Rooney, o melhor do mundo?

O neocapitão inglês, Steven Gerrard, declarou que acha o colega de seleção, Wayne Rooney, o melhor do mundo. Não sei se ele acha mesmo isso. Naquele ponto da coletiva, ele respondia a uma pergunta na qual o jornalista dizia que a nação toda tinha medo de uma contusão de Rooney (que quase se machucara na tarde anterior). “Então o resto de nós somos merda?”, perguntou Gerrard, antes de esclarecer que achava Rooney o melhor atacante do mundo. Continue lendo “Rooney, o melhor do mundo?”

Um novo Ajax. Mesmo

O Ajax de hoje é um clube redimensionado. Depois da aprovação da lei Bosman na década passada, os gigantes de Amsterdam passaram a ser, no máximo, coadjuvantes do cenário europeu. Nos últimos anos, com contratações como as dos espanhóis Luque e Oleguer, o time tem dado dó. Mas há esperança. Continue lendo “Um novo Ajax. Mesmo”

Garrafas para vender

Na semana passada, o Milan ganhou do Siena. Apertado. E a Inter empatou com o Bari. Por isso (porque um empate é pior que uma derrota), o MIlan passou sem mais nem menos a favorito no derby. Daí, no sábado, a lógica se recolocou e o Milan sofreu sua pior derrota (em número de gols) desde a eliminação na Liga dos Campeões de 2004.

Como o assunto é amplo, vamos seccioná-lo: primeiro, a partida. Ela não ocorreu. A Inter jogou sozinha e pela primeira vez em muitos anos, demonstrou que tem capacidade de jogar um futebol consistente para ganhar a Liga dos Campeões. O resto é conversa. Times que tem de confiar em um zagueiro como Materazzi ou dependem de um atacante como Ibrahimovic (craque, mas que some em partidas de porte) são “second class”. A Inter de Mourinho é (ou pelo menos mostrou que pode ser, quando quer) um Time, assim com “T” maiúsculo. Não há um setor que não ataque e defenda e até Maicon, que é mais ofensivo que um ponta, começou a defender.

Capítulo Milan. A temporada se desenha tenebrosa para o time. Leonardo não tem força junto ao elenco e tem a missão – condição determinada por Berlusconi – de fazer o time jogar em volta de Ronaldinho. Para piorar, não tem um grande goleiro, tem só laterais “idosos” para um esquema que dependeria fundamentalmente dos avanços dos defensores e não tem zaga reserva (Bonera-Onyewu seria uma excelente zaga para o Bologna, ainda que o americano ainda tenha a seu favor o álibi da adaptação, plenamente justificado). O miolo de meio-campo, por mais que se queira questionar Gattuso e Ambrosini, tem nomes para se montar um time de qualidade. O problema é que é só isso.

Seedorf (e outros cinco reservas) assistiam o jogo de meias. Quando Gattuso ia ser substituído, o holandês foi “se vestir” (estava com camisa de treino por causa do calor). Nos dois minutos seguintes, Gattuso, com uma lesão funda no tornozelo, fez a falta por trás em Sneijder, foi expulso e determinou o resto do jogo. Leonardo assistiu a tudo quieto.

Os jogadores já questionam Leonardo e é a hora dele mostrar se tem ou não estofo para gerenciar um grupo de milionários. Ele não ousa tirar Ronaldinho do time, até porque sabe que 1) sem ele, o time vai melhorar e o gaúcho não voltaria mais e 2) Berlusconi, seu único defensor, ficaria perigosamente contrariado. É a cruz ou a espada. Mas também é a hora de provar que não é um marionete. Leonardo não é o único questionado: Seedorf foi pego de pau pelo vestiário e Ronaldinho insiste (voluntariamente ou não) em não se mover em campo. Ambrosini, capitão do time, e Pippo Inzaghi, estão insatisfeitos com a reserva.

É um momento chave para Leonardo. Sem os dois laterais que ele pediu, seu esquema não vai funcionar. Zambrotta e Jankulovski podem ser excelentes numa defesa plantada, mas vão perder 10 em 10 duelos com Maicon. Caso o neotécnico milanista dê um murro na mesa, rearrume o time de modo mais coberto, com um meio-campo mais compacto, evitará vexames. Nem arquitetar um esquema para jogar no contragolpe o Milan não pode porque não tem mais homens de velocidade. Se não se rebelar agora, Leonardo não durará até a janela de janeiro, porque essa formação milanista está fadada a tomar muitas outras surras.

Fluminense

Não acompanho o dia a dia do Fluminense. Não moro no Rio nem sou setorista do clube para ter tal possibilidade. Assim, assisto e comento o que acontece no Flu como um leigo, um observador. Acho importante fazer a distinção para estabelecer que não me acho o dono da verdade e que esses comentários não refletem nenhuma pretensão de adivinhar nada.

Mesmo com minhas limitações, não é difícil ver que o Fluminense continua sendo devorado em suas entranhas por uma bactéria gerada nos pequenos núcleos de poder. O poder é difuso no clube. O comportamento errático dos jogadores sugere que eles não sabem quem é que devem obedecer. Por exemplo: se o treinador dá uma ordem e eles não concordam, têm recursos interpessoais para contestar a ordem, como por exemplo, pedindo a um conselheiro que intervenha ou coisas assim.

Esse é um roteiro certo para o rebaixamento. Luiz Felipe Scolari é um baita treinador, mas tropeçou na falta de uma assessoria de imprensa capaz de lidar com a violência da mídia inglesa e da falta do poder “Total” que teve no Grêmio, no Palmeiras, no Cruzeiro, na Seleção e em Portugal. E hoje – e já há tempos – é nítido que os treinadores se submetem à vontade de eminências pardas (segundo dizem, o dono da patrocinadora do clube).

Um outro ponto é que o Fluminense é – já há tempos – supervalorizado em suas capacidades. Não, há, por exemplo, em todo o elenco defensivo do time, um jogador acima da média. E há vários abaixo dela. No meio-campo, Conca é o único que pode se sobressair e no ataque, Fred, excelente atacante, vem de uma experiência em Lyon onde seu caráter e profissionalismo foram duramente contestados publicamente pelo presidente do clube francês, Jean Michel Aulas.

Se o Fluminense não colocar ordem na casa – ou seja, determinar quem é que manda e deixar cada um cuidar de sua competência – vai ser rebaixado. O time não tem força espetacular em nenhum aspecto – técnico, tático, organizacional, psicológico, de união – e tem fraquezas sérias em cada um desses quesitos. Renato Gaúcho pode rebaixar seu segundo clube carioca em dois anos, caso não seja demitido antes. Ele não é mau técnico, ao contrário do que tudo indicava. Precisa ser esperto e corajoso para exigir poder total e expulsar os “come-dorme” do seu time e suas adjacências. Contratar mais meia dúzia de medalhões não vai adiantar nada.