A roleta de rendimento na altitude

O jogo do Brasil em La Paz não traz quase nenuma novidade ou confirmação. Numa altitude ridícula, o rendimento do Brasil foi abaixo do possível. Somente Nilmar e Ramires tiveram uma apresentação que devem ter tirado de Dunga quaisquer dúvidas sobre os dois. Mesmo que Nilmar não seja um dos quatro melhores jogadores brasileiros na posição, é um dos que conseguiu menlhores rendimentos na Seleção. E isso deve pesar.

Dois debates que se fizeram ao redor dessa partida: o primeiro sobre Diego Souza e a pertinência de ele ganhar uma vaga. Se Dunga levá-lo, é porque quer. Apesar de fundamental para o Palmeiras e excelente para o nível do futebol brasileiro, Diego Souza não tem nem vestígios do futebol necessário para atuar na Seleção, especialmente dada a concorrência na posição. Sem dúvida que uma partida na Bolívia não pode dar o veredicto sobre um atleta, mas não consigo ver em Diego o talento de que tanto se fala.

O segundo é sobre a lateral esquerda. O ponto é que não há titular na posição, e embora André Santios não seja um jogador ruim, não limpa as chuteiras Do futebol de Fabio Aurelio no Liverpool. Marcelo, Gilberto, Kleber e outras criaturas que passaram pela lateral, essas então têm dificuldades até de ter vagas em seus times. Tirando essa posição, o grupo de Dunga está praticamente fechado.

Muricy no Palmeiras…

O que Leco fará para convencer o São Paulo e os sãopaulinos que fez um grande negócio ao demitir Muricy para ele ir ao Palmeiras? Especialmente depois da fantástica partida do Tricolor “francês” contra o Coritiba?

Unificação – Por quê não rola II

Vamos tomar o Corinthians como exemplo: o time do Parque São Jorge é o maior campeão estadual de São Paulo. Pelas contas de Santos, Palmeiras e os participantes da campanha da unificação, os esforços desprendidos pelo Corinthians para conquistar cada um deles eram exatamente os mesmos que os dedicados para buscar a Taça Brasil.

Ou então: o título Brasileiro do São Paulo em 2008, com 38 jogos e vencido na última rodada tem o mesmo peso da Taça Brasil do Santos em 1961, com quatro partidas?

Ou ainda: o Brasileiro do Inter-RS em 1976 se equivale à “Copa dos Campeões”– esta sim um torneio muito parecido com a Taça Brasil – vencida pelo Palmeiras de Flavio Murtosa em 2000?

“Ah, não! A Copa dos Campeões era muito menos que a Taça Brasil”. Era? Por que? E o Rio-São Paulo, que tinha os maiores clubes do país até os anos 60? E a Taça Brasil de 1907? E o Torneio dos Campeões da CBD de 1968? E o Torneio dos Campeões de 1982? Por que razão estes torneios são menos valiosos do que a TB e o Robertão, em termos de “validade” como Campeonato Nacional?

A unificação dos títulos é uma demagogia oportunista. Os dirigentes desses clubes querem jogar para suas próprias torcidas. Para ganhar apoio, contam com uma característica típica do torcedor brasileiro: não saber perder. Sem saber aceitar a derrota (e a vitória alheia), qualquer recurso vale para se equiparar, mesmo que sem mérito. Lembra-se do Vasco comemorando a Taça João Havelange no dia da queda da arquibancada em São Januário? Então, é por aí.

E, se depois dessa discussão tola, motivada por uma ambição imbecil de se auto-afirmar, o que acontecerá? O Santos passará a ser o maior clube do país se tiver oito títulos, sendo seis conquistados no Tapetão? O Bahia comemorará o bicampeonato, assim como o Botafogo? Talvez. Tem gente que consegue se iludir com pouco – ou nada.

