Milan: sob os escombros.

Nos últimos dias ecoaram diversas notícias sobre o novo status econômico do clube italiano Associazone Calcio Milan, sete vezes campeão da Champions League e dezoito vezes campeão da Série A italiana. 48% das ações do clube milanês foram adquiridas há pouco mais de uma semana pelo tailandês Bee Teachaubol. Silvio Berlusconi, segue enquanto sócio majoritário detendo os outros 52% das ações.

A temporada que se encerrou foi uma das mais tenebrosas de toda a história do clube rossonero, fundado em 1899. O time comandado pelo agora ex-técnico e antigo ídolo Filippo Inzaghi, terminou a última Série A em décimo lugar. A equipe não disputou a última edição da Champions League, nem disputará a próxima.

Os rumores de um acordo com o empresário Bee Teachaubol já circulavam há alguns meses na imprensa futebolística mundial. Bee injetou 500 milhões de Euros no clube italiano (algo em torno de R$ 2,8 bilhões) O tipo de acordo feito, foi previsto há quase mais um ano aqui neste 90 Minutos, pelo editor Cassiano Gobbet (clique aqui).

O Milan não tinha escolha, a não ser buscar investidores do mundo árabe ou da Ásia, a exemplo do que fizeram Manchester City por Paris Saint-Germain, adquiridos por gestores árabes já a alguns anos. No início de 2015 vimos os clubes espanhóis Valencia e Atlético de Madrid, abrindo as portas para oportunos aportes financeiros oriundos de investidores chineses. Nenhum dos dois porém vendeu praticamente 50% de suas ações.

A derrocada.

O Milan sente os efeitos do calciocaos eclodido no futebol italiano há quase dez anos, tanto quanto a Internazionale ou a já re-estruturada e atual vice-campeã europeia, Juventus. A credibilidade do Calcio exauriu plenamente com tantos problemas envolvendo manipulação de arbitragem e agenciamento de atletas.

Porém a derrocada rossonera é recente, tendo começado a se expandir por volta de 2012, quando Berlusconi se viu obrigado a renunciar ao seu terceiro mandato como primeiro ministro italiano. Envolvido em escândalos nas mais diversas instâncias jurídicas da Itália, Berlusconi viu seus bens bloqueados pela justiça local.

Na época a UEFA iniciava o processo de Fair Play financeiro obrigando os clubes que disputam suas duas competições continentais (CL e Europa League), a manterem as finanças em dia e a lisura comprovada. Irregularidades podem acarretar em punições que incluem exclusão dos clubes dos dois principais torneios europeus, os quais obviamente rendem as maiores premiações.

O último título relevante vencido pelo Milan, foi a Série A 2010/2011. Após o bloqueio dos bens em 2012, Berlusconi optou por um remédio amargo, que ocasionou protestos desmedidos da torcida. De uma só vez, o clube negociou Zlatan Ibrahimović e o brasileiro Thiago Silva, suas duas maiores estrelas, adquiridos pelo citado francês PSG.

Com a adequação do Fair Play financeiro em andamento, lidar com o alto salário de Ibrah (na época em torno de 10 milhões de Euros anuais), seria um tiro no pé. Ao fim da temporada 2011/2012, Berlusconi também havia se livrado dos altos salários de ídolos velhos, que renderam as CL’s conquistadas em 2003 e 2007. Eram eles Clarence Seedorf, Alessandro Nesta, Gennaro Gattuso e próprio Pippo Inzaghi.

Os vestiários estavam “limpos” mas a curto prazo não se conseguiu nenhum tipo de aporte financeiro maior, ainda que Berlusconi já viesse afirmando publicamente que tinha intenções de vender o clube. Com o futebol ainda nas mãos de seu “escudeiro” Adriano Galliani, o gerenciamento de atletas se viu pautado jogadores de empresários que ofereciam nomes “sem grife”, a salários razoavelmente altos.

Na prática viu-se em campo o desfile de nomes inexpressivos vestindo a camisa rossonera, tais quais Armero, Birsa, Constant, Paletta, Antonelli, Niang, Emanuelson, Poli ou Taiwo. Nomes expressivos chegavam através de mendicantes “pechinchas” ou transferências sem custos, como ocorreu com Balotelli, Kaká e Fernando Torres. Noutras palavras, contratações para dar satisfação “populista” à própria torcida.

(continua)