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Apresentação da Temporada 2004

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Salvem a Itália!

Não são todos os italianos que se deram conta que algo tem de mudar. Mesmo com o papel de “decepção da Euro 2004”, boa parte da imprensa viu mais defeitos na Euro do que na ‘Azzurra’. Segundo Giorgio Tosatti, respeitadíssimo colunista do Corriere Della Sera, este foi o “Europeu mais horroroso jamais visto”, onde a Grécia venceu “aplicando um futebol defensivista que éramos condenados por usar”.

Bem, não sei que Europeu o sr. Tosatti assitiu, mas não deve ter visto partidas como Rep. Tcheca x Holanda, Portugal x Inglaterra, Dinamarca x Suécia e França x Inglaterra, só para citar algumas das partidas mais eletrizantes da competição. Isso, para os brasileiros, que não tinham representação no torneio.

Felizmente, boa parte da Itália resolveu abrir os olhos e tentar fazer alguma coisa para que a seleção deixe de ser um remendão de jogadores para se transformar num time. A primeira medida foi a de nomear um treinador de peso. Marcello Lippi, que pode dar à seleção um vigor que Trapattoni jamais deu. ‘Trap’ foi um grande zagueiro e um bom técnico, mas seu ápice já se foi.

Mas a medida que promete causar mais reboliço é a adoção de um “limite de estrangeiros” por time. Se os planos do comitê olímpico italiano derem certo, a partir da temporada 2005/2006, todos os times da Itália terão de ter um número mínimo de jogadores italianos (os primeiros dados falam em seis). E “italianos” não se refere a cidadãos europeus ou pessoas com passaporte-fantoche, mas sim, atletas em condição de jogar pelo selecionado do país.

O projeto, apelidado de “Salva-Vivaio” (‘vivaios’ são as divisões de base dos clubes), é quase uma unanimidade. A idéia é fazer com que a Itália passe a dar chances aos seus talentos jovens, coisa rara, uma vez que comprar um sul-americano ou africano é sempre mais barato.

A idéia faz muito sentido. A seleção italiana sub-21 chegou em cinco finais do Europeu da categoria, nas últimas sete edições, vencendo cinco títulos. Pouco antes da Euro, venceu mais uma vez. Mas dificilmente, promessas como Brighi, Blasi, D’Agostino, Ferrari, Gilardino, Borriello, Sculli e Barzagli serão titulares em seus times imediatamente, com o espaço fechado por estrangeiros.

Para citar um exemplo: na Euro sub-21 de 2000, a dupla Pirlo-Baronio era a viga mestra do meio-campo. Pirlo ficou enclausurado na Inter, sendo emprestado (jogou no Brescia e Reggina) para não ocupar espaço. Deu a sorte de encontrar Ancelotti no Milan e virar um dos maiores do mundo na posição; Baronio mofou no banco da Lazio, também sendo emprestado seguidamente (chegou a jogar na Reggina com Pirlo), mas, somente nesta temporada, já com 25 anos, é que teve um pouco mais de chances, e no modesto Chievo.

A idéia é linda, mas, de cara, tem três inimigos em potencial: o primeiro é a União Européia, cuja constituição legal proíbe esse tipo de ‘discriminação’; o segundo, são os presidentes de clubes menores, como Udinese e Perugia, que fazem um bom dinheiro com o ‘mercado de gente’. O terceiro são os agentes dos jogadores, que sabem que a mamata de dinheiro fácil vai diminuir bastante caso passe uma lei do gênero.

A favor da lei, pode pesar o papel da UEFA, que está interessada em fazer uma legislação similar em todo o continente. A negociação é política, e mexe em muitos interesses. Tecnicamente, é uma lei que fará bem a todos: a Itália criará mais craques, os países ‘exportadores’ como Brasil e Argentina vão acabar mantendo mais bons jogadores em seus campeonatos, e o frenesi de transferências vai diminuir. Quem vai pagar o pato são os cabeças-de-bagre que jogam na Europa por influência de empresários. Pensando bem, estes que se danem…

Inter nova. De novo.

A Inter nem se parece com um clube que já foi campeão europeu. Parece mais com uma republiqueta de um continente perdido, onde golpes de estado são dados com freqüência quase cardíaca, e no final das contas muda tudo e não muda nada, ao mesmo tempo.

Novamente, nesta temporada, a Inter ‘revoluciona’. Já mandou o treinador Alberto Zaccheroni embora, e contratou Roberto Mancini (depois de aliciar a Lazio, que precisa de dinheiro a qualquer preço). Para Mancini, o clube prepara um elenco praticamente novo, e alguns jogadores como Cannavaro, Kily Gonzalez e van der Meyde, comprados a peso de ouro, podem acabar indo para o Varejão das Fábricas.

