Que Juve!

A queda de produção da Inter depois da eliminação na Liga dos Campeões é conhecida e era até esperada. A competição continental era o verdadeiro objetivo ‘nerazzurro’ na temporada. E o posterior episódio do pedido de demissão de Roberto Mancini (que depois voltou atrás) só serviu para desandar mais a maionese. Continue lendo “Que Juve!”

A casa caiu

Ao terceiro apito do árbitro Konrad Plautz, no fim de Milan 0 x 2 Arsenal, o semblante do time em campo era soturno – assim como nas arquibancadas do Giuseppe Meazza. Nas redações italianas e do mundo, o burburinho de uma “reformulação profunda” no clube estava com força total. No entanto, a torcida aplaudiu os jogadores, que retribuíram. Presidente e vice do clube desceram ao vestiário e agradeceram os jogadores (mesmo os reservas) e técnico, individualmente. Parece uma contradição?
Mais do que isso. Não há dúvidas de que o Milan fez o que pôde contra um Arsenal muito mais forte fisicamente e a temporada comprovou as limitações de um elenco carente. Haverá uma revolução? Tudo indica que não, ainda que os ‘bem-informados’ de plantão insistam no contrário.
A diretoria e comissão técnica certamente erraram na montagem do elenco para esta temporada – fato indiscutível. A um elenco de idade avançada, agregaram-se somente Alexandre Pato (a partir da metade dela) e Ba, um ex-jogador que provavelmente foi contratado por questões pessoais, a exemplo do holandês Esajas há alguns anos (que era amigo de infância de Seedorf). Ah, sim, também chegou Emerson, mas para azar do brasileiro, numa região do time em que o elenco não precisava de reforços.
A crítica mais comum ao Milan – a idade do elenco – é válida, mas não totalmente. O jogador mais velho do grupo, o lendário Paolo Maldini, foi um monstro nos últimos três jogos e deixou claro: se não tiver de atuar em 60 jogos no ano, ainda é um fora-de-série. E uma melhora nas condições de seu joelho o prontificaram a repensar a aposentadoria e cogitar mais um ano em ‘rossonero’.
Exaustão física, contusões e limitações de um grupo carente tecnicamente (leia abaixo) tiraram o Milan da briga domestica e internacionalmente. Contra o Arsenal, o cansaço do Milan foi claro nos dois jogos e não fosse o ‘bunker’ e a ausência de um artilheiro nato no time inglês, dois placares de 3 a 0 não seriam injustos, assim como os 18 pontos que separam Inter e Milan no campeonato também não o são.
O clima no elenco parece sereno e uma vaga na Liga dos Campeões (agora a um ponto de distância) está ao alcance. Com um jogo por semana, recuperando Seedorf, Jankulovski e Gattuso, apostar no Milan na quarta colocação da Série A em maio é seguro, ainda que o time não tenha um goleiro confiável, nem substitutos para a maioria das posições. Mais do que nunca, o time precisará de sua experiência. Felizmente para Kaká e companhia, isso sobra em Milanello.
Mercado mirado?

