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As chances de cada um – sem oba oba

Uma tabelinha rápida para notar o tamanho do esforço necessário para ser campeão. Abaixo, você tem o rendimento dos times da ponta até aqui, o aproveitamento, a média de pontos feitos por jogo até a 32a. rodada, uma projeção de quantos pontos mais cada clube faria seguindo exatamente esta mesma média e uma projeção de quanto cada um teria no fim do campeonato seguindo exatamente o aproveitamento conseguido até aqui.

Supondo que o Palmeiras mantenha o aproveitamento de 59%, chegará a  aproximadamente 68 pontos (o Palmeiras foi o único que teve o cálculo arredondado para baixo exatamente para ilustrar sua vantagem). Assim, para superá-lo, os concorrentes teriam de chegar a 69. Mesmo o São Paulo – perseguidor mais próximo – teria de melhorar em cerca de 20% a performance até aqui. Cruzeiro e Fla precisariam vencer quase todos seus jogos. Ou seja: além de jogar bem, quem quiser derrubar o Palmeiras precisa que o Verdão tire o pé do acelerador. Como há muitos confrontos diretos, são esses os pontos cruciais da disputa.

A melhora de performance que os times têm de ter para recuperar a diferença esclarece por que razão o favoritismo está no líder e não nos postulantes à liderança. Chance de título todos têm – o duro é apertar o passo nesta altura do campeonato. Daí, quem entra em ação é o famoso Sobrenatural de Almeida. Esse sim pode mudar tudo.

Fluminense

Não acompanho o dia a dia do Fluminense. Não moro no Rio nem sou setorista do clube para ter tal possibilidade. Assim, assisto e comento o que acontece no Flu como um leigo, um observador. Acho importante fazer a distinção para estabelecer que não me acho o dono da verdade e que esses comentários não refletem nenhuma pretensão de adivinhar nada.

Mesmo com minhas limitações, não é difícil ver que o Fluminense continua sendo devorado em suas entranhas por uma bactéria gerada nos pequenos núcleos de poder. O poder é difuso no clube. O comportamento errático dos jogadores sugere que eles não sabem quem é que devem obedecer. Por exemplo: se o treinador dá uma ordem e eles não concordam, têm recursos interpessoais para contestar a ordem, como por exemplo, pedindo a um conselheiro que intervenha ou coisas assim.

Esse é um roteiro certo para o rebaixamento. Luiz Felipe Scolari é um baita treinador, mas tropeçou na falta de uma assessoria de imprensa capaz de lidar com a violência da mídia inglesa e da falta do poder “Total” que teve no Grêmio, no Palmeiras, no Cruzeiro, na Seleção e em Portugal. E hoje – e já há tempos – é nítido que os treinadores se submetem à vontade de eminências pardas (segundo dizem, o dono da patrocinadora do clube).

Um outro ponto é que o Fluminense é – já há tempos – supervalorizado em suas capacidades. Não, há, por exemplo, em todo o elenco defensivo do time, um jogador acima da média. E há vários abaixo dela. No meio-campo, Conca é o único que pode se sobressair e no ataque, Fred, excelente atacante, vem de uma experiência em Lyon onde seu caráter e profissionalismo foram duramente contestados publicamente pelo presidente do clube francês, Jean Michel Aulas.

Se o Fluminense não colocar ordem na casa – ou seja, determinar quem é que manda e deixar cada um cuidar de sua competência – vai ser rebaixado. O time não tem força espetacular em nenhum aspecto – técnico, tático, organizacional, psicológico, de união – e tem fraquezas sérias em cada um desses quesitos. Renato Gaúcho pode rebaixar seu segundo clube carioca em dois anos, caso não seja demitido antes. Ele não é mau técnico, ao contrário do que tudo indicava. Precisa ser esperto e corajoso para exigir poder total e expulsar os “come-dorme” do seu time e suas adjacências. Contratar mais meia dúzia de medalhões não vai adiantar nada.

Quatro técnicos para manter

A vitória do São Paulo em São Januário selou o destino do Brasileirão 2008. Há, ainda, a possibilidade matemática de um título do Grêmio, mas a dificuldade de ver o atual bicampeão dar dois tropeços seguidos é gigantesca. Como bem disse Renato Maurício Prado no Troca de Passe da Sportv neste domingo, esperar que um time que não perde há três meses o faça duas vezes em sete dias é confiar demais na sorte.

A reta final do Brasileirão, contudo, deveria garantir a três dos outros quatro treinadores dos cinco primeiros da tabela, um horizonte tranqüilo nas permanências de seus empregos. Celso Roth, Adilson Batista e Caio Júnior fizeram o que podiam com o que tinham e foram ultrapassados, na bacia das almas, por um time que carrega um time montado há vários anos. Mas não será assim.

É difícil dizer quem será o primeiro a cair. Entre seus torcedores, Roth, Caio e Adilson são vistos como “culpados” pela “derrota” no Brasileiro de uma maneira injusta, e até irracional. Com elencos que não são, de maneira nenhuma mais fortes dos que os concorrentes, os três tiraram leite de pedra e sofreram com problemas que estavam além do alcance.

O Grêmio, por exemplo: quando começou o Brasileiro, o tricolor gaúcho era dado, ao lado de Santos e Vasco, como possível candidato ao rebaixamento. Enquanto o Vasco quase certamente cai e o Santos se safou por pouco, Roth e o Grêmio – sem nenhum reforço fantástico – chegou ao fim do ano na batalha pelo título.

Em Minas, Adilson é xingado em todos os jogos e apelidado de “Professor Pardal” pelas suas “invenções” como razão pelo “insucesso” do time. Tudo entre aspas, porque das “invenções” de Adilson, o Cruzeiro tirou a base de um time que, se não for desmontado pela família Perrella, põe a Raposa entre os favoritos ao título de 2009. E “insucesso”, porque considerando-se as últimas performances do Cruzeiro no campeonato nacional, a zona Libertadores é uma excelente colocação.

No Rio, o Flamengo paga o preço de ter a caixa de ressonância que tem. Três gols seguidos de um jogador flamenguista o colocam como “selecionável” (vide Ibson) e uma derrota normal (como a do Cruzeiro) deixa um ar de guilhotina na Gávea. Enquanto isso, com um elenco entre os melhores, mas longe de ser o melhor, Caio Júnior paga a conta de trabalhar num clube onde o caos reina há décadas, com jogadores fazendo o que bem entendem, sempre com o aval de um diretor ou conselheiro ávido por reafirmar seu poder. A “crise” que o Flamengo auto-gerou na semana passada é um exemplo da anarquia que é a direção do clube permite, mas cuja responsabilidade joga no colo do técnico.

A campanha de 2009 dos três clubes começa em 9 de dezembro próximo, assim que se encerrar o Brasileiro. Aqueles clubes, entre Grêmio, Cruzeiro e Flamengo, que mantiverem os técnicos e comissões técnicas e lapidarem – não rifarem – seus elencos, se firmam como favoritos para o ano que vem. Os que demitirem ou, pior ainda, colocarem seus técnicos em fritura para se livrarem deles só depois do inevitável fracasso no patético Estadual, entram na luta por uma vaga na Sul-Americana 2010. Na melhor das hipóteses.

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