Caso sejam consistentes os boatos que parecem se confirmar a cada instante, a Inter deve ter pelo menos 2/3 de seu time renovado para esta temporada. Além dos já contratados Verón, Favalli e Cambiasso (sem falar em Stankovic, contratado em janeiro), o clube de Via Durini estaria preparando as chegadas de Davids e Mihajlovic (?). Ou seja: mais um elenco que foi comprado a peso de ouro sendo mandado embora, provavelmente para brilhar em algum outro lugar.

Quais as reais chances de Mancini ser campeão logo na sua primeira temporada? Mínimas. Não que o seu time seja ruim, ou que ele seja um técnico de segunda, mas é que, além de ter de enfrentar um Milan azeitado e reforçado, uma Juventus com Capello e uma Roma ainda com Totti, a Inter terá de suar muito para poder fazer conviver Vieri e Adriano no ataque. Uma tarefa possível, sim (totalmente). Mas que exigirá tempo. Mais do que simplesmente alguns treinos durante a pré-temporada.

Juventus se prepara em silêncio

Quando anunciou-se a união entre Fabio Capello e Juventus, os adversários engoliram em seco. Já se sabia que era uma combinação fadada a dar certo. E o modo como a Juve começou a sua pré-temporada só faz aumentar a fé de que o time ‘bianconero’ virá com uma sede na garganta que vai ser difícil de aplacar.

Nenhum anúncio, nenhuma apresentação de jogadores, poucas entrevistas. A Juve contratou o meia-atacante Kapo (Auxerre), o zagueiro Zebina (Roma) e o defensore Chiellini (Livorno), considerado uma promessa. Além disso, recuperou de empréstimos os meias Blasi (Parma) e Brighi (Brescia), só para citar os que devem ficar. Ah, sim. E praticamente renovou o contratro de Trezeguet. Mas o silêncio impera em Villar Perosa, o que, segundo opinionistas mais rodados, é indício de que a Juve ainda vai apresentar uma bomba qualquer.

Ainda é difícil desenhar a Juventus de Capello, mas é quase certo de que será um 4-4-2 tradicional, com Nedved e Camoranesi nas laterais do meio-campo, Del Piero e Trezeguet no ataque, e um miolo, muito provavelmente formado por Blasi e Tacchinardi ou Maresca (salvo supresas).

A dúvida é sobre qual será a zaga juventina. Thuram será titular, mas como lateral ou central? Zebina começa o ano como titular? Chiellini será a aposta de Capello? A velha guarda (Ferrara, Montero e Pessotto) terá que prioridade? Legrottaglie, depois da má temporada que se encerrou, começa jogando ou não. Tudo interrogação. O único nome certo é o de Zambrotta, que deve ser o lateral-esquerdo, a exemplo da seleção.

Mas se preparem: é muito improvável que a Juventus passe um ano em branco. “Ah, mas porque a Inter não deve vencer no primeiro ano e a Juve deve ganhar logo de cara?”. Porque a Juve é a Juve, e agora, ainda tem Capello. Um técnico que se gosta ou não, mas indiscutivelmente, vence.

Curtas

Giovanni Trapattoni, como um bom político, acabou conseguindo uma colocação de respeito

‘Trap’ irá comandar o Benfica, que perdeu seu técnico Camacho para o Real Madrid

O que vai dar essa combinação, não se sabe. São dois nomes de passado glorioso que tentam provar que ainda são elite

O Milan sonda dois nomes do Ajax para seu planejamento a médio prazo

O zagueiro John Heitinga e o ala-atacante Wesley Sneijder poderiam ser até negociados, mas ficar mais um ano em Amsterdam

Heitinga garantiria a renovação da defesa; Sneijder seria o substituto de Serginho

Ainda no Milan, Kaladze recusou uma transferência para o Bayern de Munique

E mais: uma hipótese louca di Chelsea liberar o atacante Hernán Crespo de graça está sendo bastante comentada

Só Abramovich para fazer uma folia dessas com dinheiro

Crespo seria o quarto atacante do Milan, mas conta com uma simpatia e amizade totais de Carlo Ancelotti, técnico que o lançou na Itália

Más notícias para o Napoli: a falência do clube é uma hipótese real

Pior ainda: o novo dono pode ser Luciano Gaucci, que este ano, rebaixou o Perugia

Mais Juventus, mais Capello

Estupefata. Assim amanheceu a metade ‘giallorossa’ de Roma na manhã de quinta-feira, quando chegaram os primeiros rumores de que Fabio Capello estaria deixando o clube para ir para a arqui-rival Juventus. A mesma Juventus para a qual Capello jurara jamais retornar, resquício da mágoa pela maneira como foi dispensado, ainda jogador.