Pegando-se o time base do Milan (Dida; Oddo, Nesta, Maldini e Kaladze; Gattuso, Pirlo, Seedorf e Kaká; Gilardino (Inzaghi) e Pato), só nos extremos – o gol e o ataque – é que há necessidade urgente de reforços. Já no banco de reservas, uma longa lista de dispensas seria conveniente (Cafu, Serginho, Gourcuff, Favalli, Fiori, Ba e um entre Simic e Bonera).
Aí que jaz o problema que trouxe o Milan abaixo na LC – a necessidade de rodízio. No elenco como um todo, vários adversários europeus como Manchester United, Real Madrid, Barcelona, e alguns domésticos, como Inter e até mesmo a Roma, têm reservas mais próximos da qualidade dos titulares. Sob esta ótica, sim, se deve falar em necessidade de uma ‘revolução’ no Milan.
Só que a navalha não deve cortar tão fundo. O ambiente em Milanello leva muito em conta os vínculos pessoais e sob este aspecto, é difícil imaginar uma demissão em massa acontecer. Renovações de contrato recentes, como (e principalmente) a de Kaká, até 2013, sugerem que o grupo sabe o que vai acontecer e está todo de acordo.
As contratações no Milan dividem-se entre as ‘urgentes’, as ‘necessárias’ e as ‘convenientes’, seguindo uma ordem de gradação. Na primeira categoria, sem dúvida, estão as de um goleiro e um centroavante. Dida não perdeu a posição por preconceito ou perseguição, como eventualmente se vê a mídia brasileira sugerir, mas porque não tem uma boa performance há tempos. Apesar da fase regular, Kalac dá, no máximo, um bom reserva. Na frente, Gilardino não dá conta do recado e Inzaghi, 34 anos, é ótimo para atuar em 30 jogos no ano, mas insuficiente para uma temporada, especialmente com Pato ainda amadurecendo.
Entre as ‘necessárias’, o Milan faria bem em investir em um zagueiro central jovem, além de alternativas (também jovens) para as laterais da defesa. A retaguarda milanista, mesmo com alta média de idade (quase 34 anos) é a segunda melhor da Série A e se mantiver a média de 0,7 gols sofridos por jogo, está ótimo. Só que é prudente pensar no futuro e um dia Nesta e até Maldini vão parar de jogar.
Na categoria ‘convenientes’, o clube poderia dar a Carlo Ancelotti mais uma alternativa de jogo pelas alas (fala-se insistentemente em Zambrotta, do Barcelona) e tentar encontrar alguém para cobrir o papel de Pirlo, mesmo que isso significasse maturar um jogador novo. O esquema do Milan é ‘Pirlo-dependente’ e quando o bresciano não atua, o time se ressente. Alternativas possíveis? Uma improvisação de Seedorf na posição ou a escalação de Kakha Kaladze ali – na verdade, sua posição de origem no Dínamo Kiev e Dínamo Tbilisi.
O internauta pode se perguntar: “ah, mas o Milan já não precisava disso tudo no ano passado?”. É, precisava. Mas em favor da diretoria de Via Turati, pode-se argumentar que Dida não estava tão mal, que Ronaldo dava sinais de uma recuperação definitiva e mesmo Gilardino tinha marcado seus golzinhos (16, na última temporada). Daí fica a dúvida sobre qual será a atitude no mercado. Se não agir como um clube grande, o próximo será ainda pior, com o time um ano mais velho, com a Juventus mais poderosa e com Inter e Roma mais reforçadas.
Risco Parma, Cagliari condenado

A demissão do sétimo treinador na Série A (Domenico Di Carlo, do Parma) dá uma dimensão de quão caótico é o ambiente do atual torneio. Cagliari, Empoli, Livorno, Palermo, Reggina e Siena também já alteraram o comando (alguns, mais de uma vez) e arriscaram-se a virar estatística. Com tudo, com tanta gente chutando o balde, demitir o técnico deixou de ser quesito pró-rebaixamento.
Di Carlo pagou um preço pelo qual tem uma parcela de responsabilidade. Embora tenha a base muito jovem, o time tem um elenco para estar numa posição melhor do que a atual. Com Cristiano Lucarelli no ataque e alguns dos mais promissores jovens italianos da Série A (Dessena, Cigarini, Paci, Moretti, Mariga), os resultados do Parma ainda são perigosamente inconstantes.
Os favoritos para assumir o cargo, Nevio Scala e Alberto Zaccheroni, têm cancha suficiente para reverter o quadro. Scala conduziu o Parma em uma das melhores fases de sua história (dirigiu o time na Liga dos Campeões) e Zaccheroni, entre altos e baixos, fez uma Udinese formidável em 1998.
Quem parece mesmo fadado a passar um ano sabático na Série B é o Cagliari. Depois de todas as presepadas de seu proprietário, Massimo Cellino, o time é uma âncora e a última colocação lhe pertence desde a 13a rodada, consecutivamente. De lá para cá, somente duas vitórias em 15 jogos.
Seis clubes, três vagas

