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Metade já foi!

Se ainda estivéssemos na metade dos anos noventa, a conquista do título de inverno do futebol italiano, por parte da Roma, significaria 90% da conquista do ‘scudetto’. Isso porque, historicamente, quem chegou à frente no final do primeiro turno, venceu o campeonato em maio (até 1997, a proporção era de 9 vezes em dez).

Mas dos últimos seis campeonatos, somente em duas oportunidades o campeão de inverno venceu o ‘scudetto’. Em 1998, a Juventus de Zidane tinha vencido o primeiro turno; em 2001, a Roma de Batistuta, também. Nas outras quatro oportunidades, o campeão atropelou na reta final.

Hoje, a proporção dos ‘scudetti’ conquistados pelo campeão de inverno caiu para 67%. A campanha da Roma é, incontestavelmente, excepcional. Contudo, esta coluna segue colocando Juventus e Milan como favoritos ao título deste ano, contrariando a opinião de plantão na imprensa. Sem “achismo”.

Fabio Capello é, historicamente, um treinador que organiza as campanhas de seus times “em fuga”. Ou seja: prefere arrancar na frente e administrar a distância de três ou quatro pontos durante todo o torneio. Foi assim na conquista de todos seus títulos no Milan e assim na conquista do título da Roma em 2001. Mas nesta temporada, assim como no título de inverno de 2002, o time de Trigoria não tem vantagem numérica ou quase isso (três pontos acima da Juve e do Milan, mas com os ‘rossoneri’ com um jogo a menos).

Francesco Totti foi o artífice de uma campanha excelente (leia o excerto abaixo). É o artilheiro da Roma com onze gols (seu recorde histórico é de quatorze tentos numa temporada), e vice-artilheiro do Italiano, mesmo sem jogar como atacante puro. É pouco provável que Totti repita o seu primeiro turno, e sem ele, Capello não tem nenhum jogador (aparentemente) em condições de fazer o salto de qualidade, ao passo que Juve e Milan têm vários craques que ainda não atingiram os seus auges (Pippo Inzaghi e Del Piero, por exemplo).

A Roma será assombrada neste segundo turno, sem sombra de dúvida, por ofertas milionárias pelos seus campeões. Fabio Capello, Emerson, Samuel e Christian Chivu serão assediados insistentemente. A prática mostra que tal assédio prejudica as performances dos atletas (que o digam Stankovic e Davids), e a Roma, entre os quatro grandes, é o único sem condições de bancar investidas milionárias.

Os indícios de trovoadas sobre o futuro romanista não tiram as chances da Roma, nem a colocam como o azarão do páreo. Como sempre, a Roma, para vencer um campeonato, precisa fazer um esforço maior do que Milan e Juve, para tirar a diferença que existe entre os clubes. Teremos um segundo turno sensacional, provavelmente, o mais ferrenho entre os grandes torneios europeus. Essa é a única certeza.

Totti e mais dez

Sendo ou não sendo romanista, não dá para não apreciar o talento de Francesco Totti, hoje, espinha dorsal e cérebro desta Roma de Capello, que chegou ao título de inverno depois de uma briga feroz com Juventus e Milan. A campanha de 17 jogos e 13 vitórias ilustra o rendimento deste time.

O time merece aplausos, sem dúvida. Mancine se adaptou excepcionalmente bem à ala-direita (embora compara-lo com Cafu ainda seja uma pataquada típica de imprensa esportiva); Samuel é um dos melhores centrais da Europa; Emerson tem o respeito de 191 países no mundo (adivinhe qual o único onde ele é tido como uma besta?). Mas sem Totti, a Roma briga para não ficar fora da próxima Liga dos Campeões, e nada mais.

O capitão romanista é o tipo do jogador que bate o escanteio e corre para cabebecear. Se a sua presença nos últimos anos tem sido essencial, neste ano passou a ser mais que isso. Totti é o jogador que dá criatividade ao meio-campo, incisividade ao ataque, e até mesmo mais tranqüilidade à defesa, pois os adversários não se lançam à frente com tanta sede.

O momento do meio-campista italiano hoje é, até aqui, o melhor em sua carreira. Estivesse numa equipe grande do futebol europeu, como o Manchester United, ou o Real Madrid, e é muito provável que Totti já tivesse vencido a Bola de Ouro. Se bem que, como disse Michel Platini, é difícil saber como o craque se comportaria numa cidade que não fosse a sua cidade natal.

Na atual temporada, Totti se supera, porque além de tudo, ainda supre a carência que a Roma tem de um centroavante eficaz (Montella esteve machucado por bastante tempo, e Carew está se adaptando somente agora). Seus 11 gols sugerem um recorde individual antes de junho. Caso o craque não se machuque, a marca ainda é possível.

Luta dura na rabeira

Um mês atrás e o campeonato estava com dois times praticamente rebaixados. Empoli e Ancona começaram devagar-quase-parando, enquanto a maioria dos outros times já ia granjeando pontos. No fim do primeiro turno, o Ancona ainda está no fundo do poço, semi-morto, com cinco pontos em 51 possíveis. Mas o Empoli puxou a faca e quer sangue.

O time toscano começa a dar sinais de reação da chegara do técnico Attilio Perotti, que sempre opera muito bem em times menores. O Empoli deve se reforçar com o atacante Maccarone, do Middlesbrough, e na partida com a Inter, em San Siro, lembrou o bom Empoli do ano passado.

Discurso similar se faz com o Lecce. Delio Rossi já recebeu alguns reforços, como o goleiro Sicignano e os meias Bolaño e Wilfried Dalmat (irmão de Stephane Dalmat, da Inter, emprestado ao Tottenham). Some-se a isso, a promessa búlgara Valeri Bojinov fez seu primeiro gol na Série A, e promete mais. Bojinov tem 17 anos e é apontado como uma das figuras mais talentosas da nova geração.

Enquanto isso, o Ancona continua se arrastando, e no último domingo, apresentou o brasileiro Mario Jardel, que fisicamente, parece ter uns cem quilos. Jardel foi liberado pelo Bolton, e é uma aposta desesperada do Ancona para encerrar seu vexame. Junto com o Ancona, também dá vexame o Perugia, que não venceu até aqui na Série A. Mas também, o que se poderia esperar de um time que contrata o filho de Gheddafi, tenta contratar uma mulher para jogar com homens (a título de marketing), e tem histórico em viradas de mesa?

Se levarmos em conta que somente dois times caem direto para a Série B (o terceiro disputa um desempate com o terceiro melhor da Série B), a luta contra o rebaixamento segue sendo entre seis times: Modena e Reggina (17 pontos), Lecce e Empoli (12 pontos), Perugia (10 pontos) e Ancona (5).

Inferno Inter: o problema era Cúper?

Dois meses atrás, achar alguém que falasse mal de Hector Cúper era mais fácil do que encontrar um sapo num brejo. Segundo esses entendidos, o treinador argentino, com sua “retranca” (n.do r.: a mesma retranca que fez do Mallorca finalista da Recopa e do Valencia duas vezes finalista da Liga dos Campeões), era o culpado por todos os males da Inter. Olhe de novo e pense bem se era isso mesmo…

A Inter mergulhou de cabeça numa crise infernal. Empatou em 0 a 0 com a Udinese pela Copa Itália (Vieri se recusou a jogar e causou o maior sururu), e perdeu para o Empoli em casa (com Vieri de castigo). Todo o jogo burocrático e sem vontade da Inter da última década voltaram à tona. E desta vez não tem Cúper para se por a culpa.