No caso dos dirigentes, eu entendo. Algum desses clubes estão fadados a não confirmarem seus status de clubes grandes nacionalmente. Você é um dirigente de um desses clubes. Você comanda um deles, um clube, que você (e diretorias antes de você) enterrou irremediavelmente em dívidas. Você não tem competência para reerguê-lo. Você sabe que as suas chances de vencer um Campeonato Brasileiro de novo, ou de lutar por isso regularmente, são mínimas. O que você faria? Teria uma atitude nobre e assumiria seus erros ou tentaria engalobar quem quisesse ser engalobado? Antes de responder, lembre-se que você é um cartola (não adianta pensar com os princípios de uma pessoa decente…).

K9 e Hernanes: Europa em junho

Não adianta ninguém dizer que não, porque só não vê quem não quer. Keirrison e Hernanes serão vendidos com certeza em junho e muito provavelmente terão a mesma destinação: Barcelona. Um emissário do Barça está no Brasil para observar Hernanes e o diretor do clube, Txiki Beguiristain já admitiu interesse em Keirrisson.

Demorou muito, até. Os dois estão um nível acima dos demais. Perda maior para o Palmeiras, que não tem substituto para K9, enquanto o São Paulo se cobriu – embora não dê para não sentir uma perda como a do volante.

Fome

Na coletiva de Vanderlei Luxemburgo depois da vitória sobre a Ponte Preta, uma resposta do treinador foi chamada em quase todo lugar. “Futebol, como eu conheço, precisa de fome para jogar bem”.

Fiquei surpreso ao ouvir isso. Os últimos anos tiveram um Luxemburgo misto de empresário e dirigente, mas muito pouco de técnico. Sua gestão no Santos e o ano passado do Palmeiras foram ridículos. Luxa se preocupa – há tempos – só em processar jornalistas que o criticam, se defender de associações estranhas com figuras do mundo do futebol e tentar passar uma imagem de “modernidade”.

Mas depois do jogo com a Ponte, não. Vi na coletiva o mesmo Luxemburgo do Palmeiras de 1993. O técnico não estava com o viés reacionário dos últimos anos, incapaz de aceitar críticas, ameaçando todo mundo com processos na justiça. O técnico do Palmeiras parece ter voltado a ser técnico.

Certamente muito disso deve ter a ver com a agressão imbecil da torcida organizada e às críticas maciças feitas por mídia e torcida ao time do Palmeiras que terminou o ano e à sua arrogância. Por mais pavão que seja, nem toda a vaidade do mundo conseguiria fazer Luxemburgo se convencer que as críticas eram injustas. Basta lembrar de contratações como Denilson, Roque Júnior e Jorge Preá e declarações como “Minha melhor preparação de jogo na seleção foi contra Camarões”.

Quando Luxa fala de fome, ele dá a sensação de estar falando dele mesmo. Por alguma razão, montar bons times parece ter voltado a ser a sua preocupação. Gostemos ou não dele, treinar times ele sabe. E por isso, caso não se engalane como depois do Paulista passado, quando “gênios” chamaram Valdivia de “Mago”, o Palmeiras pode não só concorrer ao título, mas apresentar um grande futebol – de fato – e não a enganação morna do ano anterior.

Na temporada

Uma observação sobre o Verdão neste ano: o Palmeiras voará baixo antes de todo mundo. Isso se deve á preparação física, necessária para disputar a preliminar da Libertadores. Em maio, muitos darão como certa a conquista de tudo pelo time de Luxa. A esses, será útil lembrar que, assim como o time atingirá seu ápice antes dos outros, também cairá de produção antes. Títulos, em campeonatos de pontos corridos, não se definem com o futebol da melhor fase, mas sim com os resultados conseguidos quando o time vai mal.

As parcerias

Na temporada passada, a Traffic, empresa de marketing esportivo, anunciou parceria com o Palmeiras. Houve festa nas arquibancadas. Craques chegariam. As lembranças dos saudosos anos da Parmalat tilintaram os copos dos palmeirenses que começaram a sonhar com títulos.

Era uma expectativa justificada. Nenhum clube, na temporada passada, contratou os jogadores que quis como o Palmeiras. Diego Souza, Kléber, Henrique. Todo mundo dava o Palmeiras como barbada para o título, especialmente pela presença de Vanderlei Luxemburgo no banco – também cortesia da Traffic. Até colaboradores de luxo como os técnicos Carlos Alberto Parreira e Darío Pereyra engrossaram as filas.

