O Brasileiraço, seus craques velhotes e um Palmeiras lusificado

Não é novidade, né? Ano após ano, o Brasileirão é mais e mais disputado. Líderes perdem para lanternas, times “grandes” caem (e agora teremos a primeira queda de um “grande” pela segunda vez consecutiva), “craques” que não conseguem mais jogar em nenhum clube europeu arrasam nos gramados (a ponto de uma emissora fazer um “especial investigativo” procurando as causas para o ‘sucesso dos veteranos”. Embora seja difícil apontar quem será, é fato que este ano teremos, mais uma vez, um campeão medíocre. Como consolação, podemos nos contentar que os quatro rebaixados, num dia bom (como mostrou o Atlético-GO), podem bater o líder. Para quem gosta de “emoção” o torneio é um prato cheio. Continue lendo “O Brasileiraço, seus craques velhotes e um Palmeiras lusificado”

Chupa, torcedor!

Outro dia, eu estava me lembrando de como era quando eu assistia futebol quando criança. Meu pai e meus familiares se reuniam em casa para assistir futebol aos domingos, preocupados com o time para o qual a maioria da minha família torce. Nas minhas lembranças de infância, não me lembro de, nenhuma vez, ter ouvido algum adulto xingando um outro clube quando celebrava um gol. Celebrava-se somente o nosso time (e a regra era a mesma para torcedores de outros clubes). A felicidade era pela vitória, não pela desgraça alheia. Continue lendo “Chupa, torcedor!”

Contratos, obrigações e rêmoras

Indústrias que têm uma capacidade de faturamento excessivamente grande tendem a atrair profissionais e indústrias relacionadas que buscam uma parte desse faturamento. Em alguns casos, esses “agregados” embutem valor no produto final e a indústria central tem o seu produto com mais valor. Como exemplo, pense nos desenvolvedores de tecnologia que agrupam outros criadores de software ao seu redor. Na maioria dos casos, as rêmoras vêm só pelo dinheiro (um case concreto é a inflação dos custos da indústria cinematográfica por conta dos custos crescentes de honorários de advogados e seguradoras), agregando zero ao produto original (no caso do cinema, os filmes não melhoram absolutamente – só ficam mais caros). É exatamente isso que acontece no futebol.  Outro exemplo? Jogadores pedindo aumento com contrato vigente. Continue lendo “Contratos, obrigações e rêmoras”

Um Palmeiras abandonado

Ontem, ao saber do resultado do massacre sofrido pelo Palmeiras, me lembrei de uma imagem sintomática: a do Parque Antártica semidemolido, com o mato campeando e todos os fantasmas da história palmeirense arrastando suas correntes nuam das áreas mais nobres de São Paulo. O palmeirense tem por que chorar: sua diretoria tem a competência de um aglomerado de moluscos, seu patrimônio está jogado às traças e todo tipo de sanguessuga (incluindo as “oficiais”) estão arrancando a vida do Verdão. Continue lendo “Um Palmeiras abandonado”

O Salvador

Na semana passada, eu ia escrever sobre a eleição no Palmeiras, mas o tempo foi escasso. Na realidade, eu ia escrever é sobre Salvador Hugo Palaia, cujo primeiro nome é uma ironia para com o clube. O resultado da eleição, sinceramente, não importava. A vitória já estava decidida e o derrotado, certo, qualquer que fosse o resultado. Era o clube. Continue lendo “O Salvador”

Eternas discussões de fim de liga

Eu acredito que um dia, conseguiremos fazer polêmicas menos burras do que as de hoje em dia no Brasil. Conseguiremos entender que para São Paulo e Palmeiras, os campeonatos estavam acabados antes do jogo com o Fluminense. Conseguiremos entender que o formato de pontos corridos pode não ser ideal, mas é melhor do que a aberração anterior. Conseguiremos entender que se os melhores jogadores não atuam aqui, não tem como a nossa ser a melhor liga (o que é completamente diferente de dizer que devemos gostar mais de outra liga ou que essa não possa ser a mais emocionante). O que cansa na cobertura esportiva brasileira, tanto quanto os gritantes desvios éticos – vide arbitragem guiada, presidentes de clubes recebendo favores da federação, escolha de sedes da Copa risíveis como Cuiabá, Brasília e Manaus – é a falta de diferenciação entre o que é opinião e o que é fato. Continue lendo “Eternas discussões de fim de liga”