A visceral complicação interista é um misto de distorção de sua diretoria (recheada de ex-boleiros que estão longe de ser uma solução para qualquer coisa) e de caos histórico, uma marca do time de Via Durini. Não há nu clube ‘nerazzurro’ algo próximo do que se possa chamar de ‘disciplina’, e que diga-se de passagem, Hector Cúper tentou implantar quando era o chefe da comissão técnica.

O eterno fracasso interista agora aponta para Vieri como culpado, mas antes já apontou, além do ex-treinador argentino, para Seedorf, Pirlo, Ronaldo, Roberto Carlos e tantos outros. Na verdade, como disse o ex-craque Bergomi, na Inter os jogadores sempre podem dar suas desculpas e nada acontece. Daí, o caos reinante, resultado de uma falta de responsabilidades atroz, e que passa, em imensa parte, pela gestão da dupla de ex-jogadores e hoje dirigentes, Facchetti e Oriali.

A diretoria interista estuda algumas possibilidades. Uma delas é a de dar a Alberto Zaccheroni um poder ilimitado para torrificar quem quer que seja, no elenco, na comissão técnica, na diretoria. Essa saída soa racional, porque a limpeza poderia ser feita de cabo a rabo.

Outra possibilidade é a que se consiste na enésima demissão de treinador em junho (diga-se Zaccheroni), para a chegada de um outro (que poderia ser Roberto Mancini, hoje na Lazio). Tal medida já foi tomada em muitas outras oportunidades. E como sabemos, não deu nem um pouco certo.

Curtas

Gol de número 185 para Giuseppe Signori, hoje no Bologna

Signori disse que não para enquanto não fizer 200 gols

Na mão de Carlo Mazzone, seu treinador no Bologna, não duvide

Luigi Sartor estreou no Ancona, perfazendo sua 150a partida na Série A; Lamouchi (Inter) e Di Michele (Reggina) chegaram ao número 100

Ancona e Perugia não venceram nenhuma vez no primeiro turno, o que pode dizer bastante sobre os candidatos ao rebaixamento

O Milan teve a melhor campanha fora de casa: nenhuma derrota, dois empates e seis vitórias

Nunca um time campeão de inverno tinha feito 42 pontos no primeiro turno

Recuperação nítida para o Bologna, vencedor pela terceira semana seguida

Os desentendimentos de Vieri com a Inter suscitaram muitos boatos na semana que passou

Até mesmo se imaginou o atacante no Milan

Como se diz na Itália, é “fantacalcio”

Mais uma vez, os jogadores na Inter comeram no cortado com a torcida pedindo explicações

E eis a seleção Trivela desta semana

Zotti (Roma); Diana (Sampdoria), Montero (Juventus) e Pancaro (Milan); Nakata (Bologna), Campedelli (Modena), Kaká (Milan) e Mintari (Udinese); Totti (Roma); Del Piero (Juventus) e Bojinov (Lecce).

Doping, o fantasma continua

Pouca gente dá atenção aqui no Brasil, mas o fantasma do doping segue bem vivo na Itália. Não bastasse as suspensões de Kallon (Inter) e Gheddafi (3 meses, mas provavelmente sua brilhante carreira se encerrou), mais Blasi (Parma), a Itália assiste a continuação de um inquérito que ainda é resultado das denúncias de Zdenek Zeman em 1999. A maior acusada: a poderosa Juventus.

Há quem diga que a derrocada do treinador, hoje no Avellino, se deveu ao ódio mortal que Luciano Moggi, dirigente juventino, passou a alimentar por Zeman depois das denúncias. Ainda que lentamente, os interrogatórios prosseguem. Nesta segunda, falaram Filippo Inzaghi (hoje no Milan) e Paolo Montero.

O depoimento de Montero não teve maior repercussão, mas o de Inzaghi sim. O atacante do Milan disse que os médicos da Juventus davam freqüentemente creatina, antiinflamatórios e analgésicos durante os jogos, especialmente quando ele estava cansado. Legalmente, a creatina não é proibida, mas ficou um clima esquisito no ar.

A Juve já vem se defendendo, dizendo que os fármacos que ela ministra aos jogadores são usados por todos os times. Esta afirmação talvez seja sintomática. Não são poucos os médicos que, fora das câmeras e microfones, dizem que TODOS os atletas de alto nível usam algum tipo de dopagem, mais ou menos agressiva.

A realidade é que esta sensação é cada vez mais concreta. O ex-tenista John McEnroe admitiu nesta semana que ele consumiu doping, fortíssimo, durante seis anos. McEnroe diz que não sabia. Mas o fato é que sua carreira foi grandiosa. Até onde o doping foi o causador de tal performance?

Parece nítido que só há uma saída para se diminuir a praga do doping no futebol: fazer com que as equipes sofram pesadas multas financeiras e percam pontos, além de apertar o cerco dos exames. É certo que muitos jogadores perderão um pouco de fôlego, mas pelo menos, se devolverá um pouco de lisura às partidas.

Roma sob intensa pressão

Não é só na tabela que a líder Roma está sob intensa pressão. Com o Milan no seu encalço (três pontos e um jogo a menos) e a Juventus logo atrás, o time de Fabio Capello não terá a conquista antecipada no título de inverno, como se previa.

Além disso, o próprio Capello passou a ser um alvo dentro da Roma. O Chelsea fez uma oferta de 500 mil euros por mês, num contrato de três anos, para que o técnico se transfira para Stamford Bridge ao final desta temporada. Capello declinou de responder se aceitaria o convite, quando questionado pela imprensa, e sorriu. “Só penso no tridente de meu time…”

A decisão de Capello está ligada à confirmação de todos os grandes astros do time romanista, inclusive aqueles que desejam um aumento salarial ou uma renovação de contrato. Nessa situação, se encontram os meio-campistas Emerson e Lima e o zagueiro central Zebina.

Emerson é a renovação mais complicada. Primeiro, porque, assim como Capello, também tem atrás de si o hexa-maxi-multi-milionário time do Chelsea, que poderia satisfazer as suas pretensões salariais (cerca de US$ 4,5 milhões anuais). Segundo, porque a Roma sofrerá muito para recusar a oferta de US$ 35 milhões pelo seu passe, especialmente em meio à crise que atravessa, ainda que não assumidamente.

Lima e Zebina terão seus contratos terminados em junho, e por isso, têm diversos pretendentes aos seus serviços (especialmente o francês). O nó aqui é que os dois querem um acréscimo salarial e um contrato mais longo do que a Roma está disposta a dar. O clube de Trigoria não quer nem gastar mais nem conceder vínculos longos.

Sem a renovação dos três, dificilmente Capello fica depois de junho, a menos que vença o ‘scudetto’, o que muda tudo de figura. O treinador obviamente está seduzido pela proposta salarial, mas o que mais chama a sua atenção é a possibilidade de ter os jogadores que quiser em Londres.