Uma derrota do Pisa e empates de Lecce Bologna e Chievo mergulharam a Série B numa corrida emocionante novamente, favorecendo o Brescia (numa reação considerável) e o líder improvável Albinoleffe. Cinco pontos separam o sexto colcado Pisa do líder de Bérgamo.
E são exatamente esses dois times – Pisa e Albinoleffe – que se enfrentam na partida mais interessante da próxima rodada. Na Arena Garibaldi, de Pisa, o clube que despontou como sensação do campeonato ateará fogo na disputa caso vença o ‘Leffe’, que nesse caso poderá ser ultrapassado por Bologna e Chievo (que recebem Piacenza e Ascoli). O Lecce visita o Spezia (que derrubou o Verona na última temporada) e o Brescia viaja a Mantova, um perigoso adversário, que está na ponta do ‘segundo bloco’ da tabela.
Curtas

– O clube de Appiano Gentile completou um século numa das melhores fases de sua história. E as comemorações foram merecidas.
– Leia o ‘Conheça o Clube’ feito por Dassler Marques, sobre um dos maiores clubes do mundo.
– Júlio César (Inter); Loria (Siena), Grygera (Juventus), Maldini (Milan) e Radu (Lazio); Ambrosini (Milan), De Rossi (Roma) e Camoranesi (Juventus); Kaká (Milan); Totti (Roma) e Pandev (Lazio).

