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Sucesso antipático

Na Itália, se diz que os ‘tifosi’ (‘torcedores’, em italiano) do país se dividem em duas categorias: os juventinos e os anti-Juventus. A antipatia generalizada que a ‘Vecchia Signora’ desperta é o preço que ela pagou por tantos anos de conquistas e sucessos que de vez em quando também contaram com a ajuda da arbitragem. Só que o que acontece quando o time mais odiado do país é rebaixado e volta à divisão de elite visivelmente redimensionado? Bem, é necessário arrumar alguém mais para odiar. Sempre é.

O trono da antipatia juventina na Série A foi herdado por quem agora está vencendo. E quem está vencendo é a Inter. A rumo de um tricampeonato (mesmo que com um título ganho no tapetão e outro sem a Juventus) que não acontece na Itália desde 1994 e só ocorreu em seis ocasiões na história, a Inter é o alvo da antipatia e das reclamações de todo mundo.

Certamente não ajudou a imagem interista uma entrevista dada pelo técnico Roberto Mancini na qual o técnico admitiu ser arrogante, criticou quem questiona a lisura das arbitragens, disse que jogava tanto quanto Ibrahimovic joga hoje, mas que não teve sucesso na ‘Azzurra’ porque não jogava no Milan. Entre outros.

A superioridade interista certamente não deve ser questionada pelos erros de arbitragem. O time de Mancini é muito mais sólido do que qualquer outro concorrente e mesmo na temporada que vem o pretendente ao título terá de suar sangue para tirar a diferença técnica em relação aos interistas.

Contudo, Mancini negar os erros de arbitragem só solidificam a sua imagem de arrogante (“Se sou arrogante? Sou, porque não tenho medo de incomodar ninguém”). A Inter vence e só isso já seria o suficiente para fazer dela o time a ser odiado. Mais ainda com erros incontestáveis que aconteceram em pelo menos oito jogos deste campeonato.

Um sinal sólido de que a arbitragem tem ajudado (ainda que involuntariamente) o time de Appiano Gentile é a quantidade de críticos de diferentes frontes. Curiosamente, o único time que aparentemente não aponta o dedo para os campeões é o rival Milan. Isso, entretanto, se deve muito mais à distância quilométrica entre os dois times na tabela do que propriamente a um juízo de valor.

Depois de um longo jejum de quase vinte anos sem usar o ‘tricolore’ no peito, a Inter se desabituou á condição de clube realmente grande. Os troféus vêm acompanhados de inimizades, inveja, críticas e ironia por parte dos rivais. As reclamações seguidas da líder ainda são mostras de um grupo que não se habituou ao sucesso, porque as acusações e pauladas são parte do pacote de quem vence mais.

Ladrão que rouba ladrão…

Quem poderia ptofetizar há alguns anos que a Juventus terminaria uma partida contra em Reggio Calábria berrando apopleticamente contra os erros de arbitragem que lhe custaram a derrota diante da gigantesca…Reggina?

Mas é isso mesmo. A Juventus se sente prejudicada pelos árbitros e chega a dizer que eles ainda estão apitando sob a égide do escândalo do ‘Calciocaos’. “Não podemos continuar pagando por algo que já nos custou uma severa punição”, declarou o sério presidente do clube, Giovanni Cobolli Gigli. “Que amargura. Estes episódios são a ponta de um iceberg”, bateu o técnico Claudio Ranieri, sugerindo que algo ‘maior’ está movendo a influência sobre a arbitragem.

O “iceberg” naturalmente seria um complô para dar o troféu à Inter e os “episódios” aos quais o treinador se refere são quatro lances de pênalti: um, marcado, contra a Juventus e três, não marcados, a favor dos piemonteses. Em pelo menos um deles, um lance sobre o malinês Sissokho, a Juventus tinha direito de chiar.

