O 4-3-3 é o esquema mais instável do futebol. Quando funciona bem, geralmente proporciona um futebol bonito porque abre opções para as jogadas e facilita a superioridade numérica – por isso a parte física conta muito, já que os jogadores têm de correr mais para ocupar espaços. Por outro lado, qualquer falha faz a casa cair. por exemplo: se um dos volantes não estiver bem fisicamente, não tem como os outros compensarem, porque já têm de correr nos seus limites; se o lateral não apóia, sobrecarrega o lado oposto e facilita a marcação. E assim por diante.

No Milan de Leonardo, tudo de errado acontece ao mesmo tempo. Para piorar, suas impostações táticas são equivocadas. Como bem observou um jornal italiano, o Milan, contra o Bari, passou boa parte do jogo com Pirlo de externo na esquerda e Seedorf na direita e nessas posições, eles rendem menos. Mas ainda mais sintomático do caos tático do time foi no momento em que Leo sacou Ronaldinho para colocar Oddo, enquanto o Bari escalava um terceiro atacante.

Antes que alguém possa inocentar Leonardo do prepáro físico escasso do time, cabe lembrar que nesta temporada, o regime de preparação no clube foi alterado exatamente por orientação do técnico. Os intensos trabalhos físicos  dos anos anteriores deram espaço a exercícios sempre com bola. Em si, isso não é um erro (Barcelona e Inter, só para citar dois, trabalham assim há anos), mas certamente não é algo que se possa fazer de orelhada.

Não vejo espaço para Leonardo reverter a situação. Ancelotti reverteu várias crises porque tinha a confiança do grupo e parece nítido que o elenco não confia na capacidade de Leonardo. E mesmo que tivesse toda a capacidade, faltaria elenco para disputar qualquer coisa não só com Juve e Inter mas mesmo com Genoa e Sampdoria. Salvo engano, o Milan parece fora do campeonato depois de somente algumas rodadas.