Barcelona: Vermaelen e outros zagueiros que não vingaram.

Nesta semana o periódico espanhol El País chamou a atenção para o estágio final de recuperação de lesão, por parte do zagueiro belga Thomas Vermaelen, contratado pelo Barcelona para esta temporada.

Vindo do inglês Arsenal por 10 milhões de Euros, Vermaelen ainda não entrou em campo oficialmente pelo clube. Até agora, Vermaelen (28 anos) vestiu a camisa blaugrena em sua apresentação e num amistoso contra Indonésia sub 19.

O periódico espanhol confirma que o técnico Luís Enrique não achava necessária a contratação de um defensor, a não ser que fosse um Marquinhos ou um Thiago Silva, ambos do PSG. O defensor belga se recupera de uma lesão muscular, mais uma depois de outras 19 sofridas desde 2009 e contabilizadas pelo El País. Vermaelen fora trazido também por seu perfil psicológico.

No passado, o zagueiro foi capitão de Ajax e também do Arsenal, que temia perdê-lo para o rival Manchester United. Sua chegada demandou um alarde maior que a contratação do zagueiro francês Jeremy Mathieu, por quem o Barça pagou o dobro (20 mi de Euros), junto ao Valencia. Mathieu tem atuado com alguma frequencia pelo time catalão. O curioso é a despreocupação de Luís Enrique para com as peças do miolo de zaga, uma vez que Piqué vem em decrepitude e Puyol finalmente se desligou do futebol profissional do clube, ao fim da última temporada.

Camp Nou, um pesadelo.

Num passado recente, o Barcelona contratou atletas promissores ou já consagrados, que por um motivo ou por outro, tiveram passagem apagada pelo Camp Nou. Talvez, o exemplo mais simbólico deste caso, seja o do atacante Zlatan Ibrahimović na temporada 2009/2010. Na segunda metade dos anos 2000, o Barça teve o argentino Gabriel Milito, o brasileiro Henrique (hoje no Napoli) e também a então promessa ucraniana Chygrynskiy. Estes três citados, zagueiros de área.

No mesmo período, o clube havia se desfeito de Gerard Piqué, oriundo das canteras e negociado com o Manchester United. Piqué foi recomprado em 2008. Com Piqué e Puyol onipresentes Milito, Henrique e Chygrynskiy pouco foram aproveitados. O período também coincide com a chegada do volante Mascherano a Catalunha (em 2010), ali re-inventado como zagueiro por Pep Guardiola.

Dentre todos os citados, o caso mais bizarro é o do ucraniano Dmytro Chygrynskiy, comprado pelo Barça a 25 milhões de Euros na temporada 2009/2010 junto ao Shakhtar Donetsk. O zagueiro foi revendido ao próprio Shakhtar por 15 milhões de Euros (!!!) ao fim daquela mesma temporada. A gestão futebolistica do Barcelona, ainda que vitoriosa nos últimos anos, parece míope na hora definir contratações do setor defensivo.

Voltando a Vermaelen, o El País revela um temor da possibilidade do belga ter uma trajetória parecida com a do zagueiro inglês Jonathan Woodgate no Real Madrid. O inglês jogou 10 partidas em duas temporadas, tendo sido adquirido por volta de 2004, a um custo em torno de 20 milhões de Euros. Após se desfazer dos jogadores de defesa do time campeão da Champions League 2001/2002, Florentino Pérez tentou recompor o sistema defensivo gastando quase 50 milhões de Euros.

Aquilo se dava no primeiro mandato de Florentino que comprou o argentino Walter Samuel, então avaliado em cerca de 30 mi Euros, junto a Roma e o citado (e bichado) Woodgate, que praticamente não entrou em campo. Naquele período, Samuel (hoje no suíço Basel) tinha um status similar ao que Thiago Silva possui hoje. Era o início da decadência da primeira era galáctica no Bernabeu.

Foto: Urbanandsport – Joan Valls