Capello venceu três ‘scudetti’ em Turim, como jogador. E a menos que algo inesperado aconteça, deve vencer mais do que isso nessa sua nova empreitada. O acerto entre Juve e Capello tem uma mira bem precisa. A Juve tem de voltar a ser Juve – ou seja – voltar a vencer muito, e rápido. Capello também quer retomar o cetro de melhor técnico do mundo. E sabe que em Turim, terá mais condições para isso do que em qualquer outro lugar.

Ambos arriscam muito na jogada. Capello sabe que o clube exige sucessos imediatos, e além disso, deixou uma legião de inimigos em Roma, depois de sua “traição”. E a Juventus resolveu bancar o técnico mais caro possível para fugir de apostas. Um trato bem maquiavélico, italiano. Um acordo entre dois gigantes.

Tanto pior para a concorrência. A especialidade de Capello é a de fazer defesas impenetráveis, exatamente o ponto fraco do time ‘bianconero’ nesta temporada. ‘Don Fabio’ já deu suas indicações para a diretoria. Já contratado o zagueiro Zebina, e acertados os retornos de Blasi e Brighi para o meio-campo, o técnico quer um homem para a parte direita da defesa (Thuram jogará como central).

Se a Juventus conseguir o brasileiro Emerson, prioridade total de Capello (mas que parece destinado ao Real Madrid), fica apenas a dúvida sobre quem será companheiro de ataque de Del Piero, já que a ruptura entre Trezeguet e o clube parece irreversível. Esquema? Quase certamente um 4-4-2, onde Nedved volta a jogar como ala-esquerda, Camoranesi na direita, e Appiah tenta tirar a vaga de Tacchinardi.

Em tudo há risco, e, mesmo numa união aparentemente impossível de dar errado, as duas partes podem se dar mal. Mas é difícil. É duro imaginar que uma dupla de jogadores tão habituados à vitória como Juve e Capello acabem em outra coisa que não um novo ciclo de sucessos. A Juventus já é favorita para a próxima temporada. Dependendo de como for o seu mercado de reforços, pode virar até uma aposta certa.

Sinais de vida inteligente na “Azzurra”

A Itália estava um pouco apreensiva com o amistoso contra a Tunísia. Muitos jogadores contundidos, alguns extenuados pelo campeonato, outros ainda em postos em que pairavam dúvidas, com a número um atendendo pelo nome de Alessandro Del Piero, que é sempre contestado quando veste a camisa italiana.

É certo que a Tunísia campeã africana jogou desfalcada, mas o 4 a 0 da Itália sobre a equipe de Roger Lemerre, o último técnico campeão europeu, mostraram que os italianos têm todas as condições de fazer um torneio buscando o título.

A defesa italiana comprovou sua eficiência com a dupla Nesta-Cannavaro, eximindo este último de suspeitas, devido à sua temporada irregular. Zambrotta, como lateral-esquerdo, apoiou o quanto pôde, e Buffon, salvo este colunista se engane, estará no gol da Itália na Euro, como titular.

O técnico Trappatoni começou com sua dupla de volantes Perrotta-Zanetti, que até não foi mal, mas o duo milanista Gattuso-Pirlo surpreendeu e criou uma bela dúvida na cabeça do técnico. Pelo que Pirlo joga, não pode ficar fora do time; se ele joga, precisa de Gattuso como seu escudeiro, pois nem Perrotta nem Zanetti são tão fortes na defesa.

O ataque tem já escalados Totti como armador e Vieri como centroavante. E o segundo atacante? A vaga oscila entre Del Piero e Cassano, já que Corradi é considerado opção à Vieri. Cassano jogou melhor do que Del Piero neste domingo, e o jogo pode induzir ‘Trap’ à dúvida.

É certo que Cassano seja um grande jogador e que mereça sua vaga no grupo. Mas abrir mão de Del Piero seria burrice, a menos que ele esteja caindo pelas tabelas. ‘Ale’ é o parceiro ideal para Vieri, tem técnica e muito mais experiência do que Cassano.

