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Apresentação da Temporada – Parte II

Reggina Calcio

Sofrer, sofrer, sofrer e arrancar uma ‘salvezza’ na raça. Esta sempre foi a história das temporadas da Reggina na Série A. Mas nas duas últimas temporadas, o clube calabrês levou a emoção às últimas conseqüências e passou o campeonato se fingindo de morta para renascer nos minutos finais do jogo. Para o campeonato que vem, a Reggina não contratou nenhum gênio, mas fez manobras de mercado bastante inteligentes e, mantendo a estrutura dos últimos anos, pode ter, enfim, uma temporada mais calma.

A Reggina, mais uma vez, deve jogar só com um atacante – o ex-Chievo Bernardo Corradi. O trabalho do senese se batendo entre os zagueiros possibilita a inserção dos meio-campistas Fabiano (ex-São Paulo), Brienza e Cozza, ótimos finalizadores mas com capacidade de marcação. Na defesa, como sempre, uma linha defensiva sólida e menos móvel é ajudada pelo paraguaio Barreto e por Tognozzi. Se não patinar, dá para salvar antes da 38a rodada.

Torino

Estádio: Olímpico de Turim (25.370 pessoas)
Principal jogador: Alessandro Rosina (meia-atacante)
Fique de olho: Matteo Rubin (defensor)
Competição continental que disputa: nenhuma
Time base (4-3-2-1, 04/08): Sereni; Diana, Natali, Di Loreto e Pisano; Saumel, Corini e Grella; Rosina e Di Michele; Amoruso (Stellone).
Técnico: Giovanni De Biasi
Objetivo na temporada: evitar o rebaixamento

Com um número de estrangeiros espantosamente baixo (só quatro), o Torino “á italiana” não terá vida fácil. O clube não fez investimentos mais pesados e aposta em jovens como o ala Abate, o lateral Rubin, o meio-campista Bottone e o atacante Malonga. É uma decisão arriscada, mas interessante a longo prazo – caso o clube não caia. Giovanni De Biasi era o treinador do clube no ano passado, quando brigou com o presidente e foi mandado embora. Curiosamente, voltou no fim da temporada e supostamente isso deve lhe dar uma vantagem de conhecer o elenco.

A defesa é bastante sólida e age com um mediano (Corini) que dita o ritmo das manobras ofensivas, além de ajudar a comandar a defesa. O restante da linha de medianos age condicionado pela movimentação do ex-jogador do Chievo e pela referência de um centroavante (Amoruso ou Stellone). De Biasi deve usar os jovens para experimentar novas formações como o 4-4-2 com dois alas e isso pode ser um trunfo para um time que tem limitações econômicas.

Cagliari Calcio

Estádio: Sant’Elia (23.486 pessoas)
Principal jogador: Robert Acquafresca (atacante)
Fique de olho: Daniele Magliochetti (defensor)
Competição continental que disputa: nenhuma
Time base (4-3-1-2, 04/08): Marchetti; Pisano, López, Canini e Agostini; Fini, Conti e Parola; Cossu; Jeda e Acquafresca.
Técnico: Massimiliano Allegri (novo)
Objetivo na temporada: evitar o rebaixamento

Elenco pequeno, técnico desconhecido (Sassuolo, Grossetto e Aglianese no currículo) e presidente que gosta de aparecer. O Cagliari, mais uma vez, entra para a sua missão de evitar o rebaixamento como um dos favoritos para a queda. A favor dos sardos, está a história: nas últimas três temporadas, eles também apontados para cair. A manha de escapar do rebaixamento, aliás, vale até um favoritismo para se salvar no confronto com Reggina, Lecce e Chievo.

Allegri, o novo treinador, manteve a base de Davide Ballardini que salvou o clube na última temporada. Um time quase todo italiano com Canini chefiando a defesa, Conti no meio-campo e Acquafresca, o ataque. O veterano brasileiro Jeda ajudou a estabilizar o time no returno passado e parte titular (até pela ausência de opções). Nada, além do entrosamento do ano anterior, aponta para uma boa temporada do Cagliari. Contudo, como já foi dito, não seria a primeira vez que o time ‘rosso-blú’ se safaria.

