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Internazionale: o perfil da campeã

A Inter de Milão é um clube de muitos paradoxos. Imensa em sua história, vivencia episódios dignos de time de várzea na sua gestão; gigante na torcida, não raro vê os problemas vindos da arquibancada; cheia de craques, acaba sendo salva por jogadores comuns com uma periodicidade maior do que a previsível.

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IbrahimovInter

Dificilmente um jogador é bom o suficiente para decidir um jogo sozinho. Quando usamos a expressão “fulano acabou com o jogo”, em grande parte das vezes estamos exagerando, na tentativa de fazer um elogio à performance de um determinado atleta. Mas neste domingo, não foi este o caso.

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Roma perde Totti – e não só

Aos 37min do primeiro tempo do jogo contra o Livorno, Totti caiu no gramado do Olímpico, logo depois de uma conclusão contra a meta defendida por Amelia. Subitamente, comissão técnica, jogador e torcida pressentiram que não era uma coisa qualquer. Totti pediu atendimento médico e logo saiu de campo. E salvo uma grande reviravolta, acabou-se ali a temporada da Roma.

O capitão romanista será operado e deve ficar parado até setembro, mas até lá, a Roma ainda tenta uma desesperada cartada para conseguir o titulo (tem de tirar seis pontos de vantagem interista em quatro rodadas), disputa a Copa Itália (inclusa uma viagem a Catania na segunda partida da semifinal) e até mesmo tem de impedir que a Juventus lhe roube a classificação direta à Liga dos Campeões. Se for esse o caso, terá ainda de enfrentar as eliminatórias da próxima LC sem seu principal nome.

Duas abordagens dão medo na torcida romanista. A primeira e mais imediata é mesmo a série de decisões a que o time terá de se submeter sem o capitão; a segunda, é em relação à lesão mais séria que Totti já sofreu na carreira quando ele já tem 32 anos.

Sem Totti, a Roma – que se exibiu até hoje – não é capaz de reverter uma vantagem similar da Inter, ainda que a líder não esteja jogando um grande futebol. O esquema romanista é em função de Totti e sem ele, perde grande parte de sua eficiência. A mais perturbadora, porém, é em relação ao retorno do jogador. Ele voltará da mesma maneira? Quando?

A sensação no staff técnico romanista agora – e provavelmente do próprio Totti – é a de o arrependimento por uma aposta. O meia vinha jogando no sacrifício há várias semanas porque o time não podia prescindir dele, mesmo que sem seu melhor futebol. O clube não ganhou nada e pode perder muito na ótica da temporada seguinte.

Pior: uma projeção de uma Roma sem Totti para o começo da próxima temporada força um planejamento de mercado para um time diferente de uma Roma completa. Sem o seu cérebro em campo, o técnico Luciano Spaletti precisa pensar em buscar reforços que compensem a ausência de seu craque. Por exemplo: o clube teria de pensar em contratar um meia e um atacante, bem como mudar o esquema de jogo para favorecer a criatividade de atletas como De Rossi, Pizarro e Perrotta. Mas se todas essas alterações forem feitas, o clube precisará sofrer novas mudanças quando o capitão voltar.

Uma possível dúvida do internauta seria: “Mas Vucinic não seria capaz de suprir a ausência de Totti?”. Tecnicamente, Vucinic é excelente, mas é mais atacante do que o camisa 10 romanista. J

Justamente por causa de sua característica de jogo peculiar é que o time foi montado no 4-2-3-1, onde ele tem a liberdade de atuar sem posição fixa. Vucinic joga melhor como um atacante fixo; Totti é mais eficiente que o montenegrino se o que se pretende é um meia com características de infiltração.

Quem suspira aliviada com a história é a Internazionale. Num momento de extrema turbulência interna, onde o técnico Mancini está visivelmente em xeque, ver a adversária sofrer tamanho golpe é reconfortante.

O tricampeonato da Inter esteve várias vezes ameaçado pela Roma e em nenhum a oportunidade dos atuais detentores da Copa Itália aproveitaram a chance, até porque não tinham seu capitão em plenas condições. Sem o líder, os ‘giallorrossi’ parecem ainda menos habilitados a uma grande virada, a menos que tenham um ás na manga. Agora, é a hora da Roma para baixar esse ás.

