Tag: Giovanni Trapattoni (Page 1 of 2)

O peso do mundo

A desgraça futebolística que se abateu sobre a Itália certamente é o fato mais relevante do futebol mundial nestes dias anteriores à Copa. Exceção feita à Inglaterra, onde a presença de Rooney é rainha absoluta das manchetes de jornais, toda a Europa comenta ou faz projeções baseadas em superstição onde a seleção de Marcello Lippi e a ‘Azzurra’ campeã mundial de 1982 são comparadas.

Ler mais

A ‘Azzurra’ agüenta?

O futebol italiano passou pelas duas semanas mais longas da sua história. A cada dia, o italiano descobria que o poço sempre pode ser mais fundo, a lama mais fétida e sim, o seu time sempre pode estar mais envolvido. Especialmente quando se trata de cores juventinas.

Ler mais

O rei de Parma

Depois da queda do império Parmalat, o Parma assistiu a uma grande mudança no seu elenco. Saíram de cena os jogadores de salários gigantes (alguns, craques como Buffon; outros, pífios como Djetou), e entraram no palco nomes modestos como Bolaño, Dessena e Cardone. O resultado é mais que óbvio: o clube trocou de lado na tabela.

Ler mais

A Itália está se achando

Em março de 2002, a Itália estava num momento de confiança dúbia, parecido com o que estava até a semana passada. Nem se achava um lixo, nem se vangloriava. Daí veio um amistoso internacional, contra a Inglaterra, na casa do adversário (no estádio Elland Road, em Leeds). A Itália conseguiu a virada no segundo tempo quando todo o time da Inglaterra tinha sido substituído – e de pênalti.

Ler mais

Com seis anos de atraso

O ano era o de 1998. Luigi Di Biagio, então meia da Roma, bate o seu pênalti contra a França (futura campeã do mundo), e erra. Cai de joelhos. A Itália estava fora da Copa do Mundo, e o período de Cesare Maldini no comando da “Azzurra” estava igualmente encerrado.

Um nome sobre todos era apontado como o mais adequado técnico para a seleção italiana. Marcello Lippi, então treinador da campeã italiana, Juventus. Lippi tinha somente mais um ano de contrato, já era tido como um treinador de nível internacional, e tinha o apoio maciço do país.

O próprio Lippi, quando sondado, acenou positivamente. Mas a Juventus bateu o pé e disse que não liberaria seu treinador campeoníssimo antes do fim do contrato. Ali, a diretoria da “Vecchia Signora” estava cometendo um erro que penalizaria a todos: Lippi, a Itália e a própria Juve.

Desgostoso com a decisão da Juve, Lippi decidiu que deixaria a Juventus, e ainda em dezembro, anunciou que viria a ser treinador da Inter. O clima desandou no vestiário juventino, pois os jogadores perderam o temor reverencial que devem ter pelo técnico. Resultado: em janeiro, depois de uma goleada para o Parma, em casa, Lippi acabaria despedido, e a Juve terminaria aquele campeonato em 6o lugar, o pior posicionamento de lá para cá.

Para a Itália, a mixórdia foi semelhante. O técnico que cumpriu o mandato tampão de dois anos foi Dino Zoff. Mesmo tendo levado a Itália à final da Euro 2000, Zoff foi criticado duramente por muita gente, inclusive pelo premiê Silvio Berlusconi, que sugeriu a ele que se demitisse depois da derrota para a França. Zoff saiu fora.

Mas aí, Lippi era técnico da Inter, um projeto pelo qual nutria grande estima. Estava fora de cogitação. Capello estava na Roma, e bem (seria campeão naquele ano). O nome que acabou ganhando a parada foi o de Giovanni Trapattoni, que estava sem time e que tem grande história no futebol peninsular.

A indicação de Trapattoni foi até feliz, no início, mas a caminhada para a Copa de 2002 já dava sinais de vazamento de óleo. Com vitórias magras e sobre times nem sempre expressivos, sem convencer, a Itália chegou à Copa se iludindo sobre suas chances. Foi eliminada pela Coréia jogando uma pouca vergonha de futebol. Mas ainda havia a desculpa que o culpado pela derrota era o árbitro equatoriano Byron Moreno, que tinha expulsado Totti.

Fechando os olhos; batendo na parede

Os italianos se dividiram: uma parte, mais lúcida, achava melhor que Trapattoni se demitisse (ou fosse demitido); outra parte, defendia o ‘velho lobo’, dizendo que a Itália não tinha jogado mal, mas tinha sido roubada pela Coréia do Sul. E assim, quietamente, ‘Trap’ foi se segurando no cargo. Conseguiu finalmente garantir sua manutenção no posto ao classificar (não sem suar) a Itália para a Euro 2004.