Siena Calcio

Estádio: Arena Montepaschi (13.500 pessoas)
Principal jogador: Houssine Kharja (meio-campista)
Fique de olho: Fernando Forestieri (meio-campista)
Competição continental que disputa: nenhuma
Time base (4-3-1-2, 04/08): Curci; Rossettini (Zuñiga), Portanova, Ficagna e Rossi; Vergassola, Codrea e Galloppa; Kharja; Calaió e Maccarone.
Técnico: Marco Giampaolo (novo)
Objetivo na temporada: evitar o rebaixamento

Todo mundo se surpreendeu quando o Siena demitiu o treinador Mario Beretta depois que o clube se salvou com quatro rodadas de antecedência. O positivo foi a contratação de um técnico de perfil parecido, Marco Giampaolo e a manutenção da estrutura de um time bastante decente para as ambições do clube.

Giampaolo começará o campeonato com uma retaguarda toda italiana (no máximo o colombiano Zuñiga na direita). O forte do time está no meio-campo. Galloppa, Codrea e Vergassola dão consistência para Kharja jogar quase como um terceiro atacante, ao lado de Calaió e Maccarone. A Arena Montepaschi de Siena foi um lugar difícil para os grandes fazerem pontos. Mesmo sem correr pelo título (500/1 nas casas de apostas), os toscanos devem continuar sendo parada dura.

Sinal de alerta

Ronaldinho no Milan, Amauri na Juventus, Mutu permanecendo em Florença. As mexidas de verão do futebol italiano fizeram os torcedores da Itália sonharem com títulos na temporada e ambições nada modestas. Porém, com zero jogos oficiais disputados, todos os grandes italianos já estão coçando a cabeça e se perguntando se algo está errado.

Nenhum dos italianos conseguiu um grande resultado nos amistosos da semana passada (nem mesmo jogando entre si). Pior: em confronto com clubes de outros países, alguns vexames foram protagonizados pelos titãs peninsulares como na derrota fragorosa de 5 a 0 do Milan diante do Chelsea ou no insucesso da Juventus frente ao Hamburgo.

Naturalmente Juventus e Milan tiveram os resultados mais chocantes. O time de Turim perdeu para o Hamburgo com dois gols bisonhos do fim do jogo e um Milan padrão Série D se deu conta que Kalac não pode ser titular nem da segunda divisão australiana (veja o video abaixo). Não que a Fiorentina tenha feito um grande papel contra o Barcelona, ou a Roma tenha resistido a um grande Monaco, mas juventinos e milanistas têm motivos para maior medo.

Indo direto ao ponto, a questão é que, exceção feita á Inter, nenhum dos outros italianos tem uma equipe próxima do aceitável. É verdade que vários titulares ainda estão fora de condição ou indisponíveis, mas nada justifica o atraso de preparação. Pior ainda para Juventus e Fiorentina, que têm de enfrentar a fase eliminatória da Liga dos Campeões, um resultado que pode condicionar toda a temporada.

Nenhum dos italianos pretendia voltar ao mercado, mas é pouco provável que ninguém mais faça contratações. A Fiorentina carece de um centralizador no meio-campo, problema que pode até ser solucionado com treinamento. Milan, Juventus e Roma, não. Sem um goleiro (Milan), um zagueiro (Juventus) e um atacante (Roma), os três times têm tudo para pagar o pato no ano por causa de um elenco curto. Se há um lado positivo, pode-se dizer que, pelo menos, aconteceu a tempo de ser consertado.

Metralharam a Cinderela

A semana passada doeu em várias torcidas. Muito se falou do massacre do Zenit sobre o Bayern de Munique na Copa Uefa e da sofrida eliminação do Liverpool na LC. Mas ninguém – ninguém mesmo – teve uma semana tão infernal quanto a Fiorentina, a equipe mais simpática e promissora da Itália na temporada.

A simpatia da Fiorentina é fácil de explicar: é difícil não gostar de Florença e sua rebeldia organizada e sua cultura tão enraizada. O Artemio Franchi é um estádio com uma atmosfera sensacional, uma torcida apaixonada (ainda que às vezes imbecil na sua violência) e uma independência histórica do eixo Roma-Milão-Turim. E promissora porque nos últimos anos tem contratado os melhores jovens da Itália, como Pazzini, Montolivo, Potenza, Cacia.

Só que em uma semana, o mundo fiorentino ruiu. Antes do jogo com a Sampdoria, a Fiorentina tinha quatro pontos de vantagem sobre o Milan no campeonato, com quatro rodadas para seu final (com uma conseqüente vaga na Liga dos Campeões) e uma semifinal da Copa Uefa para decidir em casa (sem desvantagem para reverter).

