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Superdefesa e superataque

Meses antes do último campeonato terminar, na Itália já se sabia que o Milan teria, na temporada 2004/05, um trunfo: uma defesa impenetrável. Não era segredo para ninguém que o holandês Jaap Stam tinha assinado contrato com o time de Via Turati, e que se agregaria a um setor que já dispunha de Maldini, Nesta e Cafu (além dos “reservas” Pancaro e Kaladze).

Com Stam, Carlo Ancelotti poderia até mesmo se dar ao luxo de montar uma defesa a três, com Maldini e Nesta. ‘Carletto’, no entanto, já avisou que sua defesa seguirá com quatro jogadores, onde muito provavelmente Stam será deslocado para a direita, com Maldini e Nesta formando a dupla de zaga. E as opções são muitas, com Cafu, Pancaro e Kaladze como alternativas quase titulares de tão seguras.

O que ninguém poderia imaginar é mais uma chegada de peso no ataque do Milan. O nome cotado de mais peso era o de Bernardo Corradi, ex-Lazio, que acabou indo para o Valencia. Outros nomes mencionados eram Jimmy Floyd Hasselbaink (ex-Chelsea, agora no Celtic) e até Jan Koller, do Dortmund.

Só que o quarto nome do atacque milanista é simplesmente Hernán Crespo, argentino pelo qual o Chelsea pagou € 35 milhões na temporada passada. Crespo vai passar um ano no Milan por empréstimo gratuito, aceitando reduzir seu salário, numa porcentagem não revelada.

Assim, o Milan passa a ter um ataque que nada deve ao do Real Madrid, considerado o mais famoso do mundo. Se o Real tem Ronaldo, Figo, Raúl e Portillo, o Milan tem Shevchenko, Inzaghi, Tomasson e Crespo. “Com quatro atacantes desses eu não tenho mais como escalar só um atacante”, disse Ancelotti, brincando com o “pedido-exigência” de Silvio Berlusconi, feito no fim do último campeonato, para que o Milan jogasse sempre com dois na frente.

Crespo foi revelado na Itália exatamente por Ancelotti, e não foi fácil. O argentino era xingado pesadamente em todos os jogos, quando cjhegou ao Parma, em 1997. “Quanto mais o xingarem, mais o escalarei como titular”, defendia Ancelotti. O tempo deu razão ao treinador milanista. Crespo deixou o clube, em 2000, como o maior artilheiro do clube na Série A.

E o clima no vestiário?

Agregar Crespo a um ataque tão rico tem um risco natural: a de criarem-se atritos na briga por posições. Tecnicamente, os titulares são Shevchenko e Inzaghi, mas como é possível chamar Crespo e Tomasson (especialmente depois da excelente Euro 2004) de reservas?

O vice-presidente do Milan disse à imprensa que só concordou em levar Crespo ao Milan porque Ancelotti o conhece muito bem e é íntimo do atleta. “Se Carlo me pedisse para trazer um jogador que ele não conhecesse, eu não o faria, porque quatro jogadores desse nível no mesmo time são difíceis de gerenciar”. É isso.

Ancelotti quer ter cartuchos suficientes para poder jogar campeonato e Liga dos Campeões com um ataque devastador. Neste ano, o terá. A imprensa italiana comenta que a única combinação menos favorável é com Crespo e Inzaghi juntos, mas Crespo já jogou com Vieri e com Chiesa, dois jogadores que não são menos “de área” do que Superpippo.

Com um ataque onde três dos quatro jogadores já foram artilheiros da Série A pelo menos uma vez (só Tomasson não o foi), o Milan se credencia fortemente a lutar para manter o ‘scudetto’ e tentar reconquistar a Liga dos Campeões. Adversário principal? Juventus. A “Vecchia Signora”, Capello e uma defesa rejuvenescida vão fazer o Milan suar sangue.

