Tag: Giuseppe Meazza

A casa caiu

Ao terceiro apito do árbitro Konrad Plautz, no fim de Milan 0 x 2 Arsenal, o semblante do time em campo era soturno – assim como nas arquibancadas do Giuseppe Meazza. Nas redações italianas e do mundo, o burburinho de uma “reformulação profunda” no clube estava com força total. No entanto, a torcida aplaudiu os jogadores, que retribuíram. Presidente e vice do clube desceram ao vestiário e agradeceram os jogadores (mesmo os reservas) e técnico, individualmente. Parece uma contradição?
Mais do que isso. Não há dúvidas de que o Milan fez o que pôde contra um Arsenal muito mais forte fisicamente e a temporada comprovou as limitações de um elenco carente. Haverá uma revolução? Tudo indica que não, ainda que os ‘bem-informados’ de plantão insistam no contrário.
A diretoria e comissão técnica certamente erraram na montagem do elenco para esta temporada – fato indiscutível. A um elenco de idade avançada, agregaram-se somente Alexandre Pato (a partir da metade dela) e Ba, um ex-jogador que provavelmente foi contratado por questões pessoais, a exemplo do holandês Esajas há alguns anos (que era amigo de infância de Seedorf). Ah, sim, também chegou Emerson, mas para azar do brasileiro, numa região do time em que o elenco não precisava de reforços.
A crítica mais comum ao Milan – a idade do elenco – é válida, mas não totalmente. O jogador mais velho do grupo, o lendário Paolo Maldini, foi um monstro nos últimos três jogos e deixou claro: se não tiver de atuar em 60 jogos no ano, ainda é um fora-de-série. E uma melhora nas condições de seu joelho o prontificaram a repensar a aposentadoria e cogitar mais um ano em ‘rossonero’.
Exaustão física, contusões e limitações de um grupo carente tecnicamente (leia abaixo) tiraram o Milan da briga domestica e internacionalmente. Contra o Arsenal, o cansaço do Milan foi claro nos dois jogos e não fosse o ‘bunker’ e a ausência de um artilheiro nato no time inglês, dois placares de 3 a 0 não seriam injustos, assim como os 18 pontos que separam Inter e Milan no campeonato também não o são.
O clima no elenco parece sereno e uma vaga na Liga dos Campeões (agora a um ponto de distância) está ao alcance. Com um jogo por semana, recuperando Seedorf, Jankulovski e Gattuso, apostar no Milan na quarta colocação da Série A em maio é seguro, ainda que o time não tenha um goleiro confiável, nem substitutos para a maioria das posições. Mais do que nunca, o time precisará de sua experiência. Felizmente para Kaká e companhia, isso sobra em Milanello.
Mercado mirado?

Pegando-se o time base do Milan (Dida; Oddo, Nesta, Maldini e Kaladze; Gattuso, Pirlo, Seedorf e Kaká; Gilardino (Inzaghi) e Pato), só nos extremos – o gol e o ataque – é que há necessidade urgente de reforços. Já no banco de reservas, uma longa lista de dispensas seria conveniente (Cafu, Serginho, Gourcuff, Favalli, Fiori, Ba e um entre Simic e Bonera).
Aí que jaz o problema que trouxe o Milan abaixo na LC – a necessidade de rodízio. No elenco como um todo, vários adversários europeus como Manchester United, Real Madrid, Barcelona, e alguns domésticos, como Inter e até mesmo a Roma, têm reservas mais próximos da qualidade dos titulares. Sob esta ótica, sim, se deve falar em necessidade de uma ‘revolução’ no Milan.
Só que a navalha não deve cortar tão fundo. O ambiente em Milanello leva muito em conta os vínculos pessoais e sob este aspecto, é difícil imaginar uma demissão em massa acontecer. Renovações de contrato recentes, como (e principalmente) a de Kaká, até 2013, sugerem que o grupo sabe o que vai acontecer e está todo de acordo.
As contratações no Milan dividem-se entre as ‘urgentes’, as ‘necessárias’ e as ‘convenientes’, seguindo uma ordem de gradação. Na primeira categoria, sem dúvida, estão as de um goleiro e um centroavante. Dida não perdeu a posição por preconceito ou perseguição, como eventualmente se vê a mídia brasileira sugerir, mas porque não tem uma boa performance há tempos. Apesar da fase regular, Kalac dá, no máximo, um bom reserva. Na frente, Gilardino não dá conta do recado e Inzaghi, 34 anos, é ótimo para atuar em 30 jogos no ano, mas insuficiente para uma temporada, especialmente com Pato ainda amadurecendo.
Entre as ‘necessárias’, o Milan faria bem em investir em um zagueiro central jovem, além de alternativas (também jovens) para as laterais da defesa. A retaguarda milanista, mesmo com alta média de idade (quase 34 anos) é a segunda melhor da Série A e se mantiver a média de 0,7 gols sofridos por jogo, está ótimo. Só que é prudente pensar no futuro e um dia Nesta e até Maldini vão parar de jogar.
Na categoria ‘convenientes’, o clube poderia dar a Carlo Ancelotti mais uma alternativa de jogo pelas alas (fala-se insistentemente em Zambrotta, do Barcelona) e tentar encontrar alguém para cobrir o papel de Pirlo, mesmo que isso significasse maturar um jogador novo. O esquema do Milan é ‘Pirlo-dependente’ e quando o bresciano não atua, o time se ressente. Alternativas possíveis? Uma improvisação de Seedorf na posição ou a escalação de Kakha Kaladze ali – na verdade, sua posição de origem no Dínamo Kiev e Dínamo Tbilisi.
O internauta pode se perguntar: “ah, mas o Milan já não precisava disso tudo no ano passado?”. É, precisava. Mas em favor da diretoria de Via Turati, pode-se argumentar que Dida não estava tão mal, que Ronaldo dava sinais de uma recuperação definitiva e mesmo Gilardino tinha marcado seus golzinhos (16, na última temporada). Daí fica a dúvida sobre qual será a atitude no mercado. Se não agir como um clube grande, o próximo será ainda pior, com o time um ano mais velho, com a Juventus mais poderosa e com Inter e Roma mais reforçadas.
Risco Parma, Cagliari condenado