Acreditar em uma Inter malévola que articula o poder para garantir mais um título é um tanto quanto infantil – embora de, depois do ‘Calciocaos’, seja possível desconfiar até de uma ovelha. A Juventus tem sido prejudicada por erros de arbitragem, sim, mas o transtorno em via Galileo Ferraris é muito mais causado por uma indignação de quem jamais tinha passado pelo papel de vítima antes. Para as outras torcidas italianas, os erros contra a Juve são até mesmo merecidos. Afinal, ladrão que rouba ladrão…

O pós-Ronaldo do Milan

Parece fora de qualquer dúvida que o Milan não terá Ronaldo por pelo menos a maioria da próxima temporada – isso na melhor hipótese. Assim, com um Inzaghi beirando os 35 anos, um Gilardino ainda inseguro e um Pato adolescente, o Milan já abriu as cartas e deixou claro: em junho, o clube contratará um atacante de peso.

Tirando as piadinhas de que atacante de peso era Ronaldo, a direção ‘rossonera’ sabe que terá de abrir o bolso para poder levar um nome famoso a San Siro, coisa que não tem acontecido nos últimos anos. Sim, Ronaldo foi uma contratação megafamosa, mas veio a um custo baixo por causa das lesões e idade. Desta vez, os cofres de via Turati terão de buscar um jogador relativamente jovem e que possa ficar em Milanello por muitos anos, como é a política do Milan.

A última dessas contratações foi Alberto Gilardino, que aportou em Milão com 24 anos, por €24 milhões. Sim, o Milan levou Pato à Lombardia, mas mesmo que por uma cifra quase igual à de ‘Gila’, ainda era considerado uma aposta. Se ele está ganhando seu espaço, é porque demonstrou uma maturidade maior do que a normal.

Alguns jogadores já são dados como ‘preferenciais’ numa possível contratação pelo Milan porque têm o perfil desejado por Carlo Ancelotti e porque são ‘cortejados’ de alguma forma pelo clube há tempos. Além do Ronaldinho, que não é mais para o Barcelona o que já foi um dia, o também brasileiro Amauri, do Palermo e Didier Drogba, do Chelsea, surgem na pole-position, por causa da combinação eficiência-idade-experiência internacional-qualidade.

Como soluções ‘alternativas’, estariam o jovem francês Benzema, do Lyon, (20 anos, avaliado em cerca de €50 milhões), o ucraniano Shevchenko (herói milanista que está no Chelsea) e o togolês Adebayor, do Arsenal. Contra o primeiro, pesa a pouca idade e o preço irreal (com Pato e Gilardino, seria conveniente outro atacante experiente); contra o segundo, a exigência que o Chelsea faria para liberá-lo e uma certa oposição de parte da torcida (que acha que ele “traiu” o clube ao ir para Londres); contra o terceiro, pesa a suspeita sobre a sua capacidade de carregar um ataque do porte do milanista.

A contratação de um quarto atacante faria com que a revelação Paloschi fosse emprestado para um time menor, para ganhar experiência. O ‘prata-da-casa’ é visto com grande entusiasmo em Milão, mas há um receio em “queimá-lo” com as pressões que pairam sobre o ataque do clube.

Além da questão do atacante (cuja contratação já é dada como certa mesmo por Adriano Galliani, vice-presidente do clube), há uma expectativa quanto à chegada de um ou dois defensores e um goleiro. O mítico Maldini pendurará as chuteiras e não existe exatamente uma grande segurança em torno de nomes como Simic e Bonera. Além disso, Cafu e Serginho também têm seu futuro nebuloso. No gol, Dida e Kalac parecem uma aposta arriscada para um time de proporções mundiais. Só que a dupla já parecia uma aposta perigosa no fim do campeonato passado, e nem assim o clube ‘rossonero’ resolveu abrir o cofre.

Jornalismo

Depois da coluna da última semana, na qual eu escrevi sobre a leviandade de parte da imprensa esportiva na “avaliação” da situação física de Ronaldo, naturalmente, recebi diversos e-mails com questionamentos do tipo: “Aí, seu trouxa! E agora que o Ronaldo mesmo disse que pode parar? Quem é que estava exagerando? Heeeeeeeeein?”

