Decisão histórica da Fifa

A decisão da Fifa de punir o Chelsea em decorrência da transferência de um jogador é histórica. Mais do que pode parecer.

Em 2007, fazendo o que um monte de clubes fazem (vide Manchester United, Real Madrid, etc), o Chelsea registrou o jovem francês Gael Kakuta (então com 16 anos) enquanto este ainda tinha contrato com o Lens, da França. A Fifa decidiu punir o clube inglês, que terá de ficar dois anos sem poder contratar nenhum jogador.

Caso a decisão não seja revogada no CAS, a corte suprema do esporte, o Chelsea sofrerá terríveis consequencias. Um clube do porte do time de Stamford Bridge não tem como ficar sem buscar novos atletas, especialmente quando vários nomes chave do elenco (Terry, Drogba, Lampard) tem 30 anos ou mais e assim, suscetíveis a contusões.

Se a Fifa não abrir as pernas, terá dado a primeira sentença verdadeiramente dura em relação a um participante do mercado que descumpriu a lei –  e quase todos os fazem, bastando lembrar da ação de 99% dos empresários. A questão é se não vai se contemporizar.

Liga dos Campeões – GRUPO C (MIlan, Real Madrid, Marseille e Zurique)

Um grupo de embates épicos. Três times que já venceram finais de LC (não disse campeões!). Sem dúvida, o retorno de Kaká a San Siro nas vestes de adversários será um espetáculo histórico, bem menos a ida de Huntelaar a Madri. Teste de fogo para Leonardo mostrar se tem garrafas para vender. Imagino um Olympique bastante incômodo, especialmente como visitante e será o fiel da balança. O Zurique pode festejar receber três titãs europeus em casa.

Caminhos perigosos

Quando Michel Platini, presidente da Uefa, pede por transparência e equilíbrio no mercado de transferências e na propriedade dos clubes, ele não está falando de ideais: está falando de mercado. O espiral econômico que clubes como o Manchester City e o Real Madrid estão impondo ao mercado não tem base na economia real e mais cedo ou mais tarde, a casa vaio cair. Continue lendo “Caminhos perigosos”

Qual é o Real de Kaká?

Passadas as favas contadas, contados os contos de carochinha (de que Kaká “não queria” ir para o Real) e de olho numa temporada estranha, o Real Madrid prepara seu time para Kaká brilhar. Mas que time será esse? Teremos uma reedição do brilho mediático inconsistente dos “Galácticos” ou uma tentativa real de equiparar o clube de Madri ao Barcelona?

Florentino Pérez já deixou claro quais são seus próximos alvos: Cristiano Ronaldo (Man Utd), Villa e Silva (Valencia). Escolhas de quem realmente conhece. Os três são excelentes e tendo Kaká como pivô, podem sim fazer um time lendário no futebol europeu. A chegada desses três nomes pode alterar a escalação, mas dificilmente altera o esquema.

Sid Lowe, correspondente do jornal The Guardian na Espanha, fez uma observação em sua coluna: Manuel Pellegrini quase nunca jogou fora do 4-4-2, e assim, é possível imaginar Kaká adiantado, como atacante e duas linhas de quatro, onde Gago e Diarra teriam de carregar o piano, com Silva e Cristiano Ronaldo (ou Robben e Sneijder, se a feira do Real parar em Kaká) abrindo pelas pontas e Villa (ou Huntelaar) prendendo os zagueiros.

Lowe tem razão quanto ao histórico do chileno Pellegrini, mas é difícil (não impossível) imaginar Kaká como um atacante puro. Um espaço “a la Zidane” é o mais provável, o que nos desenharia um 4-2-3-1 (ou, com menos detalhismo, um 4-4-1-1).

Ofensivamente o esquema tende a funcionar bem, até porque os homens de frente não se furtam a correr atrás da bola. Ainda assim, restam dúvidas sobre a capacidade de Diarra e Gago conseguirem fechar o setor sozinhos. Dependerá muito da defesa. Com Pepe e Metzelder, pode tirar o cavalinho da chuva. Os dois são bons, mas não tão bons para suportarem a defesa na raça. Um segundo meio-campista mais forte fisicamente (como Yaya Touré, do Barcelona, por exemplo, para não falar no óbvio Gerrard) seria uma opção mais crível a Gago, bem como um defensor central mais completo do que Metzelder. Mas lembremos: o Real Madrid não compra defensores.


PS: o porque da temporada “estranha”? Numa época em que o mundo passa o pires, os endividamentos só crescem e ocorrem transações de milhões de dólares, leva à certeza. Vai dar bisna…

Estava no ar

Esqueça todo o conversê que você possa ter ouvido sobre “mágoas de Kaká”, “frieza do Milan” ou “o clube precisa de dinheiro”. Kaká vai ao Real Madrid porque quer e também porque o Milan não é burro. Nenhum dos dois é inocente e como sempre, quem define o que rola é a grana. Continue lendo “Estava no ar”

Ibra

Ibrahimovic é um craque. Sem discussão. Mas se fosse menos arrogante, já seria o melhor do mundo.

O técnico Martin O’Neill, do Aston Villa, diz que ele é o jogador mais “overrated” de todos os tempos. Não chega a tanto, mas é fato que seu talento, apesar de imenso, não é o que ele imagina (Ibra deve se ver como uma mistura melhorada de Pelé com Cruyff). Mas ele não sai da Inter só se tiver um aumento. Seu sonho é a Bola de Ouro da France Football e na Inter isso não será fácil. Isso porque a Bola de Ouro passa pela Liga dos Campeões (pela sua conquista, bem entendido) e a Inter ainda não tem um time para ganhá-la.

Para piorar, seu empresário, Mino Raiola, é um chantagista no que diz respeito a ameaçar tirar jogadores de clubes. Ouvi de um colega italiano que os dois empresários mais detestados de Milão são Gilmar Rinaldi e Mino Raiola, porque nem esperam a tinta dos contratos de seus assistidos secar no papel e já estão soltando boatos sobre transferências para outros clubes.

Mourinho acha Ibra excepcional, mas está ficando farto das ameaças do sueco, que – este sim – está na lista do Real Madrid.

A revolução das pizzas

Não dá para falar que a sentença dada ao ‘Calciocaos’ da Itália acabou em pizza na cara larga. Afinal, a Juventus, clube que teve o maior comprometimento no escândalo de Luciano Moggi, caiu para a Série B e terá uma dedução de 17 pontos no próximo torneio. Só que a revisão das sentenças deixou, indiscutivelmente, um sabor de pizza no final da refeição. Continue lendo “A revolução das pizzas”