A demissão do sétimo treinador na Série A (Domenico Di Carlo, do Parma) dá uma dimensão de quão caótico é o ambiente do atual torneio. Cagliari, Empoli, Livorno, Palermo, Reggina e Siena também já alteraram o comando (alguns, mais de uma vez) e arriscaram-se a virar estatística. Com tudo, com tanta gente chutando o balde, demitir o técnico deixou de ser quesito pró-rebaixamento.
Di Carlo pagou um preço pelo qual tem uma parcela de responsabilidade. Embora tenha a base muito jovem, o time tem um elenco para estar numa posição melhor do que a atual. Com Cristiano Lucarelli no ataque e alguns dos mais promissores jovens italianos da Série A (Dessena, Cigarini, Paci, Moretti, Mariga), os resultados do Parma ainda são perigosamente inconstantes.
Os favoritos para assumir o cargo, Nevio Scala e Alberto Zaccheroni, têm cancha suficiente para reverter o quadro. Scala conduziu o Parma em uma das melhores fases de sua história (dirigiu o time na Liga dos Campeões) e Zaccheroni, entre altos e baixos, fez uma Udinese formidável em 1998.
Quem parece mesmo fadado a passar um ano sabático na Série B é o Cagliari. Depois de todas as presepadas de seu proprietário, Massimo Cellino, o time é uma âncora e a última colocação lhe pertence desde a 13a rodada, consecutivamente. De lá para cá, somente duas vitórias em 15 jogos.
Seis clubes, três vagas

Uma derrota do Pisa e empates de Lecce Bologna e Chievo mergulharam a Série B numa corrida emocionante novamente, favorecendo o Brescia (numa reação considerável) e o líder improvável Albinoleffe. Cinco pontos separam o sexto colcado Pisa do líder de Bérgamo.
E são exatamente esses dois times – Pisa e Albinoleffe – que se enfrentam na partida mais interessante da próxima rodada. Na Arena Garibaldi, de Pisa, o clube que despontou como sensação do campeonato ateará fogo na disputa caso vença o ‘Leffe’, que nesse caso poderá ser ultrapassado por Bologna e Chievo (que recebem Piacenza e Ascoli). O Lecce visita o Spezia (que derrubou o Verona na última temporada) e o Brescia viaja a Mantova, um perigoso adversário, que está na ponta do ‘segundo bloco’ da tabela.
Curtas

– O clube de Appiano Gentile completou um século numa das melhores fases de sua história. E as comemorações foram merecidas.
– Leia o ‘Conheça o Clube’ feito por Dassler Marques, sobre um dos maiores clubes do mundo.
– Júlio César (Inter); Loria (Siena), Grygera (Juventus), Maldini (Milan) e Radu (Lazio); Ambrosini (Milan), De Rossi (Roma) e Camoranesi (Juventus); Kaká (Milan); Totti (Roma) e Pandev (Lazio).