Além dessas questões, a Roma terá de se desdobrar para pagar os US$ 18 milhões que deve ao Ajax, pelo passe de Christian Chivu. O romeno quer fortemente ficar em Roma, mas sem grana, um abraço. Isso sem falar que pelo menos meia dúzia de outros clubes estão prontinhos para desembolsar a soma ao time da Holanda e afanar o bom defensor do clube romano.

Davids-Juve: caso terminado

Após seis temporadas de união, duas delas de brigas declaradas, episódios de doping, expulsões, três títulos italianos e muitas partidas excepcionalmente bem jogadas, chegou ao fim a relação entre o meio-campista Edgar Davids e a Juventus. O holandês, que tem contrato com o time de Via Galileo Ferraris até junho próximo, acertou sua transferência para o Barcelona por empréstimo até o fim desta temporada.

Davids é o sexto holandês do elenco de Frank Rijkaard, e a colônia batava da Catalunha foi um dos motivos que despertaram o interesse do jogador. Sua contratação teve o apoio de todos eles, além do ex-craque Johan Cruyff, cuja voz ainda ressoa muito no clube. O Barça deve pagar cerca de US$ 1,5 milhões para o jogador pelos seis meses.

A saída de Davids da Juventus é, sem dúvida, um handicap para Marcello Lippi, treinador do time de Turim. Davids, de 31 anos, é um dos melhores jogadores do mundo na sua posição, se não o melhor. É um marcador implacável que dificilmente é expulso por faltas desleais, mas tem um futebol refinadíssimo, e proporciona ao time em que joga uma rapidez precisa, onde a jogada ofensiva começa bem pensada logo na frente da defesa.

É verdade que a Juventus tem jogadores também bons para a posição. Stephan Appiah, volante ganês de 23 anos, Enzo Maresca, mediano italiano da mesma idade, e ainda o veterano Antonio Conte, de 35 anos, são bons jogadores e certamente conseguem boas performances. Mas nenhum deles pode impingir a agressividade aliada à qualidade técnica que Davids garantia.

Davids aportou em Turim em 1997, desprezado pelo Milan, então dirigido por Fabio Capello. Sua adaptação foi imediata, e se tornou titular quase imediatamente. Nos seis anos que passou em Turim, o holandês, nascido em Paramaribo, no Suriname, só não foi titular durante sua suspensão por doping e nos últimos meses, enquanto se digladiava com a direção juventina, que não admitia perde-lo a custo zero.

O Barcelona deve ter um salto de qualidade com a chegada de Davids ao seu desmilingüido meio-campo. Rijkaard, a partir de agora, terá um organizador melhor do que todos que tem no elenco, e ao mesmo tempo, um marcador mais eficiente também do que todos os concorrentes. Não é o suficiente para fazer do Barça um competidor pelo título, mas já deve bastar para encerrar a fase de vexames.

Inter, babau…

Várias semanas atrás, quando Hector Cúper foi demitido da Inter, esta coluna arriscou-se em dizer que o clube de Via Durini estava saindo da luta pelo título. Pelo menos era o que a história mostrava, e que times que demitem treinadores não conquistam campeonatos.

Quase no final do primeiro turno, a história vai se mostrando um indicador confiável. Com oito pontos a menos que a líder Roma, a Inter parece não ter de onde tirar forças para conseguir uma longa série de vitórias que lhe possibilite chegar à 34a rodada em primeiro lugar.

A derrota do time de Alberto Zaccheroni para o Parma deixou claro como a Inter vive de estrelas intermitentes. “Oba” Martins, decantado semanas atrás como se fosse um gênio do futebol, é inconstante; Vieri tem sido inconstante nesta temporada; Julio Cruz é inconstante. O único setor constante do time é o meio-campo. Nunca é de bom nível.

O problema crônico da equipe parece continuar com a falta de jogadores que possam dar qualidade ao passe e às jogadas ofensivas. Entre todos os doze atletas de meio-campo disponíveis no elenco, não há nenhum que transforme a cara da equipe. Mais assustador ainda é saber que jogadores que não rendiam nada na Inter (como o milanista Seedorf, o parmigiano Morfeo e o também milanista Pirlo), são titulares indiscutíveis em seus times. Essa observação faz supor problemas na preparação atlética da equipe.

Mesmo tendo ótimos zagueiros como Gamarra, Cannavaro, Córdoba e Adani, a Inter mais uma vez demonstra a sua falta de critério. Além de Dejan Stankovic, Massimo Moratti quer levar para Appiano Gentile o talmbém laziale Jaap Stam. Stam é um gigante; um dos cinco melhores zagueiros da Europa. Contudo, já ficou claro que o problema interista não é a individualidade, mas o coletivo.

A chegada de Stam quase que certamente empurrará um dos zagueiros interistas para fora do elenco (Adani e Gamarra na primeira fila). Stankovic é um excelente jogador, mas não é melhor do que os tantos nomes que a Inter já mandou embora por insuficiência técnica. Matematicamente, é claro que a Inter ainda está na parada. Pena, para os ‘nerazzurri’, que a matemática não seja a única a decidir o torneio.

Curtas

Não é difícil ver como os dirigentes do Perugia sejam absolutamente pouco sérios

Depois de terem guiado a virada de mesa na Série B (são também ‘capos’ do Catania), contratado o filho de Gheddafi para jogar bola, e terem (realmente!) tentado contratar uma jogadora, o presidente do clube deu mais uma das suas

Segundo Luciano Gaucci, Kaká deveria ter ido para o Perugia, com a ajuda do “craque” líbio Ghedaffinho

Seção curiosidade estatística

Dos nove jogadores que mais atuaram no Italiano até a 16a rodada, somente o argentino Sensini não é italiano

Sensini divide a terceira posição com o goleiro De Sanctis (Udinese)

Á sua frente estão o meio-campista Tonetto (Lecce) e o goleiro Antonioli (Sampdoria)

A Série A desta temporada mantém uma boa média de gols por partida: 2,61

42% dos jogos acabaram com a vitória dos donos da casa, e em somente 28% das partidas, o visitante recolheu três pontos

O Milan segue líder de público no campeonato

É o primeiro tanto em ocupação média de seus jogos (73%), quanto em público médio absoluto (62853 pessoas por jogo)

Luciano, o único jogador que, além de ser ex-de um clube (ex-Palmeiras, ex-Bologna, ex-Chievo), é ex-seu próprio nome (ex-Eriberto), acertou sua volta ao Chievo Verona

O chileno Cláudio Pizarro renovou contrato com a Udinese até 2007

O Ancona, que perdeu nas últimas seis rodadas, tem uma média de 0,25 pontos por partida

Só não cai por milagre

E esta é a seleção Trivela do Campeonato Italiano nesta semana

Frey (Parma); Mancini (Roma), Cufré (Siena), Montero (Juventus) e Maldini (Milan) ;Di Biagio (Brescia), Emerson (Roma), Kaká (Milan e Obodo (Perugia); Chiesa (Siena) e Ventola (Siena)

Clube da Semana – Triestina

Série A: Trieste vem aí…

Só de história, Trieste já suscita interesse. Fundada por romanos em 180 a.C., Tergeste, como era ghamada, passou boa parte de sua existência sob o domínio do Império Austro-Húngaro. Sua localização é uma boa parte da explicação. A cidade fica á beira do Golfo de Trieste, banhada pelo Mar Adriático. É a cidade mais próxima da Iugoslávia, localizada entre Veneza e Istria, e com sua província, tem cerca de 260 mil habitantes.

