Atlético de Madrid e um “falso” centroavante.

Embora tradicional na Espanha, o confronto entre Sevilla 0x0 Atlético de Madrid pela rodada 25 de La Liga, não chamou muito as atenções no Brasil. A partida aconteceu no último domingo na Andaluzia, havendo uma disputa dura pelos terceiros e quarto postos da tabela do torneio espanhol.

O Atlético terceiro colocado, é o principal alvo tanto do Sevilla quanto do Valencia. Todos buscam índice para a fase de grupos da próxima Champions League. O Sevilla do técnico turco Unay Emery, privilegia a possibilidade de vencer pela segunda vez consecutiva a Europa League. O foco estará no torneio continental em que a equipe andaluz se vê qualificada para as oitavas de final; ao invés da liga espanhola.

Contra o Sevilla, o treinador colchonero Diego Simeone pôs em prática algo que a própria imprensa espanhola anteviu, às vésperas da partida e após a derrota para o Bayer Leverkusen (1×0), pela Champions League no meio da semana passada. Tratava-se da possibilidade de Antoine Grizemann ser escalado a frente como homem referência, algo que “cholo” Simeone promoveu no último domingo.

Grizemann, o “falso” centroavante.

O El País chamou a atenção para o fato de “cholo” ter deixado no banco tanto Mandzukić, quanto Fernando Torres. A escalação inicial teve Moyá, Juanfran, Godín, Miranda e Gámez. Gabi, Tiago, Suárez e Raúl Garcia. Turan e Griezmann. O periódico espanhol descreveu o desenho tático enquanto um 4-4-2. Mas os atletas da escalação inicial possibilitavam um 4-2-3-1, com Griezmann a frente como “falso” centroavante.

Os três meias ofensivos são possíveis com Turan aberto pela esquerda, algo que o meia turco fez no passado e Raúl Garcia aberto pela direita. Não é absurdo ter Griezmann como atacante de área, uma vez que ele é o artilheiro do time no torneio (14 gols). O intento de Simeone era congestionar o meio-campo, uma vez que o time do Sevilla se destaca pela manutenção da posse de bola.

Com o decorrer da partida Fernando Torres surgiu no lugar de Turan, com “el niño” formando dupla de ataque com Griezmann a partir dos 59 min. O desgaste físico do Sevilla passou a ser latente, proporcionando o desenho tático habitual. O problema de “cholo” vinha sendo a ausência do meia Koke, principal articulador colchonero que retornou a campo de lesão, entrando em campo 5 minutos depois de “el niño”.

O El País frisou palavras de Mandzukić que só entrou em campo aos 75 min, no lugar de Griezmann, que por sua vez já havia recebido cartão amarelo: “Sabíamos que o Sevilla detém a posse de bola, pressionam e são fortes. As vezes sem a bola nós nos acomodamos e sofremos as consequências. Isso não pode ocorrer.”

Sobre a não titularidade o croata contemporizou com naturalidade: “Não me surpreendi com a escalação de ‘cholo’. Ele trabalha em função da necessidade imposta pelo adversário.” Tal qual no Brasil, a imprensa espanhola potencializa supostas insatisfações no elenco, quando há mais de um atleta importante para uma posição.

O El País dá margem a possível desvalorização de Mandzukić, que custou 32 milhões de Euros no início da temporada, insinuando que o atacante croata pode ser negociado ao seu findar. O periódico também aponta supostas dificuldades do atacante em se adaptar à Espanha, pautando-se pelo fato do croata se comunicar mais em inglês do que em espanhol.

O Atlético de Madrid se vê em terceiro lugar da tabela de La Liga com 54 pontos, seguido do Valencia com 53 pontos. O Sevilla se vê em quinto lugar com 46 pontos.

Foto de Arribas do Sevilla e Torres do Atlético (à direita): Alejandro Ruesga.