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Liga dos Campeões – GRUPO D (Chelsea, Porto, Atletico Madrid e Apoel Nicosia)

Dois ex-clubes de José Mourinho e um embate entre muitos portugueses com seu ex-time (cinco, para ser preciso). O Chelsea de Ancelotti é favoritíssimo, mas o Porto não deve ser subestimado, especialmente de Hulk recobrar sua melhor forma. Ao contrário da volta de Kaká a Milão, o retorno de Ricardo Quaresma à Cidade do Porto não deve causar comoção. Incógnita Atletico Madrid que não tem um timaço mas tem um certo Sergio Agüero, capaz de definir um jogo sozinho e um Forlán implacável. O Apoel? Bem, é a zebríssima. Mas no ano passado, não custa lembrar que o também cirpiota Anorthosis também era e vendeu caro sua eliminação.

A dor crônica de Kaká e do Milan

Um problema apontado por muita gente já há algumas temporadas – o da idade média avançada – se faz sentir no Milan mais uma vez neste ano. É ir contra a lógica imaginar que a diretoria virá a público assumir seus próprios erros – que existem, mas os problemas do “maior campeão do mundo” vão além de ter um time com muitos veteranos. Mas que ela errou, errou.

A questão da idade é certamente uma dificuldade, ainda que não a única. O elenco do Milan tem uma idade média de 29 anos e meio, mas aí vão inclusos garotos que raramente jogam como o defensor Darmián (19 anos) e os meio-campistas Cardacio e Viudez (21 e 19 anos, respectivamente). Sem os três e sem o pueril Pato, a média sobe em mais de dois anos. Idade elevada é quase sempre igual a maior número de contusões. O problema é ainda maior na defesa, onde a idade média é de 30 anos, mas sem Darmián, Bonera e Senderos, sobe para 34,5. No gol, os “meninos” têm 33 anos.

Em temporadas passadas, mesmo com presenças jurássicas como Costacurta, Cafu, Fiori e Serginho, o Milan se safava. A resposta, segundo o clube, estava no MilanLab, um centro de preparação física e tratamento de lesões “state-of-art”, que fazia com que só as contusões traumáticas (as causadas por uma pancada, por exemplo) tirassem seus jogadores de campo. Contudo, nos últimos dois anos, a quantidade de lesões por estresse ou preparação inadequada vêm sendo o calcanhar de Aquiles milanista. Na temporada passada, o técnico Carlo Ancelotti chegou a ter nove jogadores fora de combate. No momento, ele tem seis, e vários, como Emerson, Senderos, Ronaldinho e Pirlo estão em processo de recuperação.

A pior ausência é a de Kaká, cujos problemas físicos coincidem com o início das lamúrias do Milan, logo depois da final da LC de 2006/07. O esquema de jogo do time passa pela combinação de Seedorf e o brasileiro na união entre meio-campo e ataque. Sem Kaká, Ancelotti está tentando fazer uma coisa que não fez em sete anos de Milan: armar o time num 4-4-2 tradicional, com Seedorf e Ambrosini externos e Emerson e Pirlo na linha mediana.

A conseqüência é clara. O Milan sofre para maquinar as ações ofensivas, que sempre passam por Kaká e sem ele, precisariam ser organizadas pelas alas onde nem Seedorf nem Ambrosini são os homens ideais. Assim, é preciso que os laterais Zambrotta e Jankulovski se arrisquem e não é raro que os defensores fiquem desguarnecidos (ainda mais sem o guardião Gattuso à frente deles)

Nessa leitura tática, a chegada de Beckham ao time em janeiro é positiva. Anos atrás, Ancelotti disse que Beckham não se encaixava no jogo do Milan. Ele tinha razão. Jogador habituado a dar profundidade às manobras pelas laterais, Beckham teria dificuldade em jogar no 4-3-1-2 da época. Num 4-4-2, no entanto, o inglês torna-se uma excelente alternativa de jogada pela direita, deslocando Seedorf para a esquerda. Mais: o holandês e Jankulovski poderiam então se alternar nas descidas pelo setor, e com o tcheco indo à linda de fundo, Seedorf se deslocaria para o posto que mais gosta: o espaço atrás dos atacantes. Como Kaká faz.