Historicamente, é um grande mosaico da evolução social neste últimos 2 mil anos, com monumentos romanos, medievais e renascentistas. Entre invasões turcas, epidemias devastadoras (só de cólera, foram cinco) e domínio austríaco (durante 600 anos), a cidade sempre foi um ponto de referência na região.

E agora, em 2003, Trieste pode ver a sua equipe de futebol aportar na Série A pela 26a vez, quebrando um jejum de quase 43 anos sem jogar a divisão máxima do futebol italiano. Superando “potências” da Série B como Vicenza, Napoli, Sampdoria e Verona, a Triestina lidera o torneio “cadetto” desde seu início e é o time mais regular até agora.

Trieste volta para a Itália; nasce a Triestina

Com o final da Primeira Grande Guerra, a cidade de Trieste voltou ao comando da Itália, que existia unificada há poucas décadas, em 1918. Em dezembro daquele ano, numa reunião ocorrida no Caffé Batisti, aconteceu a fusão entre Trieste e Ponziana, originando a Triestina Calcio.

O primeiro ato foi a construção do campo de Montebello. Até meados da década de 50, a Triestina não conheceu a Série B. Na década de 30, quem brilhou no time foi Nereo Rocco, que com 117 aparições, foi o primeiro astro que envergou as cores ‘biancorossi’. Com Pasinati e Colaussi, foi protagonista naquele decênio, chegando a ser artilheiro na temporada 1933-34 (17 gols)

Durante a Segunda Guerra, os problemas enfrentados pelos ‘allabardati’ foram os mesmos de todas as equipes italianas. Logo após a guerra, a Triestina se safou da Série B pela primeira vez graças a uma ajuda da Federcalcio: não foi rebaixada por ser “patrimônio moral” da Itália (bem CBF, não?). A recuperação veio logo. Em 1946-47, a melhor pontuação da Triestina em sua história. Vice-campeã, atrás somente do poderoso Torino, imbatível, de Valentino Mazzolla. Rocco ainda faria mais alguns grandes campeonatos antes de ir dirigir o Milan, onde também fez história.

Em 1949, o acidente aéreo que matou todo o time ‘granata’, a Tragédia de Superga, levou também dois ex-craques do clube de Trieste: Grezar e Ballarin. Como toda a Itália, Trieste chorou os mortos do acidente de Turim com lágrimas amargas.

Mas quando caiu pela primeira vez, no final da década de 50, iniciou um longo período nas divisões inferiores, passeando entre a Série B e as divisões amadoras do futebol italiano. O clube chegou a militar na Série D (quarta divisão) e somente na temporada corrente é que se prepara para voltar a uma posição de protagonista.

2002: 4-3-3 bem-sucedido…

Hoje em dia, a Triestina joga no imponente estádio Nereo Rocco, uma homenagem a sua figura mais importante. No “Rocco”, até a Seleção Italiana joga com alguma freqüência e onde foi marcado o milésimo gol da seleção, anotado por Christian Vieri. Mas hoje em dia, o que a torcida local quer saber é da Triestina, que voltou a ser uma paixão.

O time montado por Ezio Rossi para a temporada não tem nenhum craque espetacular. Aliás, o próprio Rossi é um treinador que já andou perambulando por equipes de pouca expressão. O fato que chama a atenção é o esquema, um 4-3-3 que, na Itália, é considerado “ultrapassado”, e vinha sendo defendido somente pelo técnico ‘maldito’ Zdenek Zeman.

Fava, o atacante-artilheiro da Triestina é o ‘astro’ do time (se é que pode ser chamado assim). Aproveita a vantagem numérica dada pelo terceiro atacante para sempre ficar sozinho com seu marcador. Seu nome foi cogitado até mesmo para aportar em times da Série A, mas seu cartaz não é tão grande. O maior segredo da Triestina é mesmo o conjunto.

Como também na maior parte do tempo, no passado, o time não conta com atletas espetaculares. Outro nome que chama a atenção é do defensor Domenico Maietta, de 21 anos um dos mais promissores da nova geração. Contudo, seu passe pertence à Juventus, que o emprestou à Triestina. Outra promessa é Éder Baú, atacante que se formou nas filas do Milan.

Trieste também se orgulha de ser a cidade de Cesare Maldini, um dos maiores zagueiros italianos de todos os tempos, e pai do capitão do Milan, Paolo Maldini. O clã mais famoso do futebol italiano tem raízes triestinas. Neste caso, podemos fazer uma exceção a ausência de craques de Trieste.

Unione Sportiva Triestina Calcio

Ano de fundação: 1918

Cidade: Trieste, na Itália

Endereço: Piazzale Atleti Azzurri d’Italia 1 – 34148 Trieste

Estádio: Stadio Comunale Nereo Rocco

Capacidade: 32.000

Principais jogadores: Nereo Rocco, Pasinati, Colaussi, Grezar e Ballarin

Site: http:://  HYPERLINK “http://www.ciaoalessandria.com” http://www.triestinacalcio.it

E o Brasil empolgou contra a Colômbia

Pela primeira vez em vários, mas vários anos, o Brasil começou as Eliminatórias rumo à Copa do Mundo com otimismo e entusiasmo. E não, não é somente pelo fato de estarmos defendendo o título mundial. O Brasil venceu a Colômbia em Barranquilla na tarde deste 7 de setembro com sobras, sob todos os aspectos. E até mesmo o técnico Carlos Alberto Parreira acabou sendo merecedor dos mais rasgados elogios da crônica esportiva.

Diga-se de passagem, ele mereceu. Parreira resolveu as ausências de Ronaldo Assis e Kleberson de uma maneira muito eficiente. Zé Roberto fez uma de suas melhores partidas com a camisa amarela (mostrando que evoluiu muito como meio-campista), e Alex, se não foi o mesmo craque do Cruzeiro, teve uma participação importante.

O técnico brasileiro não fez a ‘renovação’ pedida por parte da imprensa, e ainda bem. O Brasil de hoje é uma valiosa herança de Felipão, com experiência, talento e quantidade. Como sempre, nosso ponto fraco é a dupla de zaga, que sempre joga sobrecarregada, a tal ponto de Lúcio perder a disputa com Angel, o atacante colombiano, na jogada do gol adversário. Resolver esta fragilidade continua sendo o grande desafio do técnico para conduzir o Brasil ao hexacampeonato.

No mais, tudo funcionou. Zé Roberto fez bem a cobertura de Roberto Carlos, Gilberto fez o mesmo em Cafu, Ronaldo demonstrou estar em estado de graça, e quando da entrada de Kaká e Renato, no segundo tempo, o Brasil só não aumentou a vantagem sobre os colombianos por preciosismo.

