Vai faltar espaço na cadeia

Nos últimos anos, o futebol italiano foi um verdadeiro viveiro para tudo quanto é praga, mais ou menos criminosa. Agentes inescrupulosos, falsificadores, médicos irresponsáveis, dirigentes pilantras, todos tiveram espaço para fazer escândalos. E não foram poucos. Doping (médico e administrativo), passaportes falsos, falência de clubes, virada de mesa…

Mas pode ser que, finalmente, esteja na hora da ratatulha ir para a cadeia. Na última quinta, policiais e agentes da ‘Guardia di Finanzia’ (uma espécie de polícia tributária) invadiram as sedes de todos os clubes da primeira e segunda divisão, e alguns da terceira, além da Lega Calcio. Toneladas de documentos foram apreendidas e estão sendo minuciosamente vasculhadas. Para horror dos cartolas.

Basicamente, as suspeitas são de corrupção, bancarrota fraudulenta e falsificação de balanços. Quase trinta inquéritos estão sendo conduzidos, entre os quais, o dos passaportes, doping, cartas de garantias falsas, falências da Círio e Parmalat, abuso de poder da Capitalia, entre outros. Potencialmente, pode envolver o primeiro escalão do poder na Itália. De uma maneira geral, o assalto da GDF foi bem visto, especialmente por aqueles que pediam clareza nas finanças de clubes como Roma e Napoli, desde sempre beneficiados por favores dos “co-irmãos”.

De cara, já se sabe que o que mais vai aparecer são as chamadas ‘plusvalenze’, uma artimanha que os clubes faziam. Trocando jogadores de valores similares, os clubes alteravam seus balancetes para cobrir prejuízos. Um jogador era comprado por mil dólares e vendido por dez milhões, semanas depois. Isso aconteceu milhares de vezes, sabida e assumidamente. Lembram-se das trocas de jogadores entre Inter e Milan? Entre Roma e Parma? Pois é.

O grupo que está encarregado de passar o pente fino nas finanças dos clubes é da maior competência, e parece determinado a colocar tudo às claras. Todos os personagens do futebol italiano estão mais ou menos envolvidos com as negociatas, e embora haja uma certa calma, tudo indica que a chapa vai ferver para muita gente. Esta é uma investigação que não se sabe onde pode acabar.

Русские исчезли!

Tudo parecia estar arranjado. A Roma finalmente conseguiria sair de sua sinuca de bico. O clube de Trigoria tem uma dívida impagável de cerca de € 350 milhões, e para não seguir a rota de Parma e Lazio (ou pior – Fiorentina), o dono do clube achou uns russos endinheirados na mesma onda do milionário que comprou o Chelsea. A Nafta Moscou pagaria a Franco Sensi cerca de € 400 mi, e todos ficariam contentes – torcida incluída, pois não só não perderia Totti, Emerson e outros, como “corria o risco” de ver chegarem Davids, Vieri e mais alguns medalhões.

O verbo está no passado porque ia bem, mas não vai mais. Os milionários russos se borraram de medo quando viram a polícia invadindo as sedes de todos os clubes, e pensaram: será que nós não estaríamos entrando numa roubada? Na dúvida, suspenda-se tudo. A Roma volta à estaca zero.

A semana passada se desenhou macia para a negociação romanista, e numa hora em que a grana dos petroleiros russos viria bem à calhar. Agora, sem a grana dos Urais, o presidente do clube, France Sensi, só tem uma saída. Entrar em acordo com um grupo de empresários de Roma que tinha topado substitui-lo à frente do clube. O problema é que eles não querem as dívidas do clube, ou pelo menos exigem que o valor seja abatido da negociação. Sensi não aceita.

Moral da história: o furacão fiscalizatório do governo italiano acabou ferrando Sensi, que vai ter de ceder, mais cedo ou mais tarde. A gestão do clube sob suas mãos foi ruinosa. Por bem pouco, não se teria causado conseqüências para a torcida. Como última tentativa, a Roma subiu seu capital para 130 milhões de euros. A medida visa melhorar a situação financeira do clube e tentar atrair os russos de volta.

Ah, e mais uma coisa: o título desta matéria deveria ser “Os russos sumiram!”. Caso algum internauta letrado em russo ache alguma imperfeição na tradução (feita num tradutor automático), aguardamos correções.
Inter, o inimigo íntimo

A Inter é o clube que não precisa de inimigos. Ninguém sabe fazer mais mal à equipe de Via Durini do que ela mesma. Na derrota para o Brescia em Milão, de virada, ficou provada irrefutavelmente a fraqueza psicológica do elenco interista, somada a uma sensível lacuna técnica.

A crise interista é tão feia que já se considera certo que Alberto Zaccheroni não fica para a temporada que vem. Mais: novas derrotas podem fazer com que o técnico romagnolo perca o emprego ainda nesta ano. Zaccheroni deve acabar pagando o pato pelos eternos problemas do clube. Injustamente.

Sabe-se que a diretoria finalmente resolveu fazer um expurgo em junho, onde diversos nomes podem tomar o caminho da roça. Por hora, a medida adotada foi um retiro do elenco, que está em regime de concentração permanente, para treinos e lavagem de roupa suja ‘ad infinitum’.

Em campo, o grande drama da Inter segue sendo não ter um comandante no meio-campo. É incrível como a Inter consegue desnaturar jogadores comprovadamente bons, como Lamouchi ou Dejan Stankovic. O time não tem um jogador que consiga ordenar a manobra, e assim, depende de lampejos dos atacantes. E como a bola queima o pé dos meio-campistas, a defesa acaba sempre ficando no mano-a-mano, e sempre perdendo. Até Toldo, um dos três melhores goleiros do mundo, está jogando incrivelmente mal.

A saída de emergência parece improvável. O ideal seria umafaxina imediata, limando TODOS os jogadores que estejam fazendo parte da turma do chinelinho. Por sorte da Inter, nenhum dos outros aspirantes à quarta vaga para a Liga dos Campeões (Parma, Lazio, Udinese) venceu nesta rodada, mas este posto parece difícil, pois a Inter é o mais irregular dos quatro. Para pegar uma vaga-UEFA, a Inter não precisa de nenhum medalhão, e a mensagem estaria dada aos jogadores: o couro vai comer se ninguém se mexer.

