Champions League: Chelsea 1×2 PSG – o duelo tático.

Na última quarta-feira, o francês Paris Saint-Germain venceu o inglês Chelsea por 2×1, na partida de volta válida pelas oitavas de final da Champions League. Tendo vencido os blues em Paris (França) também por 2×1, o PSG parecia mentalmente sólido, apto não apenas a segurar o jogo mas a ampliar sua vantagem.

Chelsea

A derrota por 2×1 em Paris foi um resultado minimamente razoável para os blues comandados pelo treinador holandês Guus Hiddink. Se obtivessem uma vitória pelo placar mínimo, conseguiram a vaga para as quartas de final devido ao gol qualificado marcado fora.

No Brasil havia expectativa pela estreia de Alexandre Pato, que sequer foi relacionado. Hiddink dispôs o time em 4-2-3-1 com o brasileiro Kennedy (ex-Fluminense), surpreendentemente escalado na lateral-esquerda. A disposição teve Courtois, Azpilicueta, Cahill, Ivanovic e Kennedy. Mikel, Fàbregas, Pedro, Willian e Hazard. Diego Costa.

Originalmente um meia, Kennedy foi um artifício que permitia o time se alinhar num 3-5-2 convencional, detendo a posse de bola. O brasileiro se desprendia da linha de quatro defensores, que poderia estabelecer-se em três defensores seja com Azpilicueta recuado, seja com Mikel aglutinado ao miolo de zaga Cahill/Ivanovic, em caso de avanço lateral-direito espanhol.

Mesmo com o PSG tendo aberto o placar aos 15 min, os blues pareciam psicologicamente confiantes em propôr um bom jogo. Tanto que chegaram ao gol de empate 11 min após o gol dos parisienses. Diego Costa finalizou em grande lance sobre seu marcador individual, o brasileiro Thiago Silva. Porém a confiança do time blue parecia nutrida única e exclusivamente pela presença de seu artilheiro hispano-brasileiro, que saiu lesionado na segunda etapa, aos 59 min.

Na coletiva posterior ao confronto, Hiddink afirmou que Costa não estava 100% em condições físicas. A escalação do atacante blue se dera na base do sacrifício, até certo ponto recompensado pelo gol de empate. Sem seu homem referência na área adversária, os atletas blues parecem ter sentido o golpe, aprofundado pelo segundo gol adversário, e pela saída de Hazard também por lesão.

O plano de jogo de Hiddink se deu em função de Diego Costa, sem ele tudo ruiu. O holandês ressaltou que o Chelsea se vê em fase de reformulação, tendo elogiado ainda a apresentação do citado Kennedy. Nenhum dos vitoriosos pilares blues dos últimos anos se encontram no elenco (Lampard, Drogba, Cech). O último deles, John Terry viu o jogo das tribunas do Stamford Bridge, recuperando-se de lesão.

Paris Saint-Germain.

Ostentando uma vantagem de mais de 20 pontos para o vice-líder da Ligue 1, o treinador Laurent Blanc parece ter iniciado a preparação para esta partida de volta, desde o fim do jogo de ida contra o Chelsea, há quase 15 dias. O meia Di María ficou praticamente todo este período de repouso, tendo ressurgido no compromisso do último fim de semana, pela Ligue 1.

A ocasião (empate sem gols contra o Montpellier), Blanc poupou quase todo o restante do time titular usando de forma oportuna a vantagem absurda na liga francesa, para recuperar fisicamente seus atletas. E deu certo. A disposição planejada por Blanc alternava entre 4-3-3, 3-5-2 e 4-2-3-1. A disposição inicial teve Trapp, Marquinhos, T. Silva, D. Luiz e Maxwell. Motta, Rabiot e Matuidi. Di María, Ibrahimović e Lucas.

O desenho com três defensores era possível com Maxwell se destacando da linha de quatro defensores e completando um quinto homem no meio-campo. Na lateral-direita, Marquinhos é um defensor central de origem. O aspecto engenhoso se dava nas permutas entre os atletas de meio e ataque, na organização 4-2-3-1.

Permutas letais

Com Motta fixo à frente da linha de quatro defensores, Rabiot ou Matuidi poderiam alternadamente se aglutinar aos meias ofensivos, assim formando a linha de 3 meias. Eclipsado por tantas estrelas e substituindo o badalado Marco Verratti, Adrien Rabiot fez uma grande partida tendo sido o autor do primeiro gol, após cruzamento da direita feito por Ibrahimović.

Somado a este detalhe dos volantes que saíam para o jogo, Di María e Ibrahimović se alternavam na linha dos 3 meias ofensivos. Sem Ibrah à frente, a área poderia ser ocupada por qualquer outro atleta, fosse Lucas, Maxwell ou um dos volantes. As permutas confundiam frequentemente a defesa do Chelsea.

Di María em especifico iniciou a jogada do primeiro gol, dando a assistência para o gol da vitória anotado por Zlatan Ibrahimović. O argentino potencializa o dinamismo no meio-campo parisiense. O PSG mostrou um jogo coletivo excelente, além de uma boa capacidade de verticalização, concedida sobretudo pelos brasileiros Maxwell e Lucas, somados ao argentino Di María, quando se posicionava pelos lados do campo.

O PSG aguarda o sorteio dos confrontos das quartas de final da Champions League, que acontece após os últimos quatro jogos de volta das oitavas de final. As últimas quatro partidas serão realizadas nas próximas terça e quarta-feiras 15 e 16 de março.

Imagem de Ibrahimović superando Courtois no lance do segundo gol do PSG: B. Stansall – AFP