A Inter deve ter uma boa temporada, mas como tem um time praticamente novo, é pouco provável que engate logo de cara (ainda que possibilidades existam, como o Milan campeão de Zaccheroni, em 1999); a Roma deve se ressentir das saídas de Samuel, Zebina, e talvez Emerson. Mas está muito longe de estar fora do páreo.

Lazio com dono novo. E salva

Dois anos de imbróglio, pavor, medo, incerteza e confusão depois, e a Lazio parece que, finalmente, está salva do risco de falência. Um empresário da região de Roma, Claudio Lotito, conseguiu finalmente tomar o controle acionário do clube, depois de adquirir cerca de 30% das ações ‘biancocelesti’, despendendo uma soma de € 21 milhões. Lotito estava disputando com Piero Tulli, que já é presidente da Lodigiani, a compra das ações. O acordo pendeu para Lotito.

“Bom, e o que muda?”, poe perguntar o internauta. Basicamente, muda muito e nada ao mesmo tempo. Muda muito porque a Lazio deixa de ser um clube com risco de falir, e logo, as ações devem subir de preço, os credores devem ficar menos ansiosos, e nenhum outro jogador de peso deve deixar o elenco do time.

Não muda naada no sentido em que a Lazio deve disputar uma temporada modesta, apesar da entrada de um ricaço no seu comando. A diretriz principal é a de reorganizar as finanças do clube, que estavam desgraçadamente confusas desde a saída de Sergio Cragnotti, ex-dono da Lazio e do grupo Cirio.

A maior prova desta falta de pujança é a lista de contratações da Lazio até agora. Apesar de já ter vendido Stam, Fiore, Corradi, Favalli e Collonese, o único novo jogador em Formello é o atacante macedônio Pandev. Dino Baggio e Christian Manfredini também são rostos novos em relação ao ano passado, mas voltam de empréstimo.

Além disso, a Lazio não sabe quem será o seu treinador. Os nomes cotados não são muito entusiasmantes. Se fala em Dino Zoff, Gianluca Vialli e Adamo Gregucci. Nomes de baixo custo, e que não vão exigir contratações. Das três, a menos pior parece ser Zoff, que, ao menos, já tem familiaridade com a casa.

Curtas

Embora com ainda mais uma semana de prazo, Siena, Napoli, Reggina, Torino e Ancona não conseguiram as suas inscrições em decorrência de problemas financeiros

Exceção feita ao Napoli, os presidentes dos outros clubes garantem que foram somente problemas burocráticos

Baggio se aposentou, como se sabe

Mas o técnico do Bologna, Carlo Mazzonne, está falando diariamente com o atleta para tentar convencê-lo a jogar mais uma temporada no seu time

Pirlo conseguiu convencer o treinador do Milan, Carlo Ancelotti, a deixá-lo participar dos Jogos Olímpicos, como um dos três jogadores com mais de 23 anos

Ancelotti tem duas opções para o seu lugar

A primeira é Ambrosini; a segunda é o recém contratado Dhorasoo

Durante a primeira semana de treinamentos, o novo nome que mais se destacou na Juventus foi o de Olivier Kapo, ex-Auxerre, contratado a custo zero

A Juve ainda quer mais um zagueiro para fechar seu elenco

Cannavaro (Inter) e Ujfalusi (Hamburgo) encabeçam a lista.

Chorando o leite derramado – A história do Parma

Nestes anos de abalos sísmicos gigantescos no mundo das finanças, o futebol não passa incólume. Dois anos atrás vimos a Fiorentina agonizar e afundar, vitimada por uma gerência ruinosa de seu dono; assistimos diversos clubes pequenos da Europa (como o Airdreonians, o Lommel e o Molenbeek) desaparecerem do mapa futebolístico (ou quase), e até poucas semanas atrás, sentíamos estarrecidos as notícias que davam conta da gravidade da situação do Leeds, na Inglaterra, não somente pela presença de Roque Júnior em sua defesa, mas também pela dívida assustadora contraída nos anos insanos do ‘boom’ do esporte.

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