Manchester City: três Fernandinhos para Guardiola

No último domingo, o inglês Manchester City acabou derrotado pelo Tottenham Hotspur por 2×0, em partida válida pela sétima rodada da Premier League. A equipe azul do treinador Pep Guaridola via-se invicta na liga inglesa, e também nos torneios que disputa paralelamente (Capital One Cup e Champions League).

Mesmo com o revés imposto pelos spurs londrinos, o City segue líder na tabela do campeonato inglês (18 pontos, um a mais que o vice, o próprio Tottenham). Mas nada refuta o grande início de temporada dos citzens comandados por Guardiola. O treinador catalão descreve o começo de temporada enquanto “surpreendente”. E dentro das quatro linhas credita o êxito da equipe ao meia brasileiro Fernandinho.

O periódico inglês The Guardian ressaltou palavras de Guardiola afirmando que o que se vê, é apenas “o começo”. O treinador afirma que é preciso pensar como esta equipe estará em três temporadas e relembra seus tempos de Barcelona e FC Bayern, expressando que seu trabalho foi gradativo naqueles dois clubes.

Guardiola afirma que isso não se refere apenas a resultados, mas sim à forma de jogar. Segundo o catalão, muito tem se dado pelo “entusiasmo” de seus atletas. No aspecto tático e propostas de treinamento porém, Guardiola afirma que seu time ainda evoluirá.

Ponto de mutação

O Guardian ressalta quatro pontos do elenco que se transformaram desde a chegada de Guardiola. Primeiro foi a chegada do goleiro Claudio Bravo, contratado com a temporada já iniciada.  O arqueiro estreou no derby vencido pela quarta rodada da Premier League, contra o Manchester United.

Bravo chegou por sua qualidade no jogo com os pés. Além do novo goleiro chileno, o jornal inglês sublinha as mudanças de posição sugeridas ao lateral Alexsandar Kolarov, que eventualmente vem sendo utilizado na quarta zaga. Isso mais a readequação do meia-atacante David Silva, que por vezes tem sido recuado.

O quarto ponto é o meia Fernandinho, a principio fixado à cabeça de área como primeiro homem de meio-campo. Guardiola deixa bem claro que o bom início se dá “porque Fernandinho pode fazer tudo”, que os bons resultados são possíveis porque o meia faz parte do time.

O técnico disse: “Ele é rápido, inteligente, bom no jogo aéreo e pode jogar em todas as posições. Se há um espaço em aberto, ele corre para preenchê-lo. Se é necessário corrigir um posicionamento ele corre para cumpri-lo, se é uma jogada individual, também.”

Guardiola ainda ressalta: “Se um time contar com três Fernandinhos, esse time será campeão. Nós só temos um, então ele muito importante”. O ex-meia do Atlético/PR e do ucraniano Shakhtar Donetsk seguiu prestigiado em seu clube, mesmo após o 7×1 contra a Alemanha no Mundial 2014, em que foi titular pela seleção brasileira.

Com a chegada de Guardiola na atual temporada, a importância de Fernandinho (hoje com 31 anos) no elenco citzen de fato parece ter triplicado. No aspecto tático, o Guardian observa que Guardiola aboliu o uso de três meio-campistas de força física, outrora levado adiante pelo ex-técnico Manuel Pellergini. Algo que inclusive levou o ídolo Yayá Touré, à exclusão do grupo principal.

Segundo o jornal inglês, o ideal para o City é ter De Bruyne, Gündogan e David Silva, à frente de Fernandinho. Se todos os atletas de habilidade estão disponíveis ao treinador, o que inclui Sergio Agüero e Raheem Sterling, o City ostenta variações ofensivas que nenhum outro clube que joga a liga inglesa, tem ao seu dispôr. Dentre estes, o alemão Gündogan é o que se sobressai mais pela força física.

Após o 7×1 Fernandinho foi duramente criticado no Brasil, partida em que curiosamente acabou postado como primeiro homem de meio-campo, à frente da desastrosa linha de defesa do time de Felipão. A imagem da primeira etapa da derrota para os alemães em que o meia é visto de costas para o adversário, por vezes faz o espectador se perguntar se de fato ele não estava tentando saber o que estava realmente acontecendo no miolo de zaga, então formado por Dante e David Luiz.

Após o Mundial 2014 o trabalho do meia brasileiro não foi questionado em Manchester, ainda sob comando de Manuel Pellegrini. Seguiu convocado para a seleção pelo ex-treinador Dunga, mas obteve a primeira oportunidade concedida por Tite apenas na convocação para a data FIFA que se inicia nesta semana.

A filosofia de Pep

Voltando à Guardiola, o catalão afirma que quer influenciar a ideia de futebol de seus jogadores. O treinador diz que quer “convencê-los a jogar de certa maneira, não apenas porque acredito nisso, mas porque isso pode ser necessário”. Guardiola afirma que não chegou apenas para “propôr mudanças, para ser um treinador que faz mudanças e perde o jogo”.

Segundo ele se “se toma alguma nova decisão, os atletas precisam entender porque a mudança foi necessária”. De antemão, o treinador parecia minimizar qualquer alarde sobre a sequência de seis vitórias em seis rodadas, aproveitamento de 100% cessado no último domingo. Isso, ainda na véspera do jogo perdido para o Tottenham.

O técnico mostrou respeito pelas grandes equipes que aglomeram grande número de atletas diferenciados. Porém, deixou claro que explicita aos seus comandados que os pontos a serem ganhos são os mesmos, seja contra um time expressivo ou uma equipe modesta. A imprensa questionou se os bons resultados se deram porque a Premier League tinha um baixo nível. Guardiola afirmou o contrário.

O catalão exaltou o relato de sempre ver seus jogadores exaustos nos vestiários após os jogos, e que com certeza sabia que a Premier League era uma liga difícil. O técnico disse que agora tem conhecimento pleno de tal nível de competitividade, mas que quer creditar os bons êxitos ao trabalho dos seus jogadores.

Fernandinho integrará o grupo da seleção brasileira que enfrenta a Bolívia na próxima quinta-feira e a Venezuela no próximo dia 11/10, pelas Eliminatórias referentes ao Mundial 2018.

Imagem de Fernandinho (a direita): Alex Livesey/Getty