O capítulo Rivaldo merece ser estudado à parte. Ao contrário do que 90% da mídia fala, Rivaldo não é reserva de Kaká no Milan, e isso porque nem Kaká é titular no clube italiano. O pernambucano vem de uma temporada difícil tecnica, fisica e psicologicamente. Também aqui, Parreira acerta ao dar suporte ao atacante, que se bem gerido, mesmo jogando mal pode decidir a partida num lance. Ao contrário do Rivaldo inseguro de 1998, o Rivaldo decisivo de 2002 vale a pena de ser recuperado.

Bater a Colômbia em seus domínios é uma tarefa duríssima. Basta dizer que, na história, somente uma vez o Brasil conseguiu tal proeza (nas Eliminatórias para a Copa de 1970). Foi um excelente início para um selecionado que normalmente tropeça nos próprios cadarços quando ruma para um Mundial. Parreira tem, até aqui, as rédeas da situação. É verdade que ainda faltam 17 jogos, mas nem por isso podemos menosprezar o mérito da empreitada.

Negócio de ocasião: Jay Bothroyd

Quando seu time anuncia que contratou, de graça, um jogador que vem de um time da segunda divisão de um país vizinho, time este que escapou do rebaixamento por bem pouco, o mais provável é que você não dê cambalhotas de alegria. Tudo bem, este é o comportamento mais adequado a um torcedor que tenha um mínimo de contato com a realidade.

Da mesma maneira reagiram os torcedores do Perugia quando souberam que o time umbro tinha acabado de assinar um vínculo de três anos com o atacante Jay Bothroyd, 21 anos, liberado pelo modesto Coventry City, da First Division inglesa (que é, na verdade, a segunda divisão).

Em que pese o retrospecto negativo, “The Snake” (“A Cobra”) chegou arrepiando no clube da cidade italiana. Estreou com gol contra os finlandeses do Alianssi, pela Copa Intertoto, repetiu a dose na final, contra o Wolfsburg do badalado Andrés D’Alessandro, assegurando ao Perugia uma valiosa vaga na Copa UEFA. E para reafirmar seus dotes, estreou também no campeonato com gol, marcando contra o estreante Siena.

Na Itália, todos passaram a se perguntar: “mas quem é este cara”? A dúvida é bem fundamentada. A custo zero, hoje em dia, nem ex-jogador em atividade. Mas a verdade é que o clube da Umbria mostrou mais uma vez que, com bons olheiros e um pouco de atenção, dá para arrumar reforços consistentes, sem gastar dinheiro, uma constante no clube nos últimos quatro anos.

Bothroyd começou a jogar bola no tradicionalíssimo Queen’s Park Rangers, da capital inglesa, Londres, onde nasceu. Com 13 anos, foi levado ao Arsenal, onde passou pelas divisões de base sempre chamando a atenção pela refinada técnica. Mas infelizmente, não só por isso. Bothroyd, segundo dizem as más línguas, não é o genro que você pediu a Deus. Assim, a promessa que fazia partidaças pelas seleções britânicas inferiores ia ganhando a fama de “eterna promessa”.

O Arsenal, crente que estava com uma bomba, tratou de se livrar de Bothroyd assim que pôde. E quando recebeu uma oferta de US$ 2 milhões pelo atacante de então 18 anos, em 2000, não titubeou. E lá foi Bothroyd para o Coventry City, então um time de primeira divisão. E com ele, a fama de encrenqueiro, relaxado… e talentoso.

Nos seus três anos de Coventry, Bothroyd ganhou o apelido de “Cobra”, pela sua agilidade, mas também a fama de “vagabundo”, por um gosto exacerbado pela noite. Por isso, mesmo tendo sido o artilheiro do time na temporada 2002/3, o técnico-jogador Gary McAllister, resolveu não renovar seu contrato, argumentando que precisava de um jogador de caracterîsticas diferentes. Com este ‘background’, a torcida do Perugia já pensou: ‘lá vem mais um cachaceiro come-dorme’…

Só que a performance de “Snake” Bothroyd até aqui é digna de craque. Com 1m90 e 95 kg, o atacante é centroavante à moda antiga: protege bem a bola, chuta bem e é ótimo no jogo aéreo. Em suma: tem todos os requisitos básicos para um bom marcador de gols.

Levando-se em conta o valor de seu passe (zero), o valor de seu salário (cerca de US$ 200 mil por ano) e o futebol apresentado até aqui, ‘Snakeroyd’ vai engrossando a coleção de ‘descobertas’ do Perugia de Serse Cosmi, que já tinha revelado e vendido Liverani, Blasi, Bazzani, Dellas e Di Loreto, entre outros. Para o próprio técnico Cosmi, Bothroyd não fica no Perugia mais de um ano.

Resta saber se ele sairá do clube pelas suas virtudes ou defeitos.

Jay Bothroyd

Data de nascimento: 07/maio/1982

Cidade de nascimento: Islington, norte de Londres, UK

Clubes em que atuou:

1994/5 – Queen’s Park Rangers

1995-2000- Arsenal

2000-2003 – Coventry City

2003 – Perugia (ITA)

Jogos pela Seleção Inglesa – 0

Gols pela Seleção Inglesa – 0

Site oficial:

http://www.icons.com/bothroyd/?playerbyclub=%2Fbothroyd%2F

A Terra da Pizza Eterna (não, não é o Brasil)

Finalmente!

Nunca, em toda a sua história secular, o futebol italiano teve um campeonato tão enterrado em acusações, falcatruas, denúncias e mutretas como neste tórrido verão europeu. Tudo fazia crer que um atraso no pontapé inicial, a exemplo do que aconteceu na temporada passada, era uma simples questão de tempo.

Felizmente a bola rolou. E como rolou. Foram 30 gols em oito jogos de excelente nível técnico. E já na primeira rodada, a Juventus mostrou que vai defender o ‘scudetto’ com uma fúria inaudita. Na vitória em casa sobre o Empoli, por 5 a 1, o time de Marcello Lippi foi quase perfeito, estreou bem os novatos Miccoli e Legrottaglie e ainda viu Del Piero iniciar, como nos últimos dois anos (que acabaram ‘bianconeros’), fazendo dois gols no adversário.

Mas não foi só: Roma e Lazio também começaram mostrando as garras. A estréia de Demetrio Albertini na Lazio foi coroada com um gol e com uma apresentação espetacular de um reencontrado Fiore; em Udine, a Roma defenestrou o difícil campo da Udinese mostrando uma excelente dupla de ataque (Cassano e Montella), e ainda sem contar com os reforços Chivu e John Carew. Mais do que nunca, dois candidatos correndo por fora.

E como era de se esperar, a Inter mostrou um jogo enrolado, modorrento e indeciso, precisando de Christian Vieri para resolver a parada a quatro minutos do apito final de Massimo Saccani. Naturalmente que Hector Cuper não se apresentaria com um time perfeito tendo inserido cinco novas peças (Lamouchi, Martins, Van Der Meyde, Luciano e Kily Gonzalez) há tão pouco tempo.

