La Liga: Atlético, Valencia e síndrome do patinho feio.

A fábula do “Patinho Feio” (“The Ugly Ducking”) é originalmente creditada ao dinamarquês Hans Christian Andersen, autor que viveu no século XVII. Pode variar conforme a maneira que for contada, mas o curta em animação clássico da Disney, o personifica plasticamente de forma irretocável.

Uma pata choca os ovos da própria cria dentre os quais, um ovo incomum fora incluso por engano. Quando os patinhos surgem, uma ave extra que não se parece com nenhum deles, cria discórdia. O “patinho” extra é excluído e vaga até o desfecho da fábula onde se descobre um cisne.

A cena em que o Patinho Feio se olha a beira da lagoa observando a própria face distorcida pelo efeito do vento que sopra na água, é a nêmese do mito grego de Narciso, que esqueceu a própria existência, admirando sua beleza refletida n’água. Corta para a liga espanhola temporada 2015/2016, vigésima-oitava rodada, março de 2016.

Os tradicionais Valencia e Atlético de Madrid realizam clássico no Mestalla (Valencia/Espanha), neste domingo. O “Atléti” atual é a única força espanhola que pode ameaçar a hegemonia Barcelona/Real Madrid, em toda La Liga. Já o hexacampeão espanhol Valencia amarga um décimo lugar, ostentando investimento milionário, iniciado em 2014.

Valencia, o atual patinho feio.

Como rememorou o periódico espanhol El País, há pouco mais de uma década o Valencia (e o Deportivo La Coruña 1999/2000), era a única força capaz de ameaçar a hegemonia culé/merengue. O clube “che” foi bi-campeão espanhol, conquistando as edições 2001/2002 e 2003/2004 de La Liga.

Na temporada 03/04, venceu a Taça UEFA (atual Europa League) e Supercopa da Europa. Nas temporadas 00/01 e 01/02, o time constatou-se bi-vice-campeão da Champions League, sendo tragicamente derrotado em duas finais consecutivas, uma contra o Real Madrid e outra contra o FC Bayern.

Diretor esportivo do Valencia pela segunda vez, Jesús García Pitarch afirmou em 2006 que “o Valencia era o clube no qual o Atlético precisa se espelhar”. Pitarch fora contratado pelo time colchonero em 2006, após ter trabalhado no citado período vitorioso do time do Mestalla. Há dez temporadas atrás o “Atleti” contabilizava 9 anos sem disputar uma competição europeia, e disputara a segunda divisão espanhola por duas vezes.

“Hoje o Atlético conseguiu montar um time com um treinador formado em casa, que os faz competirem em nível máximo”, disse Pitarch logo que regressou recentemente ao Valencia. O El País relembra que nos últimos meses de Pitarch junto à direção do Atlético, é que se viram os primeiros frutos de seu trabalho.

O clube de Madrid venceu a Taça UEFA e Supercopa da Europa em 2010. Oos gestores pagavam as contas com o valor recebido pela venda de Fernando Torres, ao inglês Liverpool. A diretoria colchonera, apostava em nomes pouco badalados, mas intencionando valorizá-los e negociá-los. Assim foi com Diego Forlán, Kun Agüero, Falcao Garcia e mais recentemente com Diego Costa.

O “boost” que concedeu o recente sprint de um título por ano entre 2012 e 2014, foi o efeito da chegada do treinador e antigo ídolo Diego Simeone. Obtiveram a Europa League/Supercopa da Europa em 2012, Copa Del Rey/Supercopa da Espanha em 2013, La Liga/vice-campeonato da CL em 2014. Em contraparte, nos últimos 15 anos o Valencia experimentou o inverso.

Sem rumo, nas mãos de Peter Lim.

O El País ressalta as palavras da atual presidente executiva Layhoon Chan, ditas a alguns meses. Empossada pelo mandatário Peter Lim que comprou o clube em 2014, Chan afirmou que nos últimos 15 anos, os “ches” tiveram “14 treinadores, além de 8 presidentes e 4 acionistas majoritários contabilizados nos últimos 11 anos”.

A seca de títulos se deve a muitos conflitos vistos nos bastidores do clube, segundo a presidente. O último título do Valencia foi a Copa Del Rey 2007/2008. Quando Lim acertou a compra do clube em 2014, muita expectativa foi criada imaginando-se que o Valencia poderia rivalizar com o Atlético, algo que não aconteceu. Na temporada 14/15, a equipe obteve algo bem menor que o esperado, sob comando do treinador lusitano Nuno Espírito Santo.

Um quarto lugar garantiu retorno a Champions League, que o clube “che” não disputava a três temporadas. O El País ressalta a “vista grossa” dos valencianistas, que não fizeram questão de perceber os três acessos seguidos à competições europeias (dois títulos de EL), obtidos pelo andaluz Sevilla do treinador Unai Emery. Isso desmanchando a equipe temporada a temporada, para poder fechar o caixa.

Peter Lim investiu 200 milhões de Euros no clube desde 2014, valor porém erraticamente ciceroneado pelo empresário Jorge Mendes, que detém um grande número de atletas seus, no plantel “che”. As garantias futebolísticas oferecidas por muitos deles, é duvidosa.

Nuno Espírito Santo era mantido “a força” por Mendes, até a recente efetivação do ex-jogador Gary Neville como treinador, algo que até agora não proporcionou milagre.

O futuro “che”.

Com 34 pontos e a décima colocação na tabela de La Liga, o Valencia vê a zona de classificação para competições europeias 16/17, bem distante. O time ainda disputa a EL estando incluso nas oitavas de final, sendo menos favorito que os outros espanhóis, Villarreal e Sevilla.

Na contramão dos “ches”, o Atletico de Madrid é o vice-lider (61 pontos), ostentando grandes chances de avançar às quartas de final da CL.

O El País ressalta que no ínício da atual edição de La Liga o Valencia tinha 3296 pontos acumulados, de todas as edições do torneio que participou. O “Atléti” mantinha 3276 pontos e com 28 rodadas do torneio, já contabiliza sete pontos a mais que o Valencia. Os “ches” talvez desejem ver listras vermelhas entrecortando o branco de sua camisa, quando se olham refletidos na lagoa.

Valencia x Atlético de Madrid se enfrentam neste domingo, às 16:30 hr (horário de Brasília). No Brasil a ESPN e a Foxsports dividem a transmissão de La Liga.

Imagem de Griezmann em treino do Atlético de Madrid: Zipi – EFE