La Liga: Barcelona 1×2 Real Madrid – o duelo tático.

No último sábado, Barcelona e Real Madrid fizeram uma concorrida edição de “el clásico”, que valeu pela trigésima-primeira rodada de La Liga espanhola. Os culés (ainda líderes) perderam no Camp Nou (Catalunha/Espanha) por 2×1 para os merengues, em grande partida que porém, não alterou a situação na tabela.

Barcelona

O técnico Luís Enrique mandou a campo a equipe titular habitual dos blaugrenas, com Bravo, Daniel Alves, Piqué, Mascherano e Alba. Busquets, Rakitić e Iniesta. Messi, Suárez e Neymar. O desenho tático era o 4-3-3 característico, num módulo e escalação não muito diferentes da ocasião em que os culés impuseram 4×0 sobre os blancos, no primeiro turno.

No entanto o aspecto físico e motivacional do Barça era diferente. Quatro atletas ofensivos do time estavam com suas seleções na América do Sul para jogos eliminatórios, na semana anterior ao derby. Dentre eles, três foram titulares de suas seleções no meio da última semana (Alves, Messi e Suárez).

Lidando com o sprint físico, o conjunto blaugrena ainda tinha em vista a partida da próxima terça-feira contra o Atlético de Madrid, pelas quartas de final da Champions League. Antes de entrar em campo contra o Real Madrid, o Barcelona ostentava nove pontos de diferença para o segundo colocado na tabela.

O cansaço físico pode justificar tantas oportunidades de gol perdidas pelos culés, que criaram sim boas chances e dominaram a primeira etapa. O Barcelona só abriu o placar aos 55 min, com um gol de Piqué aproveitando jogada de escanteio.

Real Madrid

Em seu primeiro derby contra o Barcelona na condição de treinador, Zinedine Zidane escalou o time com Navas, Carvajal, Pepe, Sérgio Ramos e Marcelo. Casemiro, Modrić, Kroos e Gareth Bale. Cristiano Ronaldo e Benzema. A diferença crucial para a escalação blanca que foi derrotada pelo Barça no primeiro turno, foi a presença de Casemiro.

Zidane constatou o que o seu antecessor Rafa Benítez já havia percebido. Casemiro é imprescindível para dar equilíbrio defensivo à frente da linha de 4 defensores blanca. O módulo tático poderia variar do 4-3-3 para o 4-1-4-1 e até mesmo um 3-4-3, sobretudo na segunda etapa. Quando o time perde a bola, são necessários no mínimo cinco homens no campo de defesa. Casemiro é este quinto elemento.

Os merengues sofreram o gol aos 55 min, mas estavam fisicamente mais plenos. Os avanços desmedidos de Daniel Alves e Jordi Alba, condenaram a vitória culé. As melhores jogadas blancas, incluindo as que resultaram nos três gols merengues (um anulado), surgiram pelo lado direito de seu ataque, nas costas de Alba.

Com Casemiro oferecendo um sustentáculo defensivo pleno, Marcelo podia avançar sem problemas, sobretudo porque Daniel Alves deixava espaços absurdos no campo esquerdo do ataque madridista. Com Marcelo avançando ao meio-campo, o Real Madrid se designava num 3-4-3.

Vale lembrar ainda, que o gol da virada blanca anotado por Cristiano Ronaldo, saiu dois minutos após a expulsão de Sérgio Ramos. O Real Madrid venceu com um homem a menos. Um dia após o jogo, a imprensa espanhola que criticou Rafa Benítez, enalteceu a opção de Zidane, por voltar a priorizar a figura de Casemiro.

Em contraparte, insistir com o trio BBC (Benzema/Bale/CR7), obscurece a presença do meia James Rodríguez, que deve sair ao fim da temporada. No derby do primeiro turno, Benítez deu descanso à Casemiro, escalando James que precisava jogar. O time que perdeu de 4×0 para o Barcelona, teve o meia colombiano entre os titulares.

O Barcelona lidera a tabela da liga espanhola, com o Real Madrid em terceiro lugar.

Imagem de Casemiro (a direita) derrubando Rakitić, à frente: Pau Barrena – AFP