A nova espera de Trappatoni agora é para começar o Mundial sem contundidos, fato quase impossível, uma vez que historicamente, nunca a primeira lista vai completa para o torneio. Espaço para surpresas? Difícil. O técnico é teimoso como uma mula e se alguém sair, deve preferir um coadjuvante a uma nova estrela que possa romper o equilíbrio do grupo.

Roma, na mosca: é Prandelli

De todas as possibilidades que a Roma tinha para substituir Fabio Capello, nenhuma era melhor do que a que foi adotada. Com um orçamento mais curto, sem Capello nem Samuel (já vendido ao Real Madrid), o clube da capital optou por fechar com Cesare Prandelli, treinador que segurou a barra de um Parma devastado nesta temporada.

Prandelli não pede jogadores renomados, trabalha excepcionalmente bem com jovens, e monta times de verdade, preparados para jogar impondo o seu ritmo. Fez isso no Parma deste ano, reforçando o nome de uma baciada de novatos, entre eles, alguns que podem segui-lo para a própria Roma, como o atacante Alberto Gilardino, o meio-campista Simone Barone e o zagueiro Matteo Ferrari.

Ferrari, aliás, é o predileto para ocupar a vaga de Samuel, que foi embora deixando US$ 30 milhões nos cofres do clube. A maior parte vai para pagamento de dívidas, mas ainda sobra o suficiente para uma reposição à altura do que Prandelli exige. Se também sair Emerson, outro caminhão de verbas diminui o déficit romanista, e chega outro reforço, onde os mais indicados são Simone Perrotta (Chievo) e Pizarro (Udinese).

Sob o comando de Prandelli, prepare-se para ver o brasileiro Mancini jogando no meio-campo, quase como ponta, ao lado de Totti e Cassano. O centroavante? Como Montella não dá segurança na parte física, é possível que a Roma faça outra aquisição importante. Os nomes em voga são os de Caracciolo (Brescia), Morientes (Real Madrid) e Hossam “Mido” Hassam, do Olympique Marselha. Destes, o único viável financeiramente é Caracciolo, ainda uma incógnita para um time de Liga dos Campeões.

Mais “Mezzogiorno” na Série A

O último final de semana definiu três participantes da “Coppa Giovanni Havelange”, ou Série B, que vão jogar a primeira versão da Série A com 20 clubes, depois que o torneio em dois grupos foi abolido, no fim da década de 20. O Palermo de Francesco Guidolin, o Livorno de Silvano Bini, e o Cagliari de Edoardo Reja já garantiram as suas vagas.

A festa em Palermo foi como uma final de Copa do Mundo. O time calabrês volta à Série A depois de 30 anos, para uma platéia fanática, como a do estádio Renzo Barbera, ou “La Favorita”. O clube trocou de treinador durante a competição e foi uma das raríssimas exceções onde a mexida deu certo.

Nos últimos torneios a região do “Mezzogiorno”, o sul da Itália, estava quase que completamente alijado da competição. Duas temporadas atrás, chegou-se ao ponto de Roma e Lazio serem as duas equipes mais ao sul da Série A. Agora, com a volta de Palermo e Cagliari (e provavelmente, também o Messina), o sul volta a ter representatividade, fazendo um grande bem ao tão maltratado (pelos dirigentes) ‘calcio’.

Pelas outras duas vagas de promoção direta, lutam Atalanta e Messina (com 73 pontos a duas rodadas do fim do torneio), e a Fiorentina, com 70. O Piacenza, com 67, tem chances matemáticas, mas são basicamente estatísticas. A verdadeira luta do time piacentino será com a Fiorentina, pela sexta posição, que dará uma vaga num playoff contra o Perugia. Para este posto, a Ternana também ainda tem chances (65 pontos), mas só é beneficiada pela matemática.

A Série B deste ano tem de tudo para ser esquecida. Começou com uma virada de mesa sórdida, teve confrontos entre polícia e torcida durante toda a temporada, e até um morto no jogo Avellino – Napoli. É muito bom que clubes importantes como Palermo e Atalanta voltem à Série A, mas além deles, bem pouca gente vai se lembrar desta temporada com boas memórias.

