Vai faltar espaço na cadeia

Nos últimos anos, o futebol italiano foi um verdadeiro viveiro para tudo quanto é praga, mais ou menos criminosa. Agentes inescrupulosos, falsificadores, médicos irresponsáveis, dirigentes pilantras, todos tiveram espaço para fazer escândalos. E não foram poucos. Doping (médico e administrativo), passaportes falsos, falência de clubes, virada de mesa…

Mas pode ser que, finalmente, esteja na hora da ratatulha ir para a cadeia. Na última quinta, policiais e agentes da ‘Guardia di Finanzia’ (uma espécie de polícia tributária) invadiram as sedes de todos os clubes da primeira e segunda divisão, e alguns da terceira, além da Lega Calcio. Toneladas de documentos foram apreendidas e estão sendo minuciosamente vasculhadas. Para horror dos cartolas.

Basicamente, as suspeitas são de corrupção, bancarrota fraudulenta e falsificação de balanços. Quase trinta inquéritos estão sendo conduzidos, entre os quais, o dos passaportes, doping, cartas de garantias falsas, falências da Círio e Parmalat, abuso de poder da Capitalia, entre outros. Potencialmente, pode envolver o primeiro escalão do poder na Itália. De uma maneira geral, o assalto da GDF foi bem visto, especialmente por aqueles que pediam clareza nas finanças de clubes como Roma e Napoli, desde sempre beneficiados por favores dos “co-irmãos”.

De cara, já se sabe que o que mais vai aparecer são as chamadas ‘plusvalenze’, uma artimanha que os clubes faziam. Trocando jogadores de valores similares, os clubes alteravam seus balancetes para cobrir prejuízos. Um jogador era comprado por mil dólares e vendido por dez milhões, semanas depois. Isso aconteceu milhares de vezes, sabida e assumidamente. Lembram-se das trocas de jogadores entre Inter e Milan? Entre Roma e Parma? Pois é.

O grupo que está encarregado de passar o pente fino nas finanças dos clubes é da maior competência, e parece determinado a colocar tudo às claras. Todos os personagens do futebol italiano estão mais ou menos envolvidos com as negociatas, e embora haja uma certa calma, tudo indica que a chapa vai ferver para muita gente. Esta é uma investigação que não se sabe onde pode acabar.

Русские исчезли!

Tudo parecia estar arranjado. A Roma finalmente conseguiria sair de sua sinuca de bico. O clube de Trigoria tem uma dívida impagável de cerca de € 350 milhões, e para não seguir a rota de Parma e Lazio (ou pior – Fiorentina), o dono do clube achou uns russos endinheirados na mesma onda do milionário que comprou o Chelsea. A Nafta Moscou pagaria a Franco Sensi cerca de € 400 mi, e todos ficariam contentes – torcida incluída, pois não só não perderia Totti, Emerson e outros, como “corria o risco” de ver chegarem Davids, Vieri e mais alguns medalhões.

O verbo está no passado porque ia bem, mas não vai mais. Os milionários russos se borraram de medo quando viram a polícia invadindo as sedes de todos os clubes, e pensaram: será que nós não estaríamos entrando numa roubada? Na dúvida, suspenda-se tudo. A Roma volta à estaca zero.

A semana passada se desenhou macia para a negociação romanista, e numa hora em que a grana dos petroleiros russos viria bem à calhar. Agora, sem a grana dos Urais, o presidente do clube, France Sensi, só tem uma saída. Entrar em acordo com um grupo de empresários de Roma que tinha topado substitui-lo à frente do clube. O problema é que eles não querem as dívidas do clube, ou pelo menos exigem que o valor seja abatido da negociação. Sensi não aceita.

Moral da história: o furacão fiscalizatório do governo italiano acabou ferrando Sensi, que vai ter de ceder, mais cedo ou mais tarde. A gestão do clube sob suas mãos foi ruinosa. Por bem pouco, não se teria causado conseqüências para a torcida. Como última tentativa, a Roma subiu seu capital para 130 milhões de euros. A medida visa melhorar a situação financeira do clube e tentar atrair os russos de volta.