No andar de baixo, ótimos também os times montados por equipes menores, como Reggina, Sampdoria, Perugia e Parma, já deixaram claro que os pequenos não vão ser moleza, especialmente quando jogarem em casa. Em suma: o campeonato, dentro de campo, vai ser o de sempre. Pena que fora dele não seja bem assim…

‘Calcio Caos’ ainda não acabou

Mas não é porque o campeonato da Série A começou que devemos nos crer livres do circo fedorento da cartolagem. O campeonato da Série B foi adiado para 7/9, mas pode sofrer novos atrasos e talvez nem começar. Motivo? Virada de mesa, trapaças e mutretas.

Como o leitor da TRIVELA já sabe, o braço-de-ferro na segunda divisão se dá entre o presidente da Federcalcio, Franco Carraro, e os clubes, que não querem aceitar o inchaço do torneio para 24 clubes, com a inclusão dos rebaixados e da Fiorentina, num verdadeiro trem da alegria, vazando lama para todos os lados.

Carraro parece ter vencido o primeiro round, curiosamente aliado aos seus maiores inimigos, os Gaucci, donos do Catania, que queria uma virada de mesa para compensar um rebaixamento merecido em campo. O ‘capo’ da Federcalcio garantiu o aumento da segundona italiana através de um decreto governamental, cujo anulamento é legalmente dificílimo.

Praticamente derrotados, os dezenove clubes da Série B que são contrários à virada de mesa, concordaram, a contragosto, com a tramóia, mas sob uma condição: que Franco Carraro se demita da federação. Para dar uma idéia, é como se, numa situação similar no Brasil, os clubes da Série B pedissem a cabeça de Ricardo Teixeira para aceitar uma virada de mesa.

O impasse, que parecia ter sido resolvido à força, voltou a colocar em risco a realização do torneio. Os clubes da Série B dizem que o futebol não vai começar no dia previsto, domingo próximo, e que não vão arredar pé de suas posições. Carraro, ainda apoiado pelos grandes clubes, diz que não se demite.

Prognósticos são praticamente impossíveis. Isso porque a solução da questão não tem nada a ver com a lógica, e atende somente a critérios políticos. Logo, quem tiver mais força nos bastidores, vai ganhar a parada. O perdedor, contudo, já está definido. É o torcedor.

Roma arriscou até o último minuto

Na sexta-feira, parecia que a Roma iria sair de vez da luta pelo título. É que o Ajax pediu a volta de seu defensor Christian Chivu, por não ter recebido garantias bancárias que assegurassem o pagamento da Roma. E sem Chivu, o time de Capello perderia qualquer possibilidade de lutar por postos mais importantes.

Numa reação rápida e espetacular, o clube de Trigoria costurou uma resolução política para seus problemas, resolvendo o problema de aval na transferência do romeno, mas não só. Conseguiu também o empréstimo do atacante norueguês John Carew, que chega do Valencia.

A Roma foi habilíssima na manobra. Manteve o romeno, que dá o salto de qualidade da defesa e trouxe um jogador com presença de área, característica que nenhum outro atacante romanista tem desde a saída de Gabriel Batistuta.

Embalada pela manobra, a equipe entrou em campo em Udine bastante inspirada. E assistiu um trio de atacantes, Delvecchio-Montella-Cassano, com grande performance. Isso tudo sem Francesco Totti, machucado e de for a até a próxima rodada, no final de semana do dia 13/9.

Fabio Capello deu o primeiro sinal de que conseguiu cobrir a ausência de Cafu em seu time, usando uma maior movimentação do trio de homens de frente, mais o apoio do lateral Candela. Com a entrada de Chivu, o técnico ainda deve poder optar por uma defesa a três, liberando um homem a mais no meio-campo (provavelmente Candela).

‘Azzurra’ perde Totti e recupera milanistas

Semana mais que decisiva para a seleção italiana rumo à Eurocopa 2004. No dia 6, Trapattoni e companhia disputam o jogo-chave, contra a seleção de Gales, em Milão, onde precisam ganhar a qualquer custo para poderem voltar à liderança; quatro dias depois, em Belgrado, são hóspedes da Sérvia e Montenegro

O grande temor dos italianos é a ausência de Francesco Totti, meia da Roma que está machucado. Também for a de combate está o atacante juventino Fabrizio Miccoli, operado às pressas com uma apendicite.

A maior novidade é a volta de dois milanistas. O volante Gennaro Gattuso e o atacante Filippo Inzaghi estiveram de relações abaladas com o técnico nacional nos últimos meses, e a convocação deve apaziguar os ânimos, mesmo que os dois desembarquem em ‘Azzurro’ tendo de batalhar por uma vaga de titular.

A escalação da seleção ainda é uma incógnita no geral. Alguns nomes são certos, como o goleiro Buffon, os zagueiros Cannavaro e Legrottaglie, os meias Fiore, Zambrotta e Camoranesi e os atacantes Del Piero e Vieri.

Esta lista sugere um time perto de um 4-4-2, formação predileta quando Totti não está disponível. Ficam em aberto as laterais da defesa e um posto no meio-campo, que são mais ou menos rotativas, ou seja, não têm titulares tão absolutos como Vieri ou Buffon, por exemplo.

Goleiros: Abbiati (Milan), Buffon (Juventus), Toldo (Inter);

Defensores: Birindelli (Juventus), Cannavaro (Inter), Ferrari (Parma), Legrottaglie (Juventus), Nesta (Milan), Oddo (Lazio), Panucci (Roma);

Meio-campistas: Ambrosini (Milan), Camoranesi (Juventus), Fiore (Lazio), Gattuso (Milan), Perrotta (Chievo Verona), Tacchinardi (Juventus), Zambrotta (Juventus), Zanetti (Inter);

Atacantes: Corradi (Lazio), Delvecchio (Roma), Del Piero (Juventus), Inzaghi (Milan), Vieri (Inter).

Mercado se fechou sem nenhuma nova bomba

E a janela de transferências se foi na semana passada. Com ela, a sanha de empresários e jornalistas para se vender e comprar jogadores, que agora terá de ficar represada, ao menos, até janeiro, quando a UEFA volta a registrar alterações.

O maior acordo dos últimos momentos de mercado foi a transação que levou o argentino Julio Cruz a sair do Bologna e ir para a Inter, orfã de Hernan Crespo. O clube de Milão sobe assim, se número de atacantes para seis, acreditando que a longa temporada exige uma grande gama de possibilidades.

Outro negócio que chamou a atenção foi a passagem de Roberto Muzzi para a Lazio, proveniente da Udinese. Muzzi, 31 anos, esteve cotado para ir jogar em Formello nos últimos vinte e quatro meses, finalmente se acertou com o time de Roberto Mancini. O clube do Friuli o substituiu com Dino Fava, atacante revelação da última Série B, que estava na Triestina.

Se fosse necessário eleger o time campeão do mercado, certamente seria a Juventus, que com uma quantia de dinheiro razoável (menos de US$ 20 milhões), reforçou seu time nas áreas menos fortes e agora tem um grupo muito, mas muito regular. Não à toa, é o clube com o melhor resultado da Itália, tanto esportivo quanto financeiro.

