Barcelona: crise no Camp Nou?

Nesta última segunda-feira o Barcelona anunciou a saída do diretor esportivo Andoni Zubizarreta, ex-goleiro e antigo ídolo do próprio time catalão. O anuncio se deu exatamente na sequencia da derrota blaugrena frente a Real Sociedad por 1×0, no domingo, em rodada que marcou o retorno da La Liga após pausa de fim de ano.

Neste momento o time catalão é vice-líder de La Liga com 38 pontos, um a menos que o líder Real Madrid. Na Espanha, a imprensa desfere duras criticas à administração da agremiação “culé”, que não conseguiu obter nenhum título expressivo na última temporada.

Na realidade menções sobre alguma turbulência nos bastidores blaugrena tem sido noticiadas há meses. Todas decorrentes do afastamento do agora ex-presidente Sandro Rosell, devido as suspeitas de irregularidades na transferência de Neymar, em 2013. O Barcelona se esquivou de uma punição decorrente a estes fatores em 2014, a qual proibiria o clube de contratar atletas durante o ano passado.

Em contraparte e já sob a gestão do atual presidente Josep Maria Bartomeu, constatou-se durante 2014, irregularidades em registros de atletas das canteras. Enquanto punição imposta pela FIFA, o Barcelona está proibido de contratar novos atletas durante este ano de 2015. Entre os bastidores e o campo, havia Zubizarreta. Foi o próprio Bartomeu quem anunciou oficialmente a saída do ex-goleiro, que estava como gestor do clube desde 2010.

Entre os bastidores e o gramado.

A imprensa espanhola tem criticado duramente as contratações providenciadas pelo ex-goleiro, mas vale lembrar que o Barça venceu a Champions League 2010/2011 e naquela época ainda tinha Pep Guardiola, como treinador. A lacuna deixada pelo atual técnico do FC Bayern é o epicentro de tanta instabilidade desde 2012, ao menos dentro de campo. Lá atras, então treinador das categorias de base, Luís Enrique era quem deveria ter substituído Guardiola.

Enrique aceitou uma proposta da Roma e o Barcelona obrigou-se a efetivar o sucessor do próprio nas canteras, o agora falecido Tito Vilanova, que sucumbiu a um câncer mas conseguiu conduzir o time ao titulo espanhol 2012/2013. Com Luis Enrique no Celta de Vigo, o Barcelona teve o argentino Gerardo Martino como uma espécie de “técnico tampão”, na frustrante temporada 2013/2014.

O periódico espanhol El País desfere duras críticas à política de contratações de Zubizarreta, a qual não privilegiou peças de reposição do setor defensivo, um problema notável no plantel blaugrena nas últimas temporadas. Na atual temporada questiona-se a compra do zagueiro Vermaelen que custou 15 milhões de Euros, mas ainda não entrou em campo.

Na lista de contratações feitas por Zubizarreta desde 2010 constam nomes que não vingaram como Affelay ou o volante Song (que custou 19 milhões de Euros). Além de Cesc Fàbregas que custou 34 milhões de Euros e não se readaptou o estilo de jogo espanhol, uma vez que o meia foi revelado pelas canteras blaugrenas. São creditadas ao ex-goleiro as saídas do defensor Abidal, do meia hispano-brasileiro Thiago Alcântara (levado para o Bayern por Guardiola) e do veterano goleiro Victor Valdes. Por outro lado, Zubizarreta defendia a contratação do técnico Luís Enrique já em 2013, ao invés de “Tata” Martino.

Zubizarreta tinha junto a si o ex-zagueiro/capitão e ídolo do passado recente Carles Puyol, que trabalhava como gestor adjunto. Puyol pediu demissão após o anuncio da saída do ex-goleiro. A instabilidade revelada só deixa em polvorosa a imprensa europeia que especula a saída de Lionel Messi desde o início da atual temporada. Alguns setores ainda afirmam que há problemas de relacionamento entre o meia/atacante argentino e o técnico Luís Enrique.

Foto de Bartomeu, Luís Enrique e Zubizarreta: Albert Gea – Reuters