Ah, e mais uma coisa: o título desta matéria deveria ser “Os russos sumiram!”. Caso algum internauta letrado em russo ache alguma imperfeição na tradução (feita num tradutor automático), aguardamos correções.
Inter, o inimigo íntimo

A Inter é o clube que não precisa de inimigos. Ninguém sabe fazer mais mal à equipe de Via Durini do que ela mesma. Na derrota para o Brescia em Milão, de virada, ficou provada irrefutavelmente a fraqueza psicológica do elenco interista, somada a uma sensível lacuna técnica.

A crise interista é tão feia que já se considera certo que Alberto Zaccheroni não fica para a temporada que vem. Mais: novas derrotas podem fazer com que o técnico romagnolo perca o emprego ainda nesta ano. Zaccheroni deve acabar pagando o pato pelos eternos problemas do clube. Injustamente.

Sabe-se que a diretoria finalmente resolveu fazer um expurgo em junho, onde diversos nomes podem tomar o caminho da roça. Por hora, a medida adotada foi um retiro do elenco, que está em regime de concentração permanente, para treinos e lavagem de roupa suja ‘ad infinitum’.

Em campo, o grande drama da Inter segue sendo não ter um comandante no meio-campo. É incrível como a Inter consegue desnaturar jogadores comprovadamente bons, como Lamouchi ou Dejan Stankovic. O time não tem um jogador que consiga ordenar a manobra, e assim, depende de lampejos dos atacantes. E como a bola queima o pé dos meio-campistas, a defesa acaba sempre ficando no mano-a-mano, e sempre perdendo. Até Toldo, um dos três melhores goleiros do mundo, está jogando incrivelmente mal.

A saída de emergência parece improvável. O ideal seria umafaxina imediata, limando TODOS os jogadores que estejam fazendo parte da turma do chinelinho. Por sorte da Inter, nenhum dos outros aspirantes à quarta vaga para a Liga dos Campeões (Parma, Lazio, Udinese) venceu nesta rodada, mas este posto parece difícil, pois a Inter é o mais irregular dos quatro. Para pegar uma vaga-UEFA, a Inter não precisa de nenhum medalhão, e a mensagem estaria dada aos jogadores: o couro vai comer se ninguém se mexer.

Lecce turbo, rebaixamento duríssimo

O mês de fevereiro foi tudo o que o Lecce esperava. Um dos rebaixados virtuais na virada do ano, o time do Via Del Maré fez um mercado excelente e transformou-se na sensação do torneio. Basta dizer que nas últimas cinco partidas, o ‘giallorosso’ do Salento fez 13 pontos, concedendo somente um empate, contra o Milan.

E qual a varinha de condão usada? Nenhuma. O Lecce se reforçou nos setores certos. De maior relevância, a chegada do colombiano Bolaño no meio-campo, e a explosão da dupla Bojinov-Chevantón no ataque. O uruguaio marcou nas últimas cinco partidas e tem transferência garantida para o próximo campeonato.

Mas além da turbinada do Lecce, outros times que lutam contra o rebaixamento também reagiram. O Empoli já vem de uma melhoria desde a virada do ano, com a consolidação a dupla Rocchi-Tavano e a consistência dos meias Di Natale e Vannucchi. Esta coluna cravou que o Empoli já tinha reservado a vaga no rebaixamento, mas a reação surpreendente reabilita o time toscano para seguir sonhando. A vitória contra a excelente Udinese é prova disso.

Não é só. O Perugia finalmente conseguiu uma seqüência de duas vitórias, e ainda segue favorita para cair, mas voltou a ter chances de pensar em se manter (mesmo com chances reduzidíssimas). Reggina, Siena e Modena perderam terreno e já estão na área perigosa da tabela. Na verdade, nove pontos separam o 17º e o 10º colocados. O Ancona é o único que está irremediavelmente comprometido.

