Tag: Giacinto Facchetti

Guerra sem vencedores

A corrupção é um câncer cuja taxa de remissão é de 100%. Ela nunca vai embora. Passados quase seis anos do escândalo de Calciopoli, um novo relatório de acusação organizado por um procurador de Napoli levou à lama o único clube que se dizia inocente no maior escândalo de corrupção da história do futebol italiano (e olhe que não são poucos). Nas 72 páginas do relatório de Mario Palazzi, a Inter aproveitou-se do tráfico de influências para conseguir vantagens em campo. E agora?

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O que ocorre com o Imperador

Na temporada 2002/03, o Parma tinha descoberto uma nova jóia. Tinha perdido Crespo para a Internazionale, mas em troco recebera um Adriano que ainda era tratado com escárnio no Brasil. A lembrança era a do desengonçado atacante que Zagallo tinha dispensado do Flamengo em troca de meio Vampeta.

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É inédito!

Quando se encerrou a 21a rodada, a Juventus de Fabio Capello foi para o vestiário cheia de si. Tinha aberto oito pontos de vantagem sobre o atual campeão, Milan, e se apoiava em vários fatos para sentir o cheiro de ‘scudetto’. Primeiro, o peso da camisa juventina, líder por natureza; segundo, um elenco de estrelas, com Trezeguet e Nedved em recuperação; terceiro, o fato de que sempre que Capello chegou à 21a rodada com uma vantagem de oito pontos, ele foi campeão.

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Cheiro de transferência

No futebol, muito raramente uma transferência acontece “de repente”. Vários sinais vão sendo dados nos meses antecedentes. Isso para não falar quando alguns jornalistas não conseguem “furos” de reportagem dados diretamente de fontes seguras como o…empresário do jogador. Aí, então é uma festa da uva. Ninguém sabe onde começa a verdade nem onde termina a mentira. Ou o contrário…

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Itália campeã…sub-21

Nesta semana, todos os olhos na Itália passaram para Portugal. A Itália tenta repetir o feito de 1968, conquistando a Eurocopa. Tensões e dúvidas à parte, o grupo italiano tem condições de lutar pelo primeiro lugar, e o italiano, que vai do pessimismo ao ufanismo em oito décimos de segundo, verá novamente seu humor variar de acordo com as performances da “Azzurra”.

Mas já na semana passada, a Itália estava comemorando. E quem não estava, deveria. É que a seleção sub-21 conquistou a “Euro” da categoria, carimbando também o passaporte para as Olimpíadas. E que ninguém se engane: não foi nem de longe uma zebra. Das últimas sete edições, a Itália chegou a cinco finais, vencendo todas, e comprovando que é força maior na categoria.

Os “azzurrini” de Claudio Gentile são um grupo com recursos em todos os setores. Poderiam ter sido ainda mais fortes se tivessem contado com o talento de Cassano, cujo gênio irascível foi a mola mesta de sua exclusão. Mesmo assim, se trata de um time muito forte e que prova que a Itália pode ter uma seleção competitiva pelos próximos dez anos, se quiser.

Os bons goleiros italianos já são uma tradição. A equipe campeão em 2004 não foi diferente. Marco Amelia (Parma) e Carlo Zotti (Roma) podem vir a ser goleiros de nível internacional. Amelia deve acabar lutando pela vaga de titular no Parma, se Frey for vendido, enquanto Zotti deve ter de sair da Roma, porque Pelizzoli só sai em caso de contusão. O terceiro goleiro, Agliardi, do Brescia, também é muito bom.

Entre os defensores, os destaques ficam para quatro nomes: Bonera (Parma), Barzagli (Chievo), Moretti e Zaccardo (Bologna). Bonera esteve cotado para ser até titular da seleção principal, mas teve uma contusão no fim da temporada que tirou-lhe o ritmo de jogo. Barzagli foi a revelação da defesa na última Série A.