Mas depois de uma campanha patética como a da Euro 2004, não dava mais para defender o treinador (embora ele mesmo tenha dito que “não sabe porque a Itália estava sendo criticada, já que não tinha perdido). Ainda em Portugal, o presidente da Federcalcio já anunciava que Trapattoni estava fora, e assumia a culpa por tê-lo mantido no cargo, erradamente, depois do fiasco de 2002.

É verdade: a Itália não perdeu nenhum jogo na Euro 2004, e terminou com o mesmo número de pontos que Suécia e Dinamarca (5). Mas ao contrário dos escandinavos, a Itália não jogou um único minuto de futebol aceitável. Como em 2002. E curiosamente, Totti também foi expulso. Foi a vez de Byron Moreno se vingar: “Estão vendo como é a Itália que joga mal e como Totti comete faltas de expulsão?”.

Voltando à Itália, Trapattoni deu algumas entrevistas, não criticou abertamente a federação, mas colocou a culpa em Vieri, Del Piero e Totti, dizendo que esperava mais dos três. Poderia também se lembrar que passou 4 anos sem dar um padrão de jogo à Itália, e fez um meio-campo paupérrimo (Zanetti e Perrotta) baseado na superstição, já que, com a dupla em campo, nunca perdeu.

Parece que agora vai

Marcello Lippi já deu indicações de que não fará revoluções na seleção. A começar pelo sistema de jogo. Deve ficar no mesmo 4-3-1-2 de Trapattoni, com Zambrotta híbrido de defensor e meio-campista. As alterações devem ser nos nomes, em decorrência principalmente da idade.

Lippi vai fazer o que Trapattoni deveria ter feito antes da Euro. Daniele Bonera deve gaanhar a vaga na lateral-direita. Christian Panucci já faz parte da velha guarda, e seu futebol jamais convenceu Lippi. Junto com Bonera, devem ganhar chances na seleção principal também Barzagli (Chievo) e Ferrari (Parma).

No meio-campo, Lippi fará o lógico e vai manter a dupla Gattuso-Pirlo, que dá tão certo no Milan. A terceira vaga pode começar ainda com Perrotta, mas deve ser disputada. Brighi, Maresca, Ambrosini, Tacchinardi, todos têm boas chances de disputarem as eliminatórias da Copa como titulares. Totti, o número “1”, é intocável.

No ataque, é bastante possível que Lippi sque Del Piero e Vieri de uma vez só. Cassano está praticamente garantido, depois do exccelente Europeu, e Vieri, com 32 anos, terá de jogar muita bola para não perder a vaga para Gilardimo, sensação italiana da temporada.

Há mjuito tempo que a “Azzurra” não tem um treinador com a capacidade de Marcello Lippi. O viareggino não joga para se defender, e tem um repertório tático à altura da fama da seleção italiana. Problemas? Sim. Lippi, como seus antecessores, precisa achar boas alternativas para as faixas laterais do campo, onde somente Zambrotta e Camoranesi são opções. Quando eles jogam mal, babau.

Curtas

A Juventus finalmente chegou a um acordo com o atacante David Trezeguet, que deve renovar por mais quatro anos

Trezeguet negocia duramente com o clube de Turim há pelo menos dois anos

A Inter, por sua vez, está mais perdida que cego em tiroteio

Depois de ter anunciado Roberto Mancini como treinador, a Lazio abriu o bico e disse que não vai deixar o treinador rumar para Milão

Claro, que, com algum dinheiro, a Lazio pode se tornar bem mais amistosa

Alguns jogadores também poderiam servir

E já pensando nisso, a Inter continua tão frenética no mercado de jogadores, que se esta coluna fosse listar todos os jogadores cujo nome é ligado ao clube, o servidor da Trivela entraria em pane

A Lazio precisaria mais do que nunca de jogadores, uma vez que já perdeu Corradi e Fiore para o Valencia

Nessa, o Milan, que estava de olho em Corradi, agora busca outro nome para ser o quarto atacante

Provavelmente será um nome de segundo escalão, como Cossato, exatamente o jogador que substituiu Corradi no Chievo

Eterno caldeirão

Talvez a explicação seja astrológica, esotérica, mística ou sei lá o que. O fato é que alguns clubes parecem jamais ter paz. Até quando as coisas vão bem, a coisa ferve. Em todo o mundo é assim. Em tais lugares, a crise sempre aguarda atrás da esquina; a agitação está a um passo da glória.

