da Recopa e do Valencia duas vezes finalista da Liga dos Campeões), era o culpado por todos os males da Inter. Olhe de novo e pense bem se era isso mesmo…

A Inter mergulhou de cabeça numa crise infernal. Empatou em 0 a 0 com a Udinese pela Copa Itália (Vieri se recusou a jogar e causou o maior sururu), e perdeu para o Empoli em casa (com Vieri de castigo). Todo o jogo burocrático e sem vontade da Inter da última década voltaram à tona. E desta vez não tem Cúper para se por a culpa.

A visceral complicação interista é um misto de distorção de sua diretoria (recheada de ex-boleiros que estão longe de ser uma solução para qualquer coisa) e de caos histórico, uma marca do time de Via Durini. Não há nu clube ‘nerazzurro’ algo próximo do que se possa chamar de ‘disciplina’, e que diga-se de passagem, Hector Cúper tentou implantar quando era o chefe da comissão técnica.

O eterno fracasso interista agora aponta para Vieri como culpado, mas antes já apontou, além do ex-treinador argentino, para Seedorf, Pirlo, Ronaldo, Roberto Carlos e tantos outros. Na verdade, como disse o ex-craque Bergomi, na Inter os jogadores sempre podem dar suas desculpas e nada acontece. Daí, o caos reinante, resultado de uma falta de responsabilidades atroz, e que passa, em imensa parte, pela gestão da dupla de ex-jogadores e hoje dirigentes, Facchetti e Oriali.

A diretoria interista estuda algumas possibilidades. Uma delas é a de dar a Alberto Zaccheroni um poder ilimitado para torrificar quem quer que seja, no elenco, na comissão técnica, na diretoria. Essa saída soa racional, porque a limpeza poderia ser feita de cabo a rabo.

Outra possibilidade é a que se consiste na enésima demissão de treinador em junho (diga-se Zaccheroni), para a chegada de um outro (que poderia ser Roberto Mancini, hoje na Lazio). Tal medida já foi tomada em muitas outras oportunidades. E como sabemos, não deu nem um pouco certo.

Curtas

Gol de número 185 para Giuseppe Signori, hoje no Bologna

Signori disse que não para enquanto não fizer 200 gols

Na mão de Carlo Mazzone, seu treinador no Bologna, não duvide

Luigi Sartor estreou no Ancona, perfazendo sua 150a partida na Série A; Lamouchi (Inter) e Di Michele (Reggina) chegaram ao número 100

Ancona e Perugia não venceram nenhuma vez no primeiro turno, o que pode dizer bastante sobre os candidatos ao rebaixamento

O Milan teve a melhor campanha fora de casa: nenhuma derrota, dois empates e seis vitórias

Nunca um time campeão de inverno tinha feito 42 pontos no primeiro turno

Recuperação nítida para o Bologna, vencedor pela terceira semana seguida

Os desentendimentos de Vieri com a Inter suscitaram muitos boatos na semana que passou

Até mesmo se imaginou o atacante no Milan

Como se diz na Itália, é “fantacalcio”

Mais uma vez, os jogadores na Inter comeram no cortado com a torcida pedindo explicações

E eis a seleção Trivela desta semana

Zotti (Roma); Diana (Sampdoria), Montero (Juventus) e Pancaro (Milan); Nakata (Bologna), Campedelli (Modena), Kaká (Milan) e Mintari (Udinese); Totti (Roma); Del Piero (Juventus) e Bojinov (Lecce).

Doping, o fantasma continua

Pouca gente dá atenção aqui no Brasil, mas o fantasma do doping segue bem vivo na Itália. Não bastasse as suspensões de Kallon (Inter) e Gheddafi (3 meses, mas provavelmente sua brilhante carreira se encerrou), mais Blasi (Parma), a Itália assiste a continuação de um inquérito que ainda é resultado das denúncias de Zdenek Zeman em 1999. A maior acusada: a poderosa Juventus.