A casa caiu
Ao terceiro apito do árbitro Konrad Plautz, no fim de Milan 0 x 2 Arsenal, o semblante do time em campo era soturno – assim como nas arquibancadas do Giuseppe Meazza. Nas redações italianas e do mundo, o burburinho de uma “reformulação profunda” no clube estava com força total. No entanto, a torcida aplaudiu os jogadores, que retribuíram. Presidente e vice do clube desceram ao vestiário e agradeceram os jogadores (mesmo os reservas) e técnico, individualmente. Parece uma contradição?
Mais do que isso. Não há dúvidas de que o Milan fez o que pôde contra um Arsenal muito mais forte fisicamente e a temporada comprovou as limitações de um elenco carente. Haverá uma revolução? Tudo indica que não, ainda que os ‘bem-informados’ de plantão insistam no contrário.
A diretoria e comissão técnica certamente erraram na montagem do elenco para esta temporada – fato indiscutível. A um elenco de idade avançada, agregaram-se somente Alexandre Pato (a partir da metade dela) e Ba, um ex-jogador que provavelmente foi contratado por questões pessoais, a exemplo do holandês Esajas há alguns anos (que era amigo de infância de Seedorf). Ah, sim, também chegou Emerson, mas para azar do brasileiro, numa região do time em que o elenco não precisava de reforços.
A crítica mais comum ao Milan – a idade do elenco – é válida, mas não totalmente. O jogador mais velho do grupo, o lendário Paolo Maldini, foi um monstro nos últimos três jogos e deixou claro: se não tiver de atuar em 60 jogos no ano, ainda é um fora-de-série. E uma melhora nas condições de seu joelho o prontificaram a repensar a aposentadoria e cogitar mais um ano em ‘rossonero’.
Exaustão física, contusões e limitações de um grupo carente tecnicamente (leia abaixo) tiraram o Milan da briga domestica e internacionalmente. Contra o Arsenal, o cansaço do Milan foi claro nos dois jogos e não fosse o ‘bunker’ e a ausência de um artilheiro nato no time inglês, dois placares de 3 a 0 não seriam injustos, assim como os 18 pontos que separam Inter e Milan no campeonato também não o são.
O clima no elenco parece sereno e uma vaga na Liga dos Campeões (agora a um ponto de distância) está ao alcance. Com um jogo por semana, recuperando Seedorf, Jankulovski e Gattuso, apostar no Milan na quarta colocação da Série A em maio é seguro, ainda que o time não tenha um goleiro confiável, nem substitutos para a maioria das posições. Mais do que nunca, o time precisará de sua experiência. Felizmente para Kaká e companhia, isso sobra em Milanello.
Mercado mirado?
Pegando-se o time base do Milan (Dida; Oddo, Nesta, Maldini e Kaladze; Gattuso, Pirlo, Seedorf e Kaká; Gilardino (Inzaghi) e Pato), só nos extremos – o gol e o ataque – é que há necessidade urgente de reforços. Já no banco de reservas, uma longa lista de dispensas seria conveniente (Cafu, Serginho, Gourcuff, Favalli, Fiori, Ba e um entre Simic e Bonera).
Aí que jaz o problema que trouxe o Milan abaixo na LC – a necessidade de rodízio. No elenco como um todo, vários adversários europeus como Manchester United, Real Madrid, Barcelona, e alguns domésticos, como Inter e até mesmo a Roma, têm reservas mais próximos da qualidade dos titulares. Sob esta ótica, sim, se deve falar em necessidade de uma ‘revolução’ no Milan.
Só que a navalha não deve cortar tão fundo. O ambiente em Milanello leva muito em conta os vínculos pessoais e sob este aspecto, é difícil imaginar uma demissão em massa acontecer. Renovações de contrato recentes, como (e principalmente) a de Kaká, até 2013, sugerem que o grupo sabe o que vai acontecer e está todo de acordo.
As contratações no Milan dividem-se entre as ‘urgentes’, as ‘necessárias’ e as ‘convenientes’, seguindo uma ordem de gradação. Na primeira categoria, sem dúvida, estão as de um goleiro e um centroavante. Dida não perdeu a posição por preconceito ou perseguição, como eventualmente se vê a mídia brasileira sugerir, mas porque não tem uma boa performance há tempos. Apesar da fase regular, Kalac dá, no máximo, um bom reserva. Na frente, Gilardino não dá conta do recado e Inzaghi, 34 anos, é ótimo para atuar em 30 jogos no ano, mas insuficiente para uma temporada, especialmente com Pato ainda amadurecendo.
Entre as ‘necessárias’, o Milan faria bem em investir em um zagueiro central jovem, além de alternativas (também jovens) para as laterais da defesa. A retaguarda milanista, mesmo com alta média de idade (quase 34 anos) é a segunda melhor da Série A e se mantiver a média de 0,7 gols sofridos por jogo, está ótimo. Só que é prudente pensar no futuro e um dia Nesta e até Maldini vão parar de jogar.
Na categoria ‘convenientes’, o clube poderia dar a Carlo Ancelotti mais uma alternativa de jogo pelas alas (fala-se insistentemente em Zambrotta, do Barcelona) e tentar encontrar alguém para cobrir o papel de Pirlo, mesmo que isso significasse maturar um jogador novo. O esquema do Milan é ‘Pirlo-dependente’ e quando o bresciano não atua, o time se ressente. Alternativas possíveis? Uma improvisação de Seedorf na posição ou a escalação de Kakha Kaladze ali – na verdade, sua posição de origem no Dínamo Kiev e Dínamo Tbilisi.
O internauta pode se perguntar: “ah, mas o Milan já não precisava disso tudo no ano passado?”. É, precisava. Mas em favor da diretoria de Via Turati, pode-se argumentar que Dida não estava tão mal, que Ronaldo dava sinais de uma recuperação definitiva e mesmo Gilardino tinha marcado seus golzinhos (16, na última temporada). Daí fica a dúvida sobre qual será a atitude no mercado. Se não agir como um clube grande, o próximo será ainda pior, com o time um ano mais velho, com a Juventus mais poderosa e com Inter e Roma mais reforçadas.
Risco Parma, Cagliari condenado
A demissão do sétimo treinador na Série A (Domenico Di Carlo, do Parma) dá uma dimensão de quão caótico é o ambiente do atual torneio. Cagliari, Empoli, Livorno, Palermo, Reggina e Siena também já alteraram o comando (alguns, mais de uma vez) e arriscaram-se a virar estatística. Com tudo, com tanta gente chutando o balde, demitir o técnico deixou de ser quesito pró-rebaixamento.
Di Carlo pagou um preço pelo qual tem uma parcela de responsabilidade. Embora tenha a base muito jovem, o time tem um elenco para estar numa posição melhor do que a atual. Com Cristiano Lucarelli no ataque e alguns dos mais promissores jovens italianos da Série A (Dessena, Cigarini, Paci, Moretti, Mariga), os resultados do Parma ainda são perigosamente inconstantes.
Os favoritos para assumir o cargo, Nevio Scala e Alberto Zaccheroni, têm cancha suficiente para reverter o quadro. Scala conduziu o Parma em uma das melhores fases de sua história (dirigiu o time na Liga dos Campeões) e Zaccheroni, entre altos e baixos, fez uma Udinese formidável em 1998.
Quem parece mesmo fadado a passar um ano sabático na Série B é o Cagliari. Depois de todas as presepadas de seu proprietário, Massimo Cellino, o time é uma âncora e a última colocação lhe pertence desde a 13a rodada, consecutivamente. De lá para cá, somente duas vitórias em 15 jogos.
Seis clubes, três vagas
Uma derrota do Pisa e empates de Lecce Bologna e Chievo mergulharam a Série B numa corrida emocionante novamente, favorecendo o Brescia (numa reação considerável) e o líder improvável Albinoleffe. Cinco pontos separam o sexto colcado Pisa do líder de Bérgamo.
E são exatamente esses dois times – Pisa e Albinoleffe – que se enfrentam na partida mais interessante da próxima rodada. Na Arena Garibaldi, de Pisa, o clube que despontou como sensação do campeonato ateará fogo na disputa caso vença o ‘Leffe’, que nesse caso poderá ser ultrapassado por Bologna e Chievo (que recebem Piacenza e Ascoli). O Lecce visita o Spezia (que derrubou o Verona na última temporada) e o Brescia viaja a Mantova, um perigoso adversário, que está na ponta do ‘segundo bloco’ da tabela.
Curtas
– O clube de Appiano Gentile completou um século numa das melhores fases de sua história. E as comemorações foram merecidas.
– Leia o ‘Conheça o Clube’ feito por Dassler Marques, sobre um dos maiores clubes do mundo.
– Júlio César (Inter); Loria (Siena), Grygera (Juventus), Maldini (Milan) e Radu (Lazio); Ambrosini (Milan), De Rossi (Roma) e Camoranesi (Juventus); Kaká (Milan); Totti (Roma) e Pandev (Lazio).

Um dia à milanesa

No apagar das luzes do último dia de jogos do Campeonato Italiano, não houve cidade mais feliz do que Milão. A metade ‘rossonera’ bombou o estádio Giuseppe Meazza, no bairro San Siro. Também, pudera. Além de poder ir ao campo já com a faixa de campeão no peito, o ‘tifoso’ milanista ainda veria a provável última aparição oficial do craque Roberto Baggio, que tem aposentadoria anunciada.