Um empate no último minuto, uma derrota nos pênaltis e uma derrota merecida para o Cagliari simplesmente devastaram aquela que, na próxima temporada, poderia ser a Cinderela do futebol europeu, candidatando-se a fixar-se na LC a médio prazo. Com um grupo jovem, as pauladas derrubaram o time e agora é difícil dizer quando – e se – ele vai se recuperar.

O gol marcado por Gastaldello no empate da Fiore com a Samp afetou o grupo, sim, mas foi a desclassificação na Uefa que fez tudo ruir. A Fiorentina se dava como certa na final de Manchester. Ia pegar o Rangers e bastava ganhar de 1 a 0. Aí estava o problema.

O ataque fiorentino, até pela sua juventude (Vieri à parte), é estéril quando a coisa aperta. Pazzini, Vieri, Cacia, Di Carmine, Lepiller, Osvaldo, Papa Waigo, Santana e mesmo Mutu foram incapazes de decidir. E nos pênaltis, tudo foi para o saco. Inclusive Vieri, que ao desperdiçar sua cobrança, sofreu uma distensão muscular e está fora da temporada – e da Fiorentina (que não renovará seu contrato).

O golpe foi forte. Muito forte. Depois do jogo, o zagueiro Ujfalusi praticamente confirmou que está acertado com o Atlético Madrid, o técnico Prandelli admitiu que seu time é jovem demais e rumores de discussões entre os jogadores vazaram na imprensa. No domingo, a pá de cal veio na Sardenha. O Cagliari dominou amplamente o jogo e merecia até um placar mais elástico do que o 2 a 1. Para piorar, Mutu se destemperou e falou o diabo para o árbitro Farina, que o expulsou.

O que mais pesa contra o time toscano é o retrospecto de médio prazo. São 10 derrotas nos últimos 24 jogos. Agora, o Milan depende só de si para ficar com a quarta vaga na LC e a Fiorentina não tem nem Vieri nem Mutu e o jogo contra o Parma é vitam para manter as chances de sonho da LC, a única coisa que faria a temporada não soar como um fracasso.

Para a preocupação da torcida, o grande problema é o momento da crise. A quatro rodadas do fim da temporada, o time poderia se sagrar campeão da Uefa e ter uma vaga na Liga dos Campeões. Agora pode não ter nada e ainda perder jogadores importantes (além de Ujfalusi, o goleiro Frey também deve sair), além de questionar talentos como Pazzini (que o clube gostaria de trocar por Borriello, do Genoa), Montolivo, Kuzmanovic e outros. Quanto isso pode comprometer o projeto de Prandelli? Isso não tem como dizer agora.

O Parma tem seu Capitão Nascimento

Na semana passada, quando o Parma perdeu na Calábria para a Reggina, concorrente direta contra o rebaixamento, um clima de funeral se abateu sobre o elenco. Foi a segunda derrota seguida em um jogo no qual o Parma estava vencendo e tomou a virada depois de uma expulsão (Mariga contra o Napoli e Paci contra a Reggina). O meia Morrone chegou até a deixar o campo xingando o técnico Hector Cúper por ter substituído Cristiano Lucarelli.

Mas antes que a balbúrdia reinasse em Collechio, o CT do Parma, o presidente do clube, Tommaso Ghirardi, tomou as rédeas e assumiu seu lado Capitão Nascimento. Depois de uma bronca violentíssima no time, ainda na Calábria, Ghirardi ganhou pontos com a torcida ao adotar uma disciplina draconiana no clube.

“É mentira que eu vá deixar o clube [n. Do e.: Ghirardi comprou o Parma há dois anos]. Também não é verdade que eu esteja aborrecido com Cúper”, disse Ghirardi. “Saímos da Calábria no máximo da humilhação e me sinto envergonhado como torcedor”, disse o dirigente.

Depois de poupar o técnico e a torcida, Ghirardi não poupou munição. “Também tenho orgulho e sofrer os insultos e cuspidas que eu sofri não é fácil. Mas que todos saibam: não deixarei de dar meu apoio moral nem financeiro, mesmo caso acontecesse uma desgraça esportiva que rebaixasse o Parma”, afirmou à agência italiana Ansa.

