“As desculpas se acabaram. Essa partida é para ser esquecida”. Essa foi a frase do técnico Carlo Ancelotti, referindo-se a um dos resultados de Série A mais sentidos pelo Milan nas últimas temporadas. O 1-2 imposto pela Atalanta (última vitória bergamasca fora de casa contra o Milan desde 1991, quando Evair fez o gol do 1-0) não foi um resultado de azar, embora de fato o árbitro tenha anulado um gol legítimo e não marcado uma falta clara que invalidaria o primeiro gol atalantino. Não há mais desculpas. A crise está aberta e agora Milanello calcula como será a próxima temporada.

É difícil fazer uma crítica do Milan diante da Atalanta porque não há setores ou jogadores menos culpados. Exceção feita a Ambrosini, que comeu a grama por 90 minutos, fez um gol e sofreu uma penalidade máxima (desperdiçada por Pirlo). Todo o resto teve uma performance indefensável.

O discurso do clube de que não haverá revoluções para a próxima temporada caiu por terra. Não é possível imaginar um Milan no próximo campeonato sem que haja uma série de contratações, dispensas e mudanças no elenco. Até mesmo Carlo Ancelotti, confirmado pelo clube mesmo na possibilidade de não-classificação para a Liga dos Campeões, começa a correr riscos.

O irônico é que Ancelotti é certamente o menos culpado pela forma terrível do Milan 2007/08. Com um time titular excelente, mas de idade média alta, Ancelotti teve de disputar quatro torneios com um elenco no qual há pouco mais de cinco alternativas realmente válidas no banco de reservas. Jogadores como Ba (zero presenças na temporada), Digão (três jogos), Simic (quatro aparições), Serginho (10), Cafu (13) não são alternativas válidas para quem quer ganhar títulos. Mesmo assim, é a cabeça do técnico de Reggiolo que pode entrar no rolo.

Os rumores cercando o treinador ainda são inconsistentes, mas a atual forma não deixará alternativa à diretoria. O campeão mundial Marcello Lippi é o substituto ideal, com Luciano Spaletti, José Mourinho (aparentemente mais próximo da Inter – leia abaixo) e Roberto Donadoni bem cotados na bolsa de apostas.

Além disso, há jogadores de primeira linha cujo rendimento está muito abaixo da média, por questões técnicas ou físicas. Ronaldo devia ser o principal atacante do Milan na temporada, mas fez só oito jogos. Gilardino não marca gol pela Série A em San Siro há mais de um ano. Inzaghi limitou-se a 19 partidas (5 gols) por causa de lesões seguidas. Casos semelhantes acontecem com Jankulovski (11 jogos na Série A), Emerson (20 aparições, a maioria entrando no segundo tempo) e até o legendário ‘capitano’ Maldini (17 jogos).

Sem nenhum exagero, é possível afirmar que o Milan não tem como entrar na próxima temporada sem ao menos oito reforços: um goleiro, dois zagueiros, um lateral, dois meio-campistas e dois atacantes. Muito? Não, se levarmos em conta que os destinos de Gilardino (a caminho de Florença), Gourcuff (provável empréstimo para o Ajax), Ba e Simic já parecem claros, enquanto os de Cafu, Serginho, Ronaldo e Emerson sugerem divórcios iminentes.

‘Calciomercato’ de verdade

Alguns nomes são dados como certo pelos bons órgãos de imprensa da Itália. Didier Drogba era desejado pela diretoria milanista, mas um pedido de €8 milhões anuais de salário afugentaram o clube. Outro ‘Chelsea-boy’, o filho pródigo Shevchenko já estaria certo com o clube, segundo o La Repubblica e a Gazzetta Dello Sport. Sem Gilardino, até um segundo nome poderia chegar.