Lecce turbo, rebaixamento duríssimo

O mês de fevereiro foi tudo o que o Lecce esperava. Um dos rebaixados virtuais na virada do ano, o time do Via Del Maré fez um mercado excelente e transformou-se na sensação do torneio. Basta dizer que nas últimas cinco partidas, o ‘giallorosso’ do Salento fez 13 pontos, concedendo somente um empate, contra o Milan.

E qual a varinha de condão usada? Nenhuma. O Lecce se reforçou nos setores certos. De maior relevância, a chegada do colombiano Bolaño no meio-campo, e a explosão da dupla Bojinov-Chevantón no ataque. O uruguaio marcou nas últimas cinco partidas e tem transferência garantida para o próximo campeonato.

Mas além da turbinada do Lecce, outros times que lutam contra o rebaixamento também reagiram. O Empoli já vem de uma melhoria desde a virada do ano, com a consolidação a dupla Rocchi-Tavano e a consistência dos meias Di Natale e Vannucchi. Esta coluna cravou que o Empoli já tinha reservado a vaga no rebaixamento, mas a reação surpreendente reabilita o time toscano para seguir sonhando. A vitória contra a excelente Udinese é prova disso.

Não é só. O Perugia finalmente conseguiu uma seqüência de duas vitórias, e ainda segue favorita para cair, mas voltou a ter chances de pensar em se manter (mesmo com chances reduzidíssimas). Reggina, Siena e Modena perderam terreno e já estão na área perigosa da tabela. Na verdade, nove pontos separam o 17º e o 10º colocados. O Ancona é o único que está irremediavelmente comprometido.

Curtas

Zambrotta fez, contra o Ancona, a sua 200ª partida pela Série A

O meio-campista fez 141 jogos pela Juventus e 59 pelo Bari

Aliás, o Ancona que perdeu para a Juve de Zambrotta, deve estabelecer um novo recorde negativo nesta temporada

Já são 17 derrotas até aqui

Frey (Parma) e Torrisi (Reggina), completaram 150 partidas na divisão máxima

Um jornal de Brescia ventilou que o Anderlecht quer Baggio para a Liga dos Campeões do ano que vem

O time belga, que nega o interesse, daria condições especiais de treino para o craque veterano, que jogaria somente a competição européia

E esta é a seleção Trivela do Italiano neste final de semana

Antonioli (Sampdoria); Mancini (Roma), Vargas (Empoli), Barzagli (Chievo) e Maldini (Milan);Seedorf (Milan), Codrea (Perugia), Emerson (Roma), Vannucchi (Empoli); Totti (Roma); Cassano (Roma)

A vigésima maldita de Turim

Os 4 a 0 que a Juventus sofreu para o Parma na noite deste domingo em Roma remeteram imediatamente a uma outra derrota em que os piemonteses levaram quatro gols. O ano era 1999, a rodada, curiosamente, era a de número 20, o adversário era o Parma. Foi um 4 a 2 que forçou Marcello Lippi a pedir demissão, prontamente aceita.

Dos juventinos que estavam em campo na goleada do Olímpico, Montero, Tacchinardi, Tudor, Conte e Buffon (então no Parma) também testemunharam o desastre de 1999, E certamente devem se lembrar que uma derrota dessas proporções não passa incólume. Não na Juventus.

A Roma jogou um bom futebol, é verdade, mas a voracidade dos números se deve muito mais a uma flacidez inaceitável da Juve do que a um jogo espetacular da Roma. Totti e Cassano jogaram excepcionalmente, mas a defesa juventina era um espectro do setor impenetrável que há quatro temporadas é o melhor do torneio. Como disse o próprio Buffon, o desempenho do setor, ele incluso, “não é digno da Juventus”.

Marcello Lippi deu uma entrevista no pós-jogo bem mais serena do que a de 1999, onde sua cabeça estava colocada a prêmio, mas o abatimento era evidente. Na expulsão de Montero (15o cartão vermelho do uruguaio na Itália, recorde absoluto), Lippi meneou negativamente com a cabeça, jogando a toalha inconscientemente. E para o campeonato, não é muito diferente, embora o treinador insista no contrário.

A dificuldade a ser superada pela equipe de Turim não é nem tanto pelos oito pontos de distância do líder Milan, mas pela falta de recursos aparentes no atual elenco, curto de 22 jogadores, e sem nomes que possam, teoricamente, fazer a diferença nesta reta final de campeonato. Del Piero, há três meses machucado, é o único ‘bianconero’ capaz de injetar gás num time que parece sem disposição. É pouco.

Um exausto Nedved e um Trezeguet de contrato novo também soam como improváveis candidatos a carregar esta Juve nas costas, num momento em que o time parece necessitar de estrelas defensivas, exatamente como Davids (recém-partido para o Barcelona), ou Stam, cuja contratação junto à Lazio foi adiada para junho, já que o batavo não pode jogar na Liga dos Campeões.

Líquida e certa é uma reação por parte da diretoria e da comissão técnica. Com a Liga dos Campeões se aproximando, a Juve não pode nem pensar em falar de crise. Marcello Lippi já disse mais de uma vez que se aposenta se não vencer esta edição do torneio continental e a diretoria juventina não poderia admitir um ‘flop’ nas contas do clube, que tem ações na Bolsa de Valores.

Resta a pergunta: O que fazer? Lippi já tinha se decidido a encerrar o ‘rodízio’ de jogadores que visava dar uma folga para os craques mais importantes, mas talvez tenha de reconsiderar. Nedved perdeu o brilho de três meses atrás, visivelmente fatigado, Del Piero ainda não encontrou tal brilho, e a defesa, principalmente, precisa achar quem vai fazer o papel do Davids da vez. Para Appiah, pode ser um momento-chave: ou se revela um juventino, ou mostra que é um craque de início de campeonato. Detalhes disponíveis nas próximas semanas.

Vieri-Adriano: a Inter se inventa um novo problema

Incapaz de desfrutar alguns momentos de bem-estar, a Inter volta a exercitar a sua mania quase botafoguense de se auto-flagelar. Agora que conseguiu jogar bem duas partidas seguidas, a discussão que se avizinha a Appiano Gentile é sobre a impossibilidade de colocar Adriano e Vieri para jogarem juntos, ou seja, que Vieri está de saída.

O hábito não é recente, nem italiano, nem interista. Basta lembrar que Shevchenko não poderia jogar com Inzaghi no Milan, assim como Rui Costa não poderia jogar com ninguém (nem Albertini, nem Kaká, nem Rivaldo), Zidane não poderia jogar com Figo no Real Madrid, e Nedved não poderia jogar com Davids e Del Piero na Juventus.