Zaccardo é disputado a tapa por Juventus, Roma e Inter, e Moretti conseguiu no Bologna o espaço que muito raramente um jovem consegue na Juventus, clube a quem pertencia. Na reserva, Bovo (Lecce, formado nas categorias de base da Roma), Gamberini (Bologna) e mais dois nomes do Parma: Paolo Cannavaro (que não foi titular por causa de uma contusão) e Potenza. Uma rápida olhada nesta lista mostra que Bologna e Parma estão com a nata das esperanças italianas no setor.

Meio-campo e ataque: ainda mais opções

Se a defesa tem opções, o meio-campo é ainda mais rico. Palombo (Sampdoria), Donadel (Milan), Pinzi (Udinese), De Rossi (Roma) e Matteo Brighi (Juventus), são todos nomes que o internauta mais atento deve ter visto com freqüência na Série A. Palombo, De Rossi e Donadel são centrais marcadores, mas com bom passe e posse de bola; Brighi é um pouco mais ofensivo, enquanto Pinzi prefere jogar pela direita (embora atue no meio em seu clube). Simone Del Nero (Brescia) foi a revelação do Europeu; atacante de origem, pode jogar atrás dos atacantes ou pela ala-direita.

No ataque, os nomes são ainda mais conhecidos. Alberto Gilardino (Parma) já é uma estrela, tendo batido várias marcas nesta temporada, colocando-se como o sexto maior artilheiro da história do campeonato com menos de 21 anos; ao seu lado, Giuseppe Sculli (Juventus, estava emprestado ao Chievo), foi seu parceiro mais constante. Gilardino é centroavante nato, enquanto Sculli tem vocação para as laterais.

Andrea Caracciolo é uma revelação bresciana que está na órbita Milan, e só não foi titular porque Gilardino teve uma temporada espantosa. D’Agostino (Roma) é meia em seu clube, mas é o vice-Sculli deste time. O último nome do setor é o de Floro Flores, escola Napoli, atualmente na Sampdoria. Flores teve poucas chances mas deve jogar bem mais nesta temporada que virá.

Vendo um elenco tão recheado assim, a perguinta é óbvia. Se a Itália é tão forte na categoria, o que acontece que a seleção principal não vence nada desde 1982? A resposta está no excesso de estrangeiros do torneio. Quando se trata de “importar” um Kaká, um Chivu, ou um Stam, não há o que se questionar. Mas será que no lugar das legiões de estrangeiros de Inter, Udinese ou Perugia, não existiria lugar para que promessas como Caracciolo, Donadel e Bovo tivessem mais espaço?

Itália precisa de Pirlo. E talvez não só

A estréia italiana na Euro foi quase decepcionante. Se a Itália tivesse perdido, já seria uma tempestade, porque no nível do jogo, o grupo de Trappatoni foi amplamente dominado pela Dinamarca, tendo de se agarrar às individualidades para criar algumas chances.

Só que o buraco mais vistoso é a falta de um homem com capacidade de pensar o jogo e aciona-lo com velocidade. No espaço em que estavam Zanetti e Perrotta, quase nada disso foi feito. E no banco, ‘Trap’ deixou um certo Andrea Pirlo observando agoniado a sua Itália viver de lampejos.

Pirlo é um jogador que seria titular em qualquer seleção do mundo (inclusive a brasileira). Sua visão de jogo, técnica e passe apurados foram o rotor que levou aos dois anos de conquistas do Milan de Carlo Ancelotti. Pelos pés do jogador bresciano, passa todo o jogo do Milan. Tanto que, para um time não ser dominado pelos atuais campeões italianos, a primeira obrigação é bloquear o volante.

Perrotta e Zanetti são jogadores regulares, mas não têm capacidade de injetar a criatividade que a Itália precisa no setor. Sua entrada solicitaria um reforço defensivo (talvez com o sacrifício de Zanetti e Camoranesi em prol de Fiore e Gattuso, por exemplo), mas é um risco que Trapattoni precisa correr se não quiser ver outra partida opaca como a que a Itália apresentou.

