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O show dos veteranos

A menos de 60 dias da estréia na Eurocopa, o técnico da Itália, Roberto Donadoni, ainda não fechou a sua lista de convocados. É verdade: ela está praticamente pronta, colm uma ou duas vagas ainda em aberto. E as incertezas do ex-jogador de Milan e Atalanta, quem diria, são causadas justamente por dois jogadores que eram dados como cartas fora do baralho para depois do Mundial de Berlim.

Alessandro Del Piero e Filippo Inzaghi, companheiros por quatro temporadas na Juventus, de 1997 a 2001, não obstante a idade (33 e 34 anos) têm sido fundamentais para seus clubes nesta temporada. Del Piero está conduzindo a Juventus à vaga seguda na Liga dos Campeões e se não fosse por Inzaghi, mesmo uma vaga na Copa Uefa estaria fora dos planos do Milan.

Del Piero, recordista de partidas oficiais com a camisa da Juventus (554), é o segundo maior artilheiro em atividade na Série A (atrás somente de Francesco Totti). Com 35 jogos e 17 gols na temporada, voltou a ser o homem decisivo da Juventus quando ela precisou. Nas duas últimas partidas, três gols e melhor em campo na duas. Além do ótimo momento, tem experiência de sobra: três Mundiais e três Europeus.

O que conta contra Del Piero é a sua preferência por jogar como segundo atacante no 4-4-2 que a Juve utiliza – diferente da Seleção, onde o esquema não foi utilizado. De ‘Azzurro’, Ale tem de atuar como externo na linha de 3 do 4-2-3-1 ou como armador atrás do atacante no 4-1-4-1. O juventino não se sente à vontade como meio-campista e já deixou claro isso no passado, quando teve de substituir Totti na seleção ou Zidane na Juve, em ambos os casos por contusão dos mesmos.

Filippo Inzaghi terá quase 35 anos durante a Euro. Não faltam boas alternativas para o ataque – Quagliarella, Luca Toni, Iaquinta, Del Piero, Di Natale, Borriello – nem nomes teoricamente mais aptos a uma vaga no grupo, como Gilardino ou Cassano. Mas Donadoni – e a Itália inteira – sabem que Inzaghi é uma ave de rapina, e tê-lo no banci para um momento difícil é quase a segurança de que aquele gol chorado num jogo difícil vai sair no fim. Além disso, Inzaghi – ao contrário de Del Piero – aceita bem o banco. Nesta temporada, começou jogando 15 vezes e marcou 12 gols.

Contra Inzaghi estão a já citada idade e o excesso de alternativas. Quagliarella, Toni, Iaquinta e Di Natale não podem ficar fora da lista. E como não convocar o artilheiro do campeonato, Marco Borriello, 19 gols em 30 jogos da Série A? Isso desconsiderando Gilardino e Cassano que, por motivos diferentes, devem perder o trem para o Europeu.

A dúvida de Donadoni é pertinente. Em relação a Del Piero, é em relação ao esquema. O técnico dificilmente trocará o sistema para ter o juventino, porque no 4-4-2 clássico, a Itália tem dificuldades em equilibrar marcação e criatividade, além de ficar sem jogadas pelas pontas. Com Inzaghi, o ponto é quem deixar de fora: Borriello é artilheiro do campeonato, mas quem já mostrou – inúmeras vezes, por clube ou seleção – que decide no aperto, é o milanista.

Tendo um esquema virtualmente de três atacantes (no 4-2-3-1 o homem atrás do centroavante é normalmente Perrotta), seis nomes na lista não seriam um exagero absoluto, mas obrigariam Donadoni a ficar com nomes contados na defesa e lesões em algum dos coringas (Panucci, Zambrotta, Chiellini) poderiam ser perigosas. Normalmente, uma aposta em dois jogadores com mais de 30 anos seria uma temeridade. No caso de Pippo e Ale, talvez seja o risco que Donadoni tem de correr para se vingar de seus críticos.

Resultados aumentam profundidade da mudança no Milan

A derrota do Milan para a Juventus poderia ter sido mais trágica para as ambições milanistas. Com um pouco de sorte, o insucesso ‘rossonero’ foi amainado por causa de derrotas de Fiorentina, Udinese e Sampdoria. E assim, a vaga na Liga dos Campeões ainda permanece a somente quatro pontos, com mais cinco rodadas na tabela.

O desfecho do campeonato milanista pode, no entanto, ocasionar mudanças mais profundas no clube. Segundo o diário italiano La Repubblica, Gennaro Gattuso estaria cogitando a hipótese de deixar o clube por novos desafios no exterior. Bayern de Munique e Manchester United estão prontos para atender suas solicitações, assimo como as do Milan, caso o siciliano decida deixar a Itália. A reflexão de Gattuso ocorre por causa do que ele considera ser o final de um ciclo.

Alessandro Costacurta, zagueiro até a temporada passada e hoje assistente de Carlo Ancelotti, já trabalha politicamente para conseguir uma chance de suceder o “amigo” Ancelotti. Seu nome cresce de cotação no caso de uma troca de treinador. E o Milan se inscreveu até mesmo para disputar a Copa Intertoto, caso as coisas dêem muito errado e nem uma vaga na Uefa esteja disponível – situação na qual uma reformulação no elenco seria inevitável. No mais, o leitor da Trivela já sabe: Ronaldinho Gaúcho é o alvo número um, com Shevchenko (Chelsea), Flamini (Arsenal), Zambrotta (Barcelona).

– Na Itália, o gol de mão de Lavezzi contra a Atalanta provocou 1% da celeuma do que foi anotado por Adriano no fantástico Paulistão.

– “Gol irregular de Lavezzi, mas o Napoli mereceu a vitória”, disse o técnico da Atalanta, Luigi Del Neri.

– Juventus negocia Amauri (Palermo); Inter atrás de Drogba (Chelsea)

– Seedorf já sentiu sua batata assando no Milan e mandou recado a Ronaldinho:

– “É bem-vindo, mas a camisa 10 é minha”.

