Europa League: Feyenoord 1×0 Manchester United – o duelo tático

Na última quinta-feira o holandês Feyenoord recebeu o britânico Manchester United em Rotterdam (Holanda), em jogo de abertura da Europa League válido pelo grupo A. Os holandeses impuseram dificuldade ao clube de Manchester, que por sua vez acabou derrotado pelo placar mínimo.

José Mourinho treinador dos red devils, propôs uma rotação no plantel, mas é preciso deixar claro que o United não jogou mal, tendo se deparado com um adversário tradicional que por sua vez, impôs jogo coletivo eficiente.

Feyenoord

Em busca de seu terceiro título da Europa League, o holandês Feyenoord lidera a Eredivise holandesa com 100% de aproveitamento em cinco rodadas. Seu treinador é Giovanni “Gio” van Bronckhorst, antigo ídolo do futebol holandês, ex-jogador de Arsenal, Barcelona e da seleção de seu país.

Gio propôs a escalação inicial com Jones, Karlsdorp, Botteghin, Kongolo e Heijden. El Ahmadi, Kuyt e Trindade. Toornstra, Jorgensen e Berghius. O módulo tático se dá num 4-3-3 típico, mas quando o time perde a posse de bola variações para o 4-2-3-1 ou 4-5-1 convencional, são possíveis.

O Feyenoord pressionava a saída de bola do United, propondo marcação alta. Com isso, o time inglês se via obrigado a sair nos “chutões”. O meia holandês naturalizado marroquino Karim El Ahmadi pareceu muito bem instruído por Gio, na função de marcador do meia red devil Juan Mata. O atleta espanhol era o principal articulador criativo, tendo sido anulado e substituído por Mourinho aos 63 min.

O gol dos holandeses saiu aos 79 min, após avanço pela ponta direita do meia-atacante Nicolai Jorgensen (nas costas de Marcos Rojo), que cruzou em posição de impedimento não marcado pelo árbitro. Tonny Trindade surgiu pelo meio e finalizou, assim concebendo o gol da vitória do Feyneoord.

Os holandeses criaram metade das chances de gol criadas pelo United (16 finalizações), onde quatro chutes foram pra fora, três em gol sem sucesso e uma única finalização bem sucedida de oito, resultou no gol da vitória.

Manchester United

O técnico José Mourinho propôs uma variação no elenco, levando a campo uma formação inicial mista em relação ao time titular utilizado nas primeiras rodadas da Premier League. Foram a campo De Gea, Darmian, Smalling, Bailly e Rojo. Schneiderlin, Herrera, Mata, Pogba e Martial. Rashford.

O desenho tático era um 4-2-3-1 até mais cabível do que aquele que Mourinho vem buscando na liga inglesa com Wayne Rooney (não relacionado neste ocasião), dada a presença de dois bons meias (Mata/Pogba). Mesmo sem Zlatan Ibrahimović que iniciou no banco de reservas, o United tentou buscar jogo como lhe foi possível.

Com algumas peças que naturalmente sentiram falta de entrosamento, a equipe de Mourinho não pode render o seu melhor. A anulação de Juan Mata pela marcação do Feyenoord, foi preponderante para a escassez criativa do time. Mou fez as três alterações aos 63 min dispondo Ibrahimović, Ashley Young e Memphis Depay nos lugares de Rashford, Mata e Martial.

O gol adversário surgiu pelo lado esquerdo da defesa red devil, setor onde não estavam seus dois titulares Daley Blind (quarto zagueiro) e Luke Shaw (lateral-esquerdo). Estabelecido como defensor central, Bailly foi deslocado para a esquerda para a titularidade de Smalling. Na lateral-esquerda Marcos Rojo provou mais uma vez sua deficiência, no aspecto defensivo.

Curiosamente o United ostentou 54% da posse de bola enquanto o esférico rolou, algo incomum uma vez que Mourinho costuma propôr uma forma defensiva de jogar, na qual a posse de bola é entregue ao adversário. Os red devils finalizaram o dobro de vezes do Feyenoord (16 contra 8), trocando 465 passes contra apenas 238 do adversário. Dos 465 passes, obteve-se 93% de aproveitamento.

O Feyenoord inverteu a característica habitual da forma de jogar proposta por José Mourinho, obrigando o United a buscar jogo.

Com o resultado o Feyenoord tomou a liderança do grupo A com três pontos, ao passo que o United se vê em quarto e último, sem pontuar.

Imagem de Eric Bailly (Manchester United) e Nicolai Jorgensen (Feyenoord – a direita): Getty Images