Del Piero super: Itália chama

Duas semanas atrás, Del Piero completou 553 jogos oficiais com a camisa da Juventus, atuando contra o Palermo. Naquele jogo, Del Piero jogou muito e recolocou em discussão a necessidade de sua convocação para a Eurocopa.

Neste final de semana, ‘Ale’ deu um novo golpe nos argumentos de quem acha que ele pode ficar fora do elenco. Contra uma Atalanta que faz um excelente campeonato, o atacante fez três gols e destruiu o time bergamasco, conduzindo a Juventus à sua melhor apresentação recente. E agora? Dá para deixa-lo de fora? Não, não dá.

Mesmo que não se deixe Di Natale e Quagliarella – titulares por merecimento da ‘Nazionale’ de Donadoni – em casa, o capitão juventino tem de ser chamado. Com Ranieri, Del Piero renasceu novamente, atuando na faixa de campo onde sabe atuar melhor. Fora isso, é um jogador cuja experiência certamente agrega ao grupo.

A princípio, o jogador é um problema para o técnico da seleção (não aceita o banco nem se encaixa no esquema mais utilizado pela ‘Azzurra’), mas vozes sensatas tem pedido a chamada de Del Piero em uma espécie de convergência, na qual o atacante se disporia a compor o grupo. Se treinador e jogadores cedessem e isso acontecesse, a seleção ganharia em experiência e ainda teria uma opção tática extra em caso de necessidade.

O receio de Donadoni em levar Del Piero é o de que o jogador se torne um entrave similar ao qual Roberto Baggio foi em 1998. Na ocasião, o próprio Del Piero era o titular, mas a torcida pressionava pela escalação do ‘Codino’, que normalmente saía do banco e decidia a partida, mas deixava o titular embaraçado.

Ainda há algumas semanas antes da Eurocopa e o rendimento do jogador pode cair e a questão se resolve sozinha. Caso contrário, o juventino irá à competição na marra. Se for assim, a Itália já sairá da sua concentração em Coverciano com o clima mais tenso do que o necessário.

Curtas

– Recorde negativo batido na 34a rodada.

– Nunca na história da Série A em grupo único 11 jogadores tinham sido expulsos num mesmo jogo.

– As ‘triplettas’ de Del Piero e Kaká foram a oitava e a terceira de cada um, respectivamente.

– Del Piero nunca tinha marcado três gols numa mesma partida fora de casa.

– O sucesso sobre a Udinese foi o 12o jogo em casa da Samp sem derrota dos ‘blucerchiati’.

– Aliás, a Sampdoria é a equipe que tem o melhor rendimento se comparado coma 34a rodada no ano passado, com 10 pontos a mais.

– A equipe que mais decaiu foi o Empoli, que tinha 20 pontos a mais do que os 30 de hoje.

– Seleção Trivela da 34a rodada:

– Frey (Fiorentina); Loria (Siena), Legrottaglie (Juventus), Vargas (Catania), Kolarov (Lazio); Barreto (Reggina), Palombo (Sampdoria), Konko (Genoa); Kaká (Milan), Bellucci (Sampdoria); Del Piero (Juventus)

Que Juve!

A queda de produção da Inter depois da eliminação na Liga dos Campeões é conhecida e era até esperada. A competição continental era o verdadeiro objetivo ‘nerazzurro’ na temporada. E o posterior episódio do pedido de demissão de Roberto Mancini (que depois voltou atrás) só serviu para desandar mais a maionese.

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Ronaldo, herói trágico

Uma lesão no tendão patelar do joelho não é simples nem comum. Esse tendão é extremamente forte e responsável por manter o corpo em pé. Com a lesão, o paciente não consegue manter a perna esticada. Ronaldo, um dos maiores jogadores da história recente, é um caso único de jogador “world class” que sofreu essa lesão nos dois joelhos. Justamente por isso, o que mais se ouviu na imprensa na última semana foi um veredicto de como a carreira de Ronaldo acabou.

Mas notemos o curioso: não foram ortopedistas renomados que deram esse parecer. Para ser preciso, alguns deles, ávidos por exposição na mídia até se prestaram a ir a emissoras de TV e rádio, rasgando o código de ética, avaliando um paciente sem examiná-lo. Mas quem se esbaldou mesmo foram “jornalistas”, assim mesmo, entre aspas, que quando muito, não conseguem escrever sem erros de português. Imagine então qual é a competência deles ao delimitar as chances de Ronaldo retomar a sua carreira de jogador.