– A discussão de Panucci com Doni depois do gol da Udinese contra a Roma deixou o técnico Luciano Spaletti alucinado com os dois, que tomaram uma comida de rabo sensacional no vestiário.

– Totti mandou o árbitro Rizzoli àquele lugar e teve sorte: ganhou só um amarelo e uma multa.

– Os presidentes de Livorno e Cagliari, Aldo Spinelli e Massimo Cellino, juram de pé junto: deixam seus clubes em junho.

– Esta é a seleção da Série A – 33a rodada:

– Frey (Fiorentina); Cirillo (Reggina), Loría (Siena), Burdisso (Inter); Salihamdzic (Juventus), Vieira (Inter) Sissoko (Juventus), Taddei (Roma); Del Piero (Juventus), Inzaghi (Milan), Miccoli (Palermo)

Itália, Ciao

Na semana passada, Francesco Totti encerrou um mistério que vinha desde a final da Copa do Mundo. O jogador decidiu que não vai mais jogar pela seleção, privilegiando as suas performances na Roma. Como argumento, Totti disse que não tem mais a condição física ideal.

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Record-breaker

A cobrança de falta de Alessandro Del Piero que originou o gol da vitória sobre a Inter – seu 190º com a camisa juventina – praticamente sacramentou o 29º título italiano do clube. A Inter agarrava-se desesperadamente à chance de trazer a Juve para seis pontos de distância, mas terminou a partida com o dobro disso.

Além da óbvia leitura relativa ao primeiro lugar, o gol de Del Piero também colocou mais um tijolo na construção de uma conquista que pode ser histórica. A Juve já assegurou o título de inverno com quantia recorde de pontos (52). O time de Fabio Capello pode vencer este campeonato também com uma cifra recorde.

Se mantiver o aproveitamento que tem até aqui (2,64 pontos por jogo ou 88% dos pontos conquistados), a Juventus chegará à 38ª rodada com três dígitos na tabela. Capello, que é o único treinador a ter vencido um ‘scudetto’ de forma invicta (1992, com o Milan), provavelmente terá escrito seu nome na história do torneio como o maior técnico de todos os tempos na Série A.

Perguntado sobre questões do tipo, Capello desconversa numa frágil tentativa de parecer humilde. O friulano alega que o importante é vencer o campeonato, que o trabalho do grupo é vital, etc, etc. Contudo, se houvesse um poço de vaidade, Fabio Capello estaria nele. E a perspectiva de entrar para a história certamente não o aborrece.

Seu histórico de conquistas claramente impressiona. Quantos técnicos podem dizer que foram campeões em três países diferentes e venceram títulos por todos os clubes que passaram – levando-se em conta de que os clubes em questão são Milan, Real Madrid, Roma e Juventus? Quando a Juve fez as pazes com Capello no começo da temporada passada e o levou para o Delle Alpi, poucos duvidavam que uma era estava começando.

A pergunta que fica no ar é: o que Capello pretende fazer no final desta temporada? As vozes na Itália que dão como certa a sua saída não são inconsistentes. Uma aventura na Inglaterra combina com o tipo de desafio que o treinador gosta, mas só terá lugar se for com o plano certo – leia-se dinheiro para montar um time imbatível.

A Espanha também pode estar nos planos de ‘Don Fabio’, cuja passagem pelo Real Madrid deixou saudades – mas também polêmica. O estilo cauteloso de Capello teve uma enxurrada de críticos em Madrid, e sua temporada no Bernabeu foi cheia de rusgas com a imprensa. Se voltasse ao clube, Capello exigiria dinheiro à vontade e carta branca para fazer o que quisesse – leia-se expurgar jogadores que pagam de gatinho.

E se a atual temporada acabar com um título da Liga dos Campeões? O técnico abandonaria Turim assim mesmo? Deixaria para trás um time montado e engrenado para arriscar seu currículo noutro país, onde certamente não é uma unanimidade?

A essa altura ainda é difícil responder. De qualquer maneira, mesmo que ainda não seja possível dimensionar o tamanho do lugar de Capello na história, já dá para dizer que o capítulo reservado a ele certamente será bem grande.

Milan, recorde de gols

Não fosse a fragilidade da retaguarda milanista nesta temporada, o clube de Milão poderia estar fazendo frente até mesmo à Juventus épica que Capello conduz ao bicampeonato. Nas últimas duas partidas, o time de Carlo Ancelotti jogou o melhor futebol da temporada até aqui. E como conseqüência, marcou nove vezes, sofrendo um gol. Assim, o Milan chegou aos 57 gols, fazendo uma média de 2,28 por partida, seis a mais do que a líder Juventus.

A prova de que a campanha milanista não é ruim no geral é o fato de que com 25 rodadas, o time tem o mesmo número de pontos que tinha depois de 25 rodadas no ano passado – 54. A diferença é que a Juventus conseguiu 12 pontos a mais, a Inter tem 11 a mais, a Roma 10 a mais e a Fiorentina inacreditáveis 24 pontos a mais.

Se Kaká teve suas partidas opacas, na semana passada as compensou. O futebol do brasileiro é um alento e desperta grandes esperanças no ano de Copa do Mundo. Quando joga o que sabe, Kaká não tem rivais. A forma hesitante do Milan nesta temporada certamente pesa sobre a sua forma individual, mas mesmo com o time vacilando, Kaká encontra espaço para fazer chover de vez em quando.

Elogios feitos ao ataque, as dúvidas ainda permanecem em relação à defesa. É certo que o clube contratará um ou dois nomes de peso para o setor para o próximo torneio, mas também cogita um volante que possa ajudar Gattuso numa partida mais física – se fala em Diarra do Lyon e em Plasil, do Monaco – caso Vogel não mantenha a forma que mostrou contra o Treviso.

Roma, recorde de vitórias

“O Milagre de Roma”. A série de nove sucessos consecutivos do time da capital já inspira poesias e crônicas dos literatos romanistas, que voltaram a ver em Francesco Totti um jogador descomunal. Mas o sucesso da Roma vai bem além do bom futebol de seu capitão.