Discussões como esta só deixam claro duas coisas: a primeira é que a mídia consegue inventar pelo em ovo para vender jornal; a segunda é que a Inter de Milão precisa, antes de qualquer outro craque, de se deitar urgentemente num divã de psicólogo, e recuperar o seu amor-próprio.

Alberto Zaccheroni, treinador do time Lombardo, tem a seu dispor, dois dos melhores atacantes do mundo. Se fossem dois cabeças-de-bagre da mesma posição, ou a Inter tivesse grandes craques em outras posições, até se colocaria a dúvida sobre as chances de sucesso de ambos. Não se trata de nenhum dos casos.

Este colunista tinha sim, uma dúvida sobre se Crespo (ótimo jogador, mas inferior a Adriano) poderia jogar com Vieri. Na prática, o argentino foi designado para atuar mais na área, enquanto Vieri voltava para buscar jogo. Deu certo. Não existe razão para achar que com Adriano os dois não possam se adaptar, até porque, além de goleadores, ambos são solícitos aos pedidos dos técnicos.

É bem verdade que o jeito dos dois jogarem é similar, mas também é indiscutível que há talento suficiente na dupla para uma adaptação. E como a Inter já está fora da corrida pelo título, os próximos quatro meses de torneio são uma ótima prova para ver o que ambos podem fazer.

Zaccheroni deverá questionar seu módulo 3-4-3. Para jogar com três atacantes, seria melhor usar somente um entre Vieri e Adriano, e dar os postos de atacantes laterais a jogadores com mais vocação para a linha de fundo. Só que seria um pecado deixar um dos dois no banco, sendo que se trata do que o elenco tem de melhor.

O bom senso sugere que ‘Zac’ monte uma linha de quatro na defesa, sólida e cautelosa, sirva o meio campo com dois alas (Van der Meyde e Kily Gonzalez, por exemplo), e dois centrais que façam a bola girar. Não coincidentemente, exatamente o esquema que Hector Cuper queria montar, mesmo com alguns ‘gênios’ chamando-o de burro.

Bologna: sem magias de início de campeonato

Quem assistiu a partida entre Udinese e Bologna, no último sábado, pode até ter tomado um susto. Como o Bologna tosco e pífio do início do campeonato tinha se tornado um time ágil, consciente e aplicado, a ponto de bater a Udinese (único time que venceu o Milan na Série A deste ano) em Udine?

A resposta está no banco de reservas. Carlo Mazzone, decano treinador italiano, finalmente está vendo os frutos de seu trabalho aparecerem. O Bologna comeu o pão que o diabo amassou no começo do torneio porque o planejamento do técnico era de longo prazo, e não visando ganhar duas ou três partidas de saída.

Mazzone e o ex-técnico do time, Francesco Guidolin, têm modos de jogar bem diferentes. Guidolin joga no contra-ataque, com um meio-campo colado à defesa, convidando o adversário a avançar; Mazzone impõe a seus comandados a posse de bola, marcação eficiente e, normalmente, o uso de uma ‘torre’ (Kenneth Andersson no Bologna, Amoruso no Perugia, Tare no Brescia e Bologna) entre os zagueiros rivais, para servir como pivô para a entrada dos meio-campistas. No sábado, não à toa, Nakata, Colucci e Locatelli anotaram gols para o Bologna. Todos meio-campistas.

Normalmente, partidas explosivas no início do campeonato. Em times pequenos, são resultado de uma preparação física que visa a obtenção de um ápice rapidamente. Como se atinge o ápice antes dos adversários, fica fácil ganhar as partidas no fôlego. Mas o preço vem com o passar do tempo, e rapidamente, o time pára de correr, com influência clara nos resultados. Este Bologna fez exatamente o oposto.

Parma sente o golpe do mercado

O Parma teve o melhor projeto de reestruturação das últimas temporadas, tem o melhor técnico da nova geração, tem (ou teve) o melhor elenco de promessas de jovens italianos, e outras coisas mais. Contudo, não é possível sofrer um baque de mercado como o do clube ‘gialloblú’ sem acusar o golpe.

O Parma cedeu Adriano à Inter, Júnior ao Siena, Nakata e Moretti ao Bologna, Bolaño e Sicignano ao Lecce. Além disso, perdeu Bonera com uma fratura no pé, Cardone com uma lesão no joelho e tem um clima péssimo sobre o clube, que não sabe se vai para o saco na manhã seguinte ou não. O resultado se vê em campo.

A partida entre Parma e Lazio era um clássico entre dois grandes compradores de mercado até outro dia. Hoje, é um jogo entre dois quatrocentões que perderam tudo. Em campo, a Lazio está mais acostumada com a nova situação, e tem mais elenco, já que se recupera há mais tempo do baque.

Sintomática para o Parma é o episódio onde a torcida do Parma aplaudiu e pediu a entrada de Degano e Potenza, dois jovens de vinte anos, dos quais esperava uma reação contra uma Lazio experiente, conduzida por um renascido Cláudio López. Ao técnico Prandelli resta a esperança de pensar numa vaga na Copa UEFA, já que é difícil acreditar que o Parma possa sonhar com um ‘spot’ na Liga dos Campeões.

Os jogadores Aimo Diana (Sampdoria) e Hidetoshi Nakata (Bologna) completaram 150 partidas na Série A neste final de semana

Nakata é uma das razões da subida de produção do Bologna

Igor Tudor (Juventus) e Alberto Gilardino (Parma) chegaram à marca de 100 jogos pela divisão máxima do futebol do país

Tanto que a diretoria do clube pensa em um ‘pool’ de empresas da cidade dpara ajudar o clube a comprar seu passe e pagar seu salário

Os dois gols de Vieri pela Inter fizeram com que ele atingisse a marca de uma lenda interista, Sandro Mazzola, filho do ainda mais lendário Valentino Mazzola

O zagueiro Dario Simic estendeu seu contrato com o Milan até 2007

Não é só no Brasil que algumas narrações acabam cômicas

A transmissão de Roma – Juve, pela RAI, normalmente vetusta, teve momentos impagáveis, proporcionados pelo narrador Amedeo Goria e pelo repórter Carlo Paris

Os dois torciam desenfreadamente pela Roma, e beiraram a histeria em alguns momentos

Pagliuca (Bologna); Cribari (Empoli), Nesta (Milan) e Ignoffo (Perugia); Nakata (Bologna), Colucci (Bologna), Dacourt (Roma) e Rui Costa (Milan); Cláudio López (Lazio), Vieri (Inter)e Totti (Roma)

Milan em disparada?