Aos zebus que, num rompante de necessidade de se comunicar, me enviaram mensagens menos educadas, simplesmente ofereço a vastidão do vazio no qual suas próprias vidas estão inseridas. Contudo, achei que deveria tocar no assunto e esclarecer minha posição em apreço a internautas mais civilizados e articulados.

Não, não acho que eu estava exagerando quando disse que os pseudo-jornalistas que especulavam sobre o futuro de Ronaldo estavam sendo levianos. Eles não tinham instrução (continuam não tendo), recursos nem informação para avaliar o que teria acontecido com o joelho de um paciente que estava incomunicável em outro continente. Eles tinham direito a uma opinião? Certamente. Assim como qualquer pessoa do planeta, especialmente as que sentavam-se ao redor de mesas, diante de garrafas de cerveja, em botecos, em papos descontraídos.

Como já disse uma vez o jornalista Joelmir Beting, o jornalista tem uma preferência por fazer previsões catastróficas, porque quando ele acerta, posa de profeta, mas quando erra, vê seu palpite passar batido. O caso de Ronaldo é um ótimo exemplo. Cravar que Ronaldo encerraria a carreira horas depois da lesão era uma ótima maneira de fazer sensacionalismo, especialmente se adicionando informações mentirosas ou coletadas na Internet como “fontes de dentro do Milan”. Dá audiência e de um modo geral, dá uma sensação de que o jornalista está fazendo seu trabalho.

O único modo que alguém, ao meu ver, poderia ter feito uma avaliação que vai além do ‘achismo’ imbecil ou do palpite típico dos botequins, seria um jornalista ter conseguido uma declaração de um dos médicos do Milan, que tinham examinado Ronaldo. Isso não aconteceu – e por consequência sigo certo de que a acusação de leviandade era pertinente.

Hoje, todos sabemos que realmente Ronaldo teve uma lesão seríssima e que pode encerrar sua carreira, porque ouvimos a informação de sua boca – uma das poucas pessoas aptas a dar um parecer sem sede de exposição, sensacionalismo ou irresponsabilidade. Será uma pena. Talvez eu achasse a especulação um exercício interessante se a Trivela fosse um site de apostas ou o pregão de uma bolsa de valores, mas não é o caso. Logo, dando uma adaptada na frase de Catão, “Delenda Est Decipio”.

Curtas

A vaga da Fiorentina na LC parece cada vez mais distante mesmo.

Além de ter sido ultrapassada pelo Milan na tabela, a equipe toscana perdeu Mutu por pelo menos um mês.

Sem o romeno, Prandelli perde o único homem em condições de tirar ‘coelhos da cartola’.

O romanista Ferrari não fica em Roma para a próxima temporada e todo mundo dá como certa sua passagem ao Milan.

Depois da derrota para o Cagliari, a Lazio sofreu vaias no CT de Formello.

É impressionante o futebol que Cassano está voltando a jogar.

Com a cabeça no lugar, o barese realmente tem talento para dar e vender.

E esta é a seleção da 24a rodada segundo a DataTrivela:

Storari (Cagliari); Maggio (Sampdoria), Gamberini (Fiorentina), Agostini (Cagliari) e Buscé (Empoli); Kuzmanovic (Fiorentina), Hamsik (Napoli) e Bresciano (Palermo); Giovinco (Empoli); Inzaghi (Milan) e Cassano (Sampdoria)

Desafio europeu

A vocação européia do Milan é inegável. As seis conquistas continentais do clube de Via Turati representam o triplo dos primos interistas e dos rivais juventinos. Vencer a Liga dos Campeões sempre foi mais importante para o clube do que o Campeonato Italiano – caso fosse necessário fazer uma escolha.

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Nos descontos!

Na hora ‘H”, a Juventus buscou seu caráter no fundo do saco e o encontrou. Com o capitão Del Piero decisivo mais uma vez, o time de Fabio Capello não jogou uma partida brilhante, mas não deu chances para o Parma. A vitória desenhada no Delle Alpi foi praticamente uma hipoteca no 28o ‘scudetto’, que se não for para Turim, vai marcar o time de via Galileo Ferraris para sempre.