Há quem diga que a derrocada do treinador, hoje no Avellino, se deveu ao ódio mortal que Luciano Moggi, dirigente juventino, passou a alimentar por Zeman depois das denúncias. Ainda que lentamente, os interrogatórios prosseguem. Nesta segunda, falaram Filippo Inzaghi (hoje no Milan) e Paolo Montero.

O depoimento de Montero não teve maior repercussão, mas o de Inzaghi sim. O atacante do Milan disse que os médicos da Juventus davam freqüentemente creatina, antiinflamatórios e analgésicos durante os jogos, especialmente quando ele estava cansado. Legalmente, a creatina não é proibida, mas ficou um clima esquisito no ar.

A Juve já vem se defendendo, dizendo que os fármacos que ela ministra aos jogadores são usados por todos os times. Esta afirmação talvez seja sintomática. Não são poucos os médicos que, fora das câmeras e microfones, dizem que TODOS os atletas de alto nível usam algum tipo de dopagem, mais ou menos agressiva.

A realidade é que esta sensação é cada vez mais concreta. O ex-tenista John McEnroe admitiu nesta semana que ele consumiu doping, fortíssimo, durante seis anos. McEnroe diz que não sabia. Mas o fato é que sua carreira foi grandiosa. Até onde o doping foi o causador de tal performance?

Parece nítido que só há uma saída para se diminuir a praga do doping no futebol: fazer com que as equipes sofram pesadas multas financeiras e percam pontos, além de apertar o cerco dos exames. É certo que muitos jogadores perderão um pouco de fôlego, mas pelo menos, se devolverá um pouco de lisura às partidas.

Roma sob intensa pressão

Não é só na tabela que a líder Roma está sob intensa pressão. Com o Milan no seu encalço (três pontos e um jogo a menos) e a Juventus logo atrás, o time de Fabio Capello não terá a conquista antecipada no título de inverno, como se previa.

Além disso, o próprio Capello passou a ser um alvo dentro da Roma. O Chelsea fez uma oferta de 500 mil euros por mês, num contrato de três anos, para que o técnico se transfira para Stamford Bridge ao final desta temporada. Capello declinou de responder se aceitaria o convite, quando questionado pela imprensa, e sorriu. “Só penso no tridente de meu time…”

A decisão de Capello está ligada à confirmação de todos os grandes astros do time romanista, inclusive aqueles que desejam um aumento salarial ou uma renovação de contrato. Nessa situação, se encontram os meio-campistas Emerson e Lima e o zagueiro central Zebina.

Emerson é a renovação mais complicada. Primeiro, porque, assim como Capello, também tem atrás de si o hexa-maxi-multi-milionário time do Chelsea, que poderia satisfazer as suas pretensões salariais (cerca de US$ 4,5 milhões anuais). Segundo, porque a Roma sofrerá muito para recusar a oferta de US$ 35 milhões pelo seu passe, especialmente em meio à crise que atravessa, ainda que não assumidamente.

Lima e Zebina terão seus contratos terminados em junho, e por isso, têm diversos pretendentes aos seus serviços (especialmente o francês). O nó aqui é que os dois querem um acréscimo salarial e um contrato mais longo do que a Roma está disposta a dar. O clube de Trigoria não quer nem gastar mais nem conceder vínculos longos.

Sem a renovação dos três, dificilmente Capello fica depois de junho, a menos que vença o ‘scudetto’, o que muda tudo de figura. O treinador obviamente está seduzido pela proposta salarial, mas o que mais chama a sua atenção é a possibilidade de ter os jogadores que quiser em Londres.

Além dessas questões, a Roma terá de se desdobrar para pagar os US$ 18 milhões que deve ao Ajax, pelo passe de Christian Chivu. O romeno quer fortemente ficar em Roma, mas sem grana, um abraço. Isso sem falar que pelo menos meia dúzia de outros clubes estão prontinhos para desembolsar a soma ao time da Holanda e afanar o bom defensor do clube romano.