A casa caiu
Ao terceiro apito do árbitro Konrad Plautz, no fim de Milan 0 x 2 Arsenal, o semblante do time em campo era soturno – assim como nas arquibancadas do Giuseppe Meazza. Nas redações italianas e do mundo, o burburinho de uma “reformulação profunda” no clube estava com força total. No entanto, a torcida aplaudiu os jogadores, que retribuíram. Presidente e vice do clube desceram ao vestiário e agradeceram os jogadores (mesmo os reservas) e técnico, individualmente. Parece uma contradição?
Mais do que isso. Não há dúvidas de que o Milan fez o que pôde contra um Arsenal muito mais forte fisicamente e a temporada comprovou as limitações de um elenco carente. Haverá uma revolução? Tudo indica que não, ainda que os ‘bem-informados’ de plantão insistam no contrário.
A diretoria e comissão técnica certamente erraram na montagem do elenco para esta temporada – fato indiscutível. A um elenco de idade avançada, agregaram-se somente Alexandre Pato (a partir da metade dela) e Ba, um ex-jogador que provavelmente foi contratado por questões pessoais, a exemplo do holandês Esajas há alguns anos (que era amigo de infância de Seedorf). Ah, sim, também chegou Emerson, mas para azar do brasileiro, numa região do time em que o elenco não precisava de reforços.
A crítica mais comum ao Milan – a idade do elenco – é válida, mas não totalmente. O jogador mais velho do grupo, o lendário Paolo Maldini, foi um monstro nos últimos três jogos e deixou claro: se não tiver de atuar em 60 jogos no ano, ainda é um fora-de-série. E uma melhora nas condições de seu joelho o prontificaram a repensar a aposentadoria e cogitar mais um ano em ‘rossonero’.
Exaustão física, contusões e limitações de um grupo carente tecnicamente (leia abaixo) tiraram o Milan da briga domestica e internacionalmente. Contra o Arsenal, o cansaço do Milan foi claro nos dois jogos e não fosse o ‘bunker’ e a ausência de um artilheiro nato no time inglês, dois placares de 3 a 0 não seriam injustos, assim como os 18 pontos que separam Inter e Milan no campeonato também não o são.
O clima no elenco parece sereno e uma vaga na Liga dos Campeões (agora a um ponto de distância) está ao alcance. Com um jogo por semana, recuperando Seedorf, Jankulovski e Gattuso, apostar no Milan na quarta colocação da Série A em maio é seguro, ainda que o time não tenha um goleiro confiável, nem substitutos para a maioria das posições. Mais do que nunca, o time precisará de sua experiência. Felizmente para Kaká e companhia, isso sobra em Milanello.
Mercado mirado?
Pegando-se o time base do Milan (Dida; Oddo, Nesta, Maldini e Kaladze; Gattuso, Pirlo, Seedorf e Kaká; Gilardino (Inzaghi) e Pato), só nos extremos – o gol e o ataque – é que há necessidade urgente de reforços. Já no banco de reservas, uma longa lista de dispensas seria conveniente (Cafu, Serginho, Gourcuff, Favalli, Fiori, Ba e um entre Simic e Bonera).
Aí que jaz o problema que trouxe o Milan abaixo na LC – a necessidade de rodízio. No elenco como um todo, vários adversários europeus como Manchester United, Real Madrid, Barcelona, e alguns domésticos, como Inter e até mesmo a Roma, têm reservas mais próximos da qualidade dos titulares. Sob esta ótica, sim, se deve falar em necessidade de uma ‘revolução’ no Milan.
Só que a navalha não deve cortar tão fundo. O ambiente em Milanello leva muito em conta os vínculos pessoais e sob este aspecto, é difícil imaginar uma demissão em massa acontecer. Renovações de contrato recentes, como (e principalmente) a de Kaká, até 2013, sugerem que o grupo sabe o que vai acontecer e está todo de acordo.
As contratações no Milan dividem-se entre as ‘urgentes’, as ‘necessárias’ e as ‘convenientes’, seguindo uma ordem de gradação. Na primeira categoria, sem dúvida, estão as de um goleiro e um centroavante. Dida não perdeu a posição por preconceito ou perseguição, como eventualmente se vê a mídia brasileira sugerir, mas porque não tem uma boa performance há tempos. Apesar da fase regular, Kalac dá, no máximo, um bom reserva. Na frente, Gilardino não dá conta do recado e Inzaghi, 34 anos, é ótimo para atuar em 30 jogos no ano, mas insuficiente para uma temporada, especialmente com Pato ainda amadurecendo.