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Campeã de inverno

Uma rodada ainda falta para a Itália fechar seu primeiro turno, e a Juventus já assegurou o “título de inverno”, que vale lembrar, é só simbólico. O time piemontês voltou a abrir quatro pontos de distância do segundo colocado Milan e não pode ser mais alcançado antes da primeira rodada do returno.

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Operação Cana Braba

Na semana passada, o vice-presidente do Corinthians, Antonio Roque Citadini, na ESPN Brasil, numa de suas argumentações, falava de como o futebol italiano é cheio de maracutaias e problemas, e para exemplificar, citou o escândalo das apostas ocorrido no ano passado, que penalizou vários clubes e jogadores neste ano. A tese de Citadini é a de que problemas ocorrem em todos os lugares, e que a Itália não tem menos problemas que o Brasil, no que diz respeito a irregularidades.

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Adriano imperador

“Nella gioia e nel dolore, Adriano imperatore”. Estes eram os dizeres de uma faixa no campo de treinamentos da Pinetina, quando cerca de mil torcedores aguardavam Adriano voltar do Rio de Janeiro, onde fora acompanhar o enterro de seu pai. O centroavante já tinha conquistado a ‘tifoseria nerazzurra’, e de lá para cá, só fez crescer a idolatria, muito parecida com a que teve Ronaldo em seu primeiro ano de Inter.

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Apresentação da temporada – III

Seguimos apresentando os times que farão a temporada 2004/2005 do Italiano. Nesta semana, os examinados são Milan, Palermo, Parma e Reggina, todos bons elencos, de acordo com suas pretensões.

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Itália campeã…sub-21

Nesta semana, todos os olhos na Itália passaram para Portugal. A Itália tenta repetir o feito de 1968, conquistando a Eurocopa. Tensões e dúvidas à parte, o grupo italiano tem condições de lutar pelo primeiro lugar, e o italiano, que vai do pessimismo ao ufanismo em oito décimos de segundo, verá novamente seu humor variar de acordo com as performances da “Azzurra”.

Mas já na semana passada, a Itália estava comemorando. E quem não estava, deveria. É que a seleção sub-21 conquistou a “Euro” da categoria, carimbando também o passaporte para as Olimpíadas. E que ninguém se engane: não foi nem de longe uma zebra. Das últimas sete edições, a Itália chegou a cinco finais, vencendo todas, e comprovando que é força maior na categoria.

Os “azzurrini” de Claudio Gentile são um grupo com recursos em todos os setores. Poderiam ter sido ainda mais fortes se tivessem contado com o talento de Cassano, cujo gênio irascível foi a mola mesta de sua exclusão. Mesmo assim, se trata de um time muito forte e que prova que a Itália pode ter uma seleção competitiva pelos próximos dez anos, se quiser.

Os bons goleiros italianos já são uma tradição. A equipe campeão em 2004 não foi diferente. Marco Amelia (Parma) e Carlo Zotti (Roma) podem vir a ser goleiros de nível internacional. Amelia deve acabar lutando pela vaga de titular no Parma, se Frey for vendido, enquanto Zotti deve ter de sair da Roma, porque Pelizzoli só sai em caso de contusão. O terceiro goleiro, Agliardi, do Brescia, também é muito bom.

Entre os defensores, os destaques ficam para quatro nomes: Bonera (Parma), Barzagli (Chievo), Moretti e Zaccardo (Bologna). Bonera esteve cotado para ser até titular da seleção principal, mas teve uma contusão no fim da temporada que tirou-lhe o ritmo de jogo. Barzagli foi a revelação da defesa na última Série A.

Zaccardo é disputado a tapa por Juventus, Roma e Inter, e Moretti conseguiu no Bologna o espaço que muito raramente um jovem consegue na Juventus, clube a quem pertencia. Na reserva, Bovo (Lecce, formado nas categorias de base da Roma), Gamberini (Bologna) e mais dois nomes do Parma: Paolo Cannavaro (que não foi titular por causa de uma contusão) e Potenza. Uma rápida olhada nesta lista mostra que Bologna e Parma estão com a nata das esperanças italianas no setor.