Na Itália, este clube é a Inter. Claro, os 15 anos sem títulos acentuaram o problema. Só que o “caldeirão” de Appiano Gentile tem uma tendência “histórica” para a entropia, para o caos, para o litígio. Nesta temporada, a discussão, acreditem ou não, gira em torno de Christian Vieri, o homem que fez 106 gols em cinco anos de Inter.

Em qualquer clube do mundo, Vieri seria preservado como um Boticcelli em um museu imponente. Mas na Inter, Vieri é contestado por parte da torcida, pelo treinador, pela diretoria, por todo mundo. Tanto que, segundo a imprensa local, a Inter está fazendo de tudo para conseguir se desfazer de seu jogador número 1.

É bem verdade que se livrar de pagar o salário de € 7milhões anuais seria um alívio para os cofres do clube. Mas um clube que paga € 4,5 mi por ano para Recoba, não tem direito de querer economizar justamente no seu único jogador capaz de definir as partidas, e que arrasta a Inter quase sozinho.

Para “interizar” ainda mais a situação, o clube ‘nerazzurro’ está negociando justamente com a Juventus. A Inter quer Di Vaio e Blasi em troca de Vieri, que segundo consta, já teria até entrado em acordo com o time de Turim. O negócio não estaria fechado porque a Juve considera a pedida alta demais, e aceita somente dar Di Vaio.

Marco Di Vaio é um ótimo jogador, mas Vieri, mesmo não sendo um prodígio de técnica, é um fabuloso goleador, e em qualquer campeonato. Entrega-lo para uma Juventus que terá Fabio Capello no comando é quase pedir para tomar na cabeça. Exatamente o que está acontecendo.

Vieri está sendo somente mais um capítulo da gestão Massimo Moratti, onde os craques chegam à Inter, não jogam nada, são dispensados, e viram craques de novo, como aconteceu com Pirlo, Seedorf e tantos outros. Moratti pode amar a Inter, mas sua gerência de elenco é desastrosa. E visivelmente manipulada por empresários gulosos.

O problema do “excesso de paixão” de Moratti parecia ter sido superado com a indicação de Giacinto Facchetti para a presidência do clube. Os últimos meses, porém indicaram claramente que é Moratti que manda e desmanda, e a entropia interista segue aumentando.

Quando se fala de mercado de jogadores na Itália, dificilmente a Inter não é uma das “interessadas”. Renovando o elenco como se precisasse de uma transfusão de sangue, o clube nunca forma um time, jamais respalda um treinador e sempre tropeça nos próprios cadarços. Se ceder Vieri à Juventus, vai fazê-lo mais uma vez. E aí, no próximo “Derby d’Italia”, Vieri vai se vingar da Inter com uma fúria incrível.

Pronta!

Se o técnico Giovanni Trapattoni não tiver nenhum contundido antes do início da Eurocopa, o seu time titular ‘ideal’ será mesmo aquele que se imaginava , antes da convocação. Trapattoni aprovou em bloco o desempenho de seus jogadores e tomou cuidado para evitar a casca de banana que era deixar Del Piero no banco.

‘Trap’ teve um único incidente com Angelo Peruzzi, goleiro da Lazio, de 34 anos, que se sentiu mal, achando que estava sendo relegado incondicionalmente à posição de terceiro goleiro. Mas cuma conversa com o técnico parece ter esclarecido tudo. Até porque Buffon é titular até numa seleção mundial…

Na verdade, mesmo Peruzzi sendo um excelente arqueiro, convoca-lo foi um erro. Isso porque dificilmente o jogador da Lazio ganharia a posição de Buffon e Toldo (titular na última Eurocopa). E assim sendo, a experiência indica que para o papel de goleiro “3”, é sempre melhor convocar um jogador novo, que possa ganhar experiência para futuras competições. Nesta caso, Pelizzoli, da Roma, era o mais indicado.

Digressão feita, voltando à escalação, já supondo Buffon no gol: Panucci, Cannavaro, Nesta e Zambrotta; Camoranesi, Perrotta e Cristiano Zanetti; Totti; Del Piero e Vieri. Este é o time que, segundo Trapattoni, deve começar a partida contra a Dinamarca. E Trap deu boas explicações para isso.

Uma das dúvidas era entre Cassano e Del Piero. A imprensa de Roma, principalmente, queria Cassano por causa de sua excelente temporada. Mas Trappatoni deu uma dentro ao manter Del Piero. Segundo ele (‘Trap’), o time ficava muito desequilibrado com Cassano. Isso sem falar que o juventino agrega uma experiência muito maior.