Entre as ‘necessárias’, o Milan faria bem em investir em um zagueiro central jovem, além de alternativas (também jovens) para as laterais da defesa. A retaguarda milanista, mesmo com alta média de idade (quase 34 anos) é a segunda melhor da Série A e se mantiver a média de 0,7 gols sofridos por jogo, está ótimo. Só que é prudente pensar no futuro e um dia Nesta e até Maldini vão parar de jogar.
Na categoria ‘convenientes’, o clube poderia dar a Carlo Ancelotti mais uma alternativa de jogo pelas alas (fala-se insistentemente em Zambrotta, do Barcelona) e tentar encontrar alguém para cobrir o papel de Pirlo, mesmo que isso significasse maturar um jogador novo. O esquema do Milan é ‘Pirlo-dependente’ e quando o bresciano não atua, o time se ressente. Alternativas possíveis? Uma improvisação de Seedorf na posição ou a escalação de Kakha Kaladze ali – na verdade, sua posição de origem no Dínamo Kiev e Dínamo Tbilisi.
O internauta pode se perguntar: “ah, mas o Milan já não precisava disso tudo no ano passado?”. É, precisava. Mas em favor da diretoria de Via Turati, pode-se argumentar que Dida não estava tão mal, que Ronaldo dava sinais de uma recuperação definitiva e mesmo Gilardino tinha marcado seus golzinhos (16, na última temporada). Daí fica a dúvida sobre qual será a atitude no mercado. Se não agir como um clube grande, o próximo será ainda pior, com o time um ano mais velho, com a Juventus mais poderosa e com Inter e Roma mais reforçadas.
Risco Parma, Cagliari condenado
A demissão do sétimo treinador na Série A (Domenico Di Carlo, do Parma) dá uma dimensão de quão caótico é o ambiente do atual torneio. Cagliari, Empoli, Livorno, Palermo, Reggina e Siena também já alteraram o comando (alguns, mais de uma vez) e arriscaram-se a virar estatística. Com tudo, com tanta gente chutando o balde, demitir o técnico deixou de ser quesito pró-rebaixamento.
Di Carlo pagou um preço pelo qual tem uma parcela de responsabilidade. Embora tenha a base muito jovem, o time tem um elenco para estar numa posição melhor do que a atual. Com Cristiano Lucarelli no ataque e alguns dos mais promissores jovens italianos da Série A (Dessena, Cigarini, Paci, Moretti, Mariga), os resultados do Parma ainda são perigosamente inconstantes.
Os favoritos para assumir o cargo, Nevio Scala e Alberto Zaccheroni, têm cancha suficiente para reverter o quadro. Scala conduziu o Parma em uma das melhores fases de sua história (dirigiu o time na Liga dos Campeões) e Zaccheroni, entre altos e baixos, fez uma Udinese formidável em 1998.
Quem parece mesmo fadado a passar um ano sabático na Série B é o Cagliari. Depois de todas as presepadas de seu proprietário, Massimo Cellino, o time é uma âncora e a última colocação lhe pertence desde a 13a rodada, consecutivamente. De lá para cá, somente duas vitórias em 15 jogos.
Seis clubes, três vagas
Uma derrota do Pisa e empates de Lecce Bologna e Chievo mergulharam a Série B numa corrida emocionante novamente, favorecendo o Brescia (numa reação considerável) e o líder improvável Albinoleffe. Cinco pontos separam o sexto colcado Pisa do líder de Bérgamo.
E são exatamente esses dois times – Pisa e Albinoleffe – que se enfrentam na partida mais interessante da próxima rodada. Na Arena Garibaldi, de Pisa, o clube que despontou como sensação do campeonato ateará fogo na disputa caso vença o ‘Leffe’, que nesse caso poderá ser ultrapassado por Bologna e Chievo (que recebem Piacenza e Ascoli). O Lecce visita o Spezia (que derrubou o Verona na última temporada) e o Brescia viaja a Mantova, um perigoso adversário, que está na ponta do ‘segundo bloco’ da tabela.
Curtas
– O clube de Appiano Gentile completou um século numa das melhores fases de sua história. E as comemorações foram merecidas.
– Leia o ‘Conheça o Clube’ feito por Dassler Marques, sobre um dos maiores clubes do mundo.
– Júlio César (Inter); Loria (Siena), Grygera (Juventus), Maldini (Milan) e Radu (Lazio); Ambrosini (Milan), De Rossi (Roma) e Camoranesi (Juventus); Kaká (Milan); Totti (Roma) e Pandev (Lazio).

