A força do profissionalismo corintiano

É mesmo um clube com uma diretoria de nível internacional. Primeiro, contratam um dos atacantes brasileiros cotados para a Copa de 2010, tirando-o da Roma; depois, desenvolvem todo um plano de recuperação de uma lesão em seu ombro e o apresentam diante de uma multidão entusiasta. Agora, anunciam que ele está 6 kg acima do peso (o que é bastante aceitável ára um jogador contundido) e que ele recupera sua forma em 10 dias. Por fim, tudo está tão azeitado, que até “liberam” o jogador para uma cervejinha de sexta-feira. Tudo é lindo. Claro, se você for um completo idiota.

Não sei o que é mais trágico no desenvolvimento da relação entre Corinthians e Adriano: se o modo como ele, mais uma vez, enganou um clube (a Roma) que queria os seus serviços, imaginando poder ter o jogador de cinco anos atrás; se o episódio onde um “amigo” ajudou a passar a perna no seu empresário (que, diga-se, também teve uma postura ética lamentável na gestão de sua carreira); se foi(ram) a(s) humilhante(s) apresentação(ões) à(s) qual(is) ele foi submetido, com interesse próximo de zero; se é a pantomima do departamento médico do Corinthians em dizer que ele está só 6kg mais gordo do que devia (mas, tudo bem, eles também diziam que Ronaldo estava com 80kg quando tinha mais de 100kg); se é a falta mais gritante de compaixão com um menino que precisa de tratamento para seu alcoolismo e é liberado pelo seu “médico” para tomar cerveja.

Nem o anti-corintiano mais frenético poderia desejar ao Corinthians uma diretoria pior, tão desprovida de qualquer noção de decência, compaixão, ética ou profissionalismo quanto essa. Adriano já enterrou suas chances de uma carreira de sucesso na Europa e agora, com a ajuda dos “médicos” do Parque São Jorge (um deles tem o desplante de afirmar em público que psicólogo “não adianta” e que o melhor psicólogo do jogador é o fisioterapeuta), está se enterrando como pessoa. Cercar-se de pessoas como Ronaldo, que deve vir a ser patrão de Ronaldo na sua agência de marketing esportivo em breve, certamente não vai ajudar.

Não há um clube no Brasil que possa se orgulhar de ter uma gestão profissional e muito menos uma preocupada com sua história e importância junto à comunidade. Mas o Corinthians de hoje vai além, e tem uma sorte que certamente não merece. Andres Sanches substituiu Eurico Miranda no papel de rêmora do poder político estabelecido em benefício imediato do próprio clube (com consequências posteriores, claro, e prova disso é o estado falimentar do Vasco da Gama de hoje). O Parque São Jorge e sua torcida (não sua torcida organizada, que claramente trabalha para seu próprio benefício e vive drenando o sangue do clube) estão abandonados à própria sorte e pagarão um preço por isso em algum momento. Pior ainda para Adriano, que deve começar a pagar um preço por isso bem antes. Sua saúde mental e física estão sendo rifados em troca de um marketing de quinta. Ele pode até se recuperar, voltar a ser um craque e arrastar o Corinthians a títulos, mas se isso acontecer, terá sido por um milagre, pois tudo está sendo montado contra. É realmente muito, muito triste.

4 respostas para “A força do profissionalismo corintiano”

  1. Me identifico com as primeiras 5 linhas do post do Kazuo 😉 não preciso escrever + nada…

  2. Histórica foto onde Adriano posa com as popozudas…hahaha! Bem, há coisa de 6 anos ou 7, Adriano explodia na Inter por volta de 2004/2005. Ele é 7 dias mais novo do que eu. No mesmo momento eu me via graduado e filosofia e desempregado. Era contrastante, tinhamos a mesma idade e ele valia 100 milhões de Euros segundo rumores ligados ao Chelsea e eu não valia muito além do que custou aos meus pais me manter estudando numa universidade publica num mundo anterior ao regime de cotas que vigora atualmente. Corta para 2011. Ao meu ver Adriano só foi pra Roma pq algum clube ‘otário’ se sujeitou a pagar seu salario astronomico. Aqui no Brasil isso não ocorreria naquele momento em que ele saiu do Flamengo. O plano era fugir da imprensa sensacionalista carioca dados os seus bafões extra campo. Por um grande salário, fosse Roma da Itália ou Roma Apucarana, para ele seria indiferente!

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