Curtas

Zambrotta fez, contra o Ancona, a sua 200ª partida pela Série A

O meio-campista fez 141 jogos pela Juventus e 59 pelo Bari

Aliás, o Ancona que perdeu para a Juve de Zambrotta, deve estabelecer um novo recorde negativo nesta temporada

Já são 17 derrotas até aqui

Frey (Parma) e Torrisi (Reggina), completaram 150 partidas na divisão máxima

Um jornal de Brescia ventilou que o Anderlecht quer Baggio para a Liga dos Campeões do ano que vem

O time belga, que nega o interesse, daria condições especiais de treino para o craque veterano, que jogaria somente a competição européia

E esta é a seleção Trivela do Italiano neste final de semana

Antonioli (Sampdoria); Mancini (Roma), Vargas (Empoli), Barzagli (Chievo) e Maldini (Milan);Seedorf (Milan), Codrea (Perugia), Emerson (Roma), Vannucchi (Empoli); Totti (Roma); Cassano (Roma)

Clube da Semana – Triestina

Série A: Trieste vem aí…

Só de história, Trieste já suscita interesse. Fundada por romanos em 180 a.C., Tergeste, como era ghamada, passou boa parte de sua existência sob o domínio do Império Austro-Húngaro. Sua localização é uma boa parte da explicação. A cidade fica á beira do Golfo de Trieste, banhada pelo Mar Adriático. É a cidade mais próxima da Iugoslávia, localizada entre Veneza e Istria, e com sua província, tem cerca de 260 mil habitantes.

Historicamente, é um grande mosaico da evolução social neste últimos 2 mil anos, com monumentos romanos, medievais e renascentistas. Entre invasões turcas, epidemias devastadoras (só de cólera, foram cinco) e domínio austríaco (durante 600 anos), a cidade sempre foi um ponto de referência na região.

E agora, em 2003, Trieste pode ver a sua equipe de futebol aportar na Série A pela 26a vez, quebrando um jejum de quase 43 anos sem jogar a divisão máxima do futebol italiano. Superando “potências” da Série B como Vicenza, Napoli, Sampdoria e Verona, a Triestina lidera o torneio “cadetto” desde seu início e é o time mais regular até agora.

Trieste volta para a Itália; nasce a Triestina

Com o final da Primeira Grande Guerra, a cidade de Trieste voltou ao comando da Itália, que existia unificada há poucas décadas, em 1918. Em dezembro daquele ano, numa reunião ocorrida no Caffé Batisti, aconteceu a fusão entre Trieste e Ponziana, originando a Triestina Calcio.

O primeiro ato foi a construção do campo de Montebello. Até meados da década de 50, a Triestina não conheceu a Série B. Na década de 30, quem brilhou no time foi Nereo Rocco, que com 117 aparições, foi o primeiro astro que envergou as cores ‘biancorossi’. Com Pasinati e Colaussi, foi protagonista naquele decênio, chegando a ser artilheiro na temporada 1933-34 (17 gols)

Durante a Segunda Guerra, os problemas enfrentados pelos ‘allabardati’ foram os mesmos de todas as equipes italianas. Logo após a guerra, a Triestina se safou da Série B pela primeira vez graças a uma ajuda da Federcalcio: não foi rebaixada por ser “patrimônio moral” da Itália (bem CBF, não?). A recuperação veio logo. Em 1946-47, a melhor pontuação da Triestina em sua história. Vice-campeã, atrás somente do poderoso Torino, imbatível, de Valentino Mazzolla. Rocco ainda faria mais alguns grandes campeonatos antes de ir dirigir o Milan, onde também fez história.

Em 1949, o acidente aéreo que matou todo o time ‘granata’, a Tragédia de Superga, levou também dois ex-craques do clube de Trieste: Grezar e Ballarin. Como toda a Itália, Trieste chorou os mortos do acidente de Turim com lágrimas amargas.

Mas quando caiu pela primeira vez, no final da década de 50, iniciou um longo período nas divisões inferiores, passeando entre a Série B e as divisões amadoras do futebol italiano. O clube chegou a militar na Série D (quarta divisão) e somente na temporada corrente é que se prepara para voltar a uma posição de protagonista.

2002: 4-3-3 bem-sucedido…

Hoje em dia, a Triestina joga no imponente estádio Nereo Rocco, uma homenagem a sua figura mais importante. No “Rocco”, até a Seleção Italiana joga com alguma freqüência e onde foi marcado o milésimo gol da seleção, anotado por Christian Vieri. Mas hoje em dia, o que a torcida local quer saber é da Triestina, que voltou a ser uma paixão.

