Manchester United: a questão Rooney

Na última semana, o inglês Manchester United se recuperou de uma sequência ruim que culminou em três derrotas consecutivas, contabilizando-se jogos pela Premier League e Europa League. Nesta quinta-feira o clube volta a campo pelo torneio continental europeu para enfrentar o Zorya Lugansk (Ucrânia).

Nos últimos sete dias, o United realizou duas partidas vencendo o Northampton (3×1) no último dia 21/09 pela Capital One Cup, e o Leicester City (4×1) no último sábado pela Premier League. Embora José Mourinho tenha variado as escalações a presença do defensor Daley Blind foi o fator comum, no alinhamento inicial em ambas as vitórias.

Como temos afirmado aqui no 90 Minutos, o holandês Blind é o ponto de estabilidade da defesa do United, seja jogando na quarta zaga (contra o Northampton), seja como lateral-esquerdo (contra o Leicester).

Entretanto o resultado de 4×1, onde quatro gols foram impostos em pouco mais de quarenta minutos de jogo sem Wayne Rooney como titular, acaba por obnubilar qualquer particularidade defensiva.

A questão Wayne Rooney

No campo ofensivo Wayne Rooney surgiu no banco de reservas só entrando no decorrer da partida. Sua lacuna foi preenchida por Juan Mata, que realizou grande jogo anotando o segundo gol da contagem. A não titularidade de Rooney deu margem a mil especulações na imprensa inglesa, com Mourinho refutando qualquer problema com o capitão e ídolo.

A realidade é que o meio-campo escalado contra o Leicester foi mais funcional com Herrera, um Pogba se mostrando muito confortável (anotou seu primeiro gol pelo clube), mais Lingard e Mata, este último na função em que o treinador vinha escalando Rooney. Os quatro mais Marcus Rashford podem desempenhar o 4-2-3-1 procurado por Mourinho, com Mata centralizado na linha dos três meias ofensivos.

Rashford (ao centro) no lance do gol contra o Leicester (Peter Powell/EPA)
Rashford (ao centro) no lance do gol contra o Leicester (Peter Powell/EPA)

Mata é um meio-campista de origem e Rooney um atacante de área. Rashford também é um atacante, tendo porém mais desenvoltura pelos lados do campo do que Rooney. Na Inglaterra, Jamie Jackson do Guardian especula o início de um fim de trajetória de Rooney no Old Trafford que a princípio parece exagerado, até porque Mourinho está promovendo uma rotação de atletas neste início de temporada.

O jornalista afirma que Rooney poderia ser o “bode expiatório” perfeito para a sequência ruim. No aspecto físico, nem todos os atletas ainda estão plenos. Porém, Rashford com apenas 18 anos tem sido peça surpreendentemente preponderante, já tendo anotado 4 gols na temporada. Rooney anotou apenas um gol. Rashford anotou o terceiro gol contra o Leicester e foi substituído exatamente por Rooney, aos 83 min.

Um novo ídolo revelado e identificado com o clube pode conduzir um velho ao seu desfecho. Rooney completará 31 anos no próximo dia 24 de outubro, tendo sido revelado pelo Everton e adquirido pelo United em 2004. Mata e Rashford são os grandes concorrentes de Rooney em nome de um espaço no time. À frente Ibrahimović é uma concorrência intransponível.

Extra-campo não se pode condenar Mourinho que por sua vez, parece sim estar cumprindo ordens do clube de boa vontade. Até agora o treinador lançou expediente de duas aquisições recentes e onerosas (Martial e Mata), além de ter dado espaço para o ídolo Rooney, desde o início.

O espanhol Mata parece estar sendo o mais funcional, dadas as circunstancias e o fato causa espanto, uma vez que foi Mourinho quem ordenou sua saída do Chelsea em 2014.

Imagem de Rooney se preparando para entrar contra o Leicester: Clive Brunskill/Getty