O futebol italiano tem ficado mais cinzento nos últimos anos. A quantidade industrial de escândalos jogou o esporte numa espécie de limbo monitorado, onde ele não acaba, mas exibe sua agonia lenta. Passaportes, doping, apostas, possíveis compras de resultados, praticamente tudo o que poderia dar problema já virou inquérito na Itália.

Mas talvez a próxima temporada tenha ao menos uma boa notícia para a Série A. A divisão máxima do futebol italiano terá, na temporada 2005/6, clássicos nas cidades de Milão, Roma, Turim e Genova, além do derby do ‘stretto’, entre Messina e Palermo. O futebol volta a ser estrela.

O último clube a definir o seu retorno à primeira divisão foi o Torino, que perdeu para o Perugia, em casa, mas garantiu a vaga pela melhor campanha. O ‘Toro’ não é um adversário à altura da Juventus há bastante tempo, mas quando os dois piemonteses se encontram no Delle Alpi sempre há muita tensão.

Fica na Ligúria o embate que a Série A não vê há mais tempo. Genoa e Sampdoria não se enfrentam na elite desde 1995, ano da última participação do time ‘rossoblú’. A promoção do Genoa está soterrada em sombras e dúvidas com o escândalo crescente de uma possível compra de resultados. Ainda que o drama esteja ganhanddo consistência, é pouco provável (mas não impossível) que o estádio Marassi volte a ter seu clássico. E afinal, o Genoa é o primeiro campeão italiano.

Em Roma, o derby ‘capitolino’ que decidiu o título algumas temporadas atrás agora está redimensionado. A Lazio assume a posição de quem quer uma fuga tranqüila do rebaixamento, enquanto a Roma quer fazer da próxima temporada o ‘ano I’ de uma nova fase, passada a euforia e pesadelo da entrada na Bolsa.

Milão segue como o confronto mais difícil. Junto com Londres, é a única cidade européia que tem dois clubes que começam o torneio pensando em título. O estádio milanês terá uma reforma de emergência, com 200 roletas e um circuito de TV, mas a adequação definitiva do estádio dificilmente sai rápido (leia abaixo).

Além da curiosidade pela volta dos clássicos, há alguma diferença causada pela volta dos derbys? Sim, definitivamente. A capacidade dos estádios da Série A somados aumentará em cerca de 37 mil lugares com o acesso de Genoa, Empoli e Torino. Além disso, o Genoa e o ‘Toro’ são clubes que têm uma torcida maior do que Bologna, Atalanta e Brescia. Se haverá uma melhora no nível técnico, isso só saberemos em agosto.

Aparando arestas

Meio na surdina, neste final de junho, quando o futebol europeu ainda se resume à final da Copa das Confederações e à Copa Intertoto, a Itália dá um passo importante do mercado de transferências interno. Nesta segunda-feira, os dirigentes dos clubes italianos se reuniram pela última vez em Milão, no saguão de um luxuoso hotel, para tentar acertar as co-propriedades dos jogadores divididos entre dois ou mais clubes. Sem acordo, a decisão vai para “as sacolas”, onde cada clube coloca a sua proposta e quem tiver feito a melhor fica com o jogador.

A Fiorentina foi às negociações com mais interesses em jogo. Com a Juventus, tinha o defensor Chiellini, o volante Maresca e o atacante Miccoli. A Juve conseguiu comprar Chiellini de volta por € 4,3 milhões, mas Miccoli e Maresca foram para “as sacolas”. Também foram para o sistema de “concorrência” os meio-campistas Jorgensen (com a Udinese) e Obodo (com o Perugia).
A Udinese também teve participação ativa nas negociações. Acertou a compra definitiva de Di Natale, do Empoli, além de acertar a renovação de mais dois jogadores (Almirón e o brasileiro Cribari). Na Roma, meia defesa: o goleiro Curci e os zagueiros Ferronetti e Bovo voltam a Trigoria.