Para começar, a Roma se livrou de uma dor de cabeça resolvendo a novela Cassano. O atacante do Real Madrid é um craque, mas em Roma, sua presença causava mal-estar para todos – ele incluso. O elenco ficou mais coeso, não há mais divisão e Luciano Spaletti não se sente mais obrigado a escalar ou não o jogador conforme a necessidade do clube.

Spaletti em si é outra chave para a consolidação romanista. O técnico fez o time compreender o que ele queria, e sem uma enfermaria lotada, conseguiu dar conjunto onde Chivu e De Rossi são a chave defensiva e Totti joga como atacante, sem a presença de um centroavante fixo como Montella.

Com o capitão avançado, Taddei e Mancini ganharam carta branca para jogar ofensivamente e aproveitam ao máximo as suas qualidades. Spaletti deu consistência à Roma porque povoou o meio-campo e o time mantém a bola. Quando ataca, praticamente passa a um 4-3-3 mas consegue se recompor rapidamente.

Todos erram; Cosmi paga

No começo desta temporada, a Udinese surgia como uma possível dor de cabeça para clubes maiores. Desclassificou o Sporting Lisboa na Liga dos Campeões e apresentava um elenco bastante capaz, apesar de não ter gasto nenhuma fortuna com reforços. A sua estréia na fase de grupo da competição européia – um sonoro 3 a 0 sobre o Panathinaikos – reforçou a sensação positiva.

Logo depois do jogo contra os gregos, a diretoria do clube fez a sua primeira presepada: afastou o atacante Iaquinta (autor dos três gols contra o Panathinaikos) porque o jogador não quis renovar seu contrato (que se encerra em 2007). Serse Cosmi, o treinador do time, ficou bastante irritado, mas se conformou.

O problema é que depois do incidente (sem Iaquinta a Udinese empatou uma e perdeu outra, antes do atacante der reintegrado), a Udinese jamais voltou a encontrar a sua forma. E ainda que a diretoria não tenha feito mais nenhuma presepada do gênero, a relação com o técnico foi se desintegrando. E no elenco, aqueles que não gostavam de Cosmi foram fazendo o velho ‘corpo mole’.

Pois bem: depois de perder para a Reggina em casa, finalmente o clube pos o prego no caixão do técnico e o demitiu. Contra a Lazio, o time já foi comandado pelo assistente técnico Loris Dominissini e pelo zagueiro Sensini, que pendurou as chuteiras para assumir um lugar no banco de reservas.

Jogadores de futebol naturalmente não vão admitir, mas a queda de Cosmi tem o cheiro acre da traição. Cosmi é um dos melhores treinadores da nova geração da Série A e certamente tem condições de atender às exigências de um clube como a Udinese. Como é impossível se demitir todo o elenco ou a diretoria, Cosmi pagou o pato. Agora, com sorte, a Udinese se arruma uma vaga na próxima Copa Uefa. No máximo.

– O Milan negocia com Giovanni Trapattoni para tê-lo no comando de suas divisões de base.

– Segundo o brasileiro Mancini, como seu atual técnico na Roma, Luciano Spaletti, se trabalha muito mais a parte tática do que com Fabio Capello.

– Bastou a derrota contra a líder Juventus para Massimo Moratti já colocar água na sopa da Inter.

– O dono do clube fez ironias dirigidas ao técnico Roberto Mancini sobre o fato de Recoba jogar pouco.

– A Juve acertou a compra de Marchionni, do Parma, para junho.

– A imprensa italiana mais sensacionalista noticiou que o Milan teria oferecido €20 milhões pelo brasileiro Cris, do Lyon, de acordo com publicações na França.

– Provavelmente seria a contratação mais bizarra da história.

– Luis Figo não mediu palavras depois da derrota da Inter para a Juventus.

– Sugerindo que a Juve é favorecida pela arbitragem, o português disse que é “vergonhoso” o que acontece na Itália e que todos deveriam “sair de férias”.

– Luciano Moggi, dirigente juventino, devolveu na mesma moeda, dizendo que Figo deveria “calar a boca”.

– Esta é a seleção Trivela da 25ª rodada:

– Amelia (Livorno); Mancini (Roma), Samuel (Inter), Barzagli (Palermo) e Balzaretti (Juventus); Paredes (Reggina), De Rossi (Roma) e Camoranesi (Juventus); Kaká (Milan); C. Lucarelli (Livorno) e Filippo Inzaghi (Milan).

Desafio europeu

A vocação européia do Milan é inegável. As seis conquistas continentais do clube de Via Turati representam o triplo dos primos interistas e dos rivais juventinos. Vencer a Liga dos Campeões sempre foi mais importante para o clube do que o Campeonato Italiano – caso fosse necessário fazer uma escolha.

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Mais Juventus, mais Capello

Estupefata. Assim amanheceu a metade ‘giallorossa’ de Roma na manhã de quinta-feira, quando chegaram os primeiros rumores de que Fabio Capello estaria deixando o clube para ir para a arqui-rival Juventus. A mesma Juventus para a qual Capello jurara jamais retornar, resquício da mágoa pela maneira como foi dispensado, ainda jogador.

Capello venceu três ‘scudetti’ em Turim, como jogador. E a menos que algo inesperado aconteça, deve vencer mais do que isso nessa sua nova empreitada. O acerto entre Juve e Capello tem uma mira bem precisa. A Juve tem de voltar a ser Juve – ou seja – voltar a vencer muito, e rápido. Capello também quer retomar o cetro de melhor técnico do mundo. E sabe que em Turim, terá mais condições para isso do que em qualquer outro lugar.

Ambos arriscam muito na jogada. Capello sabe que o clube exige sucessos imediatos, e além disso, deixou uma legião de inimigos em Roma, depois de sua “traição”. E a Juventus resolveu bancar o técnico mais caro possível para fugir de apostas. Um trato bem maquiavélico, italiano. Um acordo entre dois gigantes.