Davids-Juve: caso terminado

Após seis temporadas de união, duas delas de brigas declaradas, episódios de doping, expulsões, três títulos italianos e muitas partidas excepcionalmente bem jogadas, chegou ao fim a relação entre o meio-campista Edgar Davids e a Juventus. O holandês, que tem contrato com o time de Via Galileo Ferraris até junho próximo, acertou sua transferência para o Barcelona por empréstimo até o fim desta temporada.

Davids é o sexto holandês do elenco de Frank Rijkaard, e a colônia batava da Catalunha foi um dos motivos que despertaram o interesse do jogador. Sua contratação teve o apoio de todos eles, além do ex-craque Johan Cruyff, cuja voz ainda ressoa muito no clube. O Barça deve pagar cerca de US$ 1,5 milhões para o jogador pelos seis meses.

A saída de Davids da Juventus é, sem dúvida, um handicap para Marcello Lippi, treinador do time de Turim. Davids, de 31 anos, é um dos melhores jogadores do mundo na sua posição, se não o melhor. É um marcador implacável que dificilmente é expulso por faltas desleais, mas tem um futebol refinadíssimo, e proporciona ao time em que joga uma rapidez precisa, onde a jogada ofensiva começa bem pensada logo na frente da defesa.

É verdade que a Juventus tem jogadores também bons para a posição. Stephan Appiah, volante ganês de 23 anos, Enzo Maresca, mediano italiano da mesma idade, e ainda o veterano Antonio Conte, de 35 anos, são bons jogadores e certamente conseguem boas performances. Mas nenhum deles pode impingir a agressividade aliada à qualidade técnica que Davids garantia.

Davids aportou em Turim em 1997, desprezado pelo Milan, então dirigido por Fabio Capello. Sua adaptação foi imediata, e se tornou titular quase imediatamente. Nos seis anos que passou em Turim, o holandês, nascido em Paramaribo, no Suriname, só não foi titular durante sua suspensão por doping e nos últimos meses, enquanto se digladiava com a direção juventina, que não admitia perde-lo a custo zero.

O Barcelona deve ter um salto de qualidade com a chegada de Davids ao seu desmilingüido meio-campo. Rijkaard, a partir de agora, terá um organizador melhor do que todos que tem no elenco, e ao mesmo tempo, um marcador mais eficiente também do que todos os concorrentes. Não é o suficiente para fazer do Barça um competidor pelo título, mas já deve bastar para encerrar a fase de vexames.

Inter, babau…

Várias semanas atrás, quando Hector Cúper foi demitido da Inter, esta coluna arriscou-se em dizer que o clube de Via Durini estava saindo da luta pelo título. Pelo menos era o que a história mostrava, e que times que demitem treinadores não conquistam campeonatos.

Quase no final do primeiro turno, a história vai se mostrando um indicador confiável. Com oito pontos a menos que a líder Roma, a Inter parece não ter de onde tirar forças para conseguir uma longa série de vitórias que lhe possibilite chegar à 34a rodada em primeiro lugar.

A derrota do time de Alberto Zaccheroni para o Parma deixou claro como a Inter vive de estrelas intermitentes. “Oba” Martins, decantado semanas atrás como se fosse um gênio do futebol, é inconstante; Vieri tem sido inconstante nesta temporada; Julio Cruz é inconstante. O único setor constante do time é o meio-campo. Nunca é de bom nível.

O problema crônico da equipe parece continuar com a falta de jogadores que possam dar qualidade ao passe e às jogadas ofensivas. Entre todos os doze atletas de meio-campo disponíveis no elenco, não há nenhum que transforme a cara da equipe. Mais assustador ainda é saber que jogadores que não rendiam nada na Inter (como o milanista Seedorf, o parmigiano Morfeo e o também milanista Pirlo), são titulares indiscutíveis em seus times. Essa observação faz supor problemas na preparação atlética da equipe.

Mesmo tendo ótimos zagueiros como Gamarra, Cannavaro, Córdoba e Adani, a Inter mais uma vez demonstra a sua falta de critério. Além de Dejan Stankovic, Massimo Moratti quer levar para Appiano Gentile o talmbém laziale Jaap Stam. Stam é um gigante; um dos cinco melhores zagueiros da Europa. Contudo, já ficou claro que o problema interista não é a individualidade, mas o coletivo.