Outra nódoa a ser eliminada é no ataque. Del Piero está sendo forçado a exercer papéis defensivos que o prejudicam, em prol do esquema de Trappatoni. Para jogar como está jogando, é melhor deixa-lo no banco. Claro, o melhor mesmo seria alterar o esquema para deixa-lo à vontade com Vieri, ajudados por Totti (que em momentos decisivos, com a Itália, ainda não deixou sua marca). Também nesta mexida seriam exigidos novos reforços para a defesa.

Uma possibilidade seria a manutenção da defesa como está (Panucci, Nesta, Cannavaro e Zambrotta), mas com um meio-campo onde Gattuso fosse o ferrolho, caidno mais para a direita, com Pirlo no meio, auxiliado por Perrotta; à frente deles, Totti jogaria livre com Del Piero e Vieri. Sim, o time ficaria mais vulnerável, mas teria chances de fazer o jogo ao invés de ter de gerenciar os avanços adversários. Possibilidades de isso acontecer: remotas, muito remotas…

E adivinhe: a Inter vai trocar de técnico

A Inter de Milão é mesmo uma fonte de sofrimento para seus torcedores. Por pressão de Massimo Moratti, que era presidente do time, renunciou, mas continua mandando, o clube de Via Durini deve anunciar nesta semana a contratação de Roberto Mancini para o lugar de Alberto Zaccheroni, cujo tapete foi sordidamente puxado.

A presepada é tamanha no clube que, para que o “presidente” oficial, Giacinto Facchetti, herói interista da década de 60, não tenha de renunciar, Zaccheroni está sendo convencido a “se demitir”. Isso porque Facchetti apoiou Zaccheroni publicamente e disse que a sua própria continuidade da presidência estava ligada à manutenção do técnico de Cesenatico.

Vale lembrar que a Inter ainda mantém sob contrato o treinador Hector Cúper (claro, ganhando cerca de € 7 milhões anuais). Todo este rebosteio tem a mão de Massimo Moratti, que é a prova viva de que um torcedor não pode ser dirigente, ou pelo menos, não pode ser torcedor na hora de tomar decisões.

A contratação de Mancini, pelo menos, evita que a Inter mande Vieri “embora”, e ainda para a Juventus. O treinador da Lazio já exigiu sua permanência como condição e vai fazer a 134a lista de reforços da Inter nos últimos vinte minutos. O frenesi de mercado interista deve continuar, e agora os nomes da vez são Davids (sem clube, última temporada na Juventus e Barcelona), César (Lazio), Oddo (Lazio) e até o estegossauro Mihajlovic (?!?), também da Lazio.

Se é que dá para tirar alguma coisa positiva do enésimo rocambole azul-e-preto, é que pela primeira vez desde 2000 a Inter vai tomar a decisão de trocar de técnico antes da temporada começar. A última vez que esse “detalhe” de planejamento aconteceu foi quando Moratti quis de qualquer jeito arrancar Hector Cúper do Valencia. Mancini é um excelente técnico, mas que ninguém se assuste se ele estiver na fila do seguro-desemprego antes de junho de 2005.

Curtas

O destino do “pobre” Zaccheroni pode acabar sendo a Fiorentina, que vai disputar nesta semana a promoção contra o Perugia

Firenze seria uma boa chance para o treinador romagnolo de relançar sua carreira, prejudicada por uma demissão no Milan, mais duas temporadas “fracassadas” na Lazio e Inter

O substituto de Luigi Del Neri no Chievo é Daniele Beretta, uma “aposta” para o clube do Veneto

No rebaixado Modena, o novo treinador é Stefano Pioli

A Atalanta confirmou as previsões e garantiu a última vaga entre as promovidas para a Série A

Dança dos técnicos, ainda: o Siena anunciou Luigi Simoni, primeiro treinador de Ronaldo na Itália

Por último, pratcamente oficializada a volta do polêmico Zdenek Zeman à Série A, agora com o Lecce

O Milan precisa de um jogador para a faixa esquerda, para não correr risco com Kaladze e Pancaro, ambos se refazendo de contusões