Tanto pior para a concorrência. A especialidade de Capello é a de fazer defesas impenetráveis, exatamente o ponto fraco do time ‘bianconero’ nesta temporada. ‘Don Fabio’ já deu suas indicações para a diretoria. Já contratado o zagueiro Zebina, e acertados os retornos de Blasi e Brighi para o meio-campo, o técnico quer um homem para a parte direita da defesa (Thuram jogará como central).

Se a Juventus conseguir o brasileiro Emerson, prioridade total de Capello (mas que parece destinado ao Real Madrid), fica apenas a dúvida sobre quem será companheiro de ataque de Del Piero, já que a ruptura entre Trezeguet e o clube parece irreversível. Esquema? Quase certamente um 4-4-2, onde Nedved volta a jogar como ala-esquerda, Camoranesi na direita, e Appiah tenta tirar a vaga de Tacchinardi.

Em tudo há risco, e, mesmo numa união aparentemente impossível de dar errado, as duas partes podem se dar mal. Mas é difícil. É duro imaginar que uma dupla de jogadores tão habituados à vitória como Juve e Capello acabem em outra coisa que não um novo ciclo de sucessos. A Juventus já é favorita para a próxima temporada. Dependendo de como for o seu mercado de reforços, pode virar até uma aposta certa.

Sinais de vida inteligente na “Azzurra”

A Itália estava um pouco apreensiva com o amistoso contra a Tunísia. Muitos jogadores contundidos, alguns extenuados pelo campeonato, outros ainda em postos em que pairavam dúvidas, com a número um atendendo pelo nome de Alessandro Del Piero, que é sempre contestado quando veste a camisa italiana.

É certo que a Tunísia campeã africana jogou desfalcada, mas o 4 a 0 da Itália sobre a equipe de Roger Lemerre, o último técnico campeão europeu, mostraram que os italianos têm todas as condições de fazer um torneio buscando o título.

A defesa italiana comprovou sua eficiência com a dupla Nesta-Cannavaro, eximindo este último de suspeitas, devido à sua temporada irregular. Zambrotta, como lateral-esquerdo, apoiou o quanto pôde, e Buffon, salvo este colunista se engane, estará no gol da Itália na Euro, como titular.

O técnico Trappatoni começou com sua dupla de volantes Perrotta-Zanetti, que até não foi mal, mas o duo milanista Gattuso-Pirlo surpreendeu e criou uma bela dúvida na cabeça do técnico. Pelo que Pirlo joga, não pode ficar fora do time; se ele joga, precisa de Gattuso como seu escudeiro, pois nem Perrotta nem Zanetti são tão fortes na defesa.

O ataque tem já escalados Totti como armador e Vieri como centroavante. E o segundo atacante? A vaga oscila entre Del Piero e Cassano, já que Corradi é considerado opção à Vieri. Cassano jogou melhor do que Del Piero neste domingo, e o jogo pode induzir ‘Trap’ à dúvida.

É certo que Cassano seja um grande jogador e que mereça sua vaga no grupo. Mas abrir mão de Del Piero seria burrice, a menos que ele esteja caindo pelas tabelas. ‘Ale’ é o parceiro ideal para Vieri, tem técnica e muito mais experiência do que Cassano.

A nova espera de Trappatoni agora é para começar o Mundial sem contundidos, fato quase impossível, uma vez que historicamente, nunca a primeira lista vai completa para o torneio. Espaço para surpresas? Difícil. O técnico é teimoso como uma mula e se alguém sair, deve preferir um coadjuvante a uma nova estrela que possa romper o equilíbrio do grupo.

Roma, na mosca: é Prandelli

De todas as possibilidades que a Roma tinha para substituir Fabio Capello, nenhuma era melhor do que a que foi adotada. Com um orçamento mais curto, sem Capello nem Samuel (já vendido ao Real Madrid), o clube da capital optou por fechar com Cesare Prandelli, treinador que segurou a barra de um Parma devastado nesta temporada.

Prandelli não pede jogadores renomados, trabalha excepcionalmente bem com jovens, e monta times de verdade, preparados para jogar impondo o seu ritmo. Fez isso no Parma deste ano, reforçando o nome de uma baciada de novatos, entre eles, alguns que podem segui-lo para a própria Roma, como o atacante Alberto Gilardino, o meio-campista Simone Barone e o zagueiro Matteo Ferrari.

Ferrari, aliás, é o predileto para ocupar a vaga de Samuel, que foi embora deixando US$ 30 milhões nos cofres do clube. A maior parte vai para pagamento de dívidas, mas ainda sobra o suficiente para uma reposição à altura do que Prandelli exige. Se também sair Emerson, outro caminhão de verbas diminui o déficit romanista, e chega outro reforço, onde os mais indicados são Simone Perrotta (Chievo) e Pizarro (Udinese).

Sob o comando de Prandelli, prepare-se para ver o brasileiro Mancini jogando no meio-campo, quase como ponta, ao lado de Totti e Cassano. O centroavante? Como Montella não dá segurança na parte física, é possível que a Roma faça outra aquisição importante. Os nomes em voga são os de Caracciolo (Brescia), Morientes (Real Madrid) e Hossam “Mido” Hassam, do Olympique Marselha. Destes, o único viável financeiramente é Caracciolo, ainda uma incógnita para um time de Liga dos Campeões.

Mais “Mezzogiorno” na Série A

O último final de semana definiu três participantes da “Coppa Giovanni Havelange”, ou Série B, que vão jogar a primeira versão da Série A com 20 clubes, depois que o torneio em dois grupos foi abolido, no fim da década de 20. O Palermo de Francesco Guidolin, o Livorno de Silvano Bini, e o Cagliari de Edoardo Reja já garantiram as suas vagas.

A festa em Palermo foi como uma final de Copa do Mundo. O time calabrês volta à Série A depois de 30 anos, para uma platéia fanática, como a do estádio Renzo Barbera, ou “La Favorita”. O clube trocou de treinador durante a competição e foi uma das raríssimas exceções onde a mexida deu certo.