Curtas

O bom atacante Luca Toni, com 28 gols, é o novo recordista de gols numa única temporada pelo Palermo

É bastante provável que Toni seja sondado por times da Série A, tal a sua performance na série ‘cadetta’

A Juventus estava acertando a compra de Chevantón, do Lecce, por € 8 milhões, mas o insolente Palermo ofereceu € 9 mi, num leilão meio irreal

Sem Chevantón, a Juve trabalha com os nomes de Vieri (Inter), Gilardino (Parma), ou Ibrahimovic (Ajax), claro que, todos, com perfis bem diversos

Praticamente certa a contratação de Zdenek Zeman pelo Lecce

Uma boa nova para a Série A

Se a Juve fizer uma proposta por Vieri, deve colocar Di Vaio como forma de torna-la mais interessante

Vale recordar que Di Vaio interessava à Inter há dois anos, quando a Juventus se antecipou, obrigando a Inter a pegar Hernán Crespo

O Milan está bastante imóvel neste início de mercado

Além de Stam e Dhorasoo, já contratados, o nome do clube de Via Turati só é mencionado quando se fala de Corradi, da Lazio

Segundo um agente do Real Madrid, Roma e os “Merengues” já se acordaram pelo passe de Emerson

Claro que, usualmente, declarações de empresários são tão confiáveis quanto um castelo de cartas

Doping, o fantasma continua

Pouca gente dá atenção aqui no Brasil, mas o fantasma do doping segue bem vivo na Itália. Não bastasse as suspensões de Kallon (Inter) e Gheddafi (3 meses, mas provavelmente sua brilhante carreira se encerrou), mais Blasi (Parma), a Itália assiste a continuação de um inquérito que ainda é resultado das denúncias de Zdenek Zeman em 1999. A maior acusada: a poderosa Juventus.

Há quem diga que a derrocada do treinador, hoje no Avellino, se deveu ao ódio mortal que Luciano Moggi, dirigente juventino, passou a alimentar por Zeman depois das denúncias. Ainda que lentamente, os interrogatórios prosseguem. Nesta segunda, falaram Filippo Inzaghi (hoje no Milan) e Paolo Montero.

O depoimento de Montero não teve maior repercussão, mas o de Inzaghi sim. O atacante do Milan disse que os médicos da Juventus davam freqüentemente creatina, antiinflamatórios e analgésicos durante os jogos, especialmente quando ele estava cansado. Legalmente, a creatina não é proibida, mas ficou um clima esquisito no ar.

A Juve já vem se defendendo, dizendo que os fármacos que ela ministra aos jogadores são usados por todos os times. Esta afirmação talvez seja sintomática. Não são poucos os médicos que, fora das câmeras e microfones, dizem que TODOS os atletas de alto nível usam algum tipo de dopagem, mais ou menos agressiva.

A realidade é que esta sensação é cada vez mais concreta. O ex-tenista John McEnroe admitiu nesta semana que ele consumiu doping, fortíssimo, durante seis anos. McEnroe diz que não sabia. Mas o fato é que sua carreira foi grandiosa. Até onde o doping foi o causador de tal performance?

Parece nítido que só há uma saída para se diminuir a praga do doping no futebol: fazer com que as equipes sofram pesadas multas financeiras e percam pontos, além de apertar o cerco dos exames. É certo que muitos jogadores perderão um pouco de fôlego, mas pelo menos, se devolverá um pouco de lisura às partidas.

Roma sob intensa pressão

Não é só na tabela que a líder Roma está sob intensa pressão. Com o Milan no seu encalço (três pontos e um jogo a menos) e a Juventus logo atrás, o time de Fabio Capello não terá a conquista antecipada no título de inverno, como se previa.

Além disso, o próprio Capello passou a ser um alvo dentro da Roma. O Chelsea fez uma oferta de 500 mil euros por mês, num contrato de três anos, para que o técnico se transfira para Stamford Bridge ao final desta temporada. Capello declinou de responder se aceitaria o convite, quando questionado pela imprensa, e sorriu. “Só penso no tridente de meu time…”

A decisão de Capello está ligada à confirmação de todos os grandes astros do time romanista, inclusive aqueles que desejam um aumento salarial ou uma renovação de contrato. Nessa situação, se encontram os meio-campistas Emerson e Lima e o zagueiro central Zebina.

Emerson é a renovação mais complicada. Primeiro, porque, assim como Capello, também tem atrás de si o hexa-maxi-multi-milionário time do Chelsea, que poderia satisfazer as suas pretensões salariais (cerca de US$ 4,5 milhões anuais). Segundo, porque a Roma sofrerá muito para recusar a oferta de US$ 35 milhões pelo seu passe, especialmente em meio à crise que atravessa, ainda que não assumidamente.

Lima e Zebina terão seus contratos terminados em junho, e por isso, têm diversos pretendentes aos seus serviços (especialmente o francês). O nó aqui é que os dois querem um acréscimo salarial e um contrato mais longo do que a Roma está disposta a dar. O clube de Trigoria não quer nem gastar mais nem conceder vínculos longos.