“Mas não é justo que eu pague a conta sozinho: os responsáveis por esse possível rebaixamento – os jogadores – sofrerão as eventuais penas do inferno junto comigo e com o Parma e terão de comer o pão que o Diabo amassou e coisas muito piores. E garanto: todo o elenco ficará em caso de rebaixamento, até que o Parma seja recolocado na sua posição devida”, disse o empresário.

Ghirardi assumiu a responsabilidade por parte dos erros, dizendo que errou em apostar nos jovens e em um técnico fora do “circuito” (Domenico Di Carlo). “Mas é que eu queria fugir dos nomes de sempre e fazer crescer jovens identificados com o clube”, afirmou. No domingo, o preço do ingresso em Parma foi reduzido em 75% e o estádio estava lotado, ajudando o time a superar um difícil Genoa. Contra Fiorentina e Inter, o Parma terá de comer a grama como fez no domingo. Caso contrário, segundo garante Ghirardi, passará toda a próxima temporada com coisas piores do que capim no prato.

Os duelos dos desesperados

Todos os focos estarão voltados para San Siro no próximo fim de semana. É ali que debe acontecer a partida que definirá o campeão italiano. A Internazionale enfrentará um Siena que já se salvou do rebaixamento matematicamente precisando de uma vitória simples para assegurar-se o título.

Contudo, Livorno e Reggio Calábria hospedarão jogos que significarão muito mais para os times envolvidos. Na Toscana, o time ‘amaranto’ pega o Torino, enquanto na Calábria, a Reggina receberá o Empoli. Em disputa nas duas partidas, seis pontos envolvendo quatro ameaçados diretos pelo rebaixamento. Nas duas partidas, quem perder, cai. Ou quase.

Com 30 pontos, o Livorno está praticamente rebaixado, já que o Catania – primeiro time hoje fora da zona de rebaixamento – tem cinco pontos a mais. A única coisa que pode soar como positiva de alguma forma é o fato dos dois últimos adversários serem rivais diretos na luta contra a queda: Torino e Empoli. A última vitória do Livorno na Série A ocorreu no começo de março, há dez rodadas (1 a 0 no Catania).

O Torino, adversário ‘livornese’ na próxima rodada, tem quatro pontos a mais do que o primeiro da zona de rebaixamento, mas antes do sucesso contra o Napoli, tinha sofrido quatro derrotas seguidas (a última vitória também tinha sido sobre o Catania). Jogando numa retranca quase sórdida, é pouco provável que o ‘Toro’ dê ao Livorno alguma sobrevida depois do próximo jogo.

No Oreste Granillo, a Reggina pode definir a sua premanência na Série A e fechar o caixão do Empoli. A ressurreição da Reggina se debe basicamente aos dois ‘trequartistas’ do time, Cozza e Brienza, que deram um novo ânimo ao time. No Empoli, nem o bom jogo de Giovinco sugere uma salvação.

Outros dois jogos são fundamentais para a decisão das vagas: além da já citada Fiorentina x Parma, em Florença, também a viagem do Catania a Turim para pegar a Juventus é vital. Se Parma e Catania não vencerem, dificilmente escapam na última rodada. Pelas circunstâncias e calendário, Livorno, Catania e Empoli parecem, hoje, os mais ameaçados.

Curtas

– Na semana passada, a Gazzetta Dello Sport se referiu a Filippo Inzaghi como “descontrolado” ao fazer gols sem parar “para levar o Milan sozinho à Liga dos Campeões”.

– Com o gol contra a Inter, já são nove em cinco jogos.

– A boa fase é tamanha que o Milan até começou a declarar que não está mais interessado em Ronaldinho Gaúcho.

– Claro que ainda está, mas com um Inzaghi assim, o Barcelona terá de pedir menos do que os €35 milhões desejados.

– Nesta segunda-feira, o francês Mathieu Flamini já fez testes em Milão e já é jogador do clube de Kaká.

– Na antepenúltima rodada do Italiano, nenhum empate: seis vitórias dos mandantes e quatro dos visitantes.

– Seleção Trivela da 36a rodada:

– Doni (Roma); Motta (Torino), Nesta (Milan), Padoin (Atalanta); Adriano Ferreira Pinto (Atalanta), Cossu (Cagliari), Ambrosini (Milan), Sammarco (Sampdoria), Kaká (Milan); Inzaghi (Milan), Amauri (Palermo).