Nos últimos torneios a região do “Mezzogiorno”, o sul da Itália, estava quase que completamente alijado da competição. Duas temporadas atrás, chegou-se ao ponto de Roma e Lazio serem as duas equipes mais ao sul da Série A. Agora, com a volta de Palermo e Cagliari (e provavelmente, também o Messina), o sul volta a ter representatividade, fazendo um grande bem ao tão maltratado (pelos dirigentes) ‘calcio’.

Pelas outras duas vagas de promoção direta, lutam Atalanta e Messina (com 73 pontos a duas rodadas do fim do torneio), e a Fiorentina, com 70. O Piacenza, com 67, tem chances matemáticas, mas são basicamente estatísticas. A verdadeira luta do time piacentino será com a Fiorentina, pela sexta posição, que dará uma vaga num playoff contra o Perugia. Para este posto, a Ternana também ainda tem chances (65 pontos), mas só é beneficiada pela matemática.

A Série B deste ano tem de tudo para ser esquecida. Começou com uma virada de mesa sórdida, teve confrontos entre polícia e torcida durante toda a temporada, e até um morto no jogo Avellino – Napoli. É muito bom que clubes importantes como Palermo e Atalanta voltem à Série A, mas além deles, bem pouca gente vai se lembrar desta temporada com boas memórias.

O bom atacante Luca Toni, com 28 gols, é o novo recordista de gols numa única temporada pelo Palermo

É bastante provável que Toni seja sondado por times da Série A, tal a sua performance na série ‘cadetta’

A Juventus estava acertando a compra de Chevantón, do Lecce, por € 8 milhões, mas o insolente Palermo ofereceu € 9 mi, num leilão meio irreal

Sem Chevantón, a Juve trabalha com os nomes de Vieri (Inter), Gilardino (Parma), ou Ibrahimovic (Ajax), claro que, todos, com perfis bem diversos

Praticamente certa a contratação de Zdenek Zeman pelo Lecce

Uma boa nova para a Série A

Se a Juve fizer uma proposta por Vieri, deve colocar Di Vaio como forma de torna-la mais interessante

Vale recordar que Di Vaio interessava à Inter há dois anos, quando a Juventus se antecipou, obrigando a Inter a pegar Hernán Crespo

O Milan está bastante imóvel neste início de mercado

Além de Stam e Dhorasoo, já contratados, o nome do clube de Via Turati só é mencionado quando se fala de Corradi, da Lazio

Segundo um agente do Real Madrid, Roma e os “Merengues” já se acordaram pelo passe de Emerson

Claro que, usualmente, declarações de empresários são tão confiáveis quanto um castelo de cartas

A vida por uma vaga

A luta contra o rebaixamento na Itália sempre foi acirrada. Com um regulamento que torrifica quatro entre dezoito participantes, desde sempre os clubes pequenos (e às vezes alguns grandes) sentiam a água no pescoço para não precisar contar com a sorte na última rodada.

Imaginava-se que este campeonato seria diferente. Afinal, somente três devem cair diretamente para a segunda divisão, enquanto o 15º joga a permanência contra o sexto colocado da Série B, numa espécie de desempate. Mas o que estamos vendo não é nada disso.

Nada menos do que oito dos dezoito times estão na região quente da tabela. Ancona, Perugia, Empoli, Modena, Reggina, Lecce, Siena e Brescia não medem esforços para não cair, até porque, a partir do ano que vem, somente três times subirão a cada temporada, e a Série B italiana é carne de pescoço.

O Ancona já se acostumou à idéia do rebaixamento. Com sete pontos em vinte e sete rodadas, provavelmente deve estabelecer a nova marca histórica negativa na Série A. Realmente ameaçados estão Perugia (que vive uma temporada turbulenta desde o início), com 22 pontos.O Empoli, graças a um péssimo início de temporada, é o terceiro favorito para cair, mas tem melhorado bastante.

Numa região intermediária estão o Modena (25 pontos, dois a mais que o Empoli), a Reggina, com 27, e o Lecce, com 28. O Modena está na descendente (até demitiu o técnico Alberto Malesani), e precisa achar um coelho para tirar da cartola. A Reggina agarra-se à sua torcida fanática e à Nakamura; o Lecce já demonstrou que tem credenciais para se salvar, com a segunda melhor campanha de 2004, atrás somente do Milan.

Siena (30 pontos) e Brescia (31 pontos mais Roberto Baggio), ainda sofrem ameaças, mas têm como gerenciar a vantagem. Em especial, o Brescia, pois além do “Codino”, tem quatro confrontos contra concorrentes diretos (com dois deles em casa). A desvantagem do Siena é que tem uma tabela duríssima, com Lazio, Bologna e Modena (fora) e Samp, Milan, Juve e Brescia em casa.

No presente momento, tudo leva a crer que a tabela não se altera; caem Ancona (praticamente rebaixado), Perugia e Empoli, com o Modena disputando a vaga com a sexta colocada (atualmente, a Ternana). Só que não se engane: a luta até a 34ª rodada promete muito derramamento de suor.
Quem tem garrafas para vender?

No início do Italiano, todo mundo costuma apostar nos times grandes para vencer o ‘scudetto’. Juve, Milan e Inter, e dependendo da forma, Roma e Lazio. É fácil. Uma aposta em um dos maiores cinco clubes é uma barbada. Mas sem fazer profecia, a liga que agora aponta cada vez mais um Milan campeão, dava sinais ainda em junho. O ‘anormal’, se é que se pode chamar assim, é de a Juve ter jogado a toalha a oito rodadas do fim. E mesmo isso, se explica.

As primeiras partidas da temporada já demonstravam Milan, Juventus e Roma com mais fôlego, dando até à Roma uma “vantagem” de não disputar a Liga dos Campeões, que consumiria energias importantes em março/abril. Contudo, os detalhes estavam lá, indicando um favoritismo de Juve e Milan.

Os dois times mais fortes da Itália tinham, indiscutivelmente, um elenco mais completo do que a Roma. O time titular de Capello é tão forte como os de Marcelo Lippi e Carlo Ancelotti. Só que o banco de reservas faz uma diferença sensível, além da mega dependência da Roma em relação a Francesco Totti.