Se a 18a rodada do Italiano não foi perfeita para o Milan, foi quase. Além de se desvencilhar de um incômodo Bologna, em viagem, o time lombardo pôde respirar um pouco mais aliviado com uma derrota da Roma que, não somente aumenta a diferença entre os dois times para cinco pontos, como também é um claro indicador de que o time da capital enfrenta uma crise física e técnica.

A Roma teve um mês de janeiro absolutamente deprimente, colhendo seis pontos, e perdendo oito em relação ao Milan (que a bateu incontestavelmente em três confrontos diretos). O técnico Fabio Capello está preocupado porque o elenco caiu vistosamente de produção, Totti não é mais suficiente para fazer a diferença, e o calendário reserva justamente a Juventus na próxima rodada, numa partida em que a Roma tem, obrigatoriamente, de mostrar que a crise é passageira.

Ainda que lentamente, quem se arrasta para fora de uma outra crise é justamente a Juventus, que teve seu momento pior no fim de dezembro. O time de Turim não brilha, joga com dificuldade, e tem nomes-chave (Nedved, Trezeguet, Del Piero) fora da melhor forma. Mas este é o segredo da Juve: fazer pontos, mesmo jogando mal, como aconteceu contra o Chievo.

A vitória milanista veio num momento delicado. Revezando jogadores, Carlo Ancelotti conseguiu dar um descanso para todos os seus principais titulares (exceto Shevchenko), sem perder nenhum ponto, jogando duas vezes na mesma semana contra adversários hostis (Siena e Bologna). Fevereiro reserva um calendário pesado para os rubro-negros, e é o mês em que o time vai dar uma mostra de seu fôlego.

“Então quer dizer que o Milan é o favorito?”. Calma lá. O Milan é líder, é verdade, e tem uma consistente vantagem de cinco pontos. Mas hoje, assim como há um mês, quando a Roma liderava, o torneio está abertíssimo. A Roma tem chances sim de voltar à forma de quarenta dias atrás (embora seja uma missão difícil), e a Juventus deve, salvo acidentes, voltar à sua forma máxima em questão de algumas rodadas. Na verdade, vence o campeonato o time que ficar por menos tempo patinando nesta ‘crise de janeiro’, que atinge todos.

Mesmo com a parada completamente aberta, os milanistas têm razões para estarem esperançosos: dizimam recordes (em 18 rodadas, o desempenho do Milan é um dos melhores da história da Série A), dispõem de alternativas táticas diversas, e ainda têm jogadores que não atingiram seu ápice físico, como Filippo Inzaghi, Kaladze, Serginho e o próprio Cafu. Ancelotti conta com isso para sua cartada final, até porque sabe que Sheva e Kaká não devem manter o atual ritmo assombroso até maio. Se o fizerem, entram para a história, definitivamente.

Tomasson: o reserva de luxo

Se Jon Dahl Tomasson fosse analisado pela crônica brasileira, tiraria zero. Não é técnico como Kaká, não tem a velocidade de Ronaldo, não tem o controle de bola de Denílson ou Robinho, nem a improvisação de Alex ou Ronaldo Assis. E sem isso, no Brasil, se trata de um perna-de-pau.

Mas quem o viu jogar pelo menos uma vez, não fica com essa impressão. E certamente, Carlo Ancelotti, técnico do Milan, também não. Tomasson é, hoje, o jogador mais importante taticamente para o técnico de Reggiolo, pela sua versatilidade. Sem Tomasson, é provável que o Milan não estivesse na liderança.

O dinamarquês de Copenhague apareceu para o futebol na Holanda, jogando pelo Heerenveen. Depois de três temporadas e 37 gols, Tomasson foi contratado pelo Newcastle, onde fracassou retumbantemente. Mal escalado pelo então técnico dos “Magpies”, Kenny Dalglish (hoje, não coincidentemente, desempregado), Tomasson jogava como centroavante puro, ao lado de Asprilla e Ketsbaia. Sem força física nem velocidade para tanto, foi considerado a pior contratação do ano, e re-expedido para a Holanda, só que para Rotterdam, onde aportou no Feyenoord.

Lá, deixou claro que o problema não era ele. Em quatro temporadas, levantou um título de campeão holandês e uma Copa da UEFA, na qual desclassificou a Inter de Milão na semifinal e foi o melhor em campo na final contra o Borussia Dortmund, sempre jogando como pivô para o centroavante Van Hooijdonk. Depois disso, a transferência a custo zero para o Milan.

No Milan, Ancelotti o utilizou a conta-gotas na temporada passada. Durante o ano, concluiu que “Tommy” não deveria jogar como homem de área, e sim como segundo homem, dando referência para um centroavante (Sheva ou Inzaghi), propiciando tabelas, e dando assistências. Exatamente como joga na seleção dinamarquesa (com Ebbe Sand).

Se Tomasson não tem um controle de bola excelente, nem uma técnica refinada, sabe tocar a bola de primeira, o que lhe dá grande vantagem quando recebe-e-toca para a infiltração do atacante. Maior fisicamente, protege bem a bola. E tem seu forte na inteligência tática, capaz de se agregar ao meio-campo quando o time está sem a bola, reforçando a marcação.

Nesta temporada, Tomasson já fez 12 gols, mas quase todas entrando como substituto. Com o dinamarquês no elenco, as opções táticas para o ataque se multiplicam. É um jogador e tanto, ainda que não tenha a habilidade de um Robinho. Quando nós, brasileiros, conseguimos compreender que há muitas maneiras de se jogar bem futebol, talvez as derrotas que sofremos não precisem tanto de bodes expiatórios. Elas fazem parte do jogo.

Lazio, ave César

Ninguém presta atenção porque a Lazio não tem uma campanha onipotente como a do Milan. Mas o time de Formello tem no brasileiro César, cada vez mais, um jogador indispensável. Nestes dias de marketing, onde qualquer um pode valer trinta milhões porque tem um bom agente, César é a grata exceção.

Confesso que não pus muita fé em César quando ele deixou o São Caetano. Como lateral bem à brasileira, a noção de marcação de César é a mesma de Robinho. Ou quase isso. E seguramente, numa linha defensiva de quatro jogadores, o paulistano que tem uma estória de vida bem emocionante (já cumpriu pena), fracassaria.