O fim da história já se sabe: as contratações foram boas para a Traffic, mas não para o Palmeiras que, por exemplo, perdeu seu melhor zagueiro, de muito longe (Henrique) com alguns meses. E o toque de Midas de Luxemburgo – outrora técnico, hoje com mais preocupações gerenciais do que de campo – também se foi.

A lição daí é clara: se um time quer ganhar títulos e uma empresa quer ganhar dinheiro, ambos sairão felizes só em poucas oportunidades, quando combinarem as circunstâncias para as duas coisas. Em todas as outras vezes, se dará bem quem mandar, ou seja, quem tem dinheiro e quer mais (dica: não é o clube).

Então por que cargas d’água as “parcerias” continuam ganhando adeptos? E como explicar que um clube seja parceiro de uma empresa que é parceira também de um rival? Será que dá, mesmo numa mente infantil e de capacidade de raciocínio visivelmente embotada, para acreditar que se trata de um bom negócio para o clube?
Hoje, a torcida do Palmeiras já sabe o que significa a “parceria” e externa sua revolta, mas no ano passado, na expectativa de ver o time se dar bem, comemorou.

Assim como fizeram os corintianos quando Tévez chegou, mesmo que até uma porta via que a MSI era uma empresa enterrada até o pescoço em tramóias e sombras. Vários clubes do Brasil estão abraçando a política das parcerias (especialmente aqueles com diretorias particularmente incapazes). É muito provável que quebrem a cara, mesmo que haja sucessos efêmeros de saída. Com certeza, mas certeza mesmo, só dá para dizer uma coisa: as empresas “parceiras” vão encher o rabo de dinheiro.

…e um para se demitir

Ao contrário dos seus pares que lutaram pelo título até as últimas rodadas, Vanderlei Luxemburgo é, de longe, o treinador que obteve o fracasso mais retumbante de 2008. Sim, ele mesmo, que foi capa recente de uma revista de futebol que o desenhava como o “arquiteto” do sucesso palmeirense – um sucesso que não virá.

Luxemburgo teve mais dinheiro para contratações do que São Paulo, Grêmio e Cruzeiro juntos. Até o Flamengo poderia entrar na soma se não tivesse torrefado dinheiro ensandecidamente para levar Josiel e Marcelinho Paraíba (além de Sambueza e Vandinho) na crise pós-saída de Marcinho e Souza. Assim mesmo, Luxemburgo – enterrando a máxima de que ele é excepcional quando tem as contratações que quer – fracassou.

Perdido o título, Luxemburgo começou a falar que o plano “era de longo prazo”. Não cola. A Traffic investe no Palmeiras para vender jogadores e atletas que acabaram em quarto lugar são infinitamente menos vendáveis do que os campeões.

O fracasso do Palmeiras de Luxemburgo é a nota negativa do Brasileiro 2009. Nem o Vasco rebaixado surpreende tanto. Depois de décadas de devastação financeira, sabia-se que o clube cruzmaltino teria de pagar a conta em algum momento. Do Palmeiras, esperava-se o título, com futebol vistoso e com folga. Nenhum dos dois veio.

A gestão dos times de Luxa nos anos recentes inclui uma série de contratações duvidosas, arriscadas e às vezes, nebulosas, cujo risco ele assumia com a inegável capacidade que tem como técnico. Neste ano, a maionese desandou e não é difícil encontrar o que deu errado. Roque Júnior, Gladstone, Jéci, Jumar, Lenny e Jorge Preá poderiam fazer parte de um elenco forte, compondo o time reserva nos treinos. Só que, pelo contrário, em muitas partidas, quando Luxemburgo precisava de um ás na manga no banco, ele tinha Denilson que, em nenhum momento, foi o jogador recuperado que parte da mídia apregoou.

O técnico já disse, para quem quiser ouvir, que deixará o Palmeiras e a agressão dos torcedores é a causa, segundo ele. Na verdade, a agressão sofrida por ele pode até ser útil para que ele “escolha deixar” o Parque Antártica e possa evitar uma demissão. Seu rendimento neste ano certamente merece uma.