Sem a renovação dos três, dificilmente Capello fica depois de junho, a menos que vença o ‘scudetto’, o que muda tudo de figura. O treinador obviamente está seduzido pela proposta salarial, mas o que mais chama a sua atenção é a possibilidade de ter os jogadores que quiser em Londres.

Além dessas questões, a Roma terá de se desdobrar para pagar os US$ 18 milhões que deve ao Ajax, pelo passe de Christian Chivu. O romeno quer fortemente ficar em Roma, mas sem grana, um abraço. Isso sem falar que pelo menos meia dúzia de outros clubes estão prontinhos para desembolsar a soma ao time da Holanda e afanar o bom defensor do clube romano.

Davids-Juve: caso terminado

Após seis temporadas de união, duas delas de brigas declaradas, episódios de doping, expulsões, três títulos italianos e muitas partidas excepcionalmente bem jogadas, chegou ao fim a relação entre o meio-campista Edgar Davids e a Juventus. O holandês, que tem contrato com o time de Via Galileo Ferraris até junho próximo, acertou sua transferência para o Barcelona por empréstimo até o fim desta temporada.

Davids é o sexto holandês do elenco de Frank Rijkaard, e a colônia batava da Catalunha foi um dos motivos que despertaram o interesse do jogador. Sua contratação teve o apoio de todos eles, além do ex-craque Johan Cruyff, cuja voz ainda ressoa muito no clube. O Barça deve pagar cerca de US$ 1,5 milhões para o jogador pelos seis meses.

A saída de Davids da Juventus é, sem dúvida, um handicap para Marcello Lippi, treinador do time de Turim. Davids, de 31 anos, é um dos melhores jogadores do mundo na sua posição, se não o melhor. É um marcador implacável que dificilmente é expulso por faltas desleais, mas tem um futebol refinadíssimo, e proporciona ao time em que joga uma rapidez precisa, onde a jogada ofensiva começa bem pensada logo na frente da defesa.

É verdade que a Juventus tem jogadores também bons para a posição. Stephan Appiah, volante ganês de 23 anos, Enzo Maresca, mediano italiano da mesma idade, e ainda o veterano Antonio Conte, de 35 anos, são bons jogadores e certamente conseguem boas performances. Mas nenhum deles pode impingir a agressividade aliada à qualidade técnica que Davids garantia.

Davids aportou em Turim em 1997, desprezado pelo Milan, então dirigido por Fabio Capello. Sua adaptação foi imediata, e se tornou titular quase imediatamente. Nos seis anos que passou em Turim, o holandês, nascido em Paramaribo, no Suriname, só não foi titular durante sua suspensão por doping e nos últimos meses, enquanto se digladiava com a direção juventina, que não admitia perde-lo a custo zero.

O Barcelona deve ter um salto de qualidade com a chegada de Davids ao seu desmilingüido meio-campo. Rijkaard, a partir de agora, terá um organizador melhor do que todos que tem no elenco, e ao mesmo tempo, um marcador mais eficiente também do que todos os concorrentes. Não é o suficiente para fazer do Barça um competidor pelo título, mas já deve bastar para encerrar a fase de vexames.

Inter, babau…

Várias semanas atrás, quando Hector Cúper foi demitido da Inter, esta coluna arriscou-se em dizer que o clube de Via Durini estava saindo da luta pelo título. Pelo menos era o que a história mostrava, e que times que demitem treinadores não conquistam campeonatos.

Quase no final do primeiro turno, a história vai se mostrando um indicador confiável. Com oito pontos a menos que a líder Roma, a Inter parece não ter de onde tirar forças para conseguir uma longa série de vitórias que lhe possibilite chegar à 34a rodada em primeiro lugar.

A derrota do time de Alberto Zaccheroni para o Parma deixou claro como a Inter vive de estrelas intermitentes. “Oba” Martins, decantado semanas atrás como se fosse um gênio do futebol, é inconstante; Vieri tem sido inconstante nesta temporada; Julio Cruz é inconstante. O único setor constante do time é o meio-campo. Nunca é de bom nível.

O problema crônico da equipe parece continuar com a falta de jogadores que possam dar qualidade ao passe e às jogadas ofensivas. Entre todos os doze atletas de meio-campo disponíveis no elenco, não há nenhum que transforme a cara da equipe. Mais assustador ainda é saber que jogadores que não rendiam nada na Inter (como o milanista Seedorf, o parmigiano Morfeo e o também milanista Pirlo), são titulares indiscutíveis em seus times. Essa observação faz supor problemas na preparação atlética da equipe.

