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União Europeia quer parar lavagem de dinheiro no futebol – ela só não admite

A União Europeia anuncia que quer fazer uma regulamentação mais pesada no mercado de transferências europeu. “O mercado é desequilibrado e precisa de mudanças. Cerca de €3 bilhões giram anualmente entre os clubes, mas somente 2% desse montante chega a clubes pequenos. Não é preciso ser um gênio para perceber que isso mais o fato de que os clubes têm cada vez mais dívidas significa que há dinheiro saindo pelo ladrão. Literalmente.

Chelsea fans at a match against Tottenham Hots...

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Calciomercato da Itália não é notícia, é entretenimento

Eu ia fazer um post sobre as contratações da Itália nesta janela, mas praticamente desisti. É trabalho para animadores, não para jornalistas. Discutir se Mesbah pode aumentar as chances de título do Milan ou se Amauri redesenha as esperanças da Fiorentina é chamar o leitor de idiota e isso eu não vou fazer. O mercado italiano está limitado à sua decadência econômica, técnica e gerencial e as contratações são absolutamente inócuas (se houver exceções – não estou seguro – são Borriello e Amauri na Fiorentina e só). Todas as outras são bonus para agentes. Udinese e Parma contrataram de olho na próxima temporada (fala-se bem de Crisetig, volante de DNA interista, e rumando para o Parma em julho) há alguns anos.  No mais, mercado nulo. E falar sobre o que não deveria ser notícia não é jornalismo – é entretenimento. Se você estiver curioso para ver nome a nome, cheque aqui. Mas só no caso de estar sem fazer nada.

Mercado

Eu sempre gostei de acompanhar o período intercampeonatos na Europa. O mercado de futebol sempre foi um espaço interessante para ver como os times estavam privilegiando seus planejamentos (ou, a falta deles). Se um grande clube perdia um craque, como buscava o seguinte e assim por diante. Segundo uma pesquisa de um jornal italiano em 1999, o ‘calciomercato’ era o assunto de maior interesse para os homens, superando até mesmo os resultados de suas equipes.

Só que perdeu a graça. Com o crescimento da influência de um “player” rigorosamente inútil e nocivo – o empresário – os noticiários são bombados com mentiras para acelerar a quantia de transações. “Necessidades” são inventadas para os clubes em cima da ganância desses agentes, que não contribuem em nada com o sistema e são ajudados por jornalistas que, sem ter capacidade de buscar notícias de verdade, se vendem em troca de um “furo” ridículo qualquer. Isso para não se falar na participação cada vez maior de treinadores nas contratações. Alguns, como o técnico do Tottenham, são notórios pelas suas “proximidades” com empresários. Redknapp é o sexto treinador mais rico da Inglaterra e até a Copa da Inglaterra conquistada pelo Portsmouth em 2008, jamais tinha vencido uma taça. Em menos de um ano, ele já fechou dezessete contratações para o clube de White Hart Lane. Acaso ou não, Redknapp é um dos personagens mais envolvidos na investigação da justiça britânica sobre o pagamento de propinas nas contratações de atletas.

O mercado não perdeu a graça só por causa de empresários sem caráter nem escrúpulo ou técnicos corruptos. Perdeu a graça porque não se trata mais de um jogo de estratégia e planejamento. Há dez anos, os grandes clubes da Europa disputavam entre si os melhores jogadores do mundo. Cada um se garantia um ou dois e a competência fazia o resto. Hoje, os clubes que têm sucesso são exatamente aqueles que trazem o dinheiro mais suspeito. Seja o Real Madrid e seu “apoio” informal do estado e do establishment espanhóis, sejam clubes sem expressão como Chelsea e Manchester City que, envolvidos com gente da estirpe de Kia Joorabchian, investem quantias irreais em transações nitidamente ilegais. Milan, Bayern, Porto, Ajax (para citar só campeões europeus) são, hoje, times que vivem dos restos dos milionários suspeitos.

Platini já falou contra o “doping” financeiro desses clubes, mas talvez não tenha se dado conta da relevãncia que isso tem. O futebol europeu está se transformando num brinquedo de oligarcas corruptos, sheikhs zilionários que vivem da exploração da miséria de seus povos e agentes interessados em fazer com que os atletas troquem de clube uma vez por ano. O fascínio de um confronto entre Liverpool e Juventus, entre Del Piero e Garrard está sendo trocado pela vulgaridade de uma partida entre Manchester City e Zenit. Esses excessos terão fim, por bem ou por mal. Até que eles acabem, nos resta a saudade dos jogos de verdade.

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