O time montado por Ezio Rossi para a temporada não tem nenhum craque espetacular. Aliás, o próprio Rossi é um treinador que já andou perambulando por equipes de pouca expressão. O fato que chama a atenção é o esquema, um 4-3-3 que, na Itália, é considerado “ultrapassado”, e vinha sendo defendido somente pelo técnico ‘maldito’ Zdenek Zeman.

Fava, o atacante-artilheiro da Triestina é o ‘astro’ do time (se é que pode ser chamado assim). Aproveita a vantagem numérica dada pelo terceiro atacante para sempre ficar sozinho com seu marcador. Seu nome foi cogitado até mesmo para aportar em times da Série A, mas seu cartaz não é tão grande. O maior segredo da Triestina é mesmo o conjunto.

Como também na maior parte do tempo, no passado, o time não conta com atletas espetaculares. Outro nome que chama a atenção é do defensor Domenico Maietta, de 21 anos um dos mais promissores da nova geração. Contudo, seu passe pertence à Juventus, que o emprestou à Triestina. Outra promessa é Éder Baú, atacante que se formou nas filas do Milan.

Trieste também se orgulha de ser a cidade de Cesare Maldini, um dos maiores zagueiros italianos de todos os tempos, e pai do capitão do Milan, Paolo Maldini. O clã mais famoso do futebol italiano tem raízes triestinas. Neste caso, podemos fazer uma exceção a ausência de craques de Trieste.

Unione Sportiva Triestina Calcio

Ano de fundação: 1918

Cidade: Trieste, na Itália

Endereço: Piazzale Atleti Azzurri d’Italia 1 – 34148 Trieste

Estádio: Stadio Comunale Nereo Rocco

Capacidade: 32.000

Principais jogadores: Nereo Rocco, Pasinati, Colaussi, Grezar e Ballarin

Site: http:://  HYPERLINK “http://www.ciaoalessandria.com” http://www.triestinacalcio.it

Gancho para Paulo Sousa na Inter

Gancho para Paulo Sousa

Nos pequenos detalhes é que se percebem o abismo que existe entre os principais campeonatos do mundo e o nosso Brasileiro. Paulo Sousa, o bom meia defensivo português da equipe da Internazionale, tomou dois amarelos na rodada passada, contra o Bari e foi expulso. Sousa disse impropérios para o árbitro Farina (o mesmo que denunciou a tentativa de suborno do Empoli na rodada anterior). O que acontece com o jogador ? Só por isso, dois jogos fora, e diga-se de passagem, de fora do clássico de Milão, contra o Milan.

Os outros jogadores que foram julgados pegaram todos apenas uma partida de suspensão. São eles: Berretta e De Patre (Cagliari), Cannavaro (Parma), Fernando Couto (Lazio), Giannichedda (Udinese), Montero (Juventus), Sakic (Sampdoria) e Torricelli (Fiorentina).

Bombardeio em Salerno

Contra o time croata do Hadjuk Split, a torcida da Fiorentina aprontou em seu estádio, o Artemio Franchi, e foi penalizada em US$ 20 mil, mais a perda de um mando de jogo. Nessa rodada então, foi jogar em Salerno, na região da Campania, a mais de 300 km de Firenze. Quando vencia por 2 X 1, uma bomba foi jogada contra um árbitro reserva, ferindo seu joelho, e também atingido o belga – brasileiro Oliveira. O jogo foi interrompido, e na Segunda feira, dia 9 / 11 a UEFA  deve julgar o caso. Escrevo este excerto no dia 4, mas poderia apostar que a Fiorentina está em maus lençóis. Sob este aspecto (e por muitos outros), os órgãos julgadores  europeus são severíssimos.

A Roma ganha um priminho

Franco Sensi, presidente da Roma, comprou ações do time do Foggia por cerca de US$ 3 milhões, que lhe garantem a direção do clube. Espera-se que agora o pequeno Foggia passe a ser um ‘satélite’ do time da capital. Como a lei impede que Sensi seja presidente de dois clubes simultaneamente, o prefeito de Foggia assume o clube, segundo a vontade do novo dono.

Copas Européias

Nas Copas Européias, um bom retrospecto dos times italianos. Na Champions League, talvez o pior deles. A Juve empatou em casa com o Athletic Bilbao, e pôs em risco a sua seqüência na Liga. Já a Internazionale, arrancou um ótimo empate em 1 x 1 com o Spartak Moscou, em Moscou. Diga – se de passagem que a Inter jogou muito mal, aumentando as chances de Gigi Simone ser ejetado.