A chegada de Stam quase que certamente empurrará um dos zagueiros interistas para fora do elenco (Adani e Gamarra na primeira fila). Stankovic é um excelente jogador, mas não é melhor do que os tantos nomes que a Inter já mandou embora por insuficiência técnica. Matematicamente, é claro que a Inter ainda está na parada. Pena, para os ‘nerazzurri’, que a matemática não seja a única a decidir o torneio.

Curtas

Não é difícil ver como os dirigentes do Perugia sejam absolutamente pouco sérios

Depois de terem guiado a virada de mesa na Série B (são também ‘capos’ do Catania), contratado o filho de Gheddafi para jogar bola, e terem (realmente!) tentado contratar uma jogadora, o presidente do clube deu mais uma das suas

Segundo Luciano Gaucci, Kaká deveria ter ido para o Perugia, com a ajuda do “craque” líbio Ghedaffinho

Seção curiosidade estatística

Dos nove jogadores que mais atuaram no Italiano até a 16a rodada, somente o argentino Sensini não é italiano

Sensini divide a terceira posição com o goleiro De Sanctis (Udinese)

Á sua frente estão o meio-campista Tonetto (Lecce) e o goleiro Antonioli (Sampdoria)

A Série A desta temporada mantém uma boa média de gols por partida: 2,61

42% dos jogos acabaram com a vitória dos donos da casa, e em somente 28% das partidas, o visitante recolheu três pontos

O Milan segue líder de público no campeonato

É o primeiro tanto em ocupação média de seus jogos (73%), quanto em público médio absoluto (62853 pessoas por jogo)

Luciano, o único jogador que, além de ser ex-de um clube (ex-Palmeiras, ex-Bologna, ex-Chievo), é ex-seu próprio nome (ex-Eriberto), acertou sua volta ao Chievo Verona

O chileno Cláudio Pizarro renovou contrato com a Udinese até 2007

O Ancona, que perdeu nas últimas seis rodadas, tem uma média de 0,25 pontos por partida

Só não cai por milagre

E esta é a seleção Trivela do Campeonato Italiano nesta semana

Frey (Parma); Mancini (Roma), Cufré (Siena), Montero (Juventus) e Maldini (Milan) ;Di Biagio (Brescia), Emerson (Roma), Kaká (Milan e Obodo (Perugia); Chiesa (Siena) e Ventola (Siena)

Roma x Juve: é guerra!

Uma das rivalidades mais quentes da Série A é aquelea que envolve Roma e Juventus. Nos últimos vinte anos, os dois clube acirraram a disputa política com acusações, farpas, xingamentos, e não raro, baixarias. E a coisa só piorou nos últimos três anos, desde que a Roma, turbinada por sua entrada no mercado de ações, passou a tentar competir com a Juventus em pé de igualdade. Pois a Juventus está retrucando.

O clube da capital italiana tinha se decidido por três reforços como sendo os vitais para sua campanha de contratações. O primeiro era o defensor Nicola Legrottaglie, do Chievo, o segundo era o meio-campista Stephan Appiah, do Parma (que teve uma temporada excelente no Brescia, emprestado) e o atacante Zlatan Ibrahimovic, do Ajax.

Dos três negócios da Roma, a Juventus já arruinou dois. O time bicampeão italiano ultrapassou a Roma na compra de Legrottaglie, e na última sexta, se assegurou também o volante Appiah. De quebra, ainda interferiu na negociação da Roma com a segunda opção à Legrottaglie, o brasileiro Lucio, do Bayer Leverkusen, e assim, o zagueiro campeão mundial não só não foi para Roma como também desceu a boca no clube de Totti e Emerson.

