A culpa de cada um

Uma declaração dada pelo premiê italiano Silvio Berlusconi, de que os jogadores deveriam ter seus salários diminuídos, iniciou uma série de protestos por parte dos maiores interessados – os jogadores. O capitão da seleção, Fabio Cannavaro, disse que Berlusconi devia estar falando de seu clube, o Milan, e o ex-milanista Demetrio Albertini disse que “os salários não são culpa dos jogadores e que eles só aceitam o que os dirigentes os oferecem”.

Mentira. A inflação irreal de salários é culpa e responsabilidade imediata dos jogadores sim, embora de fato os dirigentes colaborem. Hoje, poucos clubes no mundo têm força para peitar os grandes agentes. Certos empresários têm dezenas de atletas num mesmo clube e diante da chantagem dos agentes, não há como não abrir as pernas.

Também é natural que ninguém imagine que os jogadores vão lutar pela redução dos próprios vencimentos. O que é urgente – urgentíssimo – é uma regulação draconiana da Fifa em relação aos empresários e a aplicação da lei que já existe, que proíbe pessoas de deter direitos sobre jogadores. Hoje, através de maracutaias jurídicas, isso não acontece.

6 respostas para “A culpa de cada um”

  1. Não, Michel, não creio que os dirigentes e submetam porque querem. cerca de dez agentes europeus controlam todos os jogadores top do planeta. Quem desafiá-los fica sem acesso a eles. A Fifa tem de determinar que os agentes tenham um limite máximo de jogadores, estipular penas para contratos não cumpridos (uma multa sobre a multa) e banir, na prática, agentes que fujam ao cumprimento das regras. Isso, claro, além de coisas óbvias e já presentes na lei, como impedir que pessoas físicas "tenham" jogadores como o Kia tem com o Tévez ou o prefeito de Barueri tem o Fernandinho. Torço, ardentemente, para o Barueri acabar.

  2. Cassiano,
    Entendo o que quer dizer e também percebo a existência de uma parcela de culpa para a citada classe.
    Mas os dirigentes só se submetem a esses agentes porque assim o desejam, visto que não querem perder jogadores para os rivais e ainda precisam dar satisfação para a torcida e imprensa.
    Eu por exemplo, desconheço algum tipo de manifestação junto à FIFA e UEFA numa tentativa de limitar a ação desses senhores.
    No fim, acho que eles não incomodam os dirigentes tanto assim.
    Abraço.

  3. Discordo dos dois amigos: os dirigentes têm essa culpa há décedas, mas a inflação do sistema na última década foi sem precedentes e nisso os agentes são o personagem fundamental. Empresários que têm 50, 100 jogadores, podem alijar um clube da possibilidade de ter jogadores de nível. Enquanto a Fifa não atuar de modo duro, eles continuarão a inflacionar o mercado e descumprir contratos

  4. Berlusconi idubitavelmente faz e fala uma quantidade industrial de bobagens e é um dos grandes responsáveis, não o maior, mas um dos maiores, por essa maluquice que tomou conta do futebol. Se bem que depois do Sr. Abramovich o nível de insanidade nos gastos foi bastante elevado.

    No entanto, o cara pode sempre apresentar em sua defesa o fato de que sua política rendeu cinco copas, outras três finais, e ao menos duas equipes de antologia. Parece que ninguém mais conseguiu resultado similar nesse período de tempo.

  5. Cassiano,
    Penso que os maiores culpados por esse mercado descontrolado são mesmo os dirigentes.
    Particularmente, não acredito que o teto salarial seja um assunto prioritário para o G14 por exemplo. Imagino que as reuniões devem girar mais em torno de cotas de TV ou situações onde se as receitas estejam num plano principal. Sem falar que a ideia é sempre faturar mais do que a concorrência para ter os melhores jogadores ao seu dispor.
    Isso lembrando que Berlusconi é um dos maiores responsáveis pela explosão dos salários e contrações desde quando assumiu o Milan e decidiu colecionar craques. Agora, como a brincadeira ficou cara demais dentro do que ele planeja gastar, levanta a bandeira do teto salarial.
    Típico…

  6. Os dirigentes possuem uma boa parte da culpa nessa brincadeira. Tem clube na Itália que gasta mais de € 30 milhões/ano apenas com salário de treinador. E impressiona também ver como esses italianos gostam de uma polêmica. Como se hoje já não bastasse essa, agora aparece Mourinho para roubar os holofotes. É difícil saber o que veio primeiro na Itália, o futebol ou as polêmicas que o cercam.

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