Sim, Ronaldo sofreu uma lesão extremamente séria e a sua continuidade no esporte está em risco. Entretanto, o único profissional que podia positivamente avalia-lo, o ortopedista francês Gerard Saillant, não deu nenhum parecer catastrófico, limitando-se a admitir que a recuperação de Ronaldo será bastante difícil.

A contusão que o atacante milanista sofreu mostrou a posição ambígua da mídia e imprensa em relação a ele. Ronaldo foi o mais decantado craque brasileiro na vitória do Brasil na Copa de 2002 – e o mais achincalhado na eliminação brasileira em 2006. Agora, sente-se nitidamente quase que uma torcida de alguns pela sua nao-recuperação, até para que os que disseram que Ronaldo estava acabado em 2000 vejam agora sua profecia dar certo. Claro, embora ninguém admita.

O que se pode atestar na prática sobre o jogador é que ele vai ter de mostrar a sua fibra se quiser voltar a jogar. Tendo conquistado tudo – ou quase tudo – Ronaldo é um milionário famoso e não precisa de mais um centavo do futebol para continuar rico pelo resto da vida. Essa eventual falta de estímulo é muito mais difícil de superar do que a lesão no joelho.

Ronaldo voltará a ser o jogador que já foi? Impossível dizer. Segundo Saillant, a recuperação é totalmente possível. Ele tem 31 anos e não mais os 24 que tinha em 2000. Mas como bem lembrou o médico, nestes oito anos, as técnicas cirúrgicas também avançaram muito. Para não incorrer no erro dos palpiteiros de plantão, uma avaliação serena é a seguinte: as chances de Ronaldo voltar a jogar estão ligadas à sua vontade de tentar vencer uma Copa dos Campeões ou uma Libertadores. Sim, porque Ronaldo só volta a jogar se estiver disposto a voltar a treinar com um afinco sobre-humano. Nesse caso, ele tem chances – conforme o parecer de Saillant, único profissional capaz de dar uma opinião. Se ele terá ou não essa vontade, só ele poderá dizer. Ou melhor: mostrar, porque quando ele dizia isso em 2000, ninguém acreditava. Não há razões para que os pessimistas passem a acreditar agora.

Sem Ronaldo e…sem goleiro!

A queda de Ronaldo parece ter desenhado muito claramente o modo como o Milan deve se preparar para o restante da temporada. O setor ofensivo do time agora terá Inzaghi como principal jogador, seguido por Pato e Gilardino, com um improvável Paloschi correndo por fora. Dificilmente alguém poderia apostar nisso há seis meses, mas é isso o que está aí.

Também em relação à próxima temporada, a lesão de Ronaldo empurra o Milan rumo a mais chances para Gilardino – bastante desacreditado nesta temporada – e Pato, um craque ainda inconstante para ser definido como titular absoluto.

Na ótica 2008/09, Inzaghi não pode ser considerado como primeiro atacante, visto que encerrará a temporada que vem com 35 anos. Paloschi? O mais provável é que o Milan lhe encontre uma destinação que garanta um ano de titular ao invés da incerteza de todo um ano ‘rossonero’.

Só que na mesma semana, o Milan também se viu sem goleiro. Dida sentiu uma curiosa contusão na coluna e Kalac, que tem jogado muito bem nas últimas semanas, luxou um dedo exatamente na semana do jogo contra o Arsenal pela LC. A escassez no gol deve ter feito o clube voltar a pensar nas razões que puderam fazer crer que a posição estivesse coberta.

A mais belo dérbi da Itália

Juve x Torino, Roma x Lazio, Milan x Inter. Todos os dérbis na Itália são, como em qualquer lugar do mundo, partidas de um brilho diferente, que valem tudo mesmo quando não valem nada. Mas nenhum confronto ‘stracittadino’ é tão legal quando o de Gênova.

Neste domingo, Genoa e Sampdoria se encontraram mais um ‘Derby della Lanterna’ (nome dado por causa do farol portuário da cidade, conhecido como Torre Della Lanterna) e o jogo foi como sempre. Nervosíssimo, com as duas torcidas empurrando muito os times e dando à Série A uma atmosfera tipicamente britânica, cortesia da ‘cara’ do estádio Luigi Ferraris.