Outra dúvida era uma possível utilização de Fiore no lugar de Camoranesi. Só que o jofador da Lazio, além de estar numa forma física pior do que a do juventino, também não oferece ao time as incursões à linha de fundo proporcionadas por Camoranesi. E assim, as dúvidas foram praticamente dissipadas.

Cassano, Fiore, Pirlo, Gattuso e Di Vaio são os “quase titulares”, ou seja, aqueles que podem ganhar uma vaga de acordo com os acontecimentos. É umbanco excelente. Mas o internauta atento já percebeu. Apesar de ter uma dupla de zaga espetacular, a zaga central é a única posição onde Trappatoni não tem opções à altura. O negócio é torcer para Cannavaro e Nesta não sentirem nem uma dor de barriga.

Curtas

A Roma está chorando na rampa, mas deve acabar vendendo o brasileiro Emerson para a arqui-inimiga Juventus

O meio-campista quer continuar sob a batuta de Capello, e na Juve, os dois sabem que podem fazer parte de um time histórico

Se Emerson sair, a primeira opção da Roma é Perrotta, do Chievo

Uma curiosidade: Perrotta já foi da Juventus.

Seu passe, no entanto, foi dado ao Bari como parte do pagamento pela contratação de Zambrotta, em 1999; depois disso, o meio-campista foi para o Chievo

Perdido Samuel para o Real Madrid, e Zebina para a Juventus, a Roma deve apostar em Philippe Méxes, zagueiro do Auxerre

Outra opção é Matteo Ferrari, do Parma

Certo mesmo é que a Roma vai contratar um zagueiro para ser titular

O Chelsea teria feito uma oferta de US$ 50 milhões mais o passe de Hernán Crespo por Shevchenko

O Milan e o Chelsea negam, mas se foi verdade, Sheva, que acabou de renovar com o clube de Milão até 2009, pode se sentir MUITO querido, porque é grana pra c….

Ainda em Milão: a contratação de Verón, por empréstimo, é a primeira acertada em muito tempo, supondo-se que o argentino volte a jogar o que sabe

Neste final de semana, mais um time meridional conquistou vaga para a Série A

Se trata do Messina, da cidade de mesmo nome

A Atalanta também está praticamente promovida

Só não sobre se perder sua última partida e a Fiorentina vencer a sua

Daí, invertem papéis, com a Atalanta (e não a Fiorentina) pegando o Perugia num playoff

Segurando a ponta

A derrota dos campeões europeus para o Deportivo la Coruña, a semana passada, não foi só um resultado chocante. Foi também uma pancada no moral de um elenco que já se acreditava semi-finalista. O Milan era favorito para a conquista, CONTANTO que não subestimasse os adversários. O Depor jogou tudo, o Milan nada, e 4 a 0 foi justo. O drama, então, passava a ser a Série A. Mas quão grande é a crise milanista?

Falar em crise já é exagero. O Milan vinha de duas semanas com dois jogos em cada uma (onde empatou com Modena e Chievo, além de eliminar o Sparta e destroçar o Deportivo em Milão). Some-se a isso os jogos das seleções, que levaram praticamente todo o time titular do Milan para longas viagens, dando direito, inclusive, a um Shevchenko sem dois dentes.

Resultado: o estresse físico, mais o cansaço psicológico de uma temporada que já ultrapassou os sessenta jogos, e mais a sensação nítida que os espanhóis eram carta fora do baralho causaram um desastre, tão grande, que até Nesta e Maldini, a melhor dupla de zaga da Europa, jogou como uma dupla de peladeiros.

Voltando à Série A: o Milan precisava bater o Empoli. Teoricamente, uma baba, afinal eram os campeões da Europa contra um time que está para ser rebaixado. Só que o mesmo Empoli já tinha dado uma trabalheira danada no primeiro turno (jogo decidido com uma invenção de Kaká), além de ter batido, no mesmo estádio Giuseppe Meazza, a Inter, semanas atrás. E todo o ‘background’ físico e psicológico já descrito.

O Milan venceu, mas com um gol de pênalti, a quatro minutos do final. A vitória foi merecida, pois o time de Carlo Ancelotti atacou do início ao fim e Dida quase não viu a bola. O preço foi um adicional de desgaste físico e psicológico. Quanto isso vai custar ao elenco é que é a dúvida.

