Classificação do Brasil – parte I: a verdade nua e crua

O Brasil venceu Camarões por 4×1 nesta segunda-feira e conseguiu se classificar para o mata-mata do Mundial 2014. O Brasil não fez mais do que a obrigação, ao golear um adversário combalido, que perdeu suas duas primeiras partidas, já eliminado, que sofre de problemas internos entre seus jogadores e que não teve seu principal jogador lesionado (Eto’o).

O técnico Luiz Felipe Scolari é um treinador vitorioso, porém hoje obsoleto em termos táticos. A equipe pode se desenhar em 4-2-3-1 ou 4-3-3 como manda o padrão atual europeu. Felipão porém, não priorizou na convocação os jogadores mais aptos para se adequar a estes estilos de jogo.

Um time taticamente coeso não depende única e exclusivamente do talento de um jogador apenas (Neymar). No passado, Felipão foi um técnico vitorioso em taça Libertadores (1 vitória pelo Grêmio porto alegrense, 1 vitória pelo Palmeiras), glórias de 15, 20 atrás.

Venceu o Mundial de 2002 valendo-se de um esquema tático conservador (3-5-2), mas amparado por um elenco personificado por uma geração talentosa. Sim, Felipão é um grande gerenciador de elencos e talentos. Mas, tal qual o espanhol Vicente Del Bosque, Felipão é um treinador em fim de carreira.

Na Europa, Felipão tornou-se respeitado ao comandar a seleção portuguesa entre 2003 e 2008. Porém, não conseguiu fazer os lusitanos vencerem a EURO 2004 dentro de Portugal, onde acabaram desastrosamente e inesperadamente derrotados na final, pela seleção da Grécia (!!!). O melhor resultado de Felipão frente a seleção portuguesa foi o quarto lugar no Mundial de 2006.

Depois da EURO 2008, Felipão foi contratado por Roman Abramovich, para treinar o inglês Chelsea. Durou pouco mais de um turno na Premier League, a liga europeia mais rica e competitiva do continente. Ali, a maior característica do técnico se esvaiu. O gerenciador de elencos sucumbiu à falta de falar um idioma em inglês perfeito, e a um elenco blue cheio de particularidades ególatras do quilate de Drogba, Cech e principalmente John Terry.

Na cabeça do jogador europeu, Felipão não era um treinador vitorioso tal qual um Fabio Capello, um Guus Hiddink, um Louis Van Gaal ou um José Mourinho. Não era um treinador que pudesse “ferrar” a carreira de um atleta em âmbito clubístico europeu. Em um turno de Premier League 2008/2009, Felipão não conseguiu vencer nenhum derby comandando o Chelsea. Não venceu Manchester United, nem Liverpool, nem Arsenal.

Teimosia ou lealdade

Voltando à seleção, Felipão sempre teve como característica uma lealdade para com seus comandados. O técnico elogia até hoje Cristiano Ronaldo, seu comandado em Portugal. Ou o disciplinado Frank Lampard, com quem conviveu em seu turbulento período no Chelsea.

Felipão descreve Lampard enquanto um dos “melhores profissionais” com quem trabalhou. Em 2002 Felipão barrou Romário em nome de Luisão, que ganhou a confiança do técnico durante as Eliminatórias. Na atual seleção, a presença de Henrique, com quem Felipão trabalhou em sua última passagem pelo Palmeiras, é indício desta lealdade.

A lealdade porém se torna teimosia, quando o treinador começa insistir com jogadores que nitidamente não estão sendo úteis. Daniel Alves levou “um baile” do camaronês Nyom, na jogada que culminou no gol de empate de Camarões. Alves é um lateral que demonstra muita dificuldade na marcação e na postura defensiva. É bom ofensivamente e só.

Na véspera do jogo contra Camarões, alguns jornalistas começaram a tergiversar acerca do papel de Fred, na época do técnico Mano Menezes. O atacante do Fluminense não era unanimidade, ainda que convocado e Mano apontava para um tipo de jogo já em 4-2-3-1, sem um centroavante fixo.

Com o gol anotado, Fred sairá um pouco do foco, mas ainda é o mesmo Fred da Copa América 2011, aquele que perdeu o pênalti na eliminação contra o Paraguai.