Meio-campo e ataque: ainda mais opções

Se a defesa tem opções, o meio-campo é ainda mais rico. Palombo (Sampdoria), Donadel (Milan), Pinzi (Udinese), De Rossi (Roma) e Matteo Brighi (Juventus), são todos nomes que o internauta mais atento deve ter visto com freqüência na Série A. Palombo, De Rossi e Donadel são centrais marcadores, mas com bom passe e posse de bola; Brighi é um pouco mais ofensivo, enquanto Pinzi prefere jogar pela direita (embora atue no meio em seu clube). Simone Del Nero (Brescia) foi a revelação do Europeu; atacante de origem, pode jogar atrás dos atacantes ou pela ala-direita.

No ataque, os nomes são ainda mais conhecidos. Alberto Gilardino (Parma) já é uma estrela, tendo batido várias marcas nesta temporada, colocando-se como o sexto maior artilheiro da história do campeonato com menos de 21 anos; ao seu lado, Giuseppe Sculli (Juventus, estava emprestado ao Chievo), foi seu parceiro mais constante. Gilardino é centroavante nato, enquanto Sculli tem vocação para as laterais.

Andrea Caracciolo é uma revelação bresciana que está na órbita Milan, e só não foi titular porque Gilardino teve uma temporada espantosa. D’Agostino (Roma) é meia em seu clube, mas é o vice-Sculli deste time. O último nome do setor é o de Floro Flores, escola Napoli, atualmente na Sampdoria. Flores teve poucas chances mas deve jogar bem mais nesta temporada que virá.

Vendo um elenco tão recheado assim, a perguinta é óbvia. Se a Itália é tão forte na categoria, o que acontece que a seleção principal não vence nada desde 1982? A resposta está no excesso de estrangeiros do torneio. Quando se trata de “importar” um Kaká, um Chivu, ou um Stam, não há o que se questionar. Mas será que no lugar das legiões de estrangeiros de Inter, Udinese ou Perugia, não existiria lugar para que promessas como Caracciolo, Donadel e Bovo tivessem mais espaço?

Itália precisa de Pirlo. E talvez não só

A estréia italiana na Euro foi quase decepcionante. Se a Itália tivesse perdido, já seria uma tempestade, porque no nível do jogo, o grupo de Trappatoni foi amplamente dominado pela Dinamarca, tendo de se agarrar às individualidades para criar algumas chances.

Só que o buraco mais vistoso é a falta de um homem com capacidade de pensar o jogo e aciona-lo com velocidade. No espaço em que estavam Zanetti e Perrotta, quase nada disso foi feito. E no banco, ‘Trap’ deixou um certo Andrea Pirlo observando agoniado a sua Itália viver de lampejos.

Pirlo é um jogador que seria titular em qualquer seleção do mundo (inclusive a brasileira). Sua visão de jogo, técnica e passe apurados foram o rotor que levou aos dois anos de conquistas do Milan de Carlo Ancelotti. Pelos pés do jogador bresciano, passa todo o jogo do Milan. Tanto que, para um time não ser dominado pelos atuais campeões italianos, a primeira obrigação é bloquear o volante.

Perrotta e Zanetti são jogadores regulares, mas não têm capacidade de injetar a criatividade que a Itália precisa no setor. Sua entrada solicitaria um reforço defensivo (talvez com o sacrifício de Zanetti e Camoranesi em prol de Fiore e Gattuso, por exemplo), mas é um risco que Trapattoni precisa correr se não quiser ver outra partida opaca como a que a Itália apresentou.

Outra nódoa a ser eliminada é no ataque. Del Piero está sendo forçado a exercer papéis defensivos que o prejudicam, em prol do esquema de Trappatoni. Para jogar como está jogando, é melhor deixa-lo no banco. Claro, o melhor mesmo seria alterar o esquema para deixa-lo à vontade com Vieri, ajudados por Totti (que em momentos decisivos, com a Itália, ainda não deixou sua marca). Também nesta mexida seriam exigidos novos reforços para a defesa.