A sorte de César é que Roberto Mancini viu o óbvio: seu lugar não era defendendo, mas como cursor esquerdo para as ações ofensivas da Lazio. Na gestão Mancini, César jogou a primeira temporada no meio-campo e foi um dos pontos fortes do time que se classificou para a Liga dos Campeões. Neste ano, César até melhorou a marcação e começou a atuar na defesa, mas se contundiu e ficou vários meses parado.

Quando perdeu César, o técnico Mancini pôs as mãos na cabeça, porque sabia que não tinha alternativas. Para a defesa, até tinha. Embora tivesse perdido Pancaro para o Milan, a Lazio conta com Massimo Oddo, marcador discretamente eficiente. Mas o meio-campo e as jogadas de linha de fundo pela esquerda estavam encerradas.

No período sem o brasileiro, a Lazio fez bem pouco além de patinar e, de vez em quando, aprontar alguma surpresa (como para cima da Inter). Mesmo sem os elogios dos profetas do óbvio da imprensa brasileira, César faz por merecer melhor sorte na Itália. Ganhou em consciência tática, marcação e disciplina, mas não perdeu sua habilidade. É um jogador que pode fazer carreira em Roma, se não der ouvidos a propostas mirabolantes de empresários.

Juventus faz manobra arriscada

Mesmo com as apresentações opacas das últimas semanas, a renovação de contrato do centroavante Trezeguet (praticamente fechada) selou a última possibilidade de novas contratações. O técnico Marcello Lippi decidiu que, mesmo tendo cedido quatro atletas na abertura da janela de transferências, vai até maio com o grupo que tem.

Lippi é competentíssimo, não resta dúvida, mas fez uma aposta arriscada. O atual elenco da Juve tem 22 atletas, inclusos os três goleiros. O número está no limite do suficiente para um grupo que terá compromissos de campeonato, Liga dos Campeões e Copa Itália.

Além da quantidade, Lippi perdeu também qualidade. É verdade que Davids não jogava com freqüência, em função de seu braço-de-ferro com a diretoria, para não renovar o seu contrato. Mas o fato é que Davids é, simplesmente, o melhor do mundo sem sua posição, e esta perda é sensível.

No campo “quantidade”, Lippi perdeu o zagueiro Fresi (foi para o Perugia), o meia Olivera (Atlético Madrid) e Zalayeta (Perugia). Ok, nenhum desses nomes deve ganhar a Bola de Ouro em dezembro, mas certamente davam um respiro ao técnico quando seus titulares se machucavam. Um exemplo? Pela LC, contra O Manchester, no ano passado (também em fevereiro), Lippi perdeu 11 jogadores derrubados por um vírus gripal. Uma repetição deste episódio poderia ter conseqüências desastrosas com um elenco tão curto.

Na verdade, Lippi teve uma boa campanha de reforços em junho e não é técnico de sair pedindo contratações. Precisa recuperar a boa forma de Legrottaglie (que sofre há meses com uma pubalgia), Del Piero (opaco desde sua contusão muscular em outubro), Tudor (contundido há anos, sempre se recuperando mal). Resolver esta temporada complicada sem choramingar por reforços é questão de honra para Lippi. É mesmo uma missão duríssima, que precisa de competência e sorte.

A média de gols por minuto de Tomasson nesta temporada é excelente

1 gol a cada 134 minutos jogados

O zagueiro Valério Bertotto completou 250 partidas com a camisa da Udinese pela Série A

Bertotto já é o recordista em participações na divisão máxima pelo clube do Friuli

Apesar de não ter tantos gols quanto Shevchenko, o brasileiro Adriano tem média gols/partida melhor do que a do ucraniano

0,91 tentos por partida

O zagueiro interista, Marco Materazzi, deu um murro na cara do senese Bruno Cirillo dentro do túnel que leva ao campo, na saída de Inter 4 x 0 Siena

O novo presidente da Inter, Giacinto Facchetti, já anunciou “punição severa”

Esta é a seleção Trivela desta semana

Sicignano (Lecce); Nesta (Milan), Stam (Lazio) e Cristiano Zenoni (Sampdoria); Pecchia (Bologna), Pirlo (Milan), Di Biagio (Brescia), Camoranesi (Juventus) e Kaká (Milan); Recoba (Inter) e Gilardino (Parma)

Doping, o fantasma continua

Pouca gente dá atenção aqui no Brasil, mas o fantasma do doping segue bem vivo na Itália. Não bastasse as suspensões de Kallon (Inter) e Gheddafi (3 meses, mas provavelmente sua brilhante carreira se encerrou), mais Blasi (Parma), a Itália assiste a continuação de um inquérito que ainda é resultado das denúncias de Zdenek Zeman em 1999. A maior acusada: a poderosa Juventus.

Há quem diga que a derrocada do treinador, hoje no Avellino, se deveu ao ódio mortal que Luciano Moggi, dirigente juventino, passou a alimentar por Zeman depois das denúncias. Ainda que lentamente, os interrogatórios prosseguem. Nesta segunda, falaram Filippo Inzaghi (hoje no Milan) e Paolo Montero.

O depoimento de Montero não teve maior repercussão, mas o de Inzaghi sim. O atacante do Milan disse que os médicos da Juventus davam freqüentemente creatina, antiinflamatórios e analgésicos durante os jogos, especialmente quando ele estava cansado. Legalmente, a creatina não é proibida, mas ficou um clima esquisito no ar.

A Juve já vem se defendendo, dizendo que os fármacos que ela ministra aos jogadores são usados por todos os times. Esta afirmação talvez seja sintomática. Não são poucos os médicos que, fora das câmeras e microfones, dizem que TODOS os atletas de alto nível usam algum tipo de dopagem, mais ou menos agressiva.

A realidade é que esta sensação é cada vez mais concreta. O ex-tenista John McEnroe admitiu nesta semana que ele consumiu doping, fortíssimo, durante seis anos. McEnroe diz que não sabia. Mas o fato é que sua carreira foi grandiosa. Até onde o doping foi o causador de tal performance?

Parece nítido que só há uma saída para se diminuir a praga do doping no futebol: fazer com que as equipes sofram pesadas multas financeiras e percam pontos, além de apertar o cerco dos exames. É certo que muitos jogadores perderão um pouco de fôlego, mas pelo menos, se devolverá um pouco de lisura às partidas.

