Champions League: Manchester City 3×1 Barcelona – o duelo tático

Na última terça-feira, o inglês Manchester City recebeu o Barcelona no Etihad Stadium (Manchester/Inglaterra), em partida válida pela quarta rodada da fase de grupos da Champions League. Os citzens devolveram o resultado categórico aos culés, que por sua vez impôs goleada nos ingleses, no jogo da terceira rodada.

O City determinou um vistoso 3×1 construindo um resultado de virada, o qual implicou na manutenção do segundo posto no grupo C. A equipe agora tem 7 pontos, dois a menos que o líder Barcelona. Uma combinação de resultados poderia tirar o City da segunda colocação, e ameaçar sua classificação para o mata-mata.

Manchester City

O técnico Pep Guardiola teve força máxima, algo que não aconteceu na partida da terceira rodada. Sérgio Agüero e Kevin De Bruyne surgiram na escalação inicial, desfalcada apenas pelo goleiro Cláudio Bravo suspenso. O alinhamento inicial teve Caballero, Zabaleta, Otamendi, Stones e Kolarov. Fernandinho, Gündogan, Sterling, De Bruyne e David Silva. Agüero.

Guardiola seguiu sem promover “invencionices” no sistema defensivo, priorizando atletas natos em suas funções. Do meio-campo em diante sim, haviam permutas e rotações, num desenho tático disposto em 4-2-3-1, onde Fernandinho e De Bruyne se revezavam no posto de primeiro homem de meio-campo.

Messi e Fernandinho (Tom Jenkins/Guardian)
Messi e Fernandinho (Tom Jenkins/Guardian)

No entanto, o Barça abriu o placar aos 21 min, após recuperar bola e iniciar um contra-ataque aparentemente despretensioso. Neymar aberto pela esquerda passou para Messi que surgia pelo centro. O argentino invadiu a área e finalizou sem chances para o goleiro Willy Caballero.

Os culés foram à frente mas os citzens mantiveram a calma, dentro da mesma e inusitada proposta defensiva que Guardiola ostentou na partida anterior. O empate surgiu aos 39 min, após erro de passe da defesa blaugrena. Agüero recuperou a bola no centro da área adversária, passando para Raheem Sterling aberto pela direita.

O atacante inglês cruzou para Ilkay Gündogan, que invadiu a área culé e finalizou decretando o empate. Na segunda etapa o City tomou a iniciativa das ações, mostrando maior volume de jogo. O gol da virada veio aos 51 min, em cobrança de falta magistral de De Bruyne.

A vitória parecia certa e Guardiola postou o brasileiro Fernando à frente da linha de defesa, no lugar de Fernandinho. Ainda assim, o time não abdicou do jogo ofensivo, incorrendo num erro de John Stones que saiu jogando equivocadamente, num lance que culminou em bola no travessão, chutada pelo culé André Gomes.

Guardiola em contra-ataques

Nestas circunstâncias a proposta de sair em contra-ataques era enfática. As permutas entre os 3 meias ofensivos e o homem referência citzens, eram fatais. O terceiro gol veio aos 79 min, em jogada iniciada por Agüero e De Bruyne pelo centro. O belga passou bola para Jesus Navas aberto pela direita.

Navas cruzou bola que resvalou o braço de Agüero, dentro da pequena área mas pressionado pelo marcador. O esférico sobrou para Gündogan finalizar mais uma vez. No meio-campo de Guardiola, De Bruyne flutua ora como low playmaker à frente da defesa, ora como meia ofensivo centralizado entre os 3 meias do 4-2-3-1.

Alternadamente, Fernandinho e Gündogan também avançam como elementos surpresa, tanto pelos lados quanto pelo centro. Neste módulo com Zabaleta e Kolarov ocupando as laterais da linha de 4 defensores, ambos tem maiores encargos defensivos atuando como side backs típicos.

A proposta de deixar o Barça jogar desta vez se efetivou. O inusitado ferrolho de Guardiola determinou apenas 38% de posse de bola no tempo total de esférico rolando, para o seu time. Os citzens criaram 11 ocasiões de gol (3 a mais que o adversário), das quais 5 foram em gol e 3 se converteram em tentos. Dados levantados pelo The Guardian.

Tendo onze contra onze durante os 90 minutos e seus dois atletas diferenciados (Agüero/De Bruyne) no time titular desde o início, é sim possível deter o Barcelona. Somadas estatísticas das últimas duas partidas do City (1 pela Premier League, 1 pela CL), o alemão Ilkay Gündogan contabiliza quatro gols em dois jogos.

Barcelona

Luís Enrique mandou a campo uma formação com Ter Stegen, Sergi Roberto, Mascherano, Umtiti e Digne. Busquets, Rakitić, André Gomes, Messi, Suárez e Neymar. O módulo era o 4-3-3 habitual, mas diferentemente da partida da terceira rodada, não havia como reposicionar o time em 3-4-3.

Messi no lance do gol. (Tom Jenkins/Guardian)
Messi no lance do gol. (Tom Jenkins/Guardian)

No jogo anterior Luís Enrique utilizou três zagueiros de área (Umtiti/Mascherano/Piqué), o que dava condições para o lateral-esquerdo avançar sem encargos defensivos. Era uma formação mais segura, impossibilitada uma vez que Piqué se lesionou naquele confronto, estando ainda indisponível.

Outra diferença em relação ao alinhamento inicial do confronto vencido por 4×0 foi a ausência de Andres Iniesta, que nem viajou para a Inglaterra. Luís Enrique optou pelo português André Gomes, um atleta de maior verticalidade. Talvez o turco Arda Turan que entrou na segunda etapa, fosse uma opção melhor por seus passes longos e maior vigor físico.

Diante daquilo que Guardiola tinha de melhor no campo ofensivo, Rakitić se tornou um meio-campista inútil, pois o aspecto defensivo não é sua maior virtude. Sérgio Busquets por sua vez, via-se sobrecarregado e com certeza seria mais efetivo numa formação com três zagueiros.

Por fim, dois dos três gols anotados pelos citzens (o primeiro e o último) surgiram de avanços pelo setor esquerdo da defesa catalã, onde o francês Lucas Digne substituía o lesionado e indisponível Jordi Alba.

Imagem de Pep Guardiola: Tom Jenkins – The Guardian