A “vantagem” de ter saído da Liga dos Campeões é que, se o Milan vai deixar de receber pelo menos US$ 20 milhões, pelo menos poderá treinar durante toda a semana, diminuindo o desgaste. Filippo Inzaghi está visivelmente fora de forma, assim como Serginho; Pancaro está exausto, mas Ancelotti ainda não tem Kaladze. Kaká também parece ter iniciado a descendente física, depois de praticamente um ano e meio jogando a níveis inacreditáveis, sem férias.

O caminho mais crível para Ancelotti é o de recuperar Kaladze, dar ritmo de jogo a Inzaghi e Simic, dar espaço a Ambrosini e Rui Costa, fazendo descansar Gattuso e Kaká, e chegar na partida contra a Roma com pelo menos seis pontos de vantagem (já descontado o derby romano interrompido). Mais importante do que treinar, até o fim do torneio, é recuperar energias. O torneio ainda está completamente nas mãos dos milanistas, e por ora, só um milagre salva Roma ou Juve.

Lippi e Juventus próximos do divórcio?

Se você perguntasse a Marcello Lippi, técnico da Juventus, há dois meses, qual era o seu destino na próxima temporada, ele responderia: “Tenho contrato até 2005, e pretendo cumpri-lo”. Na semana passada, pela primeira vez, questionado sobre o mesmo assunto, respondeu: “Meu futuro? É um assunto sobre o qual falaremos logo, agora não é o momento, mas lhes farei uma bela surpresa”, disse Lippi à Gazzetta Dello Sport, deixando os jornalistas setoristas do clube de Turim em polvorosa.

Vamos por partes: a única coisa certa no episódio é que o técnico de Viareggio já sabe o que fará depois de junho de 2004. Ele segue na Juve? Não é impossível, mas tudo leva a crer que seu futuro está na seleção italiana.

Até poucos meses atrás, imaginava-se que Lippi seria um sério candidato ao posto de Giovanni Trapattoni na “Azzurra” no caso do escrete italiano fazer feio na Eurocopa. Contudo, estaria já circulando uma possibilidade conciliatória: ‘Trap’ passa a ser coordenador técnico, enquanto Lippi assume o comando do time. Mais ou menos o que Zagallo e Parreira faziam em 1994 (sim porque hoje, o cargo de Zagallo é muito mais simbólico do que naquela época).

Se Trappatoni aceitasse esta alternativa, tudo estaria bem para todos. Marcello Lippi poderia comandar a Itália, um seu sonho confesso, a Juventus poderia arrumar outro treinador, depois de uma temporada decepcionante, Trapattoni continuaria na esfera de poder do ‘calcio’ italiano. Lindo.

Os indicadores para uma saída de Lippi da Juve ficaram mais intensos, depois que ele admitiu que tem conversado bastante ao telefone com Didier Deschamps, técnico do Monaco semi-finalista da Liga dos Campeões, e preferido da diretoria ‘bianconera’ para o cargo. Além de Deschamps, outros nomes como Luigi Del Neri (Chievo), Cesare Prandelli (Parma) e Gianluca Vialli (atualmente sem clube), também soam como opções plausíveis.

Assim como sua permanência na Juventus não seria uma surpresa, também não seria chocante se Lippi decidisse passar a próxima temporada descansando, ou quem sabe, até, se aposentasse (vale lembrar que ele disse que se não vencesse a Liga dos Campeões desta temporada, penduraria a chuteira).

Quem será o melhor da Série A?

Ainda faltam cinco rodadas para o término do campeonato, mas já é possível fazer suposições sobre quem será o melhor jogador do torneio. A avaliação é normalmente feita através das notas concedidas pela Gazzetta Dello Sport ao longo das 34 rodadas. E quem você acha que são os prediletos?

Pois bem: se a Série A terminasse hoje, haveria um empate técnico entre Francesco Totti (Roma) e Alessandro Nesta (Milan), e em terceiro lugar estaria o veterano genial, Roberto Baggio, do Brescia.

A avaliação é justa. Totti é a Roma, quase sozinho. Há outros grandes jogadores, como Samuel, Cassano e Chivu, mas foram pouquíssimas as partidas em que a Roma jogou bem e venceu, nesta temporada, sem o seu capitão. Totti não só arma as jogadas, mas também arremata (é o artilheiro do time, com 16 gols), e dá segurança para todos os seus colegas.

No Milan, Nesta não é tão indispensável quanto Totti, mas consegue a proeza de se impor entre os melhores do campeonato, jogando na defesa, o que é quase um milagre. O zagueiro é completo, sob todos os aspectos, marca e desarma bem, além de excepcional posicionamento e cabeceio. Outra coisa: Nesta é o único defensor a figurar entre os dez melhores jogadores, segundo a lista da Gazzetta.