A 335 km dalí, na pequena cidade de Empoli, a Inter tinha uma missão aparentemente fácil. Aparentemente. Precisava bater o time da casa para garantir uma vaga na Liga dos Campeões, e evitar que Parma ou Lazio a ameaçassem. Foi duro, com sofrimento até o último momento, um pênalti não dado para o Empoli, mas deu Inter.

Claro que o “Baggio Day” em Milão foi muito mais vistoso. Oitenta mil pessoas aplaudiram de pé o “Codino” quando este deixou o campo, e todos fizeram questão de cumprimentá-lo. O Brescia perdeu por 4 a 2, mas o placar era irrelevante. A partida soservia para o Milan melhorar o recorde de pontos num único campeonato (agora são 82), dar mais um gol a Shevchenko para garantir-lhe o título de artilheiro do torneio e fazer jogar alguns reservas.

A festa de Empoli foi menor em tamanho, mas não em intensidade. O técnico interista, Alberto Zaccheroni, vibrou como uma criança, quando Adriano empatou o jogo, Recoba virou e, novamente Adriano, deu números finais ao marcador ‘nerazzurro’. ‘Zac’ deu uma choradinha na rampa quando viu Rocchi fazer o segundo do Empoli, mas o 3 a 2 servia, e garantia seu emprego, pelo menos, até a próxima crise, já na temporada que vem.

Muito se fala (e sempre se falou) da hegemonia do eixo Milão-Turim por conta de árbitros safardanas, mas a verdade é que, claro, os erros aconteceram, mas ninguém, em sã consciência, há de dizer que determinaram posições no torneio. Nem o pênalti não dado ao Empoli, nem nenhum outro.

A chiadeira contra os árbitros na Itália é muito mais decorrência de uma crise institucional, onde a arbitragem já não têm a confiança nem da Velhinha de Taubaté, do que qualquer outra coisa. Milão festejou neste domingo, e teve motivos para isso. O ciclo de alta do futebol romano, iniciado com o título da Lazio, em 2000, parece estar encerrado.

Inter ruim, mas com garra

Ainda não foi contra o Empoli que a torcida interista viu seu time jogar de forma envolvente e precisa. Mas pelo menos, já demonstrou alguma vontade, e isso conta bastante, especialmente para um time que ganhou dois ‘scudetti’ nos últimos 30 anos.

Sem Vieri, suspenso, Zaccheroni teve de apostar todas as suas fichas em Adriano. O brasileiro correspondeu, e mostrou que é uma das poucas apostas acertadas do time de Via Durini nos últimos anos. Adriano fez dois gols e abriu a defesa do Empoli à força, com um empuxo que, nem mesmo o nosso “Fenômeno” Ronaldo tem.

Zaccheroni mandou a campo um time todo desnaturado, com quatro na defesa, com Córdoba lateral-direito, Javier Zanetti na esquerda, e Kily Gonzalez e Martins atrás de Adriano no ataque. Naturalmente, a Inter só conseguia alguma coisa em movimentações individuais. Não à toa, os três gols saíram de jogadas assim, com Adriano cabeceando uma bola espirrada, Recoba cobrando falta e Adriano, novamente, arrastando a defesa toscana para dentro do gol, como se fosse um trator.

Impossível não voltar à comparação com Hector Cúper, técnico demitido na sexta rodada. Nos dois últimos anos, a Inter tinha esquema tático, posições bem definidas, terminou, respectivamente na terceira e segunda colocações, enquanto esta Inter não tem nenhuma dessas qualidades. A Inter de Cúper só não tinha respeito pelo treinador. Mas isso, parece que essa também não tem, em que pese a vitória em Empoli.

Não vou e ponto final

Toda a Itália ainda nutria uma saudável esperança de poder contar com um trio defensivo Cannavaro-Nesta-Maldini na Euro 2004, certamente uma tríade sem igual. Maldini se aposentou da camisa “azzurra” em 2002, mas sabe como é. A esperança é a última que morre.

Pois agora morreu. Logo depois da vitória sobre o Brescia, Paolo Maldini divulgou uma nota onde reafirmava sua aposentadoria, dizia já tê-la revelada ao técnico Trapattoni, e disse que era irreversível. A Itália sentiu uma pontada. Afinal, é o capitão da seleção durante dez anos, recordista de partidas com a camisa azul, sete ‘scudetti’ e quatro Copas dos Campeões que estava ficando de fora.

‘Trap’ queria um homem am mais no meio-campo. Confirmou isso numa entrevista, onde disse que estava cogitando levar somente quatro enão cinco atacantes, para ter mais opções de criação. Sem a defesa a três, terá obrigatoriamente de escalar um defensor a mais na direita (Panucci ou Bonera), Zambrotta como coringa de meio-campo e ataque, mais Totti atrás dos dois atacantes. Isto é, caso não tenha uma câibra no cérebro e resolva montar o 4-4-2 tradicional que enterrou a Itália em 2002.

Sem Maldini, Os defensores ganham mais uma vaga, mas ninguém está numa fase de dar gosto. Bonera teve um estupendo primeiro turno, mas depois de uma contusão, está vacilante; Panucci é irregular; Negro também não tem chamado a atenção, e Thuram, Cafú e Stam, os três melhores laterais da Série A, não são italianos.

Correndo por fora pela raia sete

Era uma vez um centroavante que jogava no Parma. Ele jogava pouco e se sentia um patinho feio, porque o titular brasileiro era incontestável. Seu concorrente só lhe deu uma chance quando se machucou e depois foi vendido para a Inter. Neste hiato, nosso protagonista explodiu, e deu às caras, provando que pode sim ser titular de qualquer equipe italiana.

A tentativa fracassada de fábula acima é para falar de Alberto Gilardino. ‘Gila’ começou reservíssima, mas terminou o campeonato aclamado como o atacante mais em forma do futebol italiano. Seus quatro gols diante da Udinese foram um show de eficiência. Gilardino marcou gols de reflexo, de cabeça, na velocidade e com grande técnica. Os quatro tentos do Tardini pareceram uma video-aula para atacantes. Não é certo que ele vire um Pelé, mas no momento, está naquelas fases em que encosta na bola e marca.