Roma sob intensa pressão

Não é só na tabela que a líder Roma está sob intensa pressão. Com o Milan no seu encalço (três pontos e um jogo a menos) e a Juventus logo atrás, o time de Fabio Capello não terá a conquista antecipada no título de inverno, como se previa.

Além disso, o próprio Capello passou a ser um alvo dentro da Roma. O Chelsea fez uma oferta de 500 mil euros por mês, num contrato de três anos, para que o técnico se transfira para Stamford Bridge ao final desta temporada. Capello declinou de responder se aceitaria o convite, quando questionado pela imprensa, e sorriu. “Só penso no tridente de meu time…”

A decisão de Capello está ligada à confirmação de todos os grandes astros do time romanista, inclusive aqueles que desejam um aumento salarial ou uma renovação de contrato. Nessa situação, se encontram os meio-campistas Emerson e Lima e o zagueiro central Zebina.

Emerson é a renovação mais complicada. Primeiro, porque, assim como Capello, também tem atrás de si o hexa-maxi-multi-milionário time do Chelsea, que poderia satisfazer as suas pretensões salariais (cerca de US$ 4,5 milhões anuais). Segundo, porque a Roma sofrerá muito para recusar a oferta de US$ 35 milhões pelo seu passe, especialmente em meio à crise que atravessa, ainda que não assumidamente.

Lima e Zebina terão seus contratos terminados em junho, e por isso, têm diversos pretendentes aos seus serviços (especialmente o francês). O nó aqui é que os dois querem um acréscimo salarial e um contrato mais longo do que a Roma está disposta a dar. O clube de Trigoria não quer nem gastar mais nem conceder vínculos longos.

Sem a renovação dos três, dificilmente Capello fica depois de junho, a menos que vença o ‘scudetto’, o que muda tudo de figura. O treinador obviamente está seduzido pela proposta salarial, mas o que mais chama a sua atenção é a possibilidade de ter os jogadores que quiser em Londres.

Além dessas questões, a Roma terá de se desdobrar para pagar os US$ 18 milhões que deve ao Ajax, pelo passe de Christian Chivu. O romeno quer fortemente ficar em Roma, mas sem grana, um abraço. Isso sem falar que pelo menos meia dúzia de outros clubes estão prontinhos para desembolsar a soma ao time da Holanda e afanar o bom defensor do clube romano.

Davids-Juve: caso terminado

Após seis temporadas de união, duas delas de brigas declaradas, episódios de doping, expulsões, três títulos italianos e muitas partidas excepcionalmente bem jogadas, chegou ao fim a relação entre o meio-campista Edgar Davids e a Juventus. O holandês, que tem contrato com o time de Via Galileo Ferraris até junho próximo, acertou sua transferência para o Barcelona por empréstimo até o fim desta temporada.

Davids é o sexto holandês do elenco de Frank Rijkaard, e a colônia batava da Catalunha foi um dos motivos que despertaram o interesse do jogador. Sua contratação teve o apoio de todos eles, além do ex-craque Johan Cruyff, cuja voz ainda ressoa muito no clube. O Barça deve pagar cerca de US$ 1,5 milhões para o jogador pelos seis meses.

A saída de Davids da Juventus é, sem dúvida, um handicap para Marcello Lippi, treinador do time de Turim. Davids, de 31 anos, é um dos melhores jogadores do mundo na sua posição, se não o melhor. É um marcador implacável que dificilmente é expulso por faltas desleais, mas tem um futebol refinadíssimo, e proporciona ao time em que joga uma rapidez precisa, onde a jogada ofensiva começa bem pensada logo na frente da defesa.

É verdade que a Juventus tem jogadores também bons para a posição. Stephan Appiah, volante ganês de 23 anos, Enzo Maresca, mediano italiano da mesma idade, e ainda o veterano Antonio Conte, de 35 anos, são bons jogadores e certamente conseguem boas performances. Mas nenhum deles pode impingir a agressividade aliada à qualidade técnica que Davids garantia.

Davids aportou em Turim em 1997, desprezado pelo Milan, então dirigido por Fabio Capello. Sua adaptação foi imediata, e se tornou titular quase imediatamente. Nos seis anos que passou em Turim, o holandês, nascido em Paramaribo, no Suriname, só não foi titular durante sua suspensão por doping e nos últimos meses, enquanto se digladiava com a direção juventina, que não admitia perde-lo a custo zero.

O Barcelona deve ter um salto de qualidade com a chegada de Davids ao seu desmilingüido meio-campo. Rijkaard, a partir de agora, terá um organizador melhor do que todos que tem no elenco, e ao mesmo tempo, um marcador mais eficiente também do que todos os concorrentes. Não é o suficiente para fazer do Barça um competidor pelo título, mas já deve bastar para encerrar a fase de vexames.

Inter, babau…

Várias semanas atrás, quando Hector Cúper foi demitido da Inter, esta coluna arriscou-se em dizer que o clube de Via Durini estava saindo da luta pelo título. Pelo menos era o que a história mostrava, e que times que demitem treinadores não conquistam campeonatos.

Quase no final do primeiro turno, a história vai se mostrando um indicador confiável. Com oito pontos a menos que a líder Roma, a Inter parece não ter de onde tirar forças para conseguir uma longa série de vitórias que lhe possibilite chegar à 34a rodada em primeiro lugar.

A derrota do time de Alberto Zaccheroni para o Parma deixou claro como a Inter vive de estrelas intermitentes. “Oba” Martins, decantado semanas atrás como se fosse um gênio do futebol, é inconstante; Vieri tem sido inconstante nesta temporada; Julio Cruz é inconstante. O único setor constante do time é o meio-campo. Nunca é de bom nível.

O problema crônico da equipe parece continuar com a falta de jogadores que possam dar qualidade ao passe e às jogadas ofensivas. Entre todos os doze atletas de meio-campo disponíveis no elenco, não há nenhum que transforme a cara da equipe. Mais assustador ainda é saber que jogadores que não rendiam nada na Inter (como o milanista Seedorf, o parmigiano Morfeo e o também milanista Pirlo), são titulares indiscutíveis em seus times. Essa observação faz supor problemas na preparação atlética da equipe.

