Atlético de Madrid: Augusto, o cavalo indomável.

O Atlético de Madrid bateu a Real Sociedad na última terça-feira pelo placar de 3×0. O confronto valeu pela vigésima-sétima rodada de La Liga, encerrando a sequência absurda de quatro partidas disputadas em 10 dias. Mais do que isso, o período fisicamente desgastante registrou o assombroso ressurgimento do meia Augusto Fernández.

O Atlético empatou em 0x0 com Villarreal (La Liga) em 21/02, depois enfrentou o PSV Eindhoven na Holanda (Champions League), empatando novamente sem gols a 24/02. Dois dias depois, venceu de forma categórica o Real Madrid por 1×0 (La Liga). O confronto seguinte foi a presente vitória contra os bascos da Real Sociedad. O meia argentino Augusto Fernández lesionou-se a 31/01, tendo sido obrigado a passar por uma intervenção cirúrgica.

Imaginava-se ao menos dois meses de tempo para sua recuperação. Porém o treinador Diego Simeone cogitou escalar o meia na Holanda contra o PSV. Augusto surgiu dois dias depois no derby contra “el Madrid”, alinhado como titular que disputou quase 80 minutos de partida. Contra a Real Sociedad, surgiu de novo entre os titulares atuando por 90 min.

Na coletiva pós-partida contra a Real Sociedad, Simeone enalteceu a recuperação de Augusto, ressaltando sua capacidade de adaptação ao que a equipe necessita. Isso além de ter exaltado o esforço de seus atletas que obtiveram dois empates e duas vitórias, dentro da sequência absurda jogada em 10 dias.

O cavalo indomável.

Augusto (29 anos) sofreu uma lesão parcial no ligamento do joelho direito, no derby contra o Barcelona. O meia passou por cirurgia, da qual imaginava-se que ele se recuperaria em cerca de dois meses. A recuperação surpreendeu toda a comissão técnica colchonera. O periódico espanhol El País destacou que no derby contra o Real Madrid, Augusto realizou 29 passes dos quais foram 25 certos.

O argentino realizou seis desarmes e cometeu apenas uma falta. O zagueiro uruguaio José Giménez enalteceu as qualidades defensivas de Augusto, afirmando que de início, todos acreditavam que ele era um meia ofensivo. Giménez afirmou que os companheiros de defesa se tranquilizam com a presença de Augusto.

“Nos dá tranquilidade na hora de jogar e marca muito”, disse o uruguaio que continuou: “Pensei que fosse um atleta de toque, que jogava mas que também marcava. Porém se assemelha a um cavalo. É um a mais seja pra jogar, seja para marcar por ser um atleta muito inteligente.”

Contratado junto ao Celta de Vigo na última janela de transferências de inverno, Augusto era um meia-ofensivo, passando a jogar mais recuado sob comando de Eduardo Berizzo, seu treinador no próprio Celta. Simeone havia contado com o meia como jogador de seu plantel, quando treinou o River Plate.

Inteligência tática.

O El País destacou palavras de Augusto, afirmando ter se adaptado a função de meio-campista, graças a sua disposição física somada à própria maturidade. Segundo o meia, o equilíbrio do time depende dos dois primeiros homens de meio-campo, algo que demanda destreza na movimentação e no jogo sem bola.

Além disso o primeiro passe executado com precisão, é algo importante. “No meio os movimentos são mais curtos, porém dinâmicos. Pelos lados do campo, há mais espaço vertical e se pode ficar mais tempo com a bola. No meio, é mais constante e intenso. Pelos lados, quando a bola está no lado oposto ao seu, é possível descansar e reposicionar-se.”

A princípio a verdadeira peça de reposição para o português Tiago (lesionado no início da temporada), é Augusto. Isso ainda que Saúl Ñiguéz tenha se adaptado bem à função de volante.

O Atlético de Madrid segue em segundo lugar na tabela de La Liga, ostentando 61 pontos. Os colchoneros voltam a campo pelo campeonato espanhol no próximo domingo, em confronto tradicional contra o Valencia no Mestalla (Valencia/Espanha).

Imagem de Augusto (a direita) contra o Real Madrid: Getty