Durante o campeonato, a Roma lutou enquanto pôde, chegando até a manter seis pontos de vantagem sobre os milaneses, em janeiro. E exatamente em janeiro, o Milan botou na mesa as suas reservas físicas, vencendo todas as seis partidas disputadas, quatro delas pelo campeonato, (três contra a Roma – uma pelo campeonato e duas pela Copa Itália). No mesmo período, a Roma começava a dar sinais de fadiga.

A forma milanista manteve-se em fevereiro e março, com os ‘rossoneri’ perdendo somente quatro pontos, empatando com Lecce (segundo melhor time de janeiro para cá) e Chievo. Já a Roma, alternou bons resultados (como o 4 a 0 sobre a Juventus) e a derrota para o Bologna, em casa. Nocaute técnico, salvo um milagre de proporções bíblicas.

“E a Juventus?”. De fato, da Juve se esperava uma forma melhor no bimestre dezembro-janeiro. Mas cabe lembrar que o clube piemontês iniciou a pré-temporada vinte dias antes do que faz usualmente. A idéia era atingir o ápice da forma em maio, na final da Liga dos Campeões, onde os juventinos tinham certeza de estar. A primeira conseqüência foi uma largada arrasadora do time do Delle Alpi.

O preço a se pagar foi a péssima forma no bimestre dezembro-janeiro. Isso, somado à contusão de Alessandro Del Piero e a partida de Edgar Davids (cuja importância foi sub-avaliada pela comissão técnica), foi o suficiente para o golpe final na temporada da Juve. O time teve na defesa o seu trunfo para suas últimas conquistas. Neste ano, a defesa juventina é a sexta melhor, superada por times como Udinese e Chievo.

No pingue-pongue: quem vence o ‘scudetto’? O Milan, salvo um milagre inacreditável. Quem fica em segundo? A Juventus, porque a tendência é que os ‘bianconeri’ subam de produção. O Milan tem chances na Liga dos Campeões? Todas, desde que não subestime Deportivo (ainda falta um jogo) e o Porto (provável rival na semi-final). Para a Juve, é quase certa uma reformulação considerável; a Roma do ano que vem deve perder sua espinha dorsal (Capello, Samuel, Emerson e Totti), caso não seja comprada por quem possa injetar dinheiro em Trigoria.

Vox Populi: Maldini de volta

“Do jeito que ele está jogando, não podemos deixar que a Itália não o tenha no Europeu. Vou convencê-lo a aceitar a convocação de Trapattoni”. A frase é do premiê italiano Silvio Berlusconi (também dono do Milan), e o jogador em questão é Paolo Maldini, recordista de participações com a camisa da ‘Azzurra’, e que, de fato, nos dois últimos anos, tem sido um dos três melhores defensores da Europa.

Maldini decidiu abandonar a seleção depois da Copa de 2002. Seu argumento era que se baseava na experiência de Franco Baresi, que ia parar depois de 1994, acabou aceitando uma convocação para uma partida contra a Eslovênia, e se arrependeu. “Não quero chegar a um ponto de ter de ser suportado”, disse Maldini, ainda em 2000.

Só que justamente neste período, jogou como nunca no Milan. Poderia ter ganho a Bola de Ouro que foi para Nedved, foi campeão europeu, e parece ter 20 anos. Não que a Itália tenha poucos defensores, mas estamos falando aqui de um daqueles que poderia ser considerado o melhor.

Maldini tem receio de “roubar” o lugar de alguém que tenha participado de toda a (dura) campanha da Itália pela vaga na Euro-2004, o que pegaria bem mal. Quem ficaria de fora? Não se sabe. Mas o técnico Giovanni Trapattoni diz, e já faz tempo, que quer Maldini. E pela primeira vez, na semana passada, Maldini disse que “espera um telefonema do técnico para discutir o assunto”. Trapattoni já confirmou que vai ligar para Maldini, da mesma maneira que já tinha anunciado que Roberto Baggio também passa por seus planos (este, como falamos na semana passada, uma polêmica ainda maior)

Enquanto negocia-se a volta do “Capitano” da Itália, Trapattoni tem praticamente sua equipe titular acertada. Entre os convocados para o jogo contra Portugal, em Braga, não estarão Nesta (Milan), Zambrotta (Juve) e Cristiano Zanetti (Inter). E quem sabe, Maldini. Se não tivesse ninguém machucado, e com Maldini aceitando, a Itália seria: Buffon; Nesta, Maldini e Cannavaro; Camoranesi, C. Zanetti, Perrotta e Zambrotta; Totti; Del Piero e Vieri.

A lista de convocados para o amistoso:

Goleiros: Buffon (Juventus), Pelizzoli (Roma)
Defensores: Adani (Inter), Birindelli (Juventus), Favalli (Lazio), Ferrari (Parma), Oddo (Lazio), Natali (Bologna), Pancaro (Milan) e Panucci (Roma)
Meio-campistas: Ambrosini (Milan), Camoranesi (Juventus), Fiore (Lazio), Gattuso Milan), Nervo (Bologna), Perrotta (Chievo), Pirlo (Milan)
Atacantes: Corradi (Lazio), Di Vaio (Juventus), Miccoli (Juventus), Totti (Roma), Vieri (Inter).

Curtas

Três jogadores atingiram marcas importantes nesta rodada

Favalli, da Lazio, completou 395 partidas pela Série A, e comemora sua marca sendo convocado para a seleção

Outro foi Simone Perrotta, ex-Juventus e Bari, atualmente no Chievo, que completou 150 jogos pela Série A, também sendo chamado por Giovanni Trapattoni

Um ex-astro da ‘Azzurra’, Gianluca Pagliuca, jogou, contra a Roma, sua partida de número 700 como profissional

Fabio Liverani (Lazio), chegou à quota 100 em jogos na divisão máxima; Bresciano (Parma), Flachi (Sampdoria) e Sussi (Bologna), bateram na marca dos 50

Os 32 gols marcados nesta 27ª rodada são um recorde para esta temporada, igualado somente pela primeira jornada

A média de gols por partida, de 3,65, é maior do que a média do campeonato, que é de 2,62, até o presente momento

O Bologna teve uma semana de ouro

Depois de três derrotas consecutivas, conseguiu, nos últimos sete dias, somar nove pontos

Brescia, Lazio e Roma foram as três vítimas

Como o vergonhoso projeto “Salvacalcio” foi vetado pela União Européia, a Federcalcio já está imaginando alternativas

A EU não admite subsídios de nenhuma natureza, e o projeto da cartolagem era, basicamente, um perdão fiscal

A idéia da patota agora seria a de fazer com que os times “tradicionais” (seja lá o que for isso), desceriam uma categoria, mas teriam de mudar de nome.