Mauri (Modena) e Pieri (Udinese) são as opções a custo contido que o clube analisa

Na semana passada, Totti deixou no ar a possibilidade de ir para o Milan, caso a Roma não contratasse pelo menos 5 ou 6 jogadores

A pressão deve dar resultado: a Roma negocia exaustivamente para obter Ferrari e Gilardino, do Parma

Os dois eram dirigidos pelo novo técnico da Roma, Cesare Prandelli, também vindo do Parma

Uma Inter órfã de Moratti

“Algumas pessoas estão sujeitas à delicadeza da paixão; que as faz extremamente sensíveis a todos os acidentes da vida, e dão-lhes uma alegria vívida a cada evento próspero, da mesma maneira que uma dor insuportável quando elas se deparam com as agruras da vida”. Esta frase é da obra “Ensaios morais, políticos e literários”, do filósofo inglês David Hume, mas poderia, com precisão, descrever a personalidade do presidente demissionário da Inter, Massimo Moratti.

Moratti é um homem em extinção, pelo menos do que se sabe de sua vida pública. Correto e gentil ao extremo, colocou sua paixão pela Inter de Milão diante de tudo nos nove anos em que a dirigiu, e talvez este tenha sido seu maior erro, que o entorpecia de felicidade a cada vitória do time interista e que o dilacerava nas incontáveis crises to time ‘nerazzurro’.

Hume era um que via a humanidade com um ceticismo bem acentuado, acreditando pouco na bondade humana e vendo o homem de uma maneira não muito nobre. A saída de Moratti da Inter só faz dar razão ao pensador inglês. O futebol, como toda a sociedade, está repleto de pilantras, traidores, mentirosos, velhacos e toda sorte de golpista. O cavalheiresco Moratti descobriu isso na pele, e sentiu a dor insuportável em mais de uma ocasião.

A saída do dirigente, no entanto, foi tardia. Sua paixão desenfreada pelo clube o fez muito suscetível e permissivo, justamente numa entidade marcada pela caótica política interna, onde privilégios são defendidos a ferro e fogo, mesmo com um preço a ser pago pelo time, em campo.

Ao mesmo tempo em que comprou, com dinheiro do seu bolso, dezenas de jogadores para a Inter, Moratti prejudicou a gestão interista. Não foi duro quando precisava ser; confiou quando não podia confiar; acreditou quando não deveria acreditar; disse a verdade quando teria de ter mentido. Mas, pelo que dizem os mais próximos a ele, se trata de sua natureza.

O clube agora passa às mãos de Giacinto Facchetti, lenda interista dos anos 60, e dirigente há alguns anos. Facchetti, junto com Oriali, tem uma gestão desastrosa em suas mãos, mas sempre teve o álibi de ser tolhido pela magnanimidade de Moratti. Para dar um jeito na Inter, Facchetti tem de impingir uma política de punho de ferro. Precisa fazer uma limpeza em todo ambiente, especialmente no elenco. Este campeonato já está perdido, e a vaga na Liga dos Campeões que vem, em risco. Os próximos seis meses dirão se Facchetti é a solução ou a causa dos problemas de Appiano Gentile.

O fantasma da grande Inter

Massimo Moratti sempre teve sobre si um fantasma: a sombra de uma Inter vitoriosíssima nos anos 60, conduzida pelo seu pai, Ângelo, e pelo técnico Helenio Herrera, uma lenda no clube. Herrera era argentino, e esta foi uma das razões que fez Massimo contratar Hector Cúper, a sua decisão mais acertada nos últimos anos, mas que não teve a força necessária para vencer os vícios do clube.

Moratti assumiu a Inter num momento difícil, em 1995. Comprou as ações do ex-presidente Pellegrini. Sua idéia era retornar o clube ao lugar vitorioso. Todos viam nele o herdeiro ideal de seu pai, e num momento em que o Milan entrava num momento ascendente depois da rebordosa de conquistas, a impressão era que finalmente as glórias voltariam.

