Mais do que esperado

Já se dizia há algum tempo que o divórcio entre a Roma e Antonio Cassano era questão de tempo. Para azar da Roma, o tempo reduziu a soma a receber pelo jogador a ‘míseros’ €5 milhões. Naturalmente, o ‘míseros’ entre aspas serve somente para refletir a desconexão do futebol com o mundo real. Para (quase) qualquer mortal, a soma significa uma aposentadoria garantida. Mas o clube de Trigoria desembolsou sete vezes este valor, quatro anos atrás, para tirar o jogador do Bari. €5 milhões é melhor que nada e pouco além disso. Continue lendo “Mais do que esperado”

Desafio europeu

A vocação européia do Milan é inegável. As seis conquistas continentais do clube de Via Turati representam o triplo dos primos interistas e dos rivais juventinos. Vencer a Liga dos Campeões sempre foi mais importante para o clube do que o Campeonato Italiano – caso fosse necessário fazer uma escolha. Continue lendo “Desafio europeu”

As férias para os grandes

O ano acabou para o campeonato italiano. Um ano de muita competição (Roma e Milan pelo título passado; Milan e Juve pelo em andamento), apreensão (as situações de Parma e Lazio), mudanças surpreendentes (como Fabio Capello na Juventus). A pausa de inverno na Itália, que ficou um pouco maior a partir dos últimos anos, pega os clubes em situações diferentes. Vamos ver como cada uma das grandes italianas chega à “sosta natalizia”, e como têm de resolver seus problemas.

Juventus: pausa em boa hora

Não, a Juventus não está em crise, nem acabou, nem nada. Mas apesar da liderança, o time de Fabio Capello respirou aliviado com as semanas extras que terão para repor o fôlego. Explica-se: o elenco juventino está em atividade desde o final de junho, preparando-se para a fase eliminatória da Liga dos Campeões. E nas últimas semanas, a performance juventina caiu vistosamente.

Quem caiu mais nitidamente foi a defesa. Ok, a retaguarda juventina ainda é a melhor do torneio, com somente 7 gols tomados em 16 jogos, mas devemos levar em conta que até a décima rodada, eram somente três os gols sofridos; nas seis partidas seguintes, Buffon, Zebina, Thuram, Cannavaro e Zambrotta assimilaram mais quatro tentos. Uma média ainda excelente, mas em queda.

Para reverter a tendência, a Juventus tem de fazer com que o quarteto defensivo volte a estar na ponta dos cascos, assim como Emerson, jogador odiado no Brasil, mas vital para a defesa ‘bianconera’. Capello sabe que quem define o campeonato é o rendimento defensivo. Como o ataque da Juve é obviamente bom, o retorno à forma do início da temporada é determinante. Inclusive porque a Juventus pega o Real Madrid na LC.

Milan termina o ano como o melhor

O empate contra a Juventus, mesmo sendo em Turim, foi um resultado que desagradou os milanistas. Os “rossoneri” dominaram amplamente o jogo, sob todos os aspectos, e só não chegaram ao gol graças a um Cannavaro espetacular, e de um bom rendimento de toda a defesa.

Ainda que derrame lágrimas por não ter diminuído a um ponto a vantagem da líder Juve, o Milan pode olhar para o seu fim de ano com muitas razões para estar esperançoso; quatro pontos são uma diferença absolutamente viável para se tirar em 22 rodadas. E o Milan acertou a defesa (somente dois gols pior que a juventina), fez despertar Crespo, deu uma injeção no ego de Shevchenko (e no merchandising do clube) com a Bola de Ouro dada ao ucraniano, mais, uma forma física em pleno crescimento.

Problemas? Se fosse obrigatório apontar um problema seria…a Juventus. Não há adversário pior que a Juventus numa corrida a dois, especialmente se comandada por Capello. Também não foi exatamente uma moleza pegar o Manchester United na Liga dos Campeões, mas essa é uma competição em que não dá para escolher adversário. No elenco, as contusões de Tomasson e Kaladze (talvez o melhor milanista em Turim) são os pontos baixos de final de ano.

2005 promete um belo ‘boost’ no rendimento milanista se, finalmente, o departamento médico do clube conseguir colocar Stam e Filippo Inzaghi em campo, em perfeitas condições. Com as entradas dos dois jogadores, o poder do Milan cresce no ataque e na defesa – setores que já não estão indo nada mal. E Ancelotti parece ter descoberto no francês Dhorasoo, uma opção valiosa no meio-campo. Sim, o Milan ainda é candidato a tudo, embora, abertamente, priorize a Liga dos Campeões.

Inter e uma velha inimiga: a irregularidade

Se Roberto Mancini, técnico interista, fosse escolher um ponto do início de temporada para manter em 2005, não teria dúvidas: a invencibilidade. Juntamente com o rendimento assombroso de Adriano, o fato de não ter perdido nenhuma partida foi a única coisa que a Inter teve de realmente positivo.

No mais, a Inter é um canteiro de obras. A defesa é flácida e desencontrada, o meio-campo alterna momentos fantásticos com instantes de pura mediocridade, e o ataque é, ainda, dependente de Adriano para balanças as redes inimigas. Título? Nem pensar. A Inter tem de apostar na Liga dos Campeões, porque tem pelo menos dois meses para encontrar seu futebol até voltar a campo, contra os atuais campeões do Porto – uma parada nada simples.

O clube de Appiano Gentile certamente vai contratar na pausa de janeiro, e quase com certeza, um zagueiro (senão dois), para poder compensar a burrice que foi a dispensa de Cannavaro. No meio-campo, há gente de sobra para montar uma boa linha (Verón, Emre, Davids e Stankovic, entre outras). No ataque? Bem, mesmo que Adriano dê uma descansada, Vieri parece estar acertando o pé, e isso já é suficiente (sem falar em Recoba, reserva de luxo.

Luca Marchegiani, goleiro do Chievo, completou 400 partidas na Série A

Cristiano Zanetti e Marco Materazzi completaram 100 partidas pela Inter

A Udinese desta temporada segue ritmo de fazer uma campanha que seja a melhor de sua história

2004 termina com o Milan como o time que mais fez pontos (87), seguido pela Juventus, com 78

Esta é a seleção Trivela da 16a rodada do Italiano

Amelia (Livorno); Panucci (Roma), Cannavaro (Juventus), Nesta (Milan) e Grosso (Perugia); Pizarro (Udinese), Emerson (Juventus), Seedorf (Milan) e Tonetto (Sampdoria); Totti (Roma) e Cassano (Roma)

Preço em Euro

Não é um fenômeno peninsular. Aliás, a Juventus, único time a conseguir fazer 12 pontos nos primeiros quatro jogos da Liga dos Campeões, mantinha um ritmo que nenhum outro time na elite do continente suportava. A Juve lidera na liga mais dura do mundo, com somente um empate (até sexta passada), enquanto todos os adversários já tinham dado uma respirada em suas ligas, derrubando pontos pelo caminho. Continue lendo “Preço em Euro”