Chelsea: e agora José? (revisited).

“Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
(…)
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?”
(Carlos Drummond de Andrade)

No último domingo, o Chelsea visitou o Manchester City pela segunda rodada da Premier League 2015/2016. A semana que antecedeu o confronto, foi permeada de manchetes sobre o “chilique” do técnico blue José Mourinho, em relação à médica Eva Carneiro. Pouco se falou sobre os problemas futebolísticos do Chelsea, que acabou desastrosamente derrotado pelos citzens por 3×0.

Os citzens não deram chance aos blues impondo grande intensidade. Manuel Pellegrini alinhou a equipe num 4-2-3-1. Em relação à última temporada, o City tem Yayá Touré em condições técnicas/físicas plenas, além da presença promissora do recém contratado Raheen Sterling (ex-Liverpool).

O último concede um dinamismo efetivo na linha de 3 meias ofensivos (Sterling alterna posicionamento com David Silva/Jesus Navas que tiveram grande performance); tendo um letal Sergio Agüero, como referência. Agüero finalizou 5 vezes em 31 minutos de partida, abrindo o placar na quinta finalização.

Sem chiliques, “sem discurso” diria Drummond…

O Chelsea carecia de criatividade não tendo Oscar, recuperando-se de lesão. Os blues apresentavam nítida dificuldade de entrar na área citzen, levando perigo apenas em jogadas de bola parada. Sem ser municiado, Diego Costa via-se perdido entre os defensores adversários. A essa altura as consequências de “chilique” de Mourinho, realmente pareciam mascarar sua própria consciência de que o empate em 2×2 contra o Swansea na estreia, era algo fora do planejado.

Na segunda etapa o treinador blue promoveu um substituição incomum, excluindo o capitão Terry, seu defense leader, para a entrada de Zouma. No pós-jogo, Mourinho apresentou uma justificativa razoável, afirmando que Terry não teria velocidade para conter uma possível proposta de jogo citzen, valendo-se de contra-ataques rápidos.

O panorama porém não impediu o ampliamento do placar aos 79 min (com Kompany), e aos 85 min (com Fernandinho). Fora a justificativa da alteração dos zagueiros, Mourinho atribuiu a derrota à erros individuais de seus atletas e enfatizou que quando isso acontece, “merece-se a derrota”. No gol de Kompany, Ivanovic não marcou de forma efetiva o capitão adversário, em lance de escanteio.

No gol de Fernandinho, Fàbregas recuou errado para Ivanovic que foi facilmente desarmado por David Silva, que por sua vez tocou para o meia brasileiro finalizar. O técnico lusitano afirmou que Touré e Fernandinho deveriam ter sido expulsos e que o 3×0 não reflete a realidade do jogo, uma vez que em sua ótica, os blues atuaram “melhor” na segunda etapa. Enfim, não havia dra. Eva no banco desta vez.

O Chelsea carrega consigo alguma circunstância ainda incompleta, seja na parte física, seja no aspecto mental. Na parte física é até compreensível alguma letargia neste momento de início de temporada. O método de preparação física pode estar visando um ritmo menor agora para priorizar um sprint mais intenso, ao fim da temporada. Mais além, os blues perderam para uma equipe candidatíssima ao título da Premier League.

Em contraparte a “questão dra. Eva” foi de fato uma tentativa capciosa de Mourinho, em tirar o foco dos seus atletas, tão logo o time realizou uma estreia péssima. Um artifício famigerado do treinador e não será estranha a promoção do “retorno da dra. Eva”, caso seja oportuno.

O Chelsea ostenta um ponto em seis possíveis. O City divide a liderança da Premier League com Manchester United e o Leicester City.

Imagem de Mourinho (ao centro), contra o Manchester City: Peter Powell – EFE