Segue a luta entre a Juventus e o volante Edgar Davids

Davids não foi relacionado nem para o banco para a partida contra o Empoli

O recado da Juve é claro: Davids tem de se enquadrar

Mas a estória tem tudo para seguir adiante

O Ajax aceitou deixar Chivu com a Roma até janeiro

Mas somente por empréstimo, com a promessa de receber a garantia bancária brevemente

A federação holandesa teve de intervir para evitar que o negócio fosse cancelado, garantindo ao Ajax que o pagamento seria feito em dia

A saída de Francesco Guidolin do Bologna teve vários elementos, entre eles, a venda de Julio Cruz para a Inter

Mas o fato é que o técnico já não era tão querido assim na cidade

E desta forma, o Italiano conseguiu bater um recorde: demitiu um treinador antes da temporada começar

De qualquer forma, a substituição por Mazzone foi feita a tempo de evitar prejuízos, e o veterano ex-treinador do Brescia tem tudo para fazer um bom trabalho

Os italianos aguardam a estréia de Kaká numa partida oficial com bastante ansiedade

O brasileiro joga pela primeira vez uma partida para valer nesta segunda, contra o Ancona

Materazzi, zagueiro da Inter de Milão, está arrumando inimigos variados

Nas últimas três partidas, o defensor saiu de campo sob as acusações dos adversários de que estaria sendo desleal

Ele diz que está só jogando com ‘virilidade’

Que ninguém estranhe se ele acabar sendo atingido por uma pancada mais forte qualquer dia desses

Clube da Semana – Ajax

Poucos clubes no mundo são tão representativos do futebol de um país como o Ajax em relação à Holanda. O time de Amsterdam é a lembrança imediata da maioria dos amantes de futebol quando se pensa na Holanda. Também, pudera. Os maiores nomes da história do futebol holandês (como Cruyff e Van Basten) vieram do clube; os maiores times (como o tricampeão europeu no início da década de 70), idem. Mesmo o torcedor mais fanático de Feyenoord e PSV deve admitir que, para o mundo, nada é igual ao Ajax.

Mais do que um celeiro de craques, o time nascido na Kalverstraat, rua do centro de Amsterdam, o Ajax moldou o estilo de jogar do futebol holandês, com a ocupação de espaços no campo, pressão total e um estilo que explica com perfeição o ideal batavo de jogo: o “totalvoetbal”.

A história do Ajax é mais longa do que a maioria das pessoas imagina (o clube já tem mais de 100 anos), e nem sempre o clube foi uma potência no futebol europeu, primazia que foi levada ao mítico estádio De Meer por dois gênios: Johan Cruyff e o técnico Rinus Mitchels.

As origens semitas? Mentira…

O Ajax surgiu no ano de 1900, por iniciativa de Floris Stempel, o primeiro presidente, que estava querendo fazer ressurgir um antigo clube com o mesmo nome, oriundo do nome de um guerreiro grego da mitologia, somente menor que Aquiles. Naquela década, como no Brasil, o futebol se disseminava rapidamente, e novos clubes apareciam todos os dias. O primeiro jogo seria disputado ainda naquele ano, no IJ, então o campo do clube, contra o DOSB. A primeira temporada seria lucrativa, rendendo aos cofres do Ajax quase cinco florins, a moeda local…

Muita gente acha que o Ajax é um clube fundado pela colônia judaica, tal a identificação da torcida com elementos semitas (os hooligans do Ajax usam a estrela de David como seu símbolo), mas é um erro. Apesar da identidade existir, as raízes do Ajax não são mais judias do que as de qualquer outro time holandês. Ninguém afirma categoricamente por que razão o clube ganhou a fama, mas sabe-se que alguns fatos colaboraram, como a proxinidade do De Meer com o bairro judeu de Amsterdam, a presença de vários judeus no time da década de 60 e a formação de um ambiente amigável à colônia naquela mesma época.

O primeiro estádio, Middenweg, comportava 10 mil espectadores, na primeira década do século XX. Em 1911, o atual uniforme foi adotado, permanecendo por quase todo o século. Quatro anos depois, o clube receberia aquele que seria o nome mais importante de sua existência pré-Cruyff. Em 1915, o inglês Jack Reynolds foi nomeado treinador e venceria seu primeiro título nacional em três temporadas. Reynolds ficou no clube por 33 anos, contando os cinco anos que passou num campo de concentração nazista, durante a II Guerra.

Jack Reynolds: o Ajax muda de nível

Reynolds fazia o tipo militar, durão e disciplinador, e mudou o status do clube, passando o Ajax para um dos maiores times do país. Seu estilo inspirou o legendário Rinus Mitchels, arquiteto do ‘totalvoetbal’ e do Ajax de ouro das décadas de 60 e 70. Com o inglês, começava a se delinear a filosofia mega-ofensiva e com avanços pelas laterais que se tornaria sua marca registrada até bem depois de sua morte, em 1962.

Infelizmente para sua torcida, a carreira internacional do clube não foi exatamente um sucesso de imediato. Em 1930, o time batavo foi à Áustria para tomar uma piaba histórica do Rapid Vienna pelo placar de 16 x 2 (também a maior vitória do clube vienense). O esporte ainda era amador no país, status que manteria até 1957, quando foi organizada a primeira Eredivisie, a atual liga holandesa. O torneio foi vencido pelo Ajax (seu nono título), que estreou outro nome que marcaria época: Sjaak Swart, o jogador recordista de partidas com a camisa vermelha e branca do clube. Foram 603 jogos e 228 gols. No ano seguinte, a estréia do clube da Copa dos Campeões, onde não passou da segunda rodada.

Os anos seguintes foram duros para o clube, que quase caiu em 1964. Mas naquele ano, estreou no time principal, com 17 anos, Johan Cruyff. O jovem vivia nas redondezas, e foi lançado pelo técnico Vic Buckingham. A saída do inglês deu lugar para um ex-atleta do clube, Rinus Michels. Era o início de tempos inesquecíveis.

Cruijff, Michels e o ‘totalvoetbal’

Cruiff era o gênio, mas outros craques nasceram naquele time jovem do Ajax de 1965. Piet Keizer, Barry Hullshoff, Ruud Krol, Wim Suurbier, sem esquecer Sjaak Swart. O Ajax criava um novo estilo de futebol que faria seu debut internacional numa partida contra o Liverpool, pela Copa dos Campeões, em 1966. Os meninos de Mitchels devastaram o poderosíssimo Liverpool de Bill Shankly em Amsterdam, 5 x 1, e asseguraram a passagem de fase.

Este time se lapidaria nos anos seguintes e conquistaria a mesma Copa dos Campeões três vezes em seguida, de 1971 a 1973, sempre capitaneados por Cruijff. Depois disso, o astro se desentendeu com o resto da equipe e foi para o Barcelona. O Ajax sentiu o golpe e passou o resto daquela década vivendo das glórias passadas. O clube conviveria com este problema – perder jogadores para grandes clubes europeus – pelo resto de sua existência.

Cruijff voltaria a jogar no Ajax em 1981, mas rapidamente (embora tenha podido levantar mais um troféu nacional). Sua passagem marcante, contudo, seria como técnico, na metade daquela década, onde revelaria outra safra de jogadores espetaculares. Van Basten, Rijkaard, Koeman encantaram a Europa novamente. Todos iriam jogar for a do país, e Cruijff também repetiria a trajetória de 15 anos antes, indo treinar o Barcelona.

