Vivendo de ilusão

Até duas semanas atrás, o Corinthians era considerado um dos times que podia disputar o título. Hoje, encontra-se na metade de baixo da tabela. Mudou alguma coisa?

Não. O time corintiano de hoje continua sendo exatamente o mesmo do começo do ano. Um time médio sem Ronaldo, um time médio com Ronaldo sem vontade e um time médio que pode vencer qualquer rival brasileiro quando Ronaldo joga para valer, mesmo estando ridiculamente acima do peso. Continue lendo “Vivendo de ilusão”

Um adeus sem lágrimas

Uma frase do técnico inglês Bobby Robson me veio à cabeça quando soube que Riquelme tinha se aposentado da seleção argentina. “Jogadores de futebol jamais entendem porque são substituídos, até que eles se tornam técnicos”.

Antes de Maradona assumir a seleção, Riquelme era um de seus xodós. Na verdade era o símbolo do futebol maradoniano, aquele da liberdade aos craques, da aposta no jogo ofensivo, do “futebol alegre”. Isso, antes dele assumir. Atirar pedra é muito mais fácil do que ser vidraça.

Riquelme é um jogador tecnicamente excepcional. É capaz de fazer o que quiser com a bola nos pés e além disso, ainda tem visão de jogo. Mas ao contrário do que se acha normalmente no Brasil, não o acho um craque, no nível de Kaká ou Messi. Um marcador determinado anula Riquelme, sempre. Ele é capaz de driblar esse marcador, caso tenha a bola nos pés, mas o marcador pode impedir que ele pegue a bola, por causa de sua lentidão e indisposição para correr. Daí, Riquelme e qualquer perna-de-pau se equivalem.

Além disso, Riquelme faz com que seu time sempre jogue com um homem a menos, já que ele não marca, não pressiona e não luta pela bola. “Ah, dá para colocar outro para correr por ele”. Sim, e daí serão dois a menos: um para marcar por Riquelme e um para jogar por esse outro que corre por ele.

Riquelme sempre fracassou em todas as suas tentativas de jogar em futebol de alto nível. Exceção feita ao Villarreal, onde o time jogava para ele, seu ritmo, preparo físico e pouco engajamento minaram a sua espetacular técnica. No Boca Juniors, enfrentando times muito menos qualificados (mesmo na Libertadores), sua técnica ainda era o suficiente para diferenciá-lo. Era, porque o Riquelme dos últimos dois anos parece ter perdido até a pouca determinação que tinha. Desmotivado como parece estar, Riquelme serve só para jogar no campeonato argentino.

Sua saída da seleção não vai trazer nenhuma perda à Argentina – infelizmente, para nós, torcedores brasileiros. A seleção de Maradona tem em Messi seu homem principal e vários bons jogadores. A falta de aceleração que marcou os últimos anos dos nossos rivais deve desaparecer. A única coisa irônica da estória é que a aposentadoria de Riquelme tenha vindo pelas mãos de Maradona. É o exemplo clássico do “Faça o que eu digo, mas não o que eu faço”.