Mesmo tendo ótimos zagueiros como Gamarra, Cannavaro, Córdoba e Adani, a Inter mais uma vez demonstra a sua falta de critério. Além de Dejan Stankovic, Massimo Moratti quer levar para Appiano Gentile o talmbém laziale Jaap Stam. Stam é um gigante; um dos cinco melhores zagueiros da Europa. Contudo, já ficou claro que o problema interista não é a individualidade, mas o coletivo.

A chegada de Stam quase que certamente empurrará um dos zagueiros interistas para fora do elenco (Adani e Gamarra na primeira fila). Stankovic é um excelente jogador, mas não é melhor do que os tantos nomes que a Inter já mandou embora por insuficiência técnica. Matematicamente, é claro que a Inter ainda está na parada. Pena, para os ‘nerazzurri’, que a matemática não seja a única a decidir o torneio.

Curtas

Não é difícil ver como os dirigentes do Perugia sejam absolutamente pouco sérios

Depois de terem guiado a virada de mesa na Série B (são também ‘capos’ do Catania), contratado o filho de Gheddafi para jogar bola, e terem (realmente!) tentado contratar uma jogadora, o presidente do clube deu mais uma das suas

Segundo Luciano Gaucci, Kaká deveria ter ido para o Perugia, com a ajuda do “craque” líbio Ghedaffinho

Seção curiosidade estatística

Dos nove jogadores que mais atuaram no Italiano até a 16a rodada, somente o argentino Sensini não é italiano

Sensini divide a terceira posição com o goleiro De Sanctis (Udinese)

Á sua frente estão o meio-campista Tonetto (Lecce) e o goleiro Antonioli (Sampdoria)

A Série A desta temporada mantém uma boa média de gols por partida: 2,61

42% dos jogos acabaram com a vitória dos donos da casa, e em somente 28% das partidas, o visitante recolheu três pontos

O Milan segue líder de público no campeonato

É o primeiro tanto em ocupação média de seus jogos (73%), quanto em público médio absoluto (62853 pessoas por jogo)

Luciano, o único jogador que, além de ser ex-de um clube (ex-Palmeiras, ex-Bologna, ex-Chievo), é ex-seu próprio nome (ex-Eriberto), acertou sua volta ao Chievo Verona

O chileno Cláudio Pizarro renovou contrato com a Udinese até 2007

O Ancona, que perdeu nas últimas seis rodadas, tem uma média de 0,25 pontos por partida

Só não cai por milagre

E esta é a seleção Trivela do Campeonato Italiano nesta semana

Frey (Parma); Mancini (Roma), Cufré (Siena), Montero (Juventus) e Maldini (Milan) ;Di Biagio (Brescia), Emerson (Roma), Kaká (Milan e Obodo (Perugia); Chiesa (Siena) e Ventola (Siena)

Ritual de passagem

Nem mesmo todo o rancor espanhol e toda a bobagem “defensivista” que se disse sobre o futebol italiano nos últimos dias puderam diminuir a alegria de Carlo Ancelotti. O técnico de Reggiolo foi a figura mais importante na conquista européia do Milan, em Manchester, apesar das três defesas de Dida na disputa de pênaltis.

Para começar, Ancelotti livrou-se do rótulo de “perdedor”, uma bobagem que se repete com seu colega da Inter, Hector Cúper. O treinador já tinha chegado ao vice-campeonato italiano em três oportunidades (duas com a Juventus e uma com o Parma), o que fazia grande parte da crítica italiana menosprezar seu trato afável com os jogadores e uma eventual incapacidade de segurar a barra em momentos decisivos.

Ancelotti fez a bobagem cair por terra com uma campanha ímpar na competição, vencendo todos os jogos que importavam. Antes da semi-final contra os arqui-rivais da Inter, o Milan só não fez três pontos nas partidas onde já estava classificado, além do empate em 0 a 0 em Masterdam, contra o Ajax. Por isso, o argumento das estatísticas negativas que mostravam um mau poderio ofensivo do time prova-se falacioso, pois o time jogou quatro jogos com times mistos. O Milan fez Real Madrid, Bayern de Munique, Borussia Dortmund e Deportivo La Coruña ajoelharem-se. Não é pouco.

Outro feito do ex-companheiro de Falcão foi o de ter posto em prática a sua tese de formatura na escola de treinadores, validando um esquema que não é o seu predileto (o 4-3-1-2), com apenas um homem de marcação, Gennaro Gattuso. Na prática, ‘Carletto’ fez cair outra falácia: a de que um bom meio-campo precisa de vários volantes. Precisa sim, é de marcação implacável de todos, atacantes inclusos.

Mas a grande vitória pessoal de Ancelotti se deu com o sucesso diante da Juventus. O time de Turim o demitiu no início da temporada 2001-2002 porque o considerou incapaz de levar a Juventus aos títulos. Ao bater a Juventus de seu sucessor, Marcello Lippi, Ancelotti aplicou um duro golpe na “Vecchia Signora”, que tinha no troféu europeu a sua prioridade absoluta.

Terceiro homem a conseguir vencer a Liga dos Campeões como jogador e técnico (os outros foram Miguel Muñoz, do Real Madrid, e Johann Cruyff, do Ajax/Barcelona), Ancelotti levantou seu terceiro troféu numa celebração do futebol italiano. A final, como 90% das finais, não foi bonita (não vamos confundir final emocionante com final de qualidade, pois na várzea, vários jogos são emocionantes). Ou melhor, não foi bonita para alguns. Para Ancelotti, foi linda de morrer.

É começou, e agora quem pode manda, quem tem juízo obedece

O Melhor do Mundo

É começou, e agora quem pode manda, quem tem juízo obedece. Na Itália se iniciou aquele que promete ser um dos melhores campeonatos de todos os tempos. Investimentos inacreditáveis (a Lazio gastou incontáveis US$ 120 milhões) para vencer o campeonato mais difícil e de melhor nível técnico do planeta. Não há comparações. O Italiano bate todos os outros certames do globo. E apenas os campeonatos alemão e inglês se aproximam.
Neste ano, como já escrevi aqui, os favoritos, antes de começar a temporada, eram Juventus, Parma, Lazio e Internazionale, não necessariamente nesta ordem. E seguindo-os de perto, Milan, Roma e Fiorentina, também com bons times. Só que a primeira rodada não mostrou tanto favoritismo assim para os quatro primeiros. Pior: revelou que os times menores vieram para vender caro as derrotas que se imaginavam fáceis.