E se Seedorf gosta de jogar no lugar de Kaká, por que Ancelotti não troca simplesmente um pelo outro, enquanto o segundo está machucado? Porque o técnico entende que o esquema com três medianos e um ‘trequartista’ só é tão eficiente no Milan graças a Seedorf, que consegue combinar grande pressão na marcação com qualidade no passe. Se ele faz as vezes de ‘trequartista’, nenhum dos substitutos consegue dar conta do recado sem outras mudanças no sistema.

Em obras

Ainda não dá para dizer quem é mais forte. Pelo menos, não pelos resultados e performances conseguidos pelos times italianos nas primeiras partidas amistosas da temporada. Explica-se: os times da Série A começaram as suas pré-temporadas em datas bastante diferentes, levando em consideração a data de seus primeiros compromissos oficiais. Inter e Udinese, por exemplo, enfrentarão a fase eliminatória da Liga dos Campeões, e por isso, têm de estar prontas mais cedo.

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Ritual de passagem

Nem mesmo todo o rancor espanhol e toda a bobagem “defensivista” que se disse sobre o futebol italiano nos últimos dias puderam diminuir a alegria de Carlo Ancelotti. O técnico de Reggiolo foi a figura mais importante na conquista européia do Milan, em Manchester, apesar das três defesas de Dida na disputa de pênaltis.

Para começar, Ancelotti livrou-se do rótulo de “perdedor”, uma bobagem que se repete com seu colega da Inter, Hector Cúper. O treinador já tinha chegado ao vice-campeonato italiano em três oportunidades (duas com a Juventus e uma com o Parma), o que fazia grande parte da crítica italiana menosprezar seu trato afável com os jogadores e uma eventual incapacidade de segurar a barra em momentos decisivos.

Ancelotti fez a bobagem cair por terra com uma campanha ímpar na competição, vencendo todos os jogos que importavam. Antes da semi-final contra os arqui-rivais da Inter, o Milan só não fez três pontos nas partidas onde já estava classificado, além do empate em 0 a 0 em Masterdam, contra o Ajax. Por isso, o argumento das estatísticas negativas que mostravam um mau poderio ofensivo do time prova-se falacioso, pois o time jogou quatro jogos com times mistos. O Milan fez Real Madrid, Bayern de Munique, Borussia Dortmund e Deportivo La Coruña ajoelharem-se. Não é pouco.

Outro feito do ex-companheiro de Falcão foi o de ter posto em prática a sua tese de formatura na escola de treinadores, validando um esquema que não é o seu predileto (o 4-3-1-2), com apenas um homem de marcação, Gennaro Gattuso. Na prática, ‘Carletto’ fez cair outra falácia: a de que um bom meio-campo precisa de vários volantes. Precisa sim, é de marcação implacável de todos, atacantes inclusos.

Mas a grande vitória pessoal de Ancelotti se deu com o sucesso diante da Juventus. O time de Turim o demitiu no início da temporada 2001-2002 porque o considerou incapaz de levar a Juventus aos títulos. Ao bater a Juventus de seu sucessor, Marcello Lippi, Ancelotti aplicou um duro golpe na “Vecchia Signora”, que tinha no troféu europeu a sua prioridade absoluta.

Terceiro homem a conseguir vencer a Liga dos Campeões como jogador e técnico (os outros foram Miguel Muñoz, do Real Madrid, e Johann Cruyff, do Ajax/Barcelona), Ancelotti levantou seu terceiro troféu numa celebração do futebol italiano. A final, como 90% das finais, não foi bonita (não vamos confundir final emocionante com final de qualidade, pois na várzea, vários jogos são emocionantes). Ou melhor, não foi bonita para alguns. Para Ancelotti, foi linda de morrer.

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