Mesmo tendo ótimos zagueiros como Gamarra, Cannavaro, Córdoba e Adani, a Inter mais uma vez demonstra a sua falta de critério. Além de Dejan Stankovic, Massimo Moratti quer levar para Appiano Gentile o talmbém laziale Jaap Stam. Stam é um gigante; um dos cinco melhores zagueiros da Europa. Contudo, já ficou claro que o problema interista não é a individualidade, mas o coletivo.

A chegada de Stam quase que certamente empurrará um dos zagueiros interistas para fora do elenco (Adani e Gamarra na primeira fila). Stankovic é um excelente jogador, mas não é melhor do que os tantos nomes que a Inter já mandou embora por insuficiência técnica. Matematicamente, é claro que a Inter ainda está na parada. Pena, para os ‘nerazzurri’, que a matemática não seja a única a decidir o torneio.

Curtas

Não é difícil ver como os dirigentes do Perugia sejam absolutamente pouco sérios

Depois de terem guiado a virada de mesa na Série B (são também ‘capos’ do Catania), contratado o filho de Gheddafi para jogar bola, e terem (realmente!) tentado contratar uma jogadora, o presidente do clube deu mais uma das suas

Segundo Luciano Gaucci, Kaká deveria ter ido para o Perugia, com a ajuda do “craque” líbio Ghedaffinho

Seção curiosidade estatística

Dos nove jogadores que mais atuaram no Italiano até a 16a rodada, somente o argentino Sensini não é italiano

Sensini divide a terceira posição com o goleiro De Sanctis (Udinese)

Á sua frente estão o meio-campista Tonetto (Lecce) e o goleiro Antonioli (Sampdoria)

A Série A desta temporada mantém uma boa média de gols por partida: 2,61

42% dos jogos acabaram com a vitória dos donos da casa, e em somente 28% das partidas, o visitante recolheu três pontos

O Milan segue líder de público no campeonato

É o primeiro tanto em ocupação média de seus jogos (73%), quanto em público médio absoluto (62853 pessoas por jogo)

Luciano, o único jogador que, além de ser ex-de um clube (ex-Palmeiras, ex-Bologna, ex-Chievo), é ex-seu próprio nome (ex-Eriberto), acertou sua volta ao Chievo Verona

O chileno Cláudio Pizarro renovou contrato com a Udinese até 2007

O Ancona, que perdeu nas últimas seis rodadas, tem uma média de 0,25 pontos por partida

Só não cai por milagre

E esta é a seleção Trivela do Campeonato Italiano nesta semana

Frey (Parma); Mancini (Roma), Cufré (Siena), Montero (Juventus) e Maldini (Milan) ;Di Biagio (Brescia), Emerson (Roma), Kaká (Milan e Obodo (Perugia); Chiesa (Siena) e Ventola (Siena)

Eurocopa: a Espanha empatando em Salerno. Algo errado ?

Para quem viu a Espanha na Copa, e dizer que a Itália cedeu um empate em casa pode até assustar. Mas sobram explicações. Primeiro que a Espanha trocou o palhaço Javier Clemente por Jose Antonio Camacho, ex – jogador importante na década de 80 de tantos craques (Butrageño, Sanchez, Zubizarreta – ainda jovem e outros), e só isso já faria diferença. Mas Camacho já promoveu mudanças importantes, trazendo novos jogadores à “Fúria” (esse apelido é uma piada!). Um bom exemplo é Michel Salgado aquele que quebrou Juninho antes da Copa. Além de dar pontapés, ele joga alguma coisa, principalmente em se tratando da patética seleção da Copa.

Na Itália, sobrabvam problemas. Del Piero fora, Baggio voltando de contusão, e muita falta de confiança. No ataque pela primeira vez juntos uma dupla “giovanissima”. Inzaghi e Totti, que não fizeram feio, mas não conseguiram levar a Itália a uma vitória. Nada muito preocupante. Ainda

A Rodada

Roma 1 x 1 Bari

Eis um time que vem surpreendendo no campeonato. Com um elenco equilibradíssimo, e muito bem treinado por Eugenio Fascetti, o Bari não tem nenhuma grande estrela. Seus maiores destaques são o jovem meia Zambrotta e o sulafricano Masinga. E sicessivamente vão caindo seus adversários.