Gilardino era um dos últimos nas preferências, superado por Vieri, Del Piero, Inzaghi, Corradi, Miccoli, Cassano e sabe Deus quem mais. Hoje, numa enquete do site Gazzetta.it, só é superado por Totti e Vieri, dois “mammasantissima” do escrete ‘azzurro’, e que só não estarão em Portugal se estiverem em coma profundo.

A história de Gilardino com o Parma também parece próxima do fim. Gilardino, 22 anos recém-completados, é observado com ânsia pelor maiores times europeus; o Parma também tem uma ânsia, mas por dinheiro, na sua gigantesca luta contra o rombo-Parmalat. Quem colocar € 15 milhões na mesa, à vista, leva. Alguém deve levar, mas poucos têm uma carteira tão opulenta.

Um rebaixamento que doeu demais

Para o Ancona, o rebaixamento foi indolor. O clube já estava ciente de seu descenso na primeira rodada, quando foi enxaguado pelo Milan. Tanto é, que a descontração das últimas rodadas do time anconetano acabou sugando pontos preciosos para muita gente que ainda lutava seriamente.

Contudo, Modena e Empoli sentiram o rebaixamento como uma navalha na carne. Os dois times chegaram a dar sinais empolgantes durante a temporada (especialmente o Empoli, que partiu de um início à la Ancona para quase se safar). Mas não deu. E quem vai para a repescagem com um time da Série B (a ser definido em um mês, quando acaba o torneio – hoje seria o Piacenza), é o Perugia, da família Gaucci, certamente os dirigentes mais nocivos da Série A.

O Modena surpreendeu ao permanecer duas temporadas na mesma divisão. Tem um time com quase nenhum destaque (Dioumansy Kamara deve ser o único nome que pode render algum dinheiro ao clube, numa possível venda), começou a temporada com um treinador que vem de jornadas negativas (Alberto Malesani), e encontrou uma das disputas mais acirradas dos últimos anos.

O Empoli também pecou na escolha de Daniele Baldini para começar a temporada como treinador. Ex-jogador, só confirmou a máxima de que técnicos e jogadores não são necessariamente, frutos da mesma árvore. Demitido Baldini, Attilio Perotti levou algum tempo para engatar, mas deu uma cara ao clube, que tem um elenco regular e complicou a vida de muita gente.

O traqueteiro Perugia sai histérico de felicidade do episódio, porque também parecia mortinho da silva (como esta coluna tinha, erradamente, apostado). Ressurgiu exatamente quando deixou de lado a palhaçada (contratação de Ghedaffinho, de jogadores femininas e vendas de bons atletas), para botar ordem na casa. O veterano Ravanelli foi decisivo na luta do Perugia. Vejamos como o time umbro se sai nos playoffs.

Curtas

Shevchenko termina o campeonato pela segunda vez como artilheiro

Em sua primeira disputa na Itália, Sheva anotou 24 vezes e se sagrou ‘topscorer’, com o Milan chegando em 4o lugar

Desta vez, anotou outros 24, e já chegou á marca de 91 tentos na máxima Série italiana

Os 23 gols que Gilardino fez nesta temporada garantiram-lhe o recorde de gols feitos na Série A por um jogador do Parma

O recorde anterior era de Hernán Crespo, com 22

Lippi encerrou sua carreira na Juve com o número redondo de 200 vitórias

Esta é a seleção Trivela da derradeira jornada da Série A desta temporada

Hedman (Ancona); Cesar (Lazio), Coly (Perugia), Maldini (Milan) e Cafu (Milan); Kaká (Milan), Gattuso (Milan) e Stankovic (Inter); Adriano (Inter), Gilardino (Parma e Miccoli (Juventus)

Na semana que vem, juntamente com o balanço do torneio, você conhecerá a seleção TRIVELA do torneio desta temporada

Domingo é a final

A torcida do Milan até que acreditava, mas só na base da fé. O Milan poderia ter saído deste final de semana com o título na mão, mas o improvável precisava acontecer. A Roma teria de perder em casa para o Empoli (hoje na zona de rebaixamento) e o Milan teria de superar o difícil campo de Udine, onde somente quatro vezes os friulanos foram batidos.

Deu a lógica, e a decisão ficou adiada, por pelo menos mais uma semana. Mas assim, o embate entre Milan e Roma, no Giuseppe Meazza, no domingo que vem, ganha ares de decisão. Para seguir sonhando, a Roma tem de vencer de qualquer modo. No caso de um empate, o Milan passa a precisar de um ponto nos dois últimos jogos. E se os milanistas saírem vitoriosos, levantam a taça diante de sua torcida.

A comparação histórica dá larga vantagem ao Milan. Das 68 partidas disputadas em Milão entre as duas equipes, a Roma venceu apenas oito, sendo que a última, em 1987. Na comparação global, nos 136 jogos entre Milan e Roma (ida e volta), o Milan ganhou 64 e perdeu 32, com uma vantagem de 61 gols. Um motivo a mais para os milanistas não relaxarem, pois a sorte adora derrubar a estatística.

No jogo de ida, em Roma, a vitória do Milan, em 6 de janeiro, começou a provar que o time de Carlo Ancelotti era mais sólido do que o de Fabio Capello. Sob o aspectodos desfalques, outro empate. Nenhum dos dois times têm jogadores suspensos, mas ambos têm três atletas na enfermaria. O Milan não deve contar com Kaladze, Inzaghi e Pancaro; a Roma está privada de De Rossi, Zebina e Montella.

Nesta não vai acompanhar a seleção no amistoso contra a Huingria, mas provavelmente só por precaução, assim como De Rossi deve acabar tendo condição de jogo (embora Dacourt dificilmente perca a vaga). Mas como é que os dois treinadores tentarão a cartada decisiva?

Na Roma, não há mistério: Totti é quem decide. Anulado, a Roma não tem para onde correr, embora Cassano e Emerson sejam ótimos jogadores. Capello sabe disso, e deve apostar em Mancini para aproveitar as suas descidas, bem como usar D’Agostino como o meia-armador para municiar Totti.

No Milan, parece superada a bobagem da obrigação de jogar com dois atacantes. Ancelotti certamente fará marcação especial em Totti, escalará Kaká ao lado de Rui Costa, com Shevchenko mais adiantado. Quem pode acionar a máquina milanista é Pirlo. Se o mediano jogar sem marcação, causará estragos, porque terá uma infinidade de opções. Capello está ciente disso.

