Criticar as vendas dos italianos é comprar o modelo errado

Um time do porte do Milan, quando vende seus dois melhores jogadores, deixa perplexo. Zlatan Ibrahimovic e Thiago Silva eram sem dúvida os melhores atletas do elenco milanista quando seguiram para Paris e deixaram cerca de €170 milhões no cofre do clube de Via Turati. O jornalismo esportivo atual foi uníssono em condenar a venda falando bobagens como “morte do Milan” e “time de segunda”. Trata-se de um exemplo de jornalismo totalmente em sintonia com a atual cepa do jornalismo esportivo: irresponsável, hipócrita, torcedor e recusando-se em se alinhar com a  obviedade por medo de perder o cliente/torcedor. A realidade passa longe. Por melhores que sejam, dentro do futebol italiano, o sueco e o brasileiro não valiam so nenhum ponto de vista a fortuna que movimentaram nas suas transações e deveriam sim ter sido vendidos. Continue lendo “Criticar as vendas dos italianos é comprar o modelo errado”

Derrota do Barça é triste, mas não muda nada

Messi atônito após a derrota

Eu não entendo como alguém (que não seja madridista ou santista, bem entendido) consiga torcer contra o Barcelona. Suponho que seja uma espécie de ressentimento atávico. Afinal, a maioria de nós jamais verá nosso time do coração jogar um décimo do que joga este Barça em sua plenitude (mesmo que 90% dos torcedores consiga se enganar que “aquele grande time do *time para qual torço* era melhor que este Barcelona”). Com ressentimento ou não, ver o Barça cair é triste e até certo ponto, compreeensível, mas absolutamente insignificante em termos históricos. O Barcelona é o melhor time do mundo, o melhor de sua geração e tem grandes chances de vir a ser o melhor de todos os tempos, dependendo de como forem geridos os próximos anos. Essa derrota não muda nada no que diz respeito à história. Continue lendo “Derrota do Barça é triste, mas não muda nada”

Saída de Teixeira mudará os nomes, mas não os fatos

Dias atrás, com a saída de Ricardo Teixeira, todos nos sentimos um pouco aliviados. O ex-presidente da CBF era, assim como pares seus na política, uma daquelas criaturas que não largam o osso a preço nenhum. Ainda que tenha havido um alívio por parte dos que acompanham com um pouco mais de responsabilidade o assunto, esse alívio foi tão efêmero quanto a conquista de um campeonato. Os cartolas que mantinham Teixeira continuam no poder, a imprensa esportiva continua sendo amadora em sua maioria e os torcedores ainda se mantém satisfeitos com um campeonato indizivelmente ruim, onde seus clubes estão falidos e só não são fechados legalmente porque este é o país do jeitinho. Os rumo do pós-Teixeira é que serão decisivos. Continue lendo “Saída de Teixeira mudará os nomes, mas não os fatos”

Rivaldo e o gerador de crises 2.0

“Ele é visivelmente um craque, mas não consegue mais jogar profissionalmente nem com jogadores muito menos técnicos que ele”. A frase é de 2009, de um colega jornalista uzbeque, sobre Rivaldo. Dois anos depois, Rivaldo joga num clube “diferenciado” do “melhor futebol do mundo”. Muito menos decisivo do que quer se supor, o ex-craque transformou-se num gerador de crises dentro de um clube em eterna crise. Continue lendo “Rivaldo e o gerador de crises 2.0”

Amy, transgressão, festa da maconha e a lógica de um raciocínio caótico

Não, não é um post sobre futebol (há algum tempo eu disse que ia escrever sobre whatever de vez em quando). É que nesta sexta, fiquei elocubrando sobre a polêmica em relação à Festa da Maconha, um evento tão moderno quanto o Grateful Dead e tão transgressor e inconformado quanto o PT do presidente Lula (bem, talvez ele não seja mais presidente, mas o partido certamente é dele). Me coloquei a pensar que de fato, a liberação da maconha talvez seja a única saída viável. Além de toda a questão social ligada ao fomento da criminalidade, repressão e afins, se liberada, talvez a maconha perca essa aura de transgressão e rebeldia que a acompanha e faça a fúria pós-adolescente se dar conta de quão conservadora ela é. Os rebeldes da Festa da Maconha são os Kassabs, Genoínos e Aécios de amanhã. Continue lendo “Amy, transgressão, festa da maconha e a lógica de um raciocínio caótico”

Palhaços num circo sem graça

Duas colunas dignas de nota na Folha de hoje. A primeira de novo, de Tostão, que observa que os entusiastas do Campeonato Brasileiro se esquecem que uma liga emocionante não tem nada a ver com uma liga boa. “A Liga Cambojana pode ser equilibrada”, disse Tostão. A segunda, de Juan Pablo Varsky, atesta a falência absoluta do Campeonato Argentino, falido já em sua concepção patética dos dois campeões por ano. Uma escolha determinada pelo mesmo tipo de imbecilidade canalha que estimula o retorno do mata-mata. Os torcedores são a plateia e os palhaços forçados num circo sem graça. Continue lendo “Palhaços num circo sem graça”

Preview da temporada: Parma

Investimento: Lucro de mais de €4 milhões no mercado.
Reforços: Giovinco e Floccari, o primeiro, já emprestado na temporada passada.
Ausências: Amauri e Dzemailli.
Técnico: Franco Colomba, o mesmo da salvezza.
Destaque: Giovinco e Floccari.
Aposta: Feltscher e Zé Eduardo, mas sem muita convicção.
Ponto fraco: o mesmo dos outros “pequenos”: elenco curto e pouca grana.
Luta para… se salvar.
Na temporada… que começa no fim de semana, o Parma tem a dura tarefa de viver a sua realidade na última década, milhas e milhas distante da bonanza do leite da Parmalat. O elenco é curto, jogadores que se destacam vão embora por pouco dinheiro e raramente o time revela alguém interessante porque os agentes – o câncer do futebol – afastam qualquer revelação surge em Collechio. Na pré-temporada, Colomba já deu a entender que vai afogar o meio-campo e jogar só com um atacante mais a aproximação de Giovinco, efetivalemente o playmaker do time. Dois laterais jogam como externos e devem dar segurança extra à retaguarda. Colomba quer fazer o seguro: acertar a defesa e depois ver o que dá. Como elenco, o time pode até se garantir sem sofrimento, mas precisa não ter contusões. Senão, a porca torce o rabo.

Equilibrado e medíocre

Acabou neste final de semana o primeiro turno do campeonato brasileiro. Nos cinco pontos que separam os seis primeiros colocados foram os motivos ara uma grande celebração da “dificuldade” do campeonato e de seu alto nível técnico. Isso confirma uma tese que já tenho há muitos anos: o brasileiro não liga muito para campeonatos com alto nível técnico. Ele só quer equilíbrio – mesmo que seja na várzea. Continue lendo “Equilibrado e medíocre”