O que ocorre com o Imperador

Na temporada 2002/03, o Parma tinha descoberto uma nova jóia. Tinha perdido Crespo para a Internazionale, mas em troco recebera um Adriano que ainda era tratado com escárnio no Brasil. A lembrança era a do desengonçado atacante que Zagallo tinha dispensado do Flamengo em troca de meio Vampeta.

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Apresentação da temporada – final

Fiorentina

Estádio: Artemio Franchi (47.300 lugares).
Técnico: Cesare Prandelli.
Estrela: Luca Toni (atacante).
Fique de olho: Potenza (defensor).
Quem chegou: Mutu (Juventus), Potenza (Mallorca – ESP), Pazienza (Udinese), Gobbi (Cagliari), Frey (Parma), Liverani (Lazio), Fantini (Torino), Maggio (Treviso), Lupatelli (Palermo), Santana (Palermo), Blasi (Juventus), Reginaldo (Treviso).
Quem saiu: Jimenez (Lazio), Bojinov (Juventus), Roccati (fim de contrato), Berti (fim de contrato), Brocchi (Milan), Fiore (Torino), Parravicini (Palermo), Fantini (Bologna), Di Loreto (Torino), Avramov (Treviso).
Pretensão: terminar na metade de cima da tabela.

Com o elenco que tem, o técnico que tem e o entrosamento de duas temporadas completas, a Fiorentina certamente poderia estar entre as candidatas ao título desta temporada. Isso se não tivesse de descontar a punição de 19 pontos entregue pela justiça em decorrência do maior escândalo da historia do futebol – o ‘Calciocaos’.

Pelo menos o clube não caiu, deve ser o que pensam os torcedores – e com razão. Um rebaixamento poderia afastar de vez os mecenas Della Valle, que sustentam o clube com um orçamento milionário.

Assim, a ‘Fiore’ fica redimensionada, mas deve ter um time excelente. Na defesa, Frey segue como referência, e um dos melhores arqueiros da Itália. À sua frente, Kroldrup e Dainelli (este, o elo fraco do setor) têm apoio dos laterais Ujfalusi e Pasqual. Se trata de uma rara combinação de boa marcação e apoio ao ataque.

Mas é na área ofensiva o maior crescimento do time. Ao juntar Santana a Jorgensen nas alas, Prandelli poderá tirar o melhor de Toni – já artilheiro na temporada passada. Alem disso, o treinador volta a trabalhar com Mutu, jogador que rendeu muito sob seu comando no Parma. Prandelli acredita que Mutu é o companheiro ideal para Toni. E ele tem razão, já que o romeno não gosta de jogar na área mas com mobilidade.

Internazionale

Estádio: Giuseppe Meazza “San Siro” (85.700 lugares).
Técnico: Roberto Mancini.
Estrela: Adriano (atacante).
Fique de olho: Gonzalez (meio-campista).
Quem chegou: Gonzalez (Palermo), Ibrahimovic (Juventus), Crespo (Chelsea – ING), Maxwell (Empoli), Maicon (Mônaco – FRA), Dacourt (Roma), Grosso (Palermo), Coco (Livorno), Choutos (Reggina), Vieira (Juventus), M.Gonzalez (Palermo).
Quem saiu: Pizarro (Roma), Favalli (Milan), Wome (Werder Brema), Verón (Estudiantes – ARG), C. Zanetti (Juventus), Pasquale (Livorno), Cesar (Corinthians – BRA).
Pretensão: disputar o título.

Nunca mais a Inter terá um campeonato tão em suas mãos. Além de ter feito as melhores contratações da Itália, os ‘nerazzurri’ tiraram a Juventus de seu caminho de ganharam uma folga considerável (em termos de campeonato italiano) em relação ao Milan. O que mais se poderia pedir?

Entre os poucos problemas que podem afligir o time estão o mau relacionamento entre Mancini e o goleiro Toldo (que já afetou a Inter na última temporada) e uma combinação anômala na zaga, onde Samuel e Córdoba – os dois melhores zagueiros – terão de se revezar e não atuar juntos, uma vez que Mancini acredita (não sem razão) que ambos precisam jogar com um zagueiro de maior estatura – nesta caso, Materazzi. Como o confuso zagueiro fez uma Copa sensacional, pode até ser que o problema esteja resolvido.

