A menos de 60 dias da estréia na Eurocopa, o técnico da Itália, Roberto Donadoni, ainda não fechou a sua lista de convocados. É verdade: ela está praticamente pronta, colm uma ou duas vagas ainda em aberto. E as incertezas do ex-jogador de Milan e Atalanta, quem diria, são causadas justamente por dois jogadores que eram dados como cartas fora do baralho para depois do Mundial de Berlim.

Alessandro Del Piero e Filippo Inzaghi, companheiros por quatro temporadas na Juventus, de 1997 a 2001, não obstante a idade (33 e 34 anos) têm sido fundamentais para seus clubes nesta temporada. Del Piero está conduzindo a Juventus à vaga seguda na Liga dos Campeões e se não fosse por Inzaghi, mesmo uma vaga na Copa Uefa estaria fora dos planos do Milan.

Del Piero, recordista de partidas oficiais com a camisa da Juventus (554), é o segundo maior artilheiro em atividade na Série A (atrás somente de Francesco Totti). Com 35 jogos e 17 gols na temporada, voltou a ser o homem decisivo da Juventus quando ela precisou. Nas duas últimas partidas, três gols e melhor em campo na duas. Além do ótimo momento, tem experiência de sobra: três Mundiais e três Europeus.

O que conta contra Del Piero é a sua preferência por jogar como segundo atacante no 4-4-2 que a Juve utiliza – diferente da Seleção, onde o esquema não foi utilizado. De ‘Azzurro’, Ale tem de atuar como externo na linha de 3 do 4-2-3-1 ou como armador atrás do atacante no 4-1-4-1. O juventino não se sente à vontade como meio-campista e já deixou claro isso no passado, quando teve de substituir Totti na seleção ou Zidane na Juve, em ambos os casos por contusão dos mesmos.

Filippo Inzaghi terá quase 35 anos durante a Euro. Não faltam boas alternativas para o ataque – Quagliarella, Luca Toni, Iaquinta, Del Piero, Di Natale, Borriello – nem nomes teoricamente mais aptos a uma vaga no grupo, como Gilardino ou Cassano. Mas Donadoni – e a Itália inteira – sabem que Inzaghi é uma ave de rapina, e tê-lo no banci para um momento difícil é quase a segurança de que aquele gol chorado num jogo difícil vai sair no fim. Além disso, Inzaghi – ao contrário de Del Piero – aceita bem o banco. Nesta temporada, começou jogando 15 vezes e marcou 12 gols.

Contra Inzaghi estão a já citada idade e o excesso de alternativas. Quagliarella, Toni, Iaquinta e Di Natale não podem ficar fora da lista. E como não convocar o artilheiro do campeonato, Marco Borriello, 19 gols em 30 jogos da Série A? Isso desconsiderando Gilardino e Cassano que, por motivos diferentes, devem perder o trem para o Europeu.

A dúvida de Donadoni é pertinente. Em relação a Del Piero, é em relação ao esquema. O técnico dificilmente trocará o sistema para ter o juventino, porque no 4-4-2 clássico, a Itália tem dificuldades em equilibrar marcação e criatividade, além de ficar sem jogadas pelas pontas. Com Inzaghi, o ponto é quem deixar de fora: Borriello é artilheiro do campeonato, mas quem já mostrou – inúmeras vezes, por clube ou seleção – que decide no aperto, é o milanista.

Tendo um esquema virtualmente de três atacantes (no 4-2-3-1 o homem atrás do centroavante é normalmente Perrotta), seis nomes na lista não seriam um exagero absoluto, mas obrigariam Donadoni a ficar com nomes contados na defesa e lesões em algum dos coringas (Panucci, Zambrotta, Chiellini) poderiam ser perigosas. Normalmente, uma aposta em dois jogadores com mais de 30 anos seria uma temeridade. No caso de Pippo e Ale, talvez seja o risco que Donadoni tem de correr para se vingar de seus críticos.

Resultados aumentam profundidade da mudança no Milan

A derrota do Milan para a Juventus poderia ter sido mais trágica para as ambições milanistas. Com um pouco de sorte, o insucesso ‘rossonero’ foi amainado por causa de derrotas de Fiorentina, Udinese e Sampdoria. E assim, a vaga na Liga dos Campeões ainda permanece a somente quatro pontos, com mais cinco rodadas na tabela.

O desfecho do campeonato milanista pode, no entanto, ocasionar mudanças mais profundas no clube. Segundo o diário italiano La Repubblica, Gennaro Gattuso estaria cogitando a hipótese de deixar o clube por novos desafios no exterior. Bayern de Munique e Manchester United estão prontos para atender suas solicitações, assimo como as do Milan, caso o siciliano decida deixar a Itália. A reflexão de Gattuso ocorre por causa do que ele considera ser o final de um ciclo.

Alessandro Costacurta, zagueiro até a temporada passada e hoje assistente de Carlo Ancelotti, já trabalha politicamente para conseguir uma chance de suceder o “amigo” Ancelotti. Seu nome cresce de cotação no caso de uma troca de treinador. E o Milan se inscreveu até mesmo para disputar a Copa Intertoto, caso as coisas dêem muito errado e nem uma vaga na Uefa esteja disponível – situação na qual uma reformulação no elenco seria inevitável. No mais, o leitor da Trivela já sabe: Ronaldinho Gaúcho é o alvo número um, com Shevchenko (Chelsea), Flamini (Arsenal), Zambrotta (Barcelona).

– Na Itália, o gol de mão de Lavezzi contra a Atalanta provocou 1% da celeuma do que foi anotado por Adriano no fantástico Paulistão.

– “Gol irregular de Lavezzi, mas o Napoli mereceu a vitória”, disse o técnico da Atalanta, Luigi Del Neri.

– Juventus negocia Amauri (Palermo); Inter atrás de Drogba (Chelsea)

– Seedorf já sentiu sua batata assando no Milan e mandou recado a Ronaldinho:

– “É bem-vindo, mas a camisa 10 é minha”.

– A discussão de Panucci com Doni depois do gol da Udinese contra a Roma deixou o técnico Luciano Spaletti alucinado com os dois, que tomaram uma comida de rabo sensacional no vestiário.

– Totti mandou o árbitro Rizzoli àquele lugar e teve sorte: ganhou só um amarelo e uma multa.

– Os presidentes de Livorno e Cagliari, Aldo Spinelli e Massimo Cellino, juram de pé junto: deixam seus clubes em junho.

– Esta é a seleção da Série A – 33a rodada:

– Frey (Fiorentina); Cirillo (Reggina), Loría (Siena), Burdisso (Inter); Salihamdzic (Juventus), Vieira (Inter) Sissoko (Juventus), Taddei (Roma); Del Piero (Juventus), Inzaghi (Milan), Miccoli (Palermo)