Depois de vencer a Inter em Milão, o Bari quase ganhou da Roma no Olimpico. Suportando uma pressão intensa durante toda partida, o Bari sempre que ia para o contragolpe era perigosíssimo. E assim Masinga abriu o placar, depois igualado através de pênalti sofrido e convertido pelo jovem capitão romano Totti. Impossível não destacar a soberba atuação do arqueiro Mancini, do Bari, uma muralha. E de uma maneira geral, da armação tática de Fascetti, que faz uma omelete com poucos ovos. Jogo agradabilíssimo

Cagliari 1 x 0 Parma

Irregularidade é o segundo nome do Parma. Depois de massacrar a Udinese na semana passada, o Parma foi uma sombra em Cagliari, e sucumbiu ao ‘caldeirão’ que é o estádio sardo, no qual o time do Cagliari dificilmente perde. Mesmo chegando mais vezes o gol do adversário, o Parma se mostrou ainda um time em formação, mostrando uma sonolência incrível. No segundo tempo, o africano Kallon fez um belo gol, e arrebanhou pontos importantes para a classificação. Entre os “gialloblú” de Parma, uma sensação de que o time entrou de salto alto.

Bologna 1 x 1 Perugia

Modéstia a parte, no início da temporada eu dizia que o Bologna, quando à toda força, seria uma equipe difícil de se bater. Entre campeonatos e Copas, este foi o décimo quarto resultado sem derrota da equipe de Carletto Mazzone. Mesmo assim, poderia ser melhor. O Bologna dominou o meio – campo, e sofreu um gol belíssimo num contra ataque, anotado por Rapajic. Empatou pouco depois, através de Johnathan Binotto, em uma precisa finalização, quase defendida pelo arqueiro bolognese Roccatti. Aposto que o Bologna terá uma das vagas da Copa UEFA no ano que vem, não por ter um timaço, mas pela regularidade que pode alcalçar, se não sofrer alguma contusão séria em algum elemento chave.

Juventus 0 x 0 Empoli

A falta de Del Piero é cada vez mais perceptível, não somente pela sua técnica, mas também pelo golpe que a Juventus sofreu em sua autoconfiança. Consciente de que não tem uma peça de reposição nem mesmo próxima da qualidade de Del Piero, Marcello Lippi está arrancando os cabelos. Conseqüência prática: um jogo chatíssimo, com o primeiro escanteio aos 25’ do primeiro tempo. Sorte do Empoli que arrancou um empate de ouro, um ponto valiosíssimo, ainda que sua sutuação continue crítica.

Fiorentina 3 x 1 Internazionale

Demonstração incontestável da superioridade florentina. Logo no início, Roberto Baggio cavou um pênalti convertido por Djorkaeff, mas a Inter de Simoni mais uma vez se mostrou débil para segurar a solidez do time de Trappatoni, nem de aproveitar os espaços deixados pelo alemão Heinrich. Destaques para Edmundo, autor de uma jogada sensacional no gol de Heinrich, e também do lateral direito Repka, um gigante na defesa viola. Até aqui, a Fiorentina merece a liderança do certame.

Salernitana 1 x 0 Venezia

O jogo dos desesperados. Como era de se imaginar, o fator campo seria decisiva em um jogo destes, e de fato o foi. Não é necessário imaginar que não se tratou de um show de técnica, mas também foi um jogo, muito disputado. O Venezia só não volta à série B por milagre, embora ainda haja muita água para rolar.

Sampdoria 0 x 0 Vicenza

Sinceramente um jogo para se esquecer, principalmente se você se chamar Ariel Ortega. O argentino perdeu um pênalti, em um jogo horrível, que poderia ter dado à Sampdoria uma colocação confortável na fuga dos últimos lugares. Se alguém ganhou com este jogo, foi o Vicenza, que levou um ponto para casa

Udinese 1 x 0 Piacenza

Nessa rodada tão pobre de gols (talvez motivada pelo frio intenso que se abate por toda a Itália), o time de Amoroso arrancou do valente Piacenza uma vitória importante. O brasileiro, por falar nele, perdeu um pênalti, e agradeceu muito a Paolo Poggi o gol salvador que deu a vitória ao time friuliano. Tecnicamente, um jogo pobre também.

Milan 1 x 0  Lazio

Um jogo de um  time só. A Lazio desfalcada de oito jogadores (seis titulares) foi à Milão para não perder, e o Milan quase que cede um empate. Uma péssima atuação de Bierhoff e Weah, que pararam nas mãos milagrosas de Marchegiani por diversas vezes. Aos 47’ do segundo tempo, Leonardo marcou um gol importantíssimo, que valeu ao time rossonero a vice – liderança do campeonato.

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