Udinese 2 X 2 Sampdoria

Confesso que não fiquei um pouco decepcionado quando vi que a RAI italiana transmitiria esse jogo na rodada antecipada de Sábado. Que grata surpresa! Um jo-ga-ço! Com dois times muito bem armados, e com alto nível técnico. A Udinese, mesmo sem Bierhoff e Helveg esteve excelente, com destaques para Navas (este suprindo a ausência de Helveg) , Jorgensen no meio-campo, e a grande atuação de Amoroso (ex-Guarani), fazendo um belo gol.  Pela Samp (que admito ter pensado até ser candidata ao rebaixamento), um excelente time. A estréia de Ortega (o argentino ex-Valencia) foi ótima, e junto com o oportunista Montella pode produzir muito neste ano. Ainda acho o elenco mediano, mas o jovem treinador Spaletti parece ser dos melhores. E sem a pose do nosso Luxa.

Fiorentina 2 X 0 Empoli

No Stadio Artemio Franchi, em Firenze, bom início de temporada para o time florentino. Estreando o treinador Trapattoni, a time de Batistuta bateu um valente Empoli, que muito valorizou a vitória . Rui Costa foi o autor do primeiro gol do campeonato, jogando  bem, assistindo um ataque de três jogadores (Oliveira-Batistuta-Edmundo). Este último foi expulso pela 765ª vez, afirmando sua personalidade doentia. Mesmo sem um futebol maravilhoso (que ninguém apresentou na primeira rodada), os pontos farão muita diferença.

Roma 3 X 1 Salernitana

A equipe mais brasileira da Itália (Aldair, Antônio Carlos, Cafú e Paulo Sérgio) estreou em casa, no Stadio Olimpico, esperando moleza, frente à recém promovida Salernitana. E só não levou um ferro porque o time visitante teve um jogador expulso no fim do primeiro tempo (o defensor Fusco, e não Di Fusco, como noticiou a “Folha” neste Domingo). Com um homem a mais, a Roma fez valer o maior nível de seu elenco, e Paulo Sérgio fez dois gols. Ma o destaque do jogo foi o jovem italiano Totti, que fez um gol e jogou muito. Logo estará na ‘azzurra’, e já fez parte das seleções jovens da Itália.

Milan 3 X 0 Bologna

Meio desacreditado pelas duas más temporadas, o Milan estreou na Série A sob expectativa. Estreavam com a camisa ‘rossonera’ os defensores Ayala e N’Gotty, o meia Helveg, e o centroavante Bierhoff, além do treinador Zaccheroni. Do outro lado, um Bologna bastante desfalcado, sem nomes vitais para o time como os suecos Ingesson  e Andersson, e o defensor Paramatti. Melhor para o Milan, que mesmo sem uma grande atuação, faturou três pontos sobre um bom time. Bierhoff, bem ao  seu estilo, fez um gol de oportunismo, fez outro de pênalti e deu um passe açucarado para o brazuca Leonardo deixar o seu. No meio, Helveg e Ba foram responsáveis por um detalhe tático importante, trocando constantemente de lado para confundir a defesa bolonhesa. O trio de frente Weah-Bierhoff-Ganz mostrou-se eficiente, e com um pouco de entrosamento  deve se consolidar.  Em tempo: Bierhoff foi escolhido pela revista alemã Kicker como o melhor jogador alemão do ano passado.

Parma 0 X 0 Vicenza

Com chuva, o Parma acabou decepcionando a torcida, já que é um dos favoritos. Com chuva, recebeu o Vicenza que mesmo modesto já deixou claro que é um elenco respeitável. O Parma , num 3-5-2, e com um meio-campo de respeito (Fuser, Dino Baggio, Benarrivo, Boghossian e Verón) tentava quebrar a retranca vicentina, de 4-5-1. Mas não deu não. O treinador do Vicenza, Colomba sabia o quanto seria importante um empate fora de casa, contra um time tão forte. E ficou no 0x0, mesmo com uma bola de Dino Baggio no travessão, no final do jogo.

Cagliari 2 X 2 Internazionale

Imaginando enfrentar uma facilidade total, uma desfalcada Internazionale foi à Sardenha para pegar o time da ilha, que não perde em casa desde maio de 1997. Com um meio-campo pobre e sem criatividade. Winter, Simeone, Zanetti e Djorkaeff mostraram que é aí o maior problema do elenco. Diga-se de passagem , o técnico Simoni é chegado numa retranca. Baggio e Zamorano mofaram sem receber bola nenhuma. E o ótimo Cagliari, pegou forte na marcação e saía no contra-ataque. Assim quase matou a Inter, chegando a vencer por 2 x 0. Graças à entrada de dois garotos, Ventola e Pirlo, a Inter não perdeu. Ventola, muito bom, fez dois gols e Pirlo melhorou o meio. Destaque para o ótimo arqueiro Scarpi, do Cagliari, uma parede.

Lazio 1 X 1 Piacenza

O elenco de US$ 120 milhões não foi suficiente para vencer o Piacenza, cujo elenco deve custar uns sete reais (brincadeira!). O desentrosamento era claríssimo e nada dava certo. A entrada de Mancini melhorou um pouco a Lazio no segundo tempo, mas o Piacenza sempre manteve o jogo equilibrado. Stankovic fez um belo gol pela Lazio, e quem empatou foi o irmão de Filippo Inzaghi da Juve, o jovem Simone. Muita festa para o pequeno Piacenza.

Perugia 3 X 4 Juventus

Um belíssimo jogo no qual estreou o japonês Nakata, pelo Perugia, sob os aplausos de milhares de conterrâneos seus. Mais outro favorito que estreou achando que era sopa no mel. Nada disso. Nakata parece mesmo ser um excelente jogador, e fez dois gols, quase conduzindo o Perugia a uma vitória histórica. Por muito pouco a “Vecchia Signora” não volta a Torino com uma lambada. Perda sensível para a Juve do defensor Iuliano, que saiu contundido.

Bari 1 X 0 Venezia

O jogo mais simplório da estréia, com dois times pequenos. Melhor para o Bari, que venceu com um gol de Zambrotta, e podem crer que estes três pontos serão importantes no fim do torneio. Nem mesmo o bom Maniero (ex-Milan) salvou o Venezia. Curioso notar que dois times pequenos levaram cerca de quinze mil pessoas a um jogo cujas cidades são distantes (Bari é no Sul, e Veneza fica próxima da divisa Norte da Itália). E tem mais: quase dez mil, desses quinze mil, são torcedores que já tinham carnê para toda a temporada. Que inveja…