Contudo, somente uma Copa UEFA e dois vice-campeonatos chegaram ao colo do presidente Massimo, mesmo com as dezenas de milhões de dólares despejados anualmente nas contratações de mega-astros como Ronaldo, Seedorf, Roberto Carlos, Paul Ince, Vieri, e de outras dezenas de jogadores menos famosos. O problema sempre esteve na política do clube.

Quando contratou Marcello Lippi para a Inter, Moratti fez de tudo para levar também o DG da Juventus, Luciano Moggi. Era a cartada certa. Político hábil, cruel quando necessário, Moggi era a pessoa mais indicada para acabar com os grupelhos no clube. Mas a Juve ofereceu sociedade acionária e Moggi ficou em Turim. Lippi fracassou retumbantemente na Inter.

Três anos atrás, Moratti, seduzido pelo estilo duro de Hector Cúper, e pela mística de ter novamente um argentino no banco da Inter, decidiu uma refundação. Cúper acabara de levar o inexpressivo Valencia a duas finais de Liga dos Campeões, seguidas. O que não poderia fazer com os craques e o dinheiro da Inter?

Deu poder absoluto a Cúper, mas as contratações ainda passavam pelas suas mãos. Cúper geriu a Inter com mão de ferro, e arranjou inimizades com Ronaldo, Di Biagio, além do ódio da cartolagem que tinha sido colocada para escanteio. Seu primeiro ano na Inter foi irrepreensível, mas um desastre na última partida tirou o título tão sonhado por Moratti. Um desastre onde os grandes culpados foram os jogadores, e não o técnico.

A história de lá para cá, todos já sabem. Cúper foi perdendo força até ser despedido. E o sonho de glória de Moratti desvaneceu. Teve de dar lugar à realpolitik que governa o mundo desde sempre. O presidente se deu conta que as coisas tinham de tomar um rumo diferente. Sua gestão foi falimentar como dirigente, mas o cavalheiro Moratti continua encantando.

Defesa juventina em alerta vermelho

Uma perigosa combinação de contusões, rodízio, falta de entrosamento e concentração fez com que Marcello Lippi acionasse o alarme. Nas suas próprias palavras, a defesa juventina está em crise. O técnico de Viarreggio, no entanto, assegurou: a Juve não contrata ninguém. A pergunta é se deveria ou não faze-lo.

Pela primeira vez em muitos anos, a Juventus entra no returno tendo sofrido 21 gols. Excessivos para os 18 primeiro jogos. O ataque segue forte, com 41 tentos marcados até aqui, mas o segredo das conquistas juventinas é a defesa impenetrável, e os números são fiéis para tal retrato.

Na temporada passada, a Juventus sofreu, em 34 partidas, somente 29 gols; na temporada anterior, menos ainda: 23 gols. Nem mesmo nos dois anos de vice-campeonatos seguidos (perdendo para Roma e Lazio), a Juve tinha a defesa tão vulnerável. Foram 27 em 2001 e incríveis 20 em 2000.

Marcello Lippi está com dores de cabeça porque Nicola Legrottaglie não manteve o ritmo do início do campeonato. O jogador parecia ter se encontrado rapidamente, mas o crescimento físico dos adversários e uma pubalgia diminuíram o seu rendimento. O croata Igor Tudor não consegue se recuperar de lesões seguidas há duas temporadas (deve ser vendido no fim deste torneio), e a defesa acaba se segurando nos veteranos Montero e Ferrara. O problema é que Ferrara também está fora de combate (assim como o lateral Birindelli), e as escolhas estão zeradas. Queira Lippi ou não, a defesa do próximo jogo será composta por Iuliano-Montero.

Não é só a zaga que tem culpa. A saída de Davids, claro, deixou marcas. O holandês é um gigante na guarnição da retaguarda, e Appiah, mesmo promissor, é inferior. Thuram também rende abaixo do esperado, e Zambrotta, por ser um meia de origem, naturalmente expõe um pouco mais a primeira linha.