A Atalanta, mesmo tendo sido rebaixada, conseguiu acertar a permanência de Makinwa e Bianchi entre seus jogadores. O centroavante nigeriano é pretendido por vários clubes que desembolsarão á sociedade bergamasca euros valiosos para a temporada na Série B, enquanto o atacante italiano foi um dos melhores nomes da reta final do Cagliari.
Nenhum jogador de peso está sendo disputado, mas vários deles podem vir a ter destaque no futebol italiano, como Makinwa, Obodo e Bianchi, por exemplo. O resultado da ‘supersegunda’ é muito influente porque desenha as forças de clubes do segundo escalão. Exceção feita à negociação entre Fiorentina e Juventus, nenhum grande montante deve entrar em jogo. Mas a dureza da Série A começa aqui, ainda que sem alarde.

Projeto San Siro

Para não perder o hábito, como chega uma nova temporada, Inter e Milan voltam a discutir com o poder público de Milão a possibilidade de compra do estádio Giuseppe Meazza, também conhecido como “San Siro” (sim, é o mesmo estádio!). E também para manter tudo na regra, a prefeitura segura a rédea curta.

O famosíssimo estádio onde Milan e Inter mandam seus jogos tem muito glamour, mas tem várias deficiências. A primeira delas é no gramado, que não recebe a quantia adequada de sol e necessita de replantios de grama sistemáticos. O problema até transformou o estádio no primeiro candidato entre os ‘gigantes’ europeus a receber grama sintética.

Mas não é só: o estádio precisa implantar um novo circuito interno de TV, trocar as suas roletas, modernizar o controle de acesso dos torcedores ao estádio, entre outros. San Siro é tradicional, mas não é seguro, especialmente diante das novas investidas dos ‘hooligans’ italianos. Para reformar tudo dentro dos conformes, se gastariam mais ou menos €10 milhões imediatamente, mais uma quantia bem maior a médio prazo.

Milan e Inter têm posições diferentes em relação ao futuro do estádio. O Milan quer que a prefeitura venda San Siro ao clube, para que se disponha a fazer um investimento pesado. A idéia é transforma-lo numa arena multi-uso e poder capitalizar com o edifício durante todo o ano, e não só nos finais de semana. Já a Inter não esconde que prefere construir um estádio todo ‘nerazzurro’, sem a presença dos ‘cugini’.

A situação é cada vez mais instável. Para investir, os clubes querem um lugar que lhes pertença. Só assim, o estádio pode se adequar às exigências de segurança capazes de evitar os marginais uniformizados de fazer baderna. A posição da prefeitura em relação a San Siro é a de não vender, por se tratar de um patrimônio da cidade. Mas o que ela sabe bem é que se Inter e Milan pararem de alugar o estádio, como acontece hoje, o Giuseppe Meazza vira um elefante branco.

– A Juventus admitiu, finalmente, que Patrick Vieira é um de seus objetivos para a próxima temporada.

– O volante do Arsenal já foi ligado á Juventus em outras ocasiões.

– Fabio Capello quer montar uma dupla de meio-campistas vigorosa, com Emerson e Vieira.

– Na semana passada, o atacante da Inter, Álvaro Recoba, deu uma entrevista a um jornal do Uruguai onde externou uma opinião que promete polêmica.

– “Não temos um líder em campo. O Milan tem Maldini, nós temos Javier Zanetti”.

– Recoba se apressou em dizer que Zanetti é uma ótima pessoa, mas que o elenco interista ressentia da ausência de uma personalidade maior em campo.

– E quem há de culpa-lo pela observação?

– Nesta semana, a atenção do Milan é para assegurar Crespo e Gilardino.

– Se Crespo não se acertar com o Chelsea nos próximos sete dias, não continua em Milão.

– O Parma fez uma proposta para Zdenek Zeman assumir seu time na próxima temporada.

– O treinador tcheco é o preferido do clube por estar habituado a revelar jogadores novos e jovens, além de montar times ofensivos.