A Sampdoria pode estar tendo uma temporada irregular – assim como o Genoa – mas em casa, o time ‘blucerchiato’ é espetacular, não só em termos de resultado (em 11 jogos, foram sete vitórias e três empates), mas principalmente de jogo. A Samp usa muito a atmosfera de seu campo e eventualmente torna-se excelente.

Walter Mazzarri, o técnico da Sampdoria, teve um começo de campanha meio titubeante, mas sua mão já começa a se fazer clara. Sua Samp joga com um 3-5-2 peculiar, porque usa somente um zagueiro central (o ex-milanista Sala) na defesa.

Os externos defensivos Accardi e Campagnaro são laterais e não raro descem à linha de fundo. Mazzarri pode fazer isso por causa de um trio de volantes muito sólido – Delvecchio,Volpi e Palombo. Nesse trio é que está a fonte do jogo fluido da Samp, já que todos os três são muito hábeis.

E no domingo, o talento-problema Cassano foi um show à parte. Ele continua irascível e cabeça-dura, mas a sua jogada no gol sampdoriano foi digna de placa. Ele se livrou de uma marcação tripla e serviu Maggio na medida para arrematar. O goleiro Rubinho até fez boa defesa, mas o rebote caiu novamente em Maggio.

Mas a maior virtude desse dérbi foi fora de campo. Ainda que a rivalidade na Ligúria seja fortíssima, a casa lotada não teve nenhuma violência. Os genoanos perderam com honra e os dois times foram corretos. Eis um ótimo exemplo para Roma e Milão, que comumente causam vexames.

Série B

Dois times que tem muito a agregar à Série A dão sinais claros de que subirão da Série B na próxima temporada. Um corretíssimo Bologna, dirigido por Daniele Arrigoni e um vivaz Chievo já se destacaram dos outros concorrentes e deixam a briga pela última vaga nas mãos de Lecce, Albinoleffe e Pisa, alem do Brescia que está um pouquinho atrás.

– Depois da contusão de Ronaldo, a Nike teria sugerido aos seus patrocinados que comemorassem seus gols com o gesto que o brasileiro faz com as mãos depois de balançar as redes.

– Final de temporada para Nicola Pozzi, do Empoli. O jogador, que marcou sete vezes na Série A, rompeu os ligamentos do joelho direito e fica seis meses parado.

– Balotelli, atacante-sensação interista, agradeceu mas recusou a convocação de Gana. Quer esperar a chamada da Itália, já que terá o passaporte em agosto, quando completa 18 anos.

– O brasileiro Amauri está a venda. Para o presidente do Palermo, ele vale €25 milhões.

– O clube recusou proposta do Chelsea de €15 milhões em janeiro.

– A lega Calcio pretende fazer a Série A com jogos todos em horários diferentes na próxima temporada para favorecer a TV – e a chiedeira dos torcedores é grande.

– Esta é a seleção Trivela da 23a rodada:

– Sereni (Torino); Falcone (Parma), Nesta (Milan) e Modesto (Reggina); Kuzmanovic (Fiorentina), Jarolim (Siena) Giovinco (Empoli) e Mutu (Fiorentina); Cassano (Sampdoria), Suazo (Inter) e Del Piero (Juventus)

Juventus de volta

O campeonato que faz a Juventus é ‘low-profile’. Não tem estrelas como Kaká ou Ibrahimovic, não é apontada como favorita ao título e – quem diria! – até é prejudicada por erros (casuais) da arbitragem. Mas ainda é a Juventus e quem deixar esse fato de lado pode ser punido duramente.

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Vexame Nacional

Sob uma chuva torrencial, o Milan conseguia um empate no Celtic Park que, numa Liga dos Campeões, não estava saindo mal. Dentro de casa, o time escocês é sempre um adversário tinhoso e na Europa, um pontinho fora nunca é ruim. Foi quando o zagueiro Caldwell bateu na bola, especulativamente, em direção ao gol do Milan. Com o terreno molhado, Dida concedeu o rebote e este caiu nos pés do australiano Scott McDonald. Daí não teve jeito: gol do Celtic e frenesi dos ‘Bhoys’.

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Voltando do inferno

No dia da final da última Copa do Mundo, quando David Trezeguet mandou a bola por cima da trave de Buffon – seu companheiro de Juventus – na disputa de pênaltis, provavelmente já deveria pressentir que a sorte não lhe sorria. A temporada seguinte começaria marcada para ele e seria dura. Muito dura.

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