Pela Copa UEFA ,o Bologna, a Roma e o Parma garantiram suas vagas. Só um comentário: o Real Betis comemorou o fato de ter pego o Bologna na próxima fase. Só que o Bologna tem muito mais time do que o Betis, e acho que os espanhóis se arrependerão

Na Recopa, a Lazio bateu o Partizan Belgrado por 3 x 2 fora de casa, e também seguiu adiante. Ótimo desempenho até agora. Apenas a Udinese, dentre todos os italianos, foi eliminada das Copas Européias.

A Rodada

Milan 2 X 2 Internazionale

O clássico mais tradicional da Itália. 80.000 espectadores lotaram o Giuseppe Meazza, e esperavam um jogo nervoso. Até foi, mas o que certamente marcou este jogo foi o excelente futebol, o melhor apresentado pelos dois times nessa temporada. A Inter saiu do seu joguinho nhénhénhé, e foi um perigoso adversário. Ronaldo, seguido de perto por Costacurta abriu o placar para a Internazionale, e o Milan parecia incomodado com a surpresa de Simone, que pôs Simeone de líbero, escoltando Weah pelo campo todo, deixando Bierhoff sem munição. Para piorar a situação milanista, a ausência de Ba na esquerda, que empobreciam o ataque. Mas quando Bierhoff e Weah inverteram posições, o tedesco assistiu o liberiano para empatar o jogo. No segundo tempo, Moriero e Albertini (pênalti) definiram o placar. Um jogo de xadrez entre Zaccheroni e Simoni, e um ótimo jogo para a torcida.

Udinese 2 X 2 Juventus

Desfalques importantes marcaram a partida entre os dois alvinegros da série A italiana. Enquanto o time da casa não tinha Giannicheda, excelente meiocampista, a Juve sentia a falta de Davids, Pessotto, Fonseca e Amoruso. Para compensar, a ótima notícia da volta de Ciro Ferrara, excelente defensor que quebrou a perna no começo do ano. Apesar de toda a marcação que se exercia pelos dois times no meio – campo, o jogo foi bem movimentado, com a Udinese um pouco mais voluntariosa do que a Juve. Após uma defesa prodigiosa de Peruzzi (e outra de Antonioli), a Juve saiu na frente com um gol de cabeça de Zidane, que na comemoração tomou um tombo hilário. No segundo tempo, a Juve aumentou com um gol meio sem querer de Inzaghi. Aí a Udinese se lançou à frente, e diminuiu com Bachini, e  depois empatou com o avante Sosa, que tinha entrado pouco antes, aos 42’. Pode – se falar que não, mas é impressionante como os árbitros invariavelmente erram a favor do time Torinese. Antes do gol de Bachini, o juiznão deu um pênalti claro de Birindelli sobre Amoroso.

Bari 1 X 1 Parma

Não vai ser campeão, mas o Bari certamente não cai neste ano. Sem estrelas, o time tem sido sempre um adversário à altura aos grandes do campeonato. Desta vez, o poderoso Parma foi à Bari achando que ia se fazer. Fuser acabou marcando aos 46’ do primeiro tempo, dando a impressão de que seria mais fácil na segunda etapa. Mas Masinga, sempre ele, empatou e fez um magnífico resultado para uma esquadra que quase não gastou nada para se reforçar. Sobre o Parma: não se iludam, pois o time deve se enquadrar mais cedo ou mais tarde.

Lazio 4 X 1 Empoli

Presa fácil para a Lazio no Olímpico. O Empoli veio para se segurar um empate, mas dois gols do defensor laziale Paolo Negro obrigaram o time toscano a abrir a porteira. O total domínio dos donos da casa foi reflexo da superioridade técnica de seu elenco. Contudo, a falta de um matador (Boksic e Vieri seguem machucados) ainda é o maior problema.

Perugia  3 X 1 Vicenza

Em casa quem perde cai. Seguindo esta regra, o time da cidade entre – muros meteu ferro no Vicenza, faturando três pontos, e afirmando a dificuldade deste campeonato. Atenção em três jogadores neste time do Perugia: Nakata, Rapajic e o nosso Zé Maria, que já é titular. O Vicenza, na minha modesta opinião não cai, mas vai ser bem por pouco.