Uma possibilidade seria a manutenção da defesa como está (Panucci, Nesta, Cannavaro e Zambrotta), mas com um meio-campo onde Gattuso fosse o ferrolho, caidno mais para a direita, com Pirlo no meio, auxiliado por Perrotta; à frente deles, Totti jogaria livre com Del Piero e Vieri. Sim, o time ficaria mais vulnerável, mas teria chances de fazer o jogo ao invés de ter de gerenciar os avanços adversários. Possibilidades de isso acontecer: remotas, muito remotas…

E adivinhe: a Inter vai trocar de técnico

A Inter de Milão é mesmo uma fonte de sofrimento para seus torcedores. Por pressão de Massimo Moratti, que era presidente do time, renunciou, mas continua mandando, o clube de Via Durini deve anunciar nesta semana a contratação de Roberto Mancini para o lugar de Alberto Zaccheroni, cujo tapete foi sordidamente puxado.

A presepada é tamanha no clube que, para que o “presidente” oficial, Giacinto Facchetti, herói interista da década de 60, não tenha de renunciar, Zaccheroni está sendo convencido a “se demitir”. Isso porque Facchetti apoiou Zaccheroni publicamente e disse que a sua própria continuidade da presidência estava ligada à manutenção do técnico de Cesenatico.

Vale lembrar que a Inter ainda mantém sob contrato o treinador Hector Cúper (claro, ganhando cerca de € 7 milhões anuais). Todo este rebosteio tem a mão de Massimo Moratti, que é a prova viva de que um torcedor não pode ser dirigente, ou pelo menos, não pode ser torcedor na hora de tomar decisões.

A contratação de Mancini, pelo menos, evita que a Inter mande Vieri “embora”, e ainda para a Juventus. O treinador da Lazio já exigiu sua permanência como condição e vai fazer a 134a lista de reforços da Inter nos últimos vinte minutos. O frenesi de mercado interista deve continuar, e agora os nomes da vez são Davids (sem clube, última temporada na Juventus e Barcelona), César (Lazio), Oddo (Lazio) e até o estegossauro Mihajlovic (?!?), também da Lazio.

Se é que dá para tirar alguma coisa positiva do enésimo rocambole azul-e-preto, é que pela primeira vez desde 2000 a Inter vai tomar a decisão de trocar de técnico antes da temporada começar. A última vez que esse “detalhe” de planejamento aconteceu foi quando Moratti quis de qualquer jeito arrancar Hector Cúper do Valencia. Mancini é um excelente técnico, mas que ninguém se assuste se ele estiver na fila do seguro-desemprego antes de junho de 2005.

Curtas

O destino do “pobre” Zaccheroni pode acabar sendo a Fiorentina, que vai disputar nesta semana a promoção contra o Perugia

Firenze seria uma boa chance para o treinador romagnolo de relançar sua carreira, prejudicada por uma demissão no Milan, mais duas temporadas “fracassadas” na Lazio e Inter

O substituto de Luigi Del Neri no Chievo é Daniele Beretta, uma “aposta” para o clube do Veneto

No rebaixado Modena, o novo treinador é Stefano Pioli

A Atalanta confirmou as previsões e garantiu a última vaga entre as promovidas para a Série A

Dança dos técnicos, ainda: o Siena anunciou Luigi Simoni, primeiro treinador de Ronaldo na Itália

Por último, pratcamente oficializada a volta do polêmico Zdenek Zeman à Série A, agora com o Lecce

O Milan precisa de um jogador para a faixa esquerda, para não correr risco com Kaladze e Pancaro, ambos se refazendo de contusões

Mauri (Modena) e Pieri (Udinese) são as opções a custo contido que o clube analisa

Na semana passada, Totti deixou no ar a possibilidade de ir para o Milan, caso a Roma não contratasse pelo menos 5 ou 6 jogadores

A pressão deve dar resultado: a Roma negocia exaustivamente para obter Ferrari e Gilardino, do Parma

Os dois eram dirigidos pelo novo técnico da Roma, Cesare Prandelli, também vindo do Parma

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