O golpe da Juventus foi magistral. Conseguiu impedir o reforço da adversária, melhorou o próprio elenco e ainda expôs a nítida diminuição de poder econômico da Roma, que voltou a ter os recursos de um time médio. O abatimento não será só esportivo, mas também psicológico, uma vez que o capitão Francesco Totti e o técnico Fabio Capello devem ter ficado profundamente frustrados.

Apesar de Capello ter contrato até 2005, não se exclui a possibilidade de que o técnico troque de time. Numa bate-boca via jornais com o presidente da Roma, Franco Sensi, Capello acabou ouvindo que o clube daria graças a Deus se o técnico resolvesse trocar de emprego. Por mais estapafúrdia que pareça a declaração, explica-se: o salário do técnico é nababesco, e só perde para os vencimentos de Totti. Assim, sem Capello, a crise financeira teria um ingrediente complicador a menos.

A manobra juventina foi tão azeitada que o elenco romanista acabou perdendo a paciência e ameaçando colocar a Roma na justiça para obter seus salários atrasados. E se isso acontecesse, o clube não poderia se inscrever no campeonato. No entanto, esta hipótese catastrófica ainda parece consideravelmente distante.

O detalhe aqui é que a Série A desta temporada já começou. A luta entre Roma e Juve deve ser a mais vigorosa deste verão europeu. Os clubes lutam por reforços e para evitar que os adversários se reforcem de maneira melhor. Se o atual panorama se mantiver, uma coisa fica clara: a Roma estará definitivamente fora pela luta pelo título, e provavelmente, até mesmo fora da luta por espaço na Liga dos Campeões. Aguardemos, porque esta novela ainda tem muito chão pela frente.

Cuper pede, Moratti atende

É provável que o presidente da Inter, Massimo Moratti, tenha se tocado que acabou a um passo do título nas duas últimas temporadas em decorrência de sua teimosia, e assim, resolveu atender os pedidos do técnico Hector Cúper para os reforços desta temporada. E por incrível que pareça, a Inter começou bem.

O maior problema da Inter há anos é o da lateral-esquerda. Francesco Coco, trocado por Seedorf com o Milan, era a esperança interista para acabar com a “maldição de Roberto Carlos” (depois que o brasileiro saiu do clube, em 1996, nunca mais a Inter fixou alguém por ali). Neste ano, caso Coco não se livre de suas contusões, os alvos da Inter serão o brasileiro César, da Lazio, e Zauri, da Atalanta.

Mas o grande drama enfrentado por Cúper foi a falta de alas em seu 4-4-2 pragmático. Sem a resposta vindo das faixas laterais do campo, os gols da Inter só saíam em lances individuais do trio Vieri-Crespo-Recoba. Até que a Inter marcou bastante no último torneio (foram 64 gols), mas a falta de fluência era evidente.

A primeira contratação foi o ala Luciano, do Chievo, aquele que se chamava Eriberto e jogou no Palmeiras. Luciano teve uma temporada atormentada pelos sete meses de suspensão causados pelo imbróglio da sua documentação falsa, mas duas temporadas atrás, teve um rendimento espantoso. Luciano é o melhor da sua posição  na Itália, e caso a mídia e a comissão técnica tenham maior atenção, podem encontrar ali o substituto de Cafu, procurado, em vão, há anos.

Outro negócio já fechado é a contratação de Sabri Lamouchi, volante francês do Parma, que deve ocupar o miolo do meio-campo ‘nerazzurro’ juntamente com Cristiano Zanetti. Lamouchi deve dar ao setor uma maior cadência, indicando que Luigi Di Biagio deve passar o ano na reserva ou até ser vendido. Cuper já tinha pedido a contratação de Lamouchi no ano passado, mas a teimosia interista venceu a razão, com conseqüências ruins para o clube.

Para fechar o grupo, Cuper ainda precisa de um ala esquerda. Três são os nomes que a imprensa vem apontando insistentemente. O primeiro é Andy Van Der Meyde, jovem promessa do Ajax, que tem um preço tratável (US$ 8 mi) para a Inter. O segundo é o de Kily González, do Valencia, que já trabalhou com o treinador na Espanha; o último é o do sueco Fredrik Ljunberg, sueco do Arsenal, mas que está cansado de não poder lutar pela Liga dos Campeões, e por isso, estaria disposto a abandonar os “gunners”. Ryan Giggs, do Manchester, é sempre mencionado, mas é um caminho remotíssimo.