A surpresa fica para Roberto Baggio. Não se imagina que um jogador de 37 anos consiga ficar entre os três melhores da liga mais difícil do mundo. Baggio consegue. Mas não é só. O faz enchendo os olhos do público bresciano, fazendo assistências milimétricas e gols sensacionais. Isso para não mencionar a marca ultrapassada de 200 gols na Série A.

Nomes que estiveram muito bem na temporada passada, como Nedved, Maldini e Vieri, ainda estão muito bem, mas com menos regularidade. Nedved teve um começo de temporada ainda arrasador, mas ficou exausto, como tinha de acontecer uma hora; com Maldini, a temporada é muito boa, mas não assombrosa como a anterior, e Vieri paga o preço de estar num clube tão desorganizado quanto a Inter.

Ainda na lista dos melhores, figuram De Rossi e Emerson (Roma), Pirlo e Shevchenko (Milan), e dois atacantes que certamente serão alvos de transações entre os clubes: Gilardino (Parma) e Chevantón (Lecce).

Curtas

Caso Cláudio Ranieri seja demitido do Chelsea, pode acabar treinando um time da Itália

Muito se fala da saída de Roberto Mancini da Lazio, e nesse caso, Ranieri encabeça a lista

Claro, desde que não queira ganhar um salário “abramovichesco”

Vamos à seção “caça-boatos”

Astros da Itália que podem acabar em outros campeonatos (mas podem mesmo!)

Trezeguet (Juventus), Vieri (Inter), Samuel e Emerson (Roma), Cláudio López (Lazio) e Rui Costa (Milan)

Astros da Itália que só saem por verbas irreais (tipo a que tirou Zidane da Juventus)

Seedorf e Tomasson (Milan), Nedved (Juventus), Totti e Cassano (Roma)

Jogadores cuja “possível transação” é balela

Pirlo, Shevchenko e Kaká (Milan), Del Piero e Buffon (Juventus), Adriano (Inter)

Só por curiosidade: Maldini entrou em campo com seu filho, Christian, que já joga nas divisões de base do clube e promete ser a terceira geração da família em Milanello (foto)

Esta é a seleção Trivela da 29ª rodada, no Campeonato Italiano

Pelizzoli (Roma); Ferrari (Parma), Bonera (Parma), Bertotto (Udinese) e Bettarini (Sampdoria); Camoranesi (Juventus), Jankulovski (Udinese), Pirlo (Milan); Gilardino (Parma), Baggio (Brescia) e Iaquinta (Udinese)

A vida por uma vaga

A luta contra o rebaixamento na Itália sempre foi acirrada. Com um regulamento que torrifica quatro entre dezoito participantes, desde sempre os clubes pequenos (e às vezes alguns grandes) sentiam a água no pescoço para não precisar contar com a sorte na última rodada.

Imaginava-se que este campeonato seria diferente. Afinal, somente três devem cair diretamente para a segunda divisão, enquanto o 15º joga a permanência contra o sexto colocado da Série B, numa espécie de desempate. Mas o que estamos vendo não é nada disso.

Nada menos do que oito dos dezoito times estão na região quente da tabela. Ancona, Perugia, Empoli, Modena, Reggina, Lecce, Siena e Brescia não medem esforços para não cair, até porque, a partir do ano que vem, somente três times subirão a cada temporada, e a Série B italiana é carne de pescoço.

O Ancona já se acostumou à idéia do rebaixamento. Com sete pontos em vinte e sete rodadas, provavelmente deve estabelecer a nova marca histórica negativa na Série A. Realmente ameaçados estão Perugia (que vive uma temporada turbulenta desde o início), com 22 pontos.O Empoli, graças a um péssimo início de temporada, é o terceiro favorito para cair, mas tem melhorado bastante.

Numa região intermediária estão o Modena (25 pontos, dois a mais que o Empoli), a Reggina, com 27, e o Lecce, com 28. O Modena está na descendente (até demitiu o técnico Alberto Malesani), e precisa achar um coelho para tirar da cartola. A Reggina agarra-se à sua torcida fanática e à Nakamura; o Lecce já demonstrou que tem credenciais para se salvar, com a segunda melhor campanha de 2004, atrás somente do Milan.