Perspectivas: se a Juventus tiver preparado seu condicionamento físico para atingir os píncaros na época da final de Liga dos Campeões (bastante possível), tudo OK. O time deve subir de produção em breve e, para variar, veremos uma arrancada ‘bianconera’ na reta final, com ênfase na Europa. Se não. Lippi está mesmo em apuros, especialmente se mais algum de seus homens chave entregar os pontos.

A culpa era do técnico?

Dificilmente um clube reverte uma má série de resultados demitindo um treinador. Normalmente, a série negativa reflete uma campanha de contratações errada, uma má preparação física, um mau ambiente entre treinador e jogadores. Isso não é uma opinião, é fato. A maioria esmagadora dos clubes que caem para a segunda divisão trocam de técnico durante a temporada.

Esta coluna cravou, semanas atrás, que Empoli e Ancona já tinham feito “votos de rebaixamento”. Sem nenhum previsionismo mágico. A equação que soma rabeira da tabela com troca de treinador é forte demais para ser vencida. Mas um clube toscano está querendo contrariar a regra.

O Empoli, sociedade que tem a sua história marcada por sobes-e-desces, trocou de técnico na quinta rodada. Mandou embora o ex-jogador Daniele Baldini e contratou Attilio Perotti. Parecia somente mais uma troca de nomes, mas pode ter sido engano. O Empoli está mostrando uma virada que pode salvar sua pele.

Há três rodadas que o clube vizinho da Fiorentina faz pontos. E diga-se de passagem, que em duas das partidas, visitou a Inter em San Siro e recebeu a Juventus, granjeando quatro pontos com uma vitória externa e um empate caseiro. Na terceira partida em questão, bateu o Ancona, que parece irremediavelmente perdido. A reação empolese é tão boa que o time já saiu da zona de rebaixamento, deixando Lecce, Perugia e Ancona para trás.

Segredos? Provavelmente se trata é de trabalho de um treinador acostumado a esta situação. Perotti teve reforços, é verdade, como o firme zagueiro Vargas, contratado junto à Reggina (e que faz falta em Reggio Calábria), e Vannucchi, que voltou do Catania. Mas no geral o time é o mesmo do ano passado. Como contraste, o Perugia fez quase dez contratações, que têm se mostrado inúteis.

O treinador do Empoli recuperou a auto-estima do grupo, acertou o meio-campo, com dois volantes (Lucchini e Grella, um jogador a ser acompanhado) e três armadores suportando o avante Rocchi, quatro gols nos últimos dois jogos, e performances que certamente o habilitam para times maiores.

“Então o Empoli não cai?” Devagar com o andor porque o santo é de barro. A luta contra o rebaixamento na Série A é a mais atroz das grandes ligas da Europa, e outros ameaçados como Modena, Lecce e Reggina também têm condições técnicas de evolução. O Ancona é o único que parece sepultado, enquanto o Perugia já começa a vagar pela tabela como um zumbi.

Curtas

Os atletas do Milan fizeram grande festa pelo gol de Rui Costa, contra o Ancona

O português não assinalava um tento no campeonato italiano há 1.031 dias, quando ainda vestia a camisa da Fiorentina, numa partida contra o Vicenza

Paolo Maldini quebrou mais uma marca

Completou sua 519a partida de campeonato coma malha milanista, igualando o interista Giuseppe Bergomi

Bernardo Corradi, centroavante da Lazio, chegou à sua 100a partida de Série A, sendo 48 delas vestindo a malha ‘biancoceleste’ do clube de Formello

O Ancona pode bater uma marca negativa, caso continue com o ataque que tem

O clube marchegiano tem somente 7 gols em 18 partidas

O recorde negativo, de 1989, é do Pisa, com 16 tentos nas 34 rodadas

E esta é a seleção Trivela da semana no campeonato italiano

Pagliuca (Bologna); César (Lazio), Ferrari (Parma), Natali (Bologna) e Stam (Lazio); Santana (Chievo), Di Natale (Empoli), Kaká (Milan); Rocchi (Empoli), Trezeguet (Juventus) e Bazzani (Sampdoria).

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