Para o gol, o franco favorito é o francês Frey, da Fiorentina, com o polonês Boruc bem-avaliado. Mexés (Roma), Barzagli e Zaccardo (Palermo) fazem parte da lista para a zaga, enquanto o francês Flamini (cujo contrato com o Arsenal acaba em junho) é o único meio-campista citado de maneira mais sólida.

Claro, e tem Ronaldinho Gaúcho. A fase macabra do brasileiro no Barcelona tornam uma tranferência sua muito mais viável para o clube catalão do que há um ano e sua chegada seria muito cômoda para o elenco, uma vez que ele tanto pode atuar como atacante quanto na posição de Kaká, para que o ‘Ballon D’Or’ possa descansar quando necessário.

O verão europeu deste ano deve ser o primeiro desde 2000 no qual o Milan investe pesado. Naquele ano, chegaram Pippo Inzaghi e Rui Costa num custo conjunto de €60 milhões. Se o clube for atrás do que realmente precisa (mesmo sem nenhum exagero), não debe gastar menos do que isso. A auto-suficiência do clube ao sempre achar que o elenco estava perfeito nas últimas temporadas ia fazer com que um preço fosse pago mais cedo ou mais tarde. Agora é a hora.

Inter-Mourinho: dado como certo

No domingo passado, o respeitável dominical britânico The Observer publicou em matéria que José Mourinho estava acertando detalhes de sua contratação pela Inter e que estaria em Milão para tanto. Os dois negaram, mas o agente do técnico confirmou o encontro, embora tenha dito que se tratava de “outro assunto”. Nesta semana, outra reunião entre treinador e dirigente aconteceu, desta vez em Paris. E para surpresa de todos, soube-se que na verdade teria sido a terceira conversa – a primeira fora em Portugal.

Não há mais na Itália quem creia na permanência de Roberto Mancini depois do fim desta temporada, com ou sem ‘scudetto’. O atrito criado pelo técnico com sua “demissão” depois da eliminação na Liga dos Campeões azedou o ambiente de uma tal forma que seu desligamento só não aconteceu imediatamente para não colocar em risco um título virtualmente ganho.

O entrave no acerto Mourinho-Inter está na condição número um imposta pelo português: controle total sobre o futebol interista, indo de preparação física a contratações, passando pelo setor médico. Mourinho sabe da fama que a Internazionale tem de ser uma grande reunião de feudos e que isso já derrubou muita gente boa (como Marcello Lippi e Hector Cúper, por exemplo). O presidente Massimo Moratti hesita em dar tal liberdade a Mourinho. Moratti gosta de ter poder nas contratações e por isso as confia a tarefa a Marco Branca e Gabriele Oriali – seus braços-direitos.

Para a Inter, Mourinho seria uma contratação fantástica. É um treinador muito capacitado, disciplinador e que não tem medo de meter o pé no balde que estiver atrapalhando. Certamente é o que Roberto Mancini gostaria de ter tido há quatro anos.

– Mais um torcedor morreu no final de semana na Itália, como se sabe e o jogo entre Juventus e Parma foi adiado por causa disso.

– A pergunta muito pertinente feita por Ubiratan Leal na redação da Trivela foi:

– “Por que razão se deve-se adiar uma partida por causa de um membro de uma torcida organizada que estava caçando outra em um posto de beira de estrada?”

– Alberto Malesani caiu depois da derrota do Empoli para a Sampdoria; em seu lugar, retorna Luigi Cagni.

– Para a partida entre Fiorentina e PSV pela Copa Uefa, a polícia de Florença proibiu avenda e consumo de bebidas alcóolicas das 12h às 20h na cidade e das 17h às 21 nas imediações do estádio Artemio Franchi.

– Seleção Trivela da 31a rodada:

– Manninger (Siena); Lukovic (Udinese), Mexès (Roma), Konko (Genoa), Adriano Ferreira Pinto (Atalanta); Tissone (Atalanta), Inler (Udinese), Hamsik (Napoli); Quagliarella (Udinese), Floccari (Atalanta), Rosina (Torino)