Fiorentina 4 X 1 Venezia

Batistuta firme na lista dos “capocannoniere” do certame. O argentino fez dois, e ainda deixou de bater um pênalti, por ordem do treinador Trappatoni. Até o beque meia bomba Padalino fez o seu (é verdade que depois cometeu um penal, mas no caso dele, tá valendo). O  resultado valeu a liderança para o time de Firenze, que contra os grandes tem ido mal, mas ainda é o mais regular. Milagre: até Edmundo não tem criado caso.

Bologna 1 X 1 Roma

Um ótimo resultado para o Bologna que vem mostrando mesmo que pode brigar por uma vaga na Copa UEFA. Restabelecidas as ausências que atrapalharam o início da temporada, o Bologna já não perde há três rodadas, e desta vez enfrentou a forte Roma. Os visitantes saíram na frente com um gol do Brasileiro Paulo Sérgio, e o time da casa empatou com um gol de Beppe Signori, que busca a sua ressureição no futebol italiano.

Cagliari 3 X 2 Piacenza

Um jogaço, disputadíssimo, em clima de final de campeonato. Pode ser até mesmo que no final, seja nisto que os pontos deste jogo resultem. O time da ilha da Sardenha é impiedoso dentro de casa, mas o pequeno Piacenza ousou tentar se dar bem. O herói do jogo foi Muzzi, com dois gols, e o destaque foi mais uma vez Simone Inzaghi, que tem se mostrado tão regular e bom quanto o seu irmão mais velho. Jogaço!

Sampdoria 1 X 0 Salernitana

A Sampdoria sabe de suas limitações, e segue na competição com o primeiro objetivo de não cair,  se der tentar abocanhar uma vaguinha nas Copas Européias. Recebeu a Salernitana, e fez um modesto 1 x 0, gol de Ortega. Não que seja tarefa fácil, mas mostra as verdadeiras ambições do time.

É começou, e agora quem pode manda, quem tem juízo obedece

O Melhor do Mundo

É começou, e agora quem pode manda, quem tem juízo obedece. Na Itália se iniciou aquele que promete ser um dos melhores campeonatos de todos os tempos. Investimentos inacreditáveis (a Lazio gastou incontáveis US$ 120 milhões) para vencer o campeonato mais difícil e de melhor nível técnico do planeta. Não há comparações. O Italiano bate todos os outros certames do globo. E apenas os campeonatos alemão e inglês se aproximam.
Neste ano, como já escrevi aqui, os favoritos, antes de começar a temporada, eram Juventus, Parma, Lazio e Internazionale, não necessariamente nesta ordem. E seguindo-os de perto, Milan, Roma e Fiorentina, também com bons times. Só que a primeira rodada não mostrou tanto favoritismo assim para os quatro primeiros. Pior: revelou que os times menores vieram para vender caro as derrotas que se imaginavam fáceis.

Udinese 2 X 2 Sampdoria

Confesso que não fiquei um pouco decepcionado quando vi que a RAI italiana transmitiria esse jogo na rodada antecipada de Sábado. Que grata surpresa! Um jo-ga-ço! Com dois times muito bem armados, e com alto nível técnico. A Udinese, mesmo sem Bierhoff e Helveg esteve excelente, com destaques para Navas (este suprindo a ausência de Helveg) , Jorgensen no meio-campo, e a grande atuação de Amoroso (ex-Guarani), fazendo um belo gol.  Pela Samp (que admito ter pensado até ser candidata ao rebaixamento), um excelente time. A estréia de Ortega (o argentino ex-Valencia) foi ótima, e junto com o oportunista Montella pode produzir muito neste ano. Ainda acho o elenco mediano, mas o jovem treinador Spaletti parece ser dos melhores. E sem a pose do nosso Luxa.

Fiorentina 2 X 0 Empoli

No Stadio Artemio Franchi, em Firenze, bom início de temporada para o time florentino. Estreando o treinador Trapattoni, a time de Batistuta bateu um valente Empoli, que muito valorizou a vitória . Rui Costa foi o autor do primeiro gol do campeonato, jogando  bem, assistindo um ataque de três jogadores (Oliveira-Batistuta-Edmundo). Este último foi expulso pela 765ª vez, afirmando sua personalidade doentia. Mesmo sem um futebol maravilhoso (que ninguém apresentou na primeira rodada), os pontos farão muita diferença.