Siena (30 pontos) e Brescia (31 pontos mais Roberto Baggio), ainda sofrem ameaças, mas têm como gerenciar a vantagem. Em especial, o Brescia, pois além do “Codino”, tem quatro confrontos contra concorrentes diretos (com dois deles em casa). A desvantagem do Siena é que tem uma tabela duríssima, com Lazio, Bologna e Modena (fora) e Samp, Milan, Juve e Brescia em casa.

No presente momento, tudo leva a crer que a tabela não se altera; caem Ancona (praticamente rebaixado), Perugia e Empoli, com o Modena disputando a vaga com a sexta colocada (atualmente, a Ternana). Só que não se engane: a luta até a 34ª rodada promete muito derramamento de suor.
Quem tem garrafas para vender?

No início do Italiano, todo mundo costuma apostar nos times grandes para vencer o ‘scudetto’. Juve, Milan e Inter, e dependendo da forma, Roma e Lazio. É fácil. Uma aposta em um dos maiores cinco clubes é uma barbada. Mas sem fazer profecia, a liga que agora aponta cada vez mais um Milan campeão, dava sinais ainda em junho. O ‘anormal’, se é que se pode chamar assim, é de a Juve ter jogado a toalha a oito rodadas do fim. E mesmo isso, se explica.

As primeiras partidas da temporada já demonstravam Milan, Juventus e Roma com mais fôlego, dando até à Roma uma “vantagem” de não disputar a Liga dos Campeões, que consumiria energias importantes em março/abril. Contudo, os detalhes estavam lá, indicando um favoritismo de Juve e Milan.

Os dois times mais fortes da Itália tinham, indiscutivelmente, um elenco mais completo do que a Roma. O time titular de Capello é tão forte como os de Marcelo Lippi e Carlo Ancelotti. Só que o banco de reservas faz uma diferença sensível, além da mega dependência da Roma em relação a Francesco Totti.

Durante o campeonato, a Roma lutou enquanto pôde, chegando até a manter seis pontos de vantagem sobre os milaneses, em janeiro. E exatamente em janeiro, o Milan botou na mesa as suas reservas físicas, vencendo todas as seis partidas disputadas, quatro delas pelo campeonato, (três contra a Roma – uma pelo campeonato e duas pela Copa Itália). No mesmo período, a Roma começava a dar sinais de fadiga.

A forma milanista manteve-se em fevereiro e março, com os ‘rossoneri’ perdendo somente quatro pontos, empatando com Lecce (segundo melhor time de janeiro para cá) e Chievo. Já a Roma, alternou bons resultados (como o 4 a 0 sobre a Juventus) e a derrota para o Bologna, em casa. Nocaute técnico, salvo um milagre de proporções bíblicas.

“E a Juventus?”. De fato, da Juve se esperava uma forma melhor no bimestre dezembro-janeiro. Mas cabe lembrar que o clube piemontês iniciou a pré-temporada vinte dias antes do que faz usualmente. A idéia era atingir o ápice da forma em maio, na final da Liga dos Campeões, onde os juventinos tinham certeza de estar. A primeira conseqüência foi uma largada arrasadora do time do Delle Alpi.

O preço a se pagar foi a péssima forma no bimestre dezembro-janeiro. Isso, somado à contusão de Alessandro Del Piero e a partida de Edgar Davids (cuja importância foi sub-avaliada pela comissão técnica), foi o suficiente para o golpe final na temporada da Juve. O time teve na defesa o seu trunfo para suas últimas conquistas. Neste ano, a defesa juventina é a sexta melhor, superada por times como Udinese e Chievo.

No pingue-pongue: quem vence o ‘scudetto’? O Milan, salvo um milagre inacreditável. Quem fica em segundo? A Juventus, porque a tendência é que os ‘bianconeri’ subam de produção. O Milan tem chances na Liga dos Campeões? Todas, desde que não subestime Deportivo (ainda falta um jogo) e o Porto (provável rival na semi-final). Para a Juve, é quase certa uma reformulação considerável; a Roma do ano que vem deve perder sua espinha dorsal (Capello, Samuel, Emerson e Totti), caso não seja comprada por quem possa injetar dinheiro em Trigoria.

Vox Populi: Maldini de volta

“Do jeito que ele está jogando, não podemos deixar que a Itália não o tenha no Europeu. Vou convencê-lo a aceitar a convocação de Trapattoni”. A frase é do premiê italiano Silvio Berlusconi (também dono do Milan), e o jogador em questão é Paolo Maldini, recordista de participações com a camisa da ‘Azzurra’, e que, de fato, nos dois últimos anos, tem sido um dos três melhores defensores da Europa.