Assim, se o Parma, por exemplo, fosse rebaixado, iria para a Série B com o nome de Atlético Parma Cálcio

Que imaginação!

Esta é a seleção Trivela da Série A, nesta 27ª rodada

Toldo (Inter); Gamarra (Inter), Stam (Lazio) Barzagli (Chievo); Barone (Chievo), Perrotta (Chievo), Maresca (Juventus) e Fiore (Lazio); Baggio (Brescia), Shevchenko (Milan) e Gilardino (Parma)

Eurocopa: a Espanha empatando em Salerno. Algo errado ?

Para quem viu a Espanha na Copa, e dizer que a Itália cedeu um empate em casa pode até assustar. Mas sobram explicações. Primeiro que a Espanha trocou o palhaço Javier Clemente por Jose Antonio Camacho, ex – jogador importante na década de 80 de tantos craques (Butrageño, Sanchez, Zubizarreta – ainda jovem e outros), e só isso já faria diferença. Mas Camacho já promoveu mudanças importantes, trazendo novos jogadores à “Fúria” (esse apelido é uma piada!). Um bom exemplo é Michel Salgado aquele que quebrou Juninho antes da Copa. Além de dar pontapés, ele joga alguma coisa, principalmente em se tratando da patética seleção da Copa.

Na Itália, sobrabvam problemas. Del Piero fora, Baggio voltando de contusão, e muita falta de confiança. No ataque pela primeira vez juntos uma dupla “giovanissima”. Inzaghi e Totti, que não fizeram feio, mas não conseguiram levar a Itália a uma vitória. Nada muito preocupante. Ainda

A Rodada

Roma 1 x 1 Bari

Eis um time que vem surpreendendo no campeonato. Com um elenco equilibradíssimo, e muito bem treinado por Eugenio Fascetti, o Bari não tem nenhuma grande estrela. Seus maiores destaques são o jovem meia Zambrotta e o sulafricano Masinga. E sicessivamente vão caindo seus adversários.

Depois de vencer a Inter em Milão, o Bari quase ganhou da Roma no Olimpico. Suportando uma pressão intensa durante toda partida, o Bari sempre que ia para o contragolpe era perigosíssimo. E assim Masinga abriu o placar, depois igualado através de pênalti sofrido e convertido pelo jovem capitão romano Totti. Impossível não destacar a soberba atuação do arqueiro Mancini, do Bari, uma muralha. E de uma maneira geral, da armação tática de Fascetti, que faz uma omelete com poucos ovos. Jogo agradabilíssimo

Cagliari 1 x 0 Parma

Irregularidade é o segundo nome do Parma. Depois de massacrar a Udinese na semana passada, o Parma foi uma sombra em Cagliari, e sucumbiu ao ‘caldeirão’ que é o estádio sardo, no qual o time do Cagliari dificilmente perde. Mesmo chegando mais vezes o gol do adversário, o Parma se mostrou ainda um time em formação, mostrando uma sonolência incrível. No segundo tempo, o africano Kallon fez um belo gol, e arrebanhou pontos importantes para a classificação. Entre os “gialloblú” de Parma, uma sensação de que o time entrou de salto alto.

Bologna 1 x 1 Perugia

Modéstia a parte, no início da temporada eu dizia que o Bologna, quando à toda força, seria uma equipe difícil de se bater. Entre campeonatos e Copas, este foi o décimo quarto resultado sem derrota da equipe de Carletto Mazzone. Mesmo assim, poderia ser melhor. O Bologna dominou o meio – campo, e sofreu um gol belíssimo num contra ataque, anotado por Rapajic. Empatou pouco depois, através de Johnathan Binotto, em uma precisa finalização, quase defendida pelo arqueiro bolognese Roccatti. Aposto que o Bologna terá uma das vagas da Copa UEFA no ano que vem, não por ter um timaço, mas pela regularidade que pode alcalçar, se não sofrer alguma contusão séria em algum elemento chave.

Juventus 0 x 0 Empoli

A falta de Del Piero é cada vez mais perceptível, não somente pela sua técnica, mas também pelo golpe que a Juventus sofreu em sua autoconfiança. Consciente de que não tem uma peça de reposição nem mesmo próxima da qualidade de Del Piero, Marcello Lippi está arrancando os cabelos. Conseqüência prática: um jogo chatíssimo, com o primeiro escanteio aos 25’ do primeiro tempo. Sorte do Empoli que arrancou um empate de ouro, um ponto valiosíssimo, ainda que sua sutuação continue crítica.

Fiorentina 3 x 1 Internazionale

Demonstração incontestável da superioridade florentina. Logo no início, Roberto Baggio cavou um pênalti convertido por Djorkaeff, mas a Inter de Simoni mais uma vez se mostrou débil para segurar a solidez do time de Trappatoni, nem de aproveitar os espaços deixados pelo alemão Heinrich. Destaques para Edmundo, autor de uma jogada sensacional no gol de Heinrich, e também do lateral direito Repka, um gigante na defesa viola. Até aqui, a Fiorentina merece a liderança do certame.

Salernitana 1 x 0 Venezia

O jogo dos desesperados. Como era de se imaginar, o fator campo seria decisiva em um jogo destes, e de fato o foi. Não é necessário imaginar que não se tratou de um show de técnica, mas também foi um jogo, muito disputado. O Venezia só não volta à série B por milagre, embora ainda haja muita água para rolar.