De resto, é só alegria. Com Vieira e Cambiasso na regência e Stankovic e Figo pelas alas, o meio-campo interista é fortíssimo, especialmente se combinados com um ataque quase utópico, com Crespo, Adriano e Ibrahimovic. Será que alguma coisa pode dar errado?

Pode. A Inter tem de vencer, vencer e vencer tudo e todos, o tempo todo. A vantagem interista é tamanha que a obrigação da vitória no campeonato se tornou ainda mais gigantesca – como nunca esteve. Se patinar em algum momento, a Inter terá seus efervescentes bastidores incendiando a frágil calma de Appiano Gentile. Se não ganhar nesta temporada, a Inter deve implodir.

Milan

Estádio: Giuseppe Meazza ‘San Siro’ (85.700 lugares).
Técnico: Carlo Ancelotti.
Estrela: Kaká (meio-campista).
Fique de olho: Gourcuff (meio-campista).
Quem chegou: Favalli (Inter), Brocchi (Fiorentina), Gourcuff (Rennes – FRA), Coppola (Ascoli), Borriello (Treviso), Bonera (Parma), Ricardo Oliveira (Betis – ESP).
Quem saiu: Amoroso (Corinthians – BRA), Dalla Bona (Napoli), Stam (Ajax – HOL), Rui Costa (Benfica – POR), Shevchenko (Chelsea – ING), Abbiati (Torino), Vogel (Betis – ESP).
Pretensão: disputar o título.

Para quem correu o risco de ser rebaixado (ainda que as causas estejam meio obscuras), uma temporada com chances de vencer nos três frontes até que não está má. Não chegaram os reforços esperados? Pesa, mas parece que o pior da temporada ficou para trás.

Ancelotti tem a vantagem de contar com o elenco mais entrosado, experiente e equilibrado da Série A. O que pode causar problemas é a falta de profundidade. Or exemplo: Dida não tem um reserva que lhe ponha uma sombra; Cafu está em xeque depois da Copa do Mundo e Ricardo Oliveira não é Shevchenko.

Mesmo assim, é inegável que nomes como Seedorf, Pirlo, Kaká e Nesta são capazes de propulsionar o Milan para qualquer titulo. Se o elenco se mantiver sem lesões e o brasileiro Oliveira atender às expectativas do clube, mais uma vez, o Milan é favorito para tudo. Especialmente se bater a Inter no primeiro derby, em outubro.

Palermo

Estádio: Renzo Barbera ‘La Favorita’ (37.000 lugares).
Técnico: Francesco Guidolin (novo).
Estrela: Andrea Barzagli (defensor).
Fique de olho: Cesare Bovo (defensor).
Quem chegou: Amauri (Chievo), Bresciano (Parma), Bovo (Roma), Simplicio (Parma), Pisano (Sampdoria), Fontana (Chievo), Guana (Ascoli), Parravicini (Fiorentina), Dellafiore (Treviso), Cassani (Verona), Munari (Verona), Diana (Sampdoria), Capuano (Bologna).
Quem saiu: Gonzalez (Inter), Codrea (Messina), Rinaudo (Siena), Godeas (Chievo), Makinwa (Lazio), Barone (Torino), Virga (Roma), Accardi (Sampdoria), Santana (Fiorentina), Grosso (Inter), Modesto (Reggina), Gasbarroni (Juventus), Terlizzi (Sampdoria), Bonanni (Sampdoria), Mutarelli (Lazio), Pepe (Cagliari), Lupatelli (Fiorentina).
Pretensão: vaga na Liga dos Campeões.

Com mais uma temporada regada pelo dinheiro do presidente Maurizio Zamparini, o Palermo quer entrar de vez na elite, aproveitando-se da ausência da Juventus. Time? Bem, para o título, seria uma surpresa grande, mas um Palermo freqüentando eventualmente a ponta não assustaria ninguém.

O Palermo deste ano deve ser o oposto do que se pretendia ver no ano anterior, quando o ofensivo Del Néri chegou ao Barbera. Guidolin é italianíssimo, montando um time que ataca muito mais pelas alas, joga com um mediano praticamente encostado na defesa e com uma retaguarda fechadíssima.

O resultado final é que seus times não proporcionam espetáculos, mas quando se entrosam, concedem pouquíssimas chances ao adversário. O seu maior problema será suportar a pressão de seu presidente, que quer escalar time e gosta de demitir treinadores.