A vantagem territorial, na tabela e histórica aponta para o Milan como favorito. Mas o fato do jogo ser praticamente uma final é um fator que equilibra as coisas. A Roma era apontada, precipitadamente, no primeiro turno, como favoritíssima, e o Milan venceu. Se não houver mais desfalques, o bom senso colocaria o Milan com um favoritismo levíssimo, mas não mais que isso. Mesmo assim, segue com a faca e o queijo na mão para ganhar o título.

Juventus assina a demissão de Lippi

Marcello Lippi, o treinador da Juventus, já vinha cambaleando depois da desclassificação na Liga dos Campeões. O próprio já admitira, no passado, que pararia se não vencesse esta edição do torneio. Depois vieram as derrotas para a Roma, Milan e Lazio, na Copa Itália. Agora, perder em casa para o Lecce, foi a gota d’água. Na temporada que vem, só um milagre mantém o viareggino no Delle Alpi.

Lippi e seu time estavam secos por uma vitória, e acharam que o pobre Lecce poderia servir de “judas”. Tanto é que Lippi escalou uma defesa a quatro com Zambrotta lateral-esquerdo, um meio campo com Tudor, Appiah e Di Vaio (!), mais Nedved atrás de Miccoli e Trezeguet.

Quando o marfinense Konan (sem trocadilhos engraçadalhos) fulminou Buffon aos 30min do primeiro tempo, virando o jogo (Trezeguet abrira o placar aos 3min e Franceschini igualara aos 23min), Lippi jogou a toalha e admitiu que tinha mandado uma Juventus pessimamente escalada. A oficialização da capitulação de Lippi veio aos 35min, quando ele sacou Di Vaio, mandando Pessotto a campo, recompondo um meio-campo esbugalhado.

Era tarde. Konan estava mesmo numa tarde extraordinária, superou Buffon mais uma vez, ainda no primeiro tempo, e Chevantón, preciso como um relógio suíço, fechou questão aos 7min da segunda etapa. Maresca e Del Piero ainda diminuíram a distância, mas os quatro gols sofridos pela Juve já tinham feito o estrago. A mesma quantia de gols que encerraram a primeira passagem de Lippi pela Inter, em 1999, numa derrota também em casa, mas diante do Parma.

Lippi não será demitido imediatamente porque não haveria motivo. O clube juventino, apesar de tudo, ainda pode sonhar com o segundo posto (acesso direto à Liga dos Campeões), e mandar o técnico embora só conturbaria o ambiente. Contudo, seu futuro, que estava selado, mas nos bastidores, agora está abertamente decidido, com a Juventus já contatando possíveis substitutos. Os nomes mais cotados: Didier Deschamps (Monaco), Cesare Prandelli (Parma) e Luigi del Neri (Chievo). Outra certeza: a defesa juventina sofrerá mudanças radicais para a próxima Série A.

O ‘scudetto’ é o quarto posto

Ainda há uma briga considerável pelo título na Itália, na medida em que uma vitória romanista, domingo, pode deixar as duas últimas rodadas eletrizantes. Também é verdade que a luta na parte de baixo da tabela, também é sangrenta. Nenhuma, porém, é mais indefinida do que a luta pelo quarto lugar, o último que dá vaga para a Liga dos Campeões.

Internazionale (53 pontos), Lazio e Parma (ambos com 52) travam uma briga de foice, e, se há algumas rodadas, era possível dizer que este time ou aquele tinham vantagem, agora, se alguém tem vantagem, mínima, é a Inter, com um ponto a mais que os rivais.

A jornada de número 32 é claramente favorável ao Parma. O time ‘gialloblú’ (que precisa mais do que ninguém da injeção de dinheiro da LC) pega o rebaixado Ancona em casa, enquanto a Lazio recebe a ameaçada Reggina no Olímpico, e a Inter faz uma viagem duríssima a Lecce (melhor time do segundo turno, depois do Milan).

Na penúltima rodada, provavelmente a partida que decide a vaga. O encontro direto entre Inter e Parma, em Milão. Não que a Lazio tenha um jogo mole (vaià Brescia, pegar um Roberto Baggio que ainda pensa sim em Seleção), mas uma vitória na partida de San Siro seria quase que definitiva.

Na 34a rodada, somente o Parma tem um compromisso teoricamente difícil. Recebe a Udinese, em busca de pontos para a Copa UEFA, no Ennio Tardini, enquanto a Lazio recebe um Modena ascendente, e a Inter viaja a Empoli para enfrentar um time que a humilhou dentro do Giuseppe Meazza.

Como se vê, os resultados de cada rodada podem tirar times da briga ou colocá-los como favoritos na corrida. À parte o embate Inter x Parma, o que parece mais plausível é que a equipe que desperdiçar menos pontos contra os “pequenos”, é a que fica com a quarta vaga. Mas nessas últimas três rodadas, e fugindo do rebaixamento, esses pequenos vão se agigantar.

A nostálgica “Azzurra” de Trapattoni

Giovanni Trapattoni decidiu fazer uma homenagem a dois veteranos da “Azzurra” e pode acabar criando uma dor de cabeça. Na sua convocação para o amistoso contra a Hungria, nesta quarta, no estádio Marassi, em Genova, os nomes incomuns foram os de Roberto Baggio e Angelo Peruzzi.

A homenagem vem até num momento em que muitos dos titulares de Milan e Roma (Totti, Nesta, Gattuso) sentiram “repentinas” dores, que só serão curadas na quinta de manhã. Não querem arriscar a partida de domingo entre as duas equipes, crucial na ótica do título.

A grande questão é: se Roberto Baggio fizer chover (e ele SABE fazer chover), poderá Trapattoni deixá-lo de fora da convocação para o Europeu, mesmo depois de ter se arrependido de fazer isso em 2002? E quem seria sacrificado?