O final da década de 80 foi mesmo ruim. Rijkaard e Van Basten saíram por uma ninharia, e os jovens nomes do clube ainda eram inexperientes (o hoje veterano Bergkamp era um deles). Uma séria crise financeira se abateu no De Meer, e a solução foi chamar de volta um nome famoso da administração do Ajax. Michael Van Praag foi o terceiro Van Praag a comandar o Ajax, e juntos os três ficaram quase três décadas.

Van Praag e Van Gaal reerguem o mito

Em 1991, outro nome famoso do banco do Ajax chegava para fazer história. O então desconhecido Louis Van Gaal já tinha o temperamento autoritário de sempre, e seu ‘feeling’ não foi imediato, sempre com o fantasma de Johan Cruijff sobre si.

Mas Van Gaal ajudaria a revelar mais uma safra das divisões de base, com os já estabelecidos Bergkamp e Jonk, mas adicionando nomes como Davids, Kluivert, Overmars, Frank e Ronald De Boer, Jari Litmanen e Clarence Seedorf. O clube voltou à ribalta vencendo a Copa dos Campeões diante do Milan de Fabio Capello e o Mundial Intercubes em cima do Grêmio. Seu reinado durou de 1991 até 1997. Quase na sua saída, o Ajax mudou de casa, deixando o legendário De Meer para trás, e indo para a futurista ArenA, no subúrbio da capital.

Outro herói como jogador, Ronald Koeman, voltou ao clube para a atual fase do time. Koeman comanda uma renovação que pretende fortalecer o time tecnicamente, mas também deixar o clube financeiramente forte para poder vencer na Europa. As quartas-de-finais da Liga dos Campeões de 2003 são um indício de que os bons tempos podem estar voltando, e pela priemria vez longe do De Meer.

Amsterdamsche Football Club Ajax

Ano de fundação: 1900

Cidade: Amsterdam, na Holanda

Endereço:  Arena Boulevard, 29

Estádio: Amsterdam ArenA

Capacidade:  51.589

Principais conquistas:

4 títulos da Copa dos Campeões em 1971, 72, 73 e 1995

Título da Recopa em 1986

Título da Copa UEFA em 1992

28 títulos nacionais: 1918, 19, 31, 32, 34, 37, 39, 47, 58, 60, 66, 67, 68, 70, 72, 73, 77, 79, 80, 82, 83, 85, 90, 94, 95, 96, 98 e 2002

15 Copas da Holanda: 1917, 43, 61, 67, 70, 71, 72, 79, 83, 86, 87, 93, 98, 99 e 2002.

Principais jogadores:  Johan Cruyff, Marco Van Basten, Wim Anderiesen, Piet Keizer, Barry Hullshoff, Ruud Krol, Wim Suurbier, Johnny Rep, Sjaak Swart, Ronald Koeman

Site oficial:

www.ajax.nl

Clube da Semana – Dom Pernil

O último da UEFA

No próximo dia 14 de agosto, Andorra deve parar. Deve parar porque certamente acompanhará seus guerreiros que estarão em Esbjerg, na Dinamarca, disputando a primeira rodada da Copa UEFA. Será o début da temporada européia do glorioso Don Pernil Santa Coloma, o atual campeão andorrano. Sim, Andorra, aquele que o Brasil enfrentou num amistoso antes da Copa da França, em 1998.

Andorra é um pedacinho de terra encravado entre a França e a Espanha, com 450 km², onde a língua mais popular é o catalão. Cerca de 20 mil dos seus 65 mil habitantes vivem na capital, Andorra La Vella, cidade onde o Don Pernil está sediado, e também local que abriga o seu estádio, o minúsculo Estadio Comunal de Andorra la Vella, que quando está absolutamente tomado, suporta 900 espectadores.

Pode parecer piada, mas não é: enquanto clubes tradicionais como o Atlético Madrid, Bologna e West Ham amargarão uma temporada sem futebol europeu, o Don Pernil Santa Coloma conseguiu a sua vaga na primeira fase da competição, num ano onde venceu campeonato e copa nacionais, desbancando os dois maiores times do principado, o Principat e o Encamp.

E qual o motivo para o foco no Santa Coloma? Quero dizer, Don Pernil Santa Coloma? É que o clube andorrano, ao lado do sanmarinese Domagnano, é o pior time da UEFA, com um coeficiente 0,0000 no ranking que qualifica as equipes dentro dos torneios da entidade. Mas fica dede já um aviso: para quem pensa que o DP está estreando em torneios internacionais, se engana, porque na última edição da Copa UEFA, o clube andorrano pegou o Partizan Belgrado.

Apesar dos 8 a 2 que o DP sofreu no placar agregado diante do clube da Sérvia e Montenegro, os dois embates continentais são a maior glória da curta estória da agremiação, que completa 17 anos em 2003. E com toda a animação do mundo, o Don Pernil se prepara para enfrentar o Esbjerg confiante num grande resultado, que transformaria a capital numa grande festa. Ou nem tanto…

Se houver comemoração, já se sabe onde ela acontecerá. O clube, na verdade, é o time de um bar existente em Andorra La Vella, chamado Don Pernil. Os freqüentadores do boteco é que se cotizaram há 17 anos e criaram o clube, que hoje arrebanha 95 sócios, e leva o glorioso nome do estabelecimento nas camisas, para orgulho do país.

O Don Pernil também tem o seu David Beckham, que é Juan Julian Lucendo, jogador que, segundo consta, chegou a atuar pelo Barcelona, quando este ainda era comandado por Johan Cruyff. Porém, últimas notícias dão conta de que Lucendo não estaria mais no quadro de atletas do clube.

O pitoresco clube, que figurará numa competição onde as fases finais costumam valer grandes somas, tem um orçamento annual bem baixo, cerca de 36 mil euros, ou a décima parte do que Ronaldo Nazário recebe por mês do Real Madrid. Nada incomum para uma equipe que recebe, em média 150 espectadores por partida.

Na última temporada, o Don Pernil enfrentou um problema sério. Seu goleiro tomou uma suspensão de 24 partidas depois de ameaçar de morte o juiz num programa de TV, além de disparar impropéries contra o presidente da federação andorrana de futebol, o mesmo que agendou o amistoso com o Brasil.

Em seu website, o Don Pernil Santa Coloma se intitula “FC Santa Coloma”, uma vez que um clube, ainda que tenha tido a origem que teve o DP, não pode figurar no futebol internacional com um nome que suscite piadinhas engraçadalhas. Mas há quem diga que o DP prepara seu crescimento. Quem sabe, dentro de alguns anos, nós não presenciemos uma final de Liga dos Campeões entre Real Madrid e Santa Coloma, com o patrocínio de Don Pernil?

Dom Pernil Santa Coloma (FC Santa Coloma)

Ano de fundação: 1986

Cidade: Andorra La Vella, Andorra

Endereço: Avda. Salou nº 22 de Andorra la Vella

Estádio: Estadio Comunal de Andorra la Vella, Andorra

Capacidade: 900

Principais conquistas:

– Campeão Andorrano em 1996, 2001 e 2003

– Campeão da Copa de Andorra em 1991, 2001 e 2003

Principais jogadores: Jesus Julian Lucendo

Site oficial:

http://www.fcsantacoloma.com

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