Em campo, seus maiores trunfos são os campeões mundiais Zaccardo e Barzagli e os atacantes Di Michele e Amauri. O time palermitano deve ser um rival duríssimo caso parta bem no campeonato. Se entrar na pressão por resultados, pode acabar no lado errado da tabela.

Roma

Estádio: Olímpico (82.000 lugares).
Técnico: Luciano Spaletti.
Estrela: Francesco Totti (meia-atacante).
Fique de olho: Faty (defensor).
Quem chegou: Pizarro (Inter), Cassetti (Lecce), Tonetto (Sampdoria), Corvia (Ternana), Virga (Palermo), Faty (Strasburgo), Zotti (Ascoli), Martinez Vidal (Brescia).
Quem saiu: Cufrè (Mônaco – FRA), Alvarez (Messina), Mido (Tottenham – ING), Cerci (Brescia), Dacourt (Inter), Bovo (Palermo), Corvia (Siena), Galloppa (Ascoli), Kuffour (Livorno), Nonda (Blackburn Rovers – ING), Galasso (Frosinone).
Pretensão: disputar o título.

A Roma, na opinião desta coluna, é o time que melhor se reforçou neste verão europeu. Claro que a Inter fez contratações melhores, mas as da Roma foram muito mais miradas e baratas. E com o trabalho de Spaletti, é possível que o time da capital surpreenda as expectativas e feche o torneio na frente de Milan e Inter.

A defesa romanista já era boa com Chivu e Mexes, mas com as chegadas de Cassetti e Tonetto (por valores irrisórios), pode se confirmar como a melhor do país. No papel, é uma linha que marca muito bem, mas não abre mão de apoiar. E além disso, ainda tem o francês Faty, que pode jogar na zaga ou como mediano, chegando ao custo de zero euros.

No meio, o time também deu um golpe de mestre ao tirar Pizarro da Inter para fazer uma dupla ótima com De Rossi na frente da defesa. Os dois garantem uma liberdade maior para Totti e ainda asseguram criatividade. O brasileiro Mancini segue como um ponta direita e no ataque, o sérvio Vucinic deve surpreender muita gente com sua versatilidade.

A Roma é mesmo candidata ao título? Embora não tenha o ‘glamour’ de Inter e Milan, sim, é candidata. Por três motivos: primeiro, porque tem um técnico muito bom; segundo, porque se reforçou com muita inteligência, e terceiro, porque corre por fora, sem pressões. Obstáculo? A Liga dos Campeões, que pode consumir energias que farão falta na reta final.

– A escolha do Milan por Ricardo Oliveira deixou praticamente todos surpresos, mas tem a sua lógica.

– O clube manteve um perfil discreto depois do escândalo e não quis fazer contratações que levantassem suspeitas nem atenções.

– Esportivamente, Ancelotti precisava de um centroavante de área, e como perdera Ibrahimovic para a Inter, aposta no brasileiro, que terá um espaço incomum para um jogador sem renome internacional.

– Ao se desfazer de Kuffour e Nonda, Spaletti deixou claro que o primeiro decepcionou na primeira temporada e que pretende atuar só comum atacante.

– Em tempo: o empate italiano com a Lituânia em seu primeiro jogo oficial não confortou imprensa e torcida.

Os escolhidos

Sim, a coluna desta semana emana um ar bíblico. O evento que justifica o título semi-sacro é a escolha do técnico Marcello Lippi. No último sábado, Lippi anunciou a lista dos 29 jogadores que participarão do ‘estágio’ de dois dias na concentração ‘Azzurra’ e de onde sairá a lista final dos italianos que seguem para a Alemanha.

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Não ter visto grandes heróis do futebol passado é uma frustração para qualquer um. Certamente não há quem não gostaria de poder ter visto Friedenreich, Leônidas, Pelé, Stanley Matthews, Uwe Seeler, Fritz Walter ou Jose Andrade. A lenda só ganha essa aura mítica depois que o jogador pendura a chuteira. Mas aí, já é tarde.

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O mais difícil do mundo

A 33a rodada do Italiano provocou algumas reflexões posteriores. A mais gritante delas é que o Italiano desta temporada reafirma-se como o torneio doméstico mais disputado de todos entre os países de elite no futebol. A cinco rodadas do final (e uma do que seria o final do antigo campeonato de 18 times), não só todos os times estão na luta por alguma coisa como alguns ainda se encontram em águas que podem desembocar em destinos diferentes.

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