Sampdoria 0 x 0 Vicenza

Sinceramente um jogo para se esquecer, principalmente se você se chamar Ariel Ortega. O argentino perdeu um pênalti, em um jogo horrível, que poderia ter dado à Sampdoria uma colocação confortável na fuga dos últimos lugares. Se alguém ganhou com este jogo, foi o Vicenza, que levou um ponto para casa

Udinese 1 x 0 Piacenza

Nessa rodada tão pobre de gols (talvez motivada pelo frio intenso que se abate por toda a Itália), o time de Amoroso arrancou do valente Piacenza uma vitória importante. O brasileiro, por falar nele, perdeu um pênalti, e agradeceu muito a Paolo Poggi o gol salvador que deu a vitória ao time friuliano. Tecnicamente, um jogo pobre também.

Milan 1 x 0  Lazio

Um jogo de um  time só. A Lazio desfalcada de oito jogadores (seis titulares) foi à Milão para não perder, e o Milan quase que cede um empate. Uma péssima atuação de Bierhoff e Weah, que pararam nas mãos milagrosas de Marchegiani por diversas vezes. Aos 47’ do segundo tempo, Leonardo marcou um gol importantíssimo, que valeu ao time rossonero a vice – liderança do campeonato.

Devagar e Sempre

Como esta semana não houve rodada nos campeonatos europeus, em decorrência das eliminatórias da Eurocopa, todas as atenções da Itália ficaram sobre a “azzurra”. E Dino Zoff, o treinador da Itália deve estar se regozijando. Afinal, mesmo que não tenha apresentado um futebol maravilhoso, o ‘allenatore’ conseguiu duas vitórias consecutivas e colocou a gloriosa “azzurra” na liderança de seu grupo das eliminatórias da Eurocopa. Uma vitória contra a modesta seleção de Gales, uma outra, mais significativa, contra a competente equipe da Suiça.

As dúvidas sobre o time italiano estavam principalmente no ataque. Christian Vieri, o rebelde atacante (leia abaixo) se contundiu no joelho, estava fora. Del Piero ainda não tinha mostrado toda a sua categoria. Teve um início de temporada conturbado pelas denúncias de que teria se dopado. Como se apresentaria o ataque da Itália, com a dupla da Juventus Del Piero – Inzaghi ? Molto bene, Grazie.

Del Piero fez dois gols, um em cada tempo e confirmou que é um dos titulares da Itália, sem contestações. Municiado por um meio – campo extremamente consistente (Fuser, Baggio, Albertini e Di Francesco), o ataque fez o suficiente para arrecadar importantes pontos.

Na minha opinião, os homens de criação italianos são ótimos, mas creio que Zoff é um pouco prudente demais. Falta um jogador mais leve que vá um pouco mais à frente, mas nada que possa comprometer. Fosse eu, escalaria Roberto Baggio como terceiro atacante, e encarregado de armar jogadas, tal a clarividência que tem.

E a defesa, como é tradicional na Itália, fortíssima. Desta vez, Pannucci, Cannavaro, Torriccelli e Maldini não deram chances ao ataque helvético. E pelo que tem jogado, acredito na volta de Costacurta em breve. E quando se recuperarem, Nesta e Ferrara são nomes certos. Sem nada para se preocupar quanto a este setor. Vaga certa na Eurocopa.

O Doping, ainda dando o que falar

Um verdadeiro carnaval o que acontece na Itália. Parece que as acusações não acabam mais. Nesta semana, o destaque ficou por conta do fechamento do laboratório Acquacetosa, que fazia os exames antidoping na Itália. E além disso, o atacante Del Piero confirmou que está processando o treinador Zeman.

Mas o que parece realmente grande é uma greve, ainda em estágio embrionário. Acredite se quiser, mas os jogadores ameaçaram paralisar o campeonato indefinidamente, caso não haja mudanças na conduta das investigações. Os atletas se queixam de que seus nomes estão sendo envolvidos nas manchetes sem que hajam acusações, e isso é verdade. Mas não sei porque, tenho a impressão de que muitos medalhões surpreenderão com envolvimento com doping. É ver para crer.

Vieri, Rebeldia a toda prova.

Ao contrário do que sua carinha de anjo possa sugerir, Vieri não é um exemplo de profissionalismo. Que o moço joga muito, não há dúvidas. Mas que ele deixa um rastro de controvérsias, também é ponto pacífico.

Vieri, de apenas 24 anos já passou por nada mais nada menos do que nove clubes em sua carreira. E a sua última transferência, do Atlético Madrid para a Lazio ao que parece, se deveu mais “ao orgulho do que ao dinheiro”, segundo o jornalista Keir Radnedge, da revista World Soccer.

O atacante peninsular brigou com o treinador do Atlético Madrid no ano passado, Radomir Antic (aliás, Juninho também brigou), e neste ano andou se desentendendo com torcedores madrilenhos. E dizem as más línguas que o italiano teria perdido o interesse no futebol espanhol. Não pelas dificuldades, mas por ter se enrolado com uma beldade italiana. O dono do clube, Jesus Gil estaria de saco cheio do italiano, e teria aproveitado a oportunidade da oferta da Lazio.

Christian Vieri ainda não marcou neste campeonato, e está ameaçado de sofrer até mesmo uma cirurgia no joelho. Poderíamos dizer que o atleta é uma versão civilizada de Edmundo. Mas absolutamente inofensivo fora do campo, já que não quebra câmeras (aliás até odeia dar entrevistas), não bate carros, e nada de incivilizado. E não treme em decisões. Pelo menos não tremeu até agora

Simeone, voltando para a Espanha

De última hora, uma notícia que pode alterar alguns rumos. O meio – campista argentino Simeone, hoje na Internazionale de Milão, declarou que gostaria de voltar ao seu antigo clube, o Atlético Madrid. E conhecendo o ardor dos torcedores interistas, é provável que ainda em Dezembro o botineiro argentino volte ao fácil campeonato ibérico.

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