Champions League: FC Bayern 2×1 Atlético Madrid – o duelo tático.

Na última terça-feira, o Atlético de Madrid foi derrotado por 2×1 pelo FC Bayern na Alemanha, mas ainda assim se classificou para a final da Champions League. Os colchoneros venceram a partida de ida por 1×0 e na soma dos resultados de 2×2, o gol qualificado marcado na Allianz Arena (Munique), serviu de critério de desempate.

A partida mais uma vez mostrou um equilíbrio tático intrincado entre as equipes. A derrota causou alguma decepção para jogadores e torcedores do Bayern. Além de revelar um senso desnecessário de auto-suficiência, por parte do treinador Pep Guardiola.

FC Bayern

Após lidar com críticas posteriores à derrota para o Atlético no jogo de ida em Madrid (Espanha), Guardiola promoveu um alinhamento inicial, diferente daquele visto na partida no Vicente Calderón. O Bayern teve Neuer, Lahm, Javi Martínez, Boateng e Alaba. Alonso, Vidal, Douglas Costa, Thomas Müller e Ribéry. Lewandowski.

O treinador escalou ao menos um zagueiro natural da posição (Boateng), o que garantiu maior segurança defensiva. No setor criativo, Ribéry e Müller, que entraram no decorrer da partida em Madrid, ganharam novamente a titularidade, em nome da necessidade de obter a vitória. Por outro lado, os gols bávaros não saíram em vistosos lances ofensivos.

O volante Xabi Alonso abriu o placar aos 31 min, em cobrança de falta onde a bola desviou no zagueiro colchonero José Giménez. O Bayern pressionava, mas a defesa colchonera não cedia facilmente. 3 minutos após o gol, os bávaros tiveram chance de ampliar em penalti cobrado por Müller, mas defendido pelo goleiro Jan Oblak.

Na segunda etapa, o Atlético obteve o empate, resultado que obrigava o Bayern a fazer mais dois gols para se classificar. O segundo gol da vitória bávara saiu em lance de bola aérea, finalizada por Lewandowski, aos 73 min.

Num todo Guardiola subestimou a solidez defensiva do Atlético, desde a partida de ida. Acreditou que os gols sairiam facilmente, confiando em demasia nas peças ofensivas à sua disposição. Seu maior pecado no entanto, foi desprezar a funcionalidade dos seus próprios zagueiros de ofício, na partida de ida.

Atlético de Madrid

Atuando com o regulamento na mão, o treinador Diego Simeone apresentou quase o mesmo time que venceu o Bayern, na Espanha. A surpresa foi o retorno do zagueiro/capitão Diego Godin. A equipe teve Oblak, Juanfran, Godín, Giménez e Filipe Luis. Gabi, Augusto, Saúl e Koke. Griezmann e Fernando Torres.

A princípio o desenho tático mais uma vez variava o 4-2-3-1/4-1-4-1 para o 4-4-2 convencional, quando o time detinha a posse de bola. Porém, os rojiblancos ostentaram apenas 25 % de posse do tempo total de bola rolando. Recuado em seu próprio campo, o módulo tático se dava num 4-5-1 pleno.

Houve um momento de destempero emocional do jovem uruguaio Giménez (21 anos), após a falta cobrada por Xabi Alonso. A bola desviou no zagueiro do “Atléti” e culminou no gol primeiro gol bávaro. Minutos depois, Giménez cometeu um penalti infantil em Javi Martínez.

O re-equilíbrio emocional colchonero se re-estabeleceu, quando Oblak defendeu o penalti cobrado por Thomas Müller, num momento crucial. O goleiro eslovaco foi um dos melhores jogadores do Atlético na partida.

No segundo tempo Simeone lançou o time à frente, sacando o volante Augusto Fernández, para a entrada do meia-atacante Yannick Carrasco. Detendo a posse de bola, o desenho tático possibilitava um 4-3-3 com Carrasco, Griezmann e Torres formando o tridente ofensivo.

O gol de empate saiu aos 53 min, em lance de contra-ataque típico do “Atléti”, no qual Torres no circulo central, passou de forma primorosa para Griezmann receber livre por entre os zagueiros adversários, invadir a área finalizar. O Bayern se colocou à frente no marcador novamente com Lewandowski, vinte minutos depois.

Os colchoneros porém, ainda se deram ao luxo de desperdiçar uma cobrança de penalti, em infração sofrida por Fernando Torres e marcada erroneamente pelo árbitro. O próprio Torres cobrou mas Neuer defendeu. O penalti entretanto, parece ter impactado o psicológico dos jogadores do Bayern, de forma negativa.

O Atlético de Madrid superou provocações do dirigente bávaro Karl-Heinz Rummenigge, vingando-se da derrota imposta pelo Bayern, na final da CL 1973/1974. Os colchoneros são os primeiros finalistas da Champions League 2015/2016.

Imagem de Alonso (número 14) do Bayern lamentando a derrota: Michael Probst – AP