Maldini decidiu abandonar a seleção depois da Copa de 2002. Seu argumento era que se baseava na experiência de Franco Baresi, que ia parar depois de 1994, acabou aceitando uma convocação para uma partida contra a Eslovênia, e se arrependeu. “Não quero chegar a um ponto de ter de ser suportado”, disse Maldini, ainda em 2000.

Só que justamente neste período, jogou como nunca no Milan. Poderia ter ganho a Bola de Ouro que foi para Nedved, foi campeão europeu, e parece ter 20 anos. Não que a Itália tenha poucos defensores, mas estamos falando aqui de um daqueles que poderia ser considerado o melhor.

Maldini tem receio de “roubar” o lugar de alguém que tenha participado de toda a (dura) campanha da Itália pela vaga na Euro-2004, o que pegaria bem mal. Quem ficaria de fora? Não se sabe. Mas o técnico Giovanni Trapattoni diz, e já faz tempo, que quer Maldini. E pela primeira vez, na semana passada, Maldini disse que “espera um telefonema do técnico para discutir o assunto”. Trapattoni já confirmou que vai ligar para Maldini, da mesma maneira que já tinha anunciado que Roberto Baggio também passa por seus planos (este, como falamos na semana passada, uma polêmica ainda maior)

Enquanto negocia-se a volta do “Capitano” da Itália, Trapattoni tem praticamente sua equipe titular acertada. Entre os convocados para o jogo contra Portugal, em Braga, não estarão Nesta (Milan), Zambrotta (Juve) e Cristiano Zanetti (Inter). E quem sabe, Maldini. Se não tivesse ninguém machucado, e com Maldini aceitando, a Itália seria: Buffon; Nesta, Maldini e Cannavaro; Camoranesi, C. Zanetti, Perrotta e Zambrotta; Totti; Del Piero e Vieri.

A lista de convocados para o amistoso:

Goleiros: Buffon (Juventus), Pelizzoli (Roma)
Defensores: Adani (Inter), Birindelli (Juventus), Favalli (Lazio), Ferrari (Parma), Oddo (Lazio), Natali (Bologna), Pancaro (Milan) e Panucci (Roma)
Meio-campistas: Ambrosini (Milan), Camoranesi (Juventus), Fiore (Lazio), Gattuso Milan), Nervo (Bologna), Perrotta (Chievo), Pirlo (Milan)
Atacantes: Corradi (Lazio), Di Vaio (Juventus), Miccoli (Juventus), Totti (Roma), Vieri (Inter).

Curtas

Três jogadores atingiram marcas importantes nesta rodada

Favalli, da Lazio, completou 395 partidas pela Série A, e comemora sua marca sendo convocado para a seleção

Outro foi Simone Perrotta, ex-Juventus e Bari, atualmente no Chievo, que completou 150 jogos pela Série A, também sendo chamado por Giovanni Trapattoni

Um ex-astro da ‘Azzurra’, Gianluca Pagliuca, jogou, contra a Roma, sua partida de número 700 como profissional

Fabio Liverani (Lazio), chegou à quota 100 em jogos na divisão máxima; Bresciano (Parma), Flachi (Sampdoria) e Sussi (Bologna), bateram na marca dos 50

Os 32 gols marcados nesta 27ª rodada são um recorde para esta temporada, igualado somente pela primeira jornada

A média de gols por partida, de 3,65, é maior do que a média do campeonato, que é de 2,62, até o presente momento

O Bologna teve uma semana de ouro

Depois de três derrotas consecutivas, conseguiu, nos últimos sete dias, somar nove pontos

Brescia, Lazio e Roma foram as três vítimas

Como o vergonhoso projeto “Salvacalcio” foi vetado pela União Européia, a Federcalcio já está imaginando alternativas

A EU não admite subsídios de nenhuma natureza, e o projeto da cartolagem era, basicamente, um perdão fiscal

A idéia da patota agora seria a de fazer com que os times “tradicionais” (seja lá o que for isso), desceriam uma categoria, mas teriam de mudar de nome.

Assim, se o Parma, por exemplo, fosse rebaixado, iria para a Série B com o nome de Atlético Parma Cálcio

Que imaginação!

Esta é a seleção Trivela da Série A, nesta 27ª rodada

Toldo (Inter); Gamarra (Inter), Stam (Lazio) Barzagli (Chievo); Barone (Chievo), Perrotta (Chievo), Maresca (Juventus) e Fiore (Lazio); Baggio (Brescia), Shevchenko (Milan) e Gilardino (Parma)

Page 1 of 2

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén

Top