Chelsea: Eva Carneiro strikes back.

Nesta segunda-feira a imprensa futebolística europeia, noticiou o tramite de uma ação judicial movida na Inglaterra pela médica gibraltariana Eva Carneiro. A questão ainda representa mais um ato consequente ao seu banimento do banco de reservas do inglês Chelsea, determinado pelo agora ex-treinador José Mourinho.

Segundo o The Guardian, Eva solicita retratação pública por parte do treinador, além de ter demandado uma ação trabalhista formal contra o Chelsea Football Club. A médica de 42 anos alega ter sofrido algo parecido com a qualificação de danos morais, que vemos na jurisprudência brasileira.

Eva move uma ação trabalhista contra o clube blue e uma ação individual por discriminação contra a pessoa física de Mourinho. Segundo o Guardian, uma audiência deve acontecer em 6 de junho, podendo haver acordos que solucionariam o caso antecipadamente.

A audiência desta segunda-feira ocorreu no sul de Londres (Inglaterra), no London South Employment Tribunal (ou tribunal trabalhista do sul de Londres). O Chelsea foi representado pelos dirigentes Bruce Buck e Marina Granovskaia. Ao que tudo indica, o departamento jurídico blue segue respondendo por Mourinho, demitido no último mês de dezembro.

O Guardian ainda informa que os representantes do time blue, não se comprometeram a pagar nenhum tipo de indenização a Eva Carneiro.

A eclosão da discórdia.

O banimento de Eva Carneiro e do fisioterapeuta John Fearn ocorreu no empate em 2×2 contra o Swansea City em 08/08/2015, primeira rodada da atual Premier League 2015/2016. Eva e John entraram em campo para atender o meia Eden Hazard, nos acréscimos do segundo tempo, de forma que fez com que Mourinho se irritasse.

Mou criticou publicamente a médica descrevendo-a enquanto “impulsiva e ingênua”. Eva acabou banida do banco de reservas blue na sequência e demitiu-se seis semanas depois depois. O caso gerou inesperada repercussão mundial.

No entanto, o decorrer do péssimo primeiro turno de Premier League desenvolvido pelo Chelsea, deixou subentender que Mou utilizou a situação do destempero para com Eva; enquanto subterfúgio explicativo para uma má atuação na estreia do torneio.

A advogada de Eva Carneiro, Mary O’Rourke afirmou que o processo corre sob sigilo. O Guardian ressaltou a afirmação de O’Rourke, dizendo que a representação da ex-médica do Chelsea “não aguarda uma resolução instantânea”. Afirmou ainda que elas solicitam um pedido de desculpas público, por parte do “sr. Mourinho”.

Caso não haja acordo nenhum até junho, a audiência terá por intuito demonstrar com provas o caráter discriminatório de cunho sexista de Mourinho, para com Eva Carneiro. Funcionários do clube inclusive, podem ser intimados a depor como testemunhas.

A FA (Football Association) chegou a abrir investigação acerca de ofensas discriminatórias proporcionadas por Mourinho, na ocasião da partida contra o Swansea. A investigação no entanto não chegou a lugar algum, e Mourinho acabou inocentado.

O treinador lusitano se vê sem clube após ter sido demitido pelo Chelsea, há cerca de três meses. Cogita-se um acerto entre Mourinho e o Manchester United. Como afirmado acima, Eva Carneiro demitiu-se do Chelsea no último mês de setembro, após ter trabalhado por seis anos no clube de Londres.

A ex-médica do Chelsea conta com o apoio público de Michel D’ Hooghe, responsável pelo departamento médico da FIFA. Na opinião de D’Hooghe, Eva Carneiro não cumpriu mais do que a sua função, na ocasião da partida contra o Swansea.

Imagem de Eva e o marido Jason De Carteret (ao centro) em meio à sua representação jurídica: Stefan Wermuth – Reuters