Barcelona: Mascherano “por una cabeza” (de área).

Os 40 gols anotados nas oito partidas dos jogos de terça-feira da terceira rodada da fase de grupos da Champions League, ofuscaram muitos detalhes aparentemente “menores”. Pelo grupo F o Barcelona venceu o Ajax (3×1) na Catalunha, com os holofotes brasileiros apontados apenas para Neymar, que anotou o primeiro gol. O blaugrena precisava da vitória para se manter na disputa pelas duas vagas do mata-mata, com o PSG.

Após a rodada o panorama do grupo se manteve o mesmo com PSG (7 pontos) em primeiro e Barça em segundo (6 pontos). A rodada anterior desta CL, em que os parisienses venceram os culés por 3×2, deixou a imprensa espanhola em “polvorosa” negativa, acerca das falhas defensivas percebidas no time do Barcelona. Falhas estas percebidas contra um adversário “válido”, um gigante europeu. Porém, daquele momento até o atual, o Barcelona segue sem levar gols na liga espanhola (!!!).

Com as falhas expostas pelo PSG na CL, o técnico Luis Enrique em La Liga, chegou a lançar mão de formações que possibilitam o time catalão desenhar-se em 3-5-2. O Barça chegou a atuar com três zagueiros, com Bartra e Piqué enquanto centrais mais Mathieu na esquerda, no lugar de Jordi Alba; possibilitando o avanço de D. Alves. O vislumbre de ter Mascherano em sua posição original parecia um generoso delírio…até esta última vitória contra o Ajax!

Mascherano na zaga: o único equivoco de Guardiola?

O Barcelona “jogou para o gasto” contra os holandeses, mas a disposição de controle de jogo era ímpar, uma vez que Luis Enrique escalou Mascherano como volante. Algo que o periódico espanhol El País descreveu enquanto “o tango de Mascherano”. E seria um desatino manter Mascherano na zaga, após a copa do mundo realizada pelo volante, vice-campeão com a Argentina atuando em sua posição de origem. A Transformação de Mascherano em zagueiro é talvez o único ato de “professor Pardal”, do gênio Pep Guardiola, que o deslocou para a zaga central.

O El País, ressaltou que a ideia óbvia do Barcelona ao contratar Mascherano, era ter uma peça de reposição para o volante Yayá Touré, que deixou o time entre 2009 e 2010. O periódico também frisa que o técnico espanhol Rafa Benitez, queria levar Mascherano para o Napoli, para atuar no meio-campo, assim como era nos tempos de ambos quando trabalharam juntos no Liverpool.

1413930839_906724_1413931064_noticia_normalMascherano (a direita) contra o Ajax. (Foto: Fernando Zueras)

Diante desta premissa, o El País destacou que Luís Enrique tão logo que chegou, deixara claro ao argentino que muito provavelmente poderia aproveitá-lo, também no meio-campo. Mascherano roubou um total de 13 bolas na vitória contra o Ajax. Foi postado a frente da defesa, cuja linha de quatro foi formada por D. Alves, Bartra, Piqué e Jordi Alba. Com Mascherano fixo à cabeça de área, Alves e Alba podem avançar sem problemas.

No último Mundial, Alejandro Sabella escalou Mascherano no time argentino como escalava Juan Sebastian Verón em seu Estudiantes campeão da Libertadores 2009. Sem exagero nenhum, Javier Mascherano é o herdeiro legítimo de mitos argentinos recentes do meio-campo, como Fernando Redondo e o próprio Verón.

O que precisava ser feito, Luís Enrique já demonstrou que pode fazer. Mais além, o treinador asturiano não tem pudores em escalar o time de forma “feia”/defensiva, em nome dos resultados. A última peça que falta ao time de Luís Enrique pertence ao setor de ataque. Luisito Suárez terá prescrita a suspensão pela mordida em Chiellini ao fim desta semana, e estará a disposição para o superclássico contra o Real Madrid. A partida acontece pela liga espanhola, no sábado.

Este Barcelona tem grande chance de voltar a ser finalista de Champions League, na atual temporada.