Para a posição, a situação é a seguinte: O nome ideal é Ljunberg, mais jovem que Kily e mais experiente que Van der Meyde, mas a negociação é complicada (só sai se o Arsenal aceitar Dalmat ou Recoba na troca). Kily González garante fácil adaptação, mas não é um jogador para se abrir um ciclo, já que tem 31 anos. Van der Meyde é uma excelente aposta. Se der certo, garante ao clube pelo menos cinco anos de bom futebol, e ainda pode ser vendido no futuro, por um preço interessante. Mas existe a chance de não vingar. Um palpite? Hoje, Kily González parece a alternativa mais viável.

Semana de altos e baixos para a Lazio

A semana que passou começou muito bem para a Lazio. O clube de Roma, que quase faliu na temporada passada, assegurou um aumento de capital junto aos seus bancos credores, o que permitiu um novo aporte de dinheiro para novas contratações e impedir que jogadores importantes saíssem do elenco.

Assim, a Lazio praticamente garantiu que o meio-campista sérvio Dejan Stankovic e o zagueiro central Jaap Stam permanecerão mais uma temporada no clube. Stankovic e Stam são os jogadores que fazem com que o elenco da Lazio se mantenha entre a elite do futebol italiano. Sem eles, o técnico Roberto Mancini teria de se contentar com uma participação de figurante.

O aumento de capital também fez com que a Lazio pudesse realizar duas importantes negociações. O clube ‘biancoceleste’ contratou o meia chileno David Pizarro e o ala-esquerdo Martin Jorgensen, ambos da Udinese. O time de Udine recebeu, em troca, os passes do armador Fabio Liverani, o ala Lucas Castromán mais US$ 8 milhões.

Mancini está rindo à toa com os dois novos jogadores. Pizarro deve formar com Fiore a dupla de meio-campistas, enquanto Jorgensen deve completar o setor com Stankovic. No papel, um dos melhores meio-campos da Itália. Pizarro é um regista de fina técnica, e Jorgensen um nome que impõe pressão ao jogo pelas laterais. Sob o ponto de vista técnico, uma consolidação importante. Contudo, uma oposição de Liverani à Udinese poderia anular a passagem de Pizarro à Lazio, e a Juventus voltaria a ser rival de mercado. Mas isso é outra história…

No âmbito financeiro, porém, as novidades não foram todas positivas. O atacante Cláudio López estava acertado com o Valencia. A transação era excelente para a Lazio, porque tiraria um grande peso de sua folha salarial (López ganha cerca de US$ 210 mil mensais) e também conseguiria um pesado abatimento na dívida junto ao Valencia, referente ao pagamento pelo meio-campista Mendieta. O problema é que Cláudio López não aceitou e o negócio foi cancelado.

O resultado é que o mercado da Lazio deve se interromper. Mancini pediu, como substituto de López, o romeno Mutu, que foi muito bem no Parma na última temporada. Só que se o argentino não for para a Espanha, as chances da negociação andar são nulas. Contudo, para quem quase faliu há um ano, o panorama de hoje é pura festa.

O Milan tem um atacante que tem um currículo único, pronto para ser vendido

Jon Dahl Tomasson, atacante que chegou ao clube a custo zero, foi o único jogador a ter vencido a Copa da UEFA com o Feyenoord, em 2002, e a Liga dos Campeões, em 2003

Pelos cálculos do clube de Milão, vale US$ 15 milhões

Depois dos fracassos nas contratações de Legrottaglie e Lúcio, a Roam anuncia que seu novo alvo é Metzelder, do Borussia Dortmund

Seco: a Roma não tem caixa para levar Metzelder a Trigoria

O Perugia não quer parar na contratação de “Ghedaffinho”

Sonda também Sottil e Warley, junto à Udinese