Genova dá sorte à “Azzurra”. Em 22 partidas, a Itália só perdeu duas vezes, sendo que a última foi há 80 anos (4 a 0 para a Áustria, em jogo amistoso). A última vez em que o selecionado italiano se apresentou na capital da Ligúria, foi com uma vitória sobre Portugal, na estréia de Luiz Felipe Scolari como treinador, em fevereiro de 2003. Os convocados:

Goleiros: Buffon (Juventus), Peruzzi (Lazio);
Defensores: F. Cannavaro e Materazzi (Inter), Favalli e Oddo (Lazio), Ferrari (Parma), Legrottaglie e Zambrotta (Juventus), Panucci (Roma)
Meio-campistas: Ambrosini e Pirlo (Milan), Diana (Sampdoria), Fiore (Lazio), Nervo (Bologna), Perrotta (Chievo)
Atacantes: R. Baggio (Brescia), Corradi (Lazio), Di Vaio (Juventus), Miccoli (Juventus), Vieri (Inter)

Curtas

Os 76 pontos conquistados pelo Milan no empate em Udine já são um novo recorde para os campeonatos de três pontos por vitória

Maldini passou a ser o 5o jogador com maior número de presenças na Série A, 532, junto com o goleiro Albertosi. O próximo a ser atingido é Roberto Mancini, com 541

O recoordista absoluto é Dino Zoff, com 570

Também na partida contra a Udinese, Maldini passou Baresi, em partidas de campeonato pelo Milan, com a diferença que Baresi jogou algumas delas na Série B, enquanto Maldini só jogou na divisão máxima

Recorde negativo para a Juventus, que há 10 anos não sofria 40 gols em uma temporada da Série A

Na trágica derrota para o Lecce, David Trezeguet completou 100 jogos de Série A pela Juve, com 63 gols anotados

Esta é a seleção Trivela desta 31a rodada

Peruzzi (Lazio); Stam (Lazio), Kroldrup (Udinese) e Mihajlovic (Lazio); Franceschini (Lecce), Ledesma (Lecce), Tedesco (Reggina) e Blasi (Parma); Totti (Roma); Konan (Lecce) e Chevánton (Lecce)

Para entrar para a história

Se não fosse a derrota para o Boca Juniors na final da Copa Intercontinental, em Tóquio, em dezembro, a temporada do Milan até aqui teria sido rigorosamente perfeita. Carlo Ancelotti conseguiu montar um time que marca gols e se defende á beira da perfeição, e os números de sua campanha comprovam isso.

O time ‘rossonero’ tem uma escalação titular: Dida, Cafu, Nesta, Maldini e Pancaro; Pirlo, Gattuso, Kaká e Seedorf; Shevchenko e Tomasson. Pelo menos é essa a conclusão que se tira em relação ao tempo dos jogadores em campo. Talvez aí esteja boa parte do segredo do time.

“Na manga”, Ancelotti tem nomes como Ambrosini, Rui Costa, Inzaghi, Kaladze, Serginho e o “highlander” Costacurta. O curioso é que alguns dos titulares, como Tomasson e Pancaro, ganharam a vaga pelas contusões dos “titulares”, fato pelo qual o Milan ainda tem reserva técnica para a reta final das suas competições.

O técnico Carlo Ancelotti foi acusado de tudo: retranqueiro, preconceitusoso (“persegue Rivaldo”), limitado taticamente, e “muito amigo dos jogadores”. Mesmo assim, conseguiu inventar um atacante como primeiro volante (Pirlo), conciliar uma defesa sólida à italiana com um ataque ofensivo à espanhola, gerenciar um grande número de craques no banco de reservas, chegando às quartas-de-finais da Liga dos Campeões com uma confortável vantagem de sete pontos no campeonato, que faz realmente possível o inatingível objetivo da conquista das duas competições.

Um aliado de inestimável valor do Milan é o MilanLab, que até poucos meses vinha sendo contestados por alguns gênios, que entendem tanto de medicina esportiva quanto de física nuclear (ou de futebol). O fato é que, enquanto Roma, Inter e Juve têm as enfermarias mais ou menos cheias, Carlo Ancelotti só não pôde contar com Brocchi e Redondo para o jogo contra a Juventus.

No final de semana que vem, o Milan tem tudo para dar o golpe final na conquista do torneio. Se vencer o Parma no Giuseppe Meazza, os ‘rossoneri’ torcem para que a Lazio em boa forma bata a Roma, retribuindo a derrota do primeiro turno. Aí, só um milagre histórico tira o ‘scudetto’ de Milão.
Duzentos!

Roberto Baggio ganhou, neste final de semana, uma vaga num clube seletíssimo. Com seu 200º gol na Série A italiana, Baggio passou a ser o quinto jogador da história a ter feito mais gols na competição. O gol era esperado há semanas, e tanto seus companheiros e torcedores, como adversários, pararam para a plaudir aquele que é o maior jogador italiano dos últimos 20 anos.

Alguns podem argumentar que um entre Franco Baresi, Gaetano Scirea, ou Dino Zoff mereça este título. Mas é em vão. Baggio é o esportista italiano mais conhecido na Itália e no mundo. Joga com 37 anos um futebol de primeiríssima classe, e só não chegou a esta marca mais cedo porque teve diversos atritos com treinadores ao longo de sua carreira.

À frente de Baggio, só lendas. Com 216 gols, Giuseppe Meazza, craque que se notabilizou na Inter, mas também jogou por Juventus, Milan e Atalanta, e José Altafini, piracicabano que brilhou no Milan, Juve e Napoli; 225 gols é a marca de Gunnar Nordahl, maior atacante da história do Milan, que também atuou pela Roma; e Silvio Piola, com 274 gols, divididos entre Pro Vercelli, Lazio (maior atacante da história do clube), Juventus e Novara (passou pelo Torino mas não chegou a jogar).

A dificuldade que Baggio teve com os técnicos foi em decorrência de seu estilo. O craque sempre precisou de espaço e liberdade para atuar, e nem todos os seus comandantes estavam dispostos a tanto. Com Marcello Lippi, criou uma inimizade profunda; com Arrigo Sacchi, fez as pazes anos depois.

Mas a grande verdade é que a Itália ama Roberto Baggio e pede encarecidamente a ele que não pare de jogar no fim desta temporada, como ele se diz determinado. Seu tornozelo aflito por lesões é a maior causa da decisão; seus gols e jogadas espetaculares são os maiores motivos para que ele siga adiante. Tomara que ele siga adiante. Feliz definição foi a do técnico do Perugia, Serse Cosmi: “Não dá para não dar os parabéns a um jogador que marcou um número ignorante de gols. Tenho inveja de quem pôde ter a honra de treina-lo”.