Roma 3 X 1 Salernitana

A equipe mais brasileira da Itália (Aldair, Antônio Carlos, Cafú e Paulo Sérgio) estreou em casa, no Stadio Olimpico, esperando moleza, frente à recém promovida Salernitana. E só não levou um ferro porque o time visitante teve um jogador expulso no fim do primeiro tempo (o defensor Fusco, e não Di Fusco, como noticiou a “Folha” neste Domingo). Com um homem a mais, a Roma fez valer o maior nível de seu elenco, e Paulo Sérgio fez dois gols. Ma o destaque do jogo foi o jovem italiano Totti, que fez um gol e jogou muito. Logo estará na ‘azzurra’, e já fez parte das seleções jovens da Itália.

Milan 3 X 0 Bologna

Meio desacreditado pelas duas más temporadas, o Milan estreou na Série A sob expectativa. Estreavam com a camisa ‘rossonera’ os defensores Ayala e N’Gotty, o meia Helveg, e o centroavante Bierhoff, além do treinador Zaccheroni. Do outro lado, um Bologna bastante desfalcado, sem nomes vitais para o time como os suecos Ingesson  e Andersson, e o defensor Paramatti. Melhor para o Milan, que mesmo sem uma grande atuação, faturou três pontos sobre um bom time. Bierhoff, bem ao  seu estilo, fez um gol de oportunismo, fez outro de pênalti e deu um passe açucarado para o brazuca Leonardo deixar o seu. No meio, Helveg e Ba foram responsáveis por um detalhe tático importante, trocando constantemente de lado para confundir a defesa bolonhesa. O trio de frente Weah-Bierhoff-Ganz mostrou-se eficiente, e com um pouco de entrosamento  deve se consolidar.  Em tempo: Bierhoff foi escolhido pela revista alemã Kicker como o melhor jogador alemão do ano passado.

Parma 0 X 0 Vicenza

Com chuva, o Parma acabou decepcionando a torcida, já que é um dos favoritos. Com chuva, recebeu o Vicenza que mesmo modesto já deixou claro que é um elenco respeitável. O Parma , num 3-5-2, e com um meio-campo de respeito (Fuser, Dino Baggio, Benarrivo, Boghossian e Verón) tentava quebrar a retranca vicentina, de 4-5-1. Mas não deu não. O treinador do Vicenza, Colomba sabia o quanto seria importante um empate fora de casa, contra um time tão forte. E ficou no 0x0, mesmo com uma bola de Dino Baggio no travessão, no final do jogo.

Cagliari 2 X 2 Internazionale

Imaginando enfrentar uma facilidade total, uma desfalcada Internazionale foi à Sardenha para pegar o time da ilha, que não perde em casa desde maio de 1997. Com um meio-campo pobre e sem criatividade. Winter, Simeone, Zanetti e Djorkaeff mostraram que é aí o maior problema do elenco. Diga-se de passagem , o técnico Simoni é chegado numa retranca. Baggio e Zamorano mofaram sem receber bola nenhuma. E o ótimo Cagliari, pegou forte na marcação e saía no contra-ataque. Assim quase matou a Inter, chegando a vencer por 2 x 0. Graças à entrada de dois garotos, Ventola e Pirlo, a Inter não perdeu. Ventola, muito bom, fez dois gols e Pirlo melhorou o meio. Destaque para o ótimo arqueiro Scarpi, do Cagliari, uma parede.

Lazio 1 X 1 Piacenza

O elenco de US$ 120 milhões não foi suficiente para vencer o Piacenza, cujo elenco deve custar uns sete reais (brincadeira!). O desentrosamento era claríssimo e nada dava certo. A entrada de Mancini melhorou um pouco a Lazio no segundo tempo, mas o Piacenza sempre manteve o jogo equilibrado. Stankovic fez um belo gol pela Lazio, e quem empatou foi o irmão de Filippo Inzaghi da Juve, o jovem Simone. Muita festa para o pequeno Piacenza.