Apresentação da temporada – parte V

Football Club Internazionale Milano
Estádio: Giuseppe Meazza “San Siro” (85.700 pessoas)
Principal jogador: Zlatan Ibrahimovic (atacante)
Fique de olho: Mario Balotelli (atacante)
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões
Time base (4-2-3-1, 26/08): Julio Cesar; Maicon, Samuel, Chivu e Maxwell; J. Zanetti e Cambiasso; Figo, Muntari e Mancini; Ibrahimovic.
Técnico: José Mourinho (novo)
Objetivo na temporada: vencer a Liga dos Campeões

Contestado ou não, o tricampeonato italiano da Inter é o que determina a fixação dos objetivos do clube para esta temporada. Depois de conquistar a liga nacional por três anos, somente um sucesso na competição mais importante da Europa pode dar a sensação de uma boa temporada. Qualquer outra coisa é fracasso.

A cobrança espartana só aumenta com a contratação de José Mourinho, provavelmente o melhor técnico do mundo hoje. Ele mesmo perseguiu, no Chelsea, a taça que venceu com o Porto, mas não a conseguiu. Com um time entrosado, reforços mirados e a condição de “time que todos querem odiar” será que o lado ‘nerazzurro’ de Milão pode chegar ao final de maio próximo festejando?

Condições existem. A Inter tem um técnico que prioriza o sistema defensivo antes de tudo e essa boas defesas são a condição básica para vencer campeonatos. Nomes como Samuel e Chivu devem ser o suficiente para dar estabilidade ao time e no ataque, o sueco Ibrahimovic é a esperança de um setor ofensivo montado para fazer muitos gols.

Mourinho chegou na Itália fazendo inimizades (vide seu atrito com Claudio Ranieri) e precisa perceber que as relações interpessoais na Itália podem definir o futuro de um profissional – mesmo que extremamente competente. Outro desafio será o de fazer conviver dois atacantes natos como “Ibra” e o brasileiro Adriano. Com um pouco de sorte para evitar contusões e a carta branca que lhe foi dada pelo dono do clube, Mourinho tem como tirar a Inter do jejum europeu de 43 anos.
Associacione Sportiva Roma
Estádio: Olímpico de Roma (82.222 pessoas)
Principal jogador: Francesco Totti (meia-atacante)
Fique de olho: Stefanop Chuka Okaka (atacante)
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões
Time base (4-2-3-1, 26/08): Doni; Panucci, Juan, Mèxès e Riise; De Rossi e Pizarro; Taddei, Julio Baptista e Perrotta; Totti.
Técnico: Luciano Spaletti (mantido)
Objetivo na temporada: vencer o campeonato

Mesmo que com rumores da venda do clube cercando a tranqüilidade do elenco, a Roma parte com uma vantagem sobre a maioria de seus rivais domésticos: o entrosamento. O clube de Trigoria tem basicamente o mesmo time há três temporadas e nem a saída de um nome importante como Mancini tende a diminuir a capacidade da equipe de Francesco Totti.

Spaletti criou uma equipe rápida e ofensiva, muito técnica, que prefere jogar com o baricentro alto (ou seja, com a posse de bola pressionando o adversário em seu campo). Uma dupla de medianos que marcam e passam bem (De Rossi e Pizarro) é a condição básica para o 4-2-3-1 romanista. O esquema nasceu da necessidade de se jogar para Totti e até o último campeonato, isso era um problema que o uso do montenegrino Vucinic parece ter resolvido.

O norueguês Riise na lateral-esquerda deve dar ainda mais solidez a uma defesa que na prática joga com quatro zagueiros. No extremo oposto, somente Perrotta tem características mais de meio-campista, com Júlio Baptista (finalmente escalado na sua posição predileta), Taddei e Totti (ou Vucinic) alternando-se no papel de último atacante.

Contratações como as do defensor Loría e a integração de Okaka ao elenco aumentam as opções do técnico Spaletti, mas não deixam o elenco largo o suficiente para a Roma lutar de igual para igual com o trio de ferro italiano. Pensar em LC e Série A não é viável. Se quiser vencer algum dos dois, a Roma terá de fazer uma escolha. E ainda assim, não terá vida fácil.