Morte em Turim

Agora, nem mesmo a ‘grinta’ juventina deve bastar. A derrota para o Milan no Delle Alpi, na mesma semana da desclassificação da Liga dos Campeões, foi o golpe de misericórdia na temporada ‘bianconera’. Agora, a Juve se agarra à uma Copa Itália que, até pouco tempo, era desprezada.

O desastre juventino não começou nesta semana. Começou, provavelmente, em junho, quando Lippi e a comissão técnica decidiram antecipar o início da pré-temporada, visando poder chegar na final da Liga dos Campeões no ápice da forma, com uma prevista queda de rendimento no final de 2003. Tal decisão explica o início turbinado dos piemonteses nas primeiras rodadas, e o declínio natalício. Lippi esperava poder gerir esta queda, mas não contava com alguns obstáculos.

O primeiro deles foi o não-inserimento de Nicola Legrottaglie na sua defesa. O ex-atleta do Chievo até que começou bem, mas logo começou a sentir os efeitos de uma pubalgia que não o abandonou mais. Some-se a isso um Tudor que está há dois anos na enfermaria, um Paolo Montero visivelmente em declínio e um Ciro Ferrara que segue como o mais confiável defensor, mas já com 37 anos.

Outro entrave sério foi o capítulo Davids. O volante holandês era vital para a Juventus, e Stephan Appiah não está à sua altura. Com Davids indo para o Barcelona, o meio-campo juventino jamais teve a mesma solidez, enquanto o catalão mudou da água para o vinho, e o time do Nou Camp volta a competir por uma vaga na Liga dos Campeões.

O ataque do time também não colaborou. Del Piero teve pelo menos três contusões (a últiam delas, aos 5’ da partida contra o Deportivo), e Trezeguet jamais conseguiu nesta temporada manter uma série de partidas seguidas. Marco Di Vaio e Fabrizio Miccoli sentem-se desprestigiados, e isso é nítido. Ah, sim: Zambrotta também está KO, com uma lesão muscular.

O último problema foi mesmo um erro da diretoria. Com um elenco já curto, a Juve liberou Olivera, Fresi e Zalayeta em janeiro. Não que os três fossem tecnicamente espetaculares, mas era absolutamente necessário que viessem reforços. Falou-se muito em Fiore, Stam, Corradi, Ibrahimovic e Stankovic, mas ninguém foi apresentado como reforço. Não à toa, a Juve tem jogado todas as partidas com pelo menos três ou quatro jogadores das divisões de base.

A grande pergunta agora é se Lippi permanece como treinador para a próxima temporada. O próprio técnico já admitiu que o jogo contra o Deportivo pode ter sido o seu último pela Liga dos Campeões. É uma deixa para assumir a Itália depois do Europeu. Trappatoni só fica se vencer a competição. Herdeiros para Lippi? Vamos deixar esta especulação para mais para frente.
Como se não faltassem problemas…

A Roma sabia que não podia patinar. O Milan embalado não dá sinais de que vai fraquejar. Totti joga com dores no joelho e púbis há mais de quarenta dias justamente por isso. E aí veio o empate com a Reggina, uma das últimas colocadas do Italiano. Um balde de água gelada em todo mundo.

O time de Capello pressionou o tempo todo, mas não passou por um bem-organizado meio-campo do time calabrês. Ademais, ficou claro que Montella, recuperando-se de contusão, ainda precisa de tempo para voltar a seu melhor. Tempo este, que a Roma não tem.

Para o jogo contra a Lazio, que está numa fase melhor, O treinador Capello perdeu de uma vez só o zagueiro Zebina (terceiro cartão amarelo) e o defensor Panucci. Quando ordenado por Capello para se aquecer para entrar no jogo, simplesmente respondeu: “Você não quis me colocar desde o começo, agora quer que eu entre? Não vou”. Um atônito Capello custou a acreditar, mas sem perder a compostura, disse. “Não, fique aí. Parabéns”. Apesar de Capello afirmar que está tudo Ok, é quase certo que a história do defensor no time esteja encerrada.

Uma última observação: com o ‘scudetto’ praticamente nas mãos do Milan, o melhor que Capello poderia fazer é mandar Totti ao departamento médico, para que ele pudesse se recuperar adequadamente para a Euro 2004. Mas um palpite diz que a Roma vai arriscar, e a Itália vai pagar um preço alto por isso.

Curtas

A respeitável revista francesa “France Football” noticiou na última segunda-feira que o atacante Olivier Kapo, do Auxerre, assinou contrato com a Juventus, para a próxima temporada.

Se isso se confirmar, é sinal de que um entre Trezeguet, Miccoli e Di Vaio, deverá deixar Turim

Giuseppe Favalli, da Lazio, completou neste final de semana sua partida de nùmero 350 na Série A; 200 participações para Vincenzo Montella

Para Alessandro Costacurta, 600 jogos com a malha do Milan

Milan recordista: só a Inter de Trapattoni tinha conseguido igualar a marca de 64 pontos em 25 rodadas

Na verdade, a Inter de ‘Trap’ tinha tido a mesma campanha (20 vitórias, 4 empates e uma derrota), mas somente 44 pontos, pois o regulamento ainda previa dois pontos por vitória

Até aqui, a média do Milan é a de 2,56 pontos por jogo

Capítulo Inter: dois pontos nas últimas seis jornadas

Cada vez mais, a cova de Zaccheroni parece aberta

Já se fala até em Trappatoni para sucedê-lo

O clube de Appiano Gentile parece mesmo num eterno inferno astral

Tanto que, Adriano, que comia a bola no Parma, na Inter parece um reserva do Guapira

Esta é a seleção Trivela desta rodada

De Sanctis (Udinese); Cafu (Milan), Barzagli (Chievo), Maldini (Milan), Diana (Sampdoria); Jorgensen (Udinese), Mauri (Brescia), Barone (Chievo), Seedorf (Milan); Baggio (Brescia), Cipriani (Sampdoria)

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén

Top