Perugia 3 X 4 Juventus

Um belíssimo jogo no qual estreou o japonês Nakata, pelo Perugia, sob os aplausos de milhares de conterrâneos seus. Mais outro favorito que estreou achando que era sopa no mel. Nada disso. Nakata parece mesmo ser um excelente jogador, e fez dois gols, quase conduzindo o Perugia a uma vitória histórica. Por muito pouco a “Vecchia Signora” não volta a Torino com uma lambada. Perda sensível para a Juve do defensor Iuliano, que saiu contundido.

Bari 1 X 0 Venezia

O jogo mais simplório da estréia, com dois times pequenos. Melhor para o Bari, que venceu com um gol de Zambrotta, e podem crer que estes três pontos serão importantes no fim do torneio. Nem mesmo o bom Maniero (ex-Milan) salvou o Venezia. Curioso notar que dois times pequenos levaram cerca de quinze mil pessoas a um jogo cujas cidades são distantes (Bari é no Sul, e Veneza fica próxima da divisa Norte da Itália). E tem mais: quase dez mil, desses quinze mil, são torcedores que já tinham carnê para toda a temporada. Que inveja…

Estrangeiros na Itália

Estrangeiros

O assunto que muito se comenta na Itália (e não apenas lá) é sobre as conseqüências que a presença maciça de estrangeiros tem feito  no futebol europeu. Pode parecer uma posição preconceituosa, mas os argumentos dos que vêem na Lei Bosman um mal para o futebol são bem fortes.

Quem levantou a bola do assunto na Itália foi o presidente do Comitê Olímpico. Argumentava que, dado o grande número de estrangeiros, os jovens italianos  que poderiam aflorar como bons jogadores ficam restritos às equipes menores,  e em muitos casos, acabam nem levando a carreira à frente.

Cita como exemplo dois nomes. Um é o companheiro de Ronaldo na Internazionale, Moriero. O italiano surgiu com força apenas no ano passado, e acabou indo à Copa. Francesco Moriero tem hoje 29 anos, e dificilmente disputará outra Copa.
Outro nome é o de Carmine Esposito. O jogador do Empoli foi considerado a revelação italiana da temporada passada, já que nunca tinha-se prestado atenção nele, pois não fez parte de seleções juvenis, a exemplo de Totti, da Roma ou Cannavaro, do Parma. Ou seja: a revelação do campeonato tem…28 anos! Nada adolescente.
Sem nenhum tipo de racismo, ou outra coisa que possa dar aos ‘fornecedores’ de jogadores, uma conotação negativa. Mas o futebol europeu está definhando. Jogadores vindos das colônias e de países mais pobres estão cada vez mais comuns, e a revelações escasseiam, ferrando com as seleções.
Basta ver a seleção alemã. O treinador Vogts simplesmente não teve opção se não chamar jogadores mais velhos como Klinsmann e Matthäus, longe de suas melhores formas. Na Espanha então…jogadores como Alkorta e Etxeberria não seriam titulares no nosso Santos ou no Guarani (com todo o respeito, duas equipes que estão longe de Ter um elenco estelar).
Começa a se imaginar na Itália uma forma de se limitar por algum outro meio o número de estrangeiros. Equipes tradicionais como Milan e Inter tem um terço do elenco vindo de fora do país. Os meninos da península não se estimulam a jogar bola, sabedores das dificuldades que enfrentarão para viverem como jogadores. E assim, nós ficamos sem os nossos craques aqui, e eles ficam sem seleção lá. Realmente não está bom pra ninguém. Aguardem mudanças nos próximos anos. É ver para crer.

O Milan entrou em acordo com Kluivert e vai ficar com o holandês por esta temporada. Não é tarefa fácil, mas se o treinador Zaccheroni conseguir por os pingos nos is e montar um ataque com Bierhoff, Weah e Kluivert, sai de baixo…

Ronaldinho ligou para para patrão e afirmou que está louco para voltar a treinar. Sem trimiliques.

Bologna quase na Copa UEFA. Venceu a Samp em casa, com um golaço do defensor Paramatti,

Esta semana teremos mais o perfil de quatro outras equipes: Parma, Sampdoria, Vicenza e Bologna. E o da Inter ficará disponível até o fim da temporada, para você dispor . Um abraço!