Juventus Football Club
Estádio: Olímpico de Turim (25.370 pessoas)
Principal jogador: Gianluigi Buffon (goleiro)
Fique de olho: Paolo De Ceglie (defensor)
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões

Time base (4-4-2, 26/08): Buffon; Grygera, Mellberg (Legrottaglie), Chiellini e Molinaro (De Ceglie); Camoranesi, C. Zanetti (Poulsen), Sissoko e Nedved; Del Piero (Amauri) e Trezeguet (Iaquinta)
Técnico: Claudio Ranieri (mantido)
Objetivo na temporada: vencer o campeonato

Associazione Calcio Fiorentina
Estádio: Artemio Franchi (47.282 pessoas)
Principal jogador: Adrian Mutu (atacante)
Fique de olho: Zdravko Kuzmanovic (meio-campista)
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões

Time-base (4-3-1-2, 26/08): Frey; Zauri, Gamberini, Kroldrup e Vargas; Kuzmanovic, Felipe Melo e Montolivo; Jovetic; Mutu e Gilardino.
Técnico: Cesare Prandelli (mantido)
Objetivo na temporada: vaga na Liga dos Campeões

A ativa comunidade de torcedores da Fiorentina há de se irritar, mas o fato é que o clube toscano começa sua temporada com uma meta fixa: se classificar novamente para a LC. “Mas como? E o título?”. Calma com o andor. A Fiorentina pode até ser campeã, mas começa a liga correndo por fora. E a avaliação é do insuspeito técnico do time, o excelente Cesare Prandelli.

Por mais que tenha se reforçado com ótimas promessas, a Fiorentina não tem ainda os nomes que decidem campeonatos. Mutu é um ótimo jogador, mas não é um Kaká nem um Ibrahimovic. E os muitos Montolivos, Jovetics e Osvaldos do elenco ainda precisam amadurecer para dar consistência a um time que quer ser campeão.

O time deste ano deve ser melhor que o anterior. Prandelli garantiu dois externos defensivos melhores (Zauri e Vargas), um ‘trequartista’ de imenso potencial (Jovetic) e aposta na recuperação de Gilardino, que nas suas mãos, já foi um atacante letal. Além disso, o técnico torce para que o brasileiro Felipe Melo tenha a capacidade de dar a segurança necessária á sua defesa.

Assim como a Roma, a equipe “viola” é de altíssima qualidade, mas não tem substitutos que mantenham o nível do elenco titular. O grupo é grande demais e tem muitas promessas que precisam de rodagem, mas que no ‘Franchi’ ficam sem ritmo de jogo. O clube chegou no difícil momento de trocar de estágio e precisa de craques. Promessas já não adiantam mais.

Despedida

Depois do meu amigo e sócio Tomaz Alves, chegou a hora de eu me despedir da Trivela também.
Dez anos depois, o laboratório de texto dos alunos da ECA-USP virou uma publicação sólida e chegou a hora de me despedir agradecendo a todos os leitores, colegas, críticos. Obrigado a todos.

Vaga na porrada

“Hanno visto di che pasta siamo fatti?”, perguntou o volante Gennaro Gattuso, ainda encharcado da chuva que caiu em Glasgow durante o confronto com a Escócia. A questão – cuja tradução livre é “vocês viram que tipo de gente nós somos?” – é endereçada aos críticos na seleção e tem no tinhoso milanista um representante daquela que talvez seja sua maior qualidade: uma determinação típica de campeões.

Continue lendo “Vaga na porrada”

Vexame Nacional

Sob uma chuva torrencial, o Milan conseguia um empate no Celtic Park que, numa Liga dos Campeões, não estava saindo mal. Dentro de casa, o time escocês é sempre um adversário tinhoso e na Europa, um pontinho fora nunca é ruim. Foi quando o zagueiro Caldwell bateu na bola, especulativamente, em direção ao gol do Milan. Com o terreno molhado, Dida concedeu o rebote e este caiu nos pés do australiano Scott McDonald. Daí não teve jeito: gol do Celtic e frenesi dos ‘Bhoys’. Continue lendo “Vexame Nacional”

Ronaldogate

Nos últimos dias, o MilanLab, que normalmente é tido como um ponto de referência em tratamento médico e preparação física de atletas de futebol, foi envolvido numa lambança que poderia perfeitamente ter ocorrido na Federação Mineira de Futebol ou no Tribunal de Justiça Desportiva da CBF. Continue lendo “Ronaldogate”