Depois da terra arrasada

Tragédias são progenitoras de revoluções. Raramente há um momento melhor para se fazer transformações profundas do que depois de um incidente cujas proporções mudam o horizonte visível. No que diz respeito à Seleção, dificilmente seria possível desenhar um evento mais apocalíptico do que o ‘Mineirazo’ da Copa. A liberdade pós-apocalíptica é a única licença poética que faz com que a convocação de Dunga não seja bizarra, para dizer o mínimo. Continue lendo “Depois da terra arrasada”

A vitória da vocação para a derrota

O desastre brasileiro no Mineirão já vai longe – mais de duas semanas – mas ainda é tempo de se falar dele. Na verdade, apesar da maioria das pessoas não se dar conta, o jogo dos 7 a 1 é um evento histórico que gerará documentários, dissertações, livros e outras abordagens. Raramente as testemunhas de um evento histórico se dão conta de sua relevância na mesma hora. A história se consolida somente quando se transforma em passado e pode ser vislumbrada com um certo desprendimento.

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O milésimo sinal de alerta veio num Panzer

…e o Brasil perdeu. Não foi somente uma derrota – foi uma sentença. Desde que a Fifa decidiu que a Copa seria no Brasil, a CBF e a Rede Globo colocaram o país de quatro e chantagearam tudo o que podiam. Obrigaram governos (em todos os níveis) a atender suas exigências para que esses pudessem ter a sua casquinha – e os governos cederam – todos. A chacina alemã, certamente a maior humilhação da história do esporte mundial, sentenciou a sequência de erros que CBF e Globo engendraram com a ajuda de Scolari, ao maior desastre esportivo possível (porque o desastre político, orquestrado por políticos de vários partidos, será muito pior). Delenda Est Brasilis foi a sentença brilhantemente executada pelos alemães. O Brasil precisa se desapegar de suas paixões e começar a enxergar a realidade fora da Matrix. Tudo está errado há muito tempo, mas a maioria de nós não quis ver. Continue lendo “O milésimo sinal de alerta veio num Panzer”

Milan, Ano Zero…ainda não mas quase

Sprovveduto. O termo, equivalente em italiano para “incapaz”, foi o usado por Silvio Berlusconi na sua mansão em Arcore, província de Monza, na discussão com Adriano Galliani para se referir a Massimiliano Allegri, então ainda técnico do Milan, na noite de domingo. O destino de Allegri foi antecipado na mesma reunião e Barbara, a caçula de Berlusconi, a encarregada de noticiar à ANSA que o 4 a 3 forçava reformulações. Salvo uma surpresa muito, mas muito grande, colocou o ciclo do político no comando do Milan em sua reta final. Incapaz ou não, Allegri certamente não é mais incapaz do que o status quo berlusconiano de lidar com a situação e todos os envolvidos parecem ainda mais sprovveduti para mudar radicalmente o curso da situação. Continue lendo “Milan, Ano Zero…ainda não mas quase”

Poder de verdade têm de ser arrancado…

“Il Milan non spende poco. Il Milan spende male” (“O Milan não gasta pouco. O Milan gasta mal”). A análise de meia linha da Gazzetta é a a mais bem acabada definição de por que o clube se acostumou há anos com listas de reforços cheias de Bakayés Traoré, Dominic Adiyah, Oguchi Onyewus e similares. Tudo que você ouviu nas últimas semanas em termos de vaticínios sobre a saída ou não do eterno direttore generale Adriano Galliani é orelhada. Nada está definido. Como afirma o poster do filme “O Poderoso Chefão III“, poder de verdade não pode ser dado – precisa ser arrancado. No clube, tem lugar a maior batalha política desde a compra do clube pelo cleptopolítico Silvio Berlusconi nos anos 80. Continue lendo “Poder de verdade têm de ser arrancado…”

Mediocridade atleticana estava óbvia para quem quisesse ver

Quando o Atlético-MG venceu a Libertadores, numa dos maiores seqüências de sorte da história da competição, minha impressão era a óbvia – era um time medíocre. “Você está louco! É um baita time”, ouvi da maioria esmagadora de amigos e colegas. A derrota no Marrocos não é nenhuma zebra. O Galo é simplesmente um time medíocre, que teve a sorte de times ainda mais medíocres atravessarem seu caminho na competição sulamericana que venceu neste ano. Para a assessoria de imprensa que apostava num grande papel dos mineiros na África, ficou a enésima prova de incompetência. O Galo consegue ser quase tão incompetente quanto a mídia esportiva que o analisa. Continue lendo “Mediocridade atleticana estava óbvia para quem quisesse ver”

Barcelona não trucidou somente o Santos

O Santos estendido ao chão no Nou Camp é um time medíocre. Se era preciso uma prova, o saco dado pelo Barcelona deve ter servido, sendo que metade da surra foi dada pelo Barcelona “B” (Pinto; Montoya, Bartra, Bagnack e Adriano; Song, Sergi e Fábregas; Neymar, Dani Nieto e Dongou). A mídia mostrou-se estupefata e os rivais aproveitaram para celebrar, mas não deviam. Corinthians, Cruzeiro, Botafogo e outros “grandes” não têm times muito menos medíocres. A combinação de uma audiência acostumada a pão e circo e uma mídia esquecida de sua obrigação de informar, mais que entreter, levaram ao choque catalão. Os 8 a 0 chocaram, mas não deviam. Nosso futebol indigente é ruim e vai piorar. E não, o “seu” time não é muito melhor que o Santos. Continue lendo “Barcelona não trucidou somente o Santos”

As culpas evidentes e advogados insuspeitos

Acabo de ler, com surpresa, a defesa de Adalberto Batista por Juca Kfouri, via blog do Victor Birner. Surpresa porque se é evidente que Batista não é o centro do descompasso tricolor, a defesa dele, sob qualquer medida, não cai bem. Ainda que respeite o trabalho tanto do veterano Juca quanto do colega Birner, me sinto numa posição diametralmente oposta em relação ao ex-diretor de futebol do São Paulo. Juvenal morrerá sozinho no naufrágio